Amor ou Amizade? (Betty e Armando)
3 Capítulo 3 -O convite
Esta noite, a noite do Dia dos Namorados (ou do amor e da amizade nos países latinos) depois de falar com Nicolás, Betty voltou a chorar ao recordar o que escutou da conversa de Armando e Mário. E ela continuava solteira, sem namorado ou sequer um rolo (ficante). E o pior era que até seu eterno amigo solteiro Nicolás havia arrumado uma garota, a nova recepcionista de Ecomoda.A moça era alta e loira, um clone perfeito de Patricia Fernandez, com a diferença de que era simpática e bem-humorada. Nicolàs há muitotempo havia desistido de tentar conquistar Patrícia, nem como salário que recebia como gerente financeiro conseguia suprir todos os gastos e gostos de Patty. O romance com Kátia ia bem.
—Era tudo o que faltava, além de feia, solteirona serei solitária e sem meu amigo de sempre! -chorou
Para não perder o costume, recebeu um cartão de Nicolás e uma de seus pais (lá é o dia do Amore da Amizade) e abraços de Don Armando, Freddy e Wilson.
Mas continuou triste, pois todos os anos, ia com as meninas do quartel de rumba, mas este ano as coisas as coisas haviam mudado um pouco: as do quartel haviam arrumado namorados ou rolos e Betty era A ÚNICA SOLTEIRA do grupo. Até Sofia e Efraim estavam tentando, em meio a brigas, reatar e as ex-solteiras do quartel estavam namorando também. Só ela, Betty, estava sozinha. Aparte disso, havia sido convidado para o baile do Amor da Amizade que se realizaria no salão de festa de sua Igreja. A qual todo ano ia com Nicolás, ele iria com Kátia. Logo, se sentiu a mais sozinha do mundo, fechada em sua sala. Tinha uma bela e promissora carreira, amigos, estabilidade,mas estava destinada a viver sozinha. Se não podia casar-se, sonhava em ter, ao menos, um filho. Poderia adotar um e dar amor a alguém. Sentia este impulso. Isto! Procuraria na Internet um orfanato ou casais que não podiam cuidar. Seria a realização de um sonho.
Mas tinha que primeiro solucionar a questão do Baile da paróquia de sua igreja, não queria ir sozinha.
—Quem sabe, encontro um colega da universidade, alguém que possa me acompanhar à festa domingo? Se é do Amor e da Amizade não tem problema ir com um amigo, um novo amigo, quem sabe...
Mas quem iria querer sair com ela? Tampouco iriam os seus vizinhos e muito menos os da escola ou Universidade. Era Betty, a feia. Não havía jeito, ia ser sempre assim. Logo, abaixou a cabeça e começou a chorar. Não voltaria tão logo para casa, não queria que seus pais ficassem tristes.
Nesta noite, apesar de ser Dia dos Namorados, Armando estava na sala da Presidência falando com Catalina pelo telefone sobre o próximo lançamento e as atrações e quanto iria custar tudo.
—De minha parte, Cata, se Betty e Nicolás estiverem de acordo, assino embaixo! Vou ver com eles e volto a chama-la, ok? Mas acho que temos uma reserva para isso. Já chamo!
Armando foi à sala de Betty, A esta hora, as secretárias já tinham ido com seus pares para comemorarem o Dia dos Namorados, insistiram que Betty fosse, mas ela deu uma desculpa qualquer. ,mas Armando pesou que como Betty sempre ficava até mais tarde, podia estar lá ainda.
Ela estava, com a cabeça abaixada, distraída e absorta em suas reflexões. Armando já estava irritado de chama-la e não receber resposta.
—BETTY! MAS O QUE TEM QUE NÃO OUVE O QUE TE DIGO?
Betty levantou a cabeça e pôde ver que estava chorando. Estava pálida e tinha olhos profundos, parecia ainda mais feia.
—Mas o que acontece, Beatriz?
Betty se recusou a falar a respeito e dizendo que não era nada, mas Armando seguiu preguntando. Nunca a havia visto assim e estava preocupado, mas também irritado, por não se abrir com ele. Eram amigos ou não?
—Quer saber? Se é assim, não somos mais amigos, Betty!
Betty começou a chorar de novo e isto doeu em Armando, pois nunca gostou de vê-la chorando.
—Está bem, perdão! Sabe que sou um ogro! –Sorriu, assim ela teve que sorrir de volta – Assim é como me chama o quartel! Vocês tem razão!
—Eu? Eu nunca te chamei assim.
—Não? Mas escutei...
—Elas te chamam, eu não!
—E como me chama?
—De "meu príncipe" -pensou
—Eh ... de meu amigo, meu parceiro! — disse Betty, secando as lágrimas e sorrindo
—Isso espero! -esboçou um sorriso que marcou suas covinhas “Tão divino. Assim é para mim ”. –pensou –Mas diga-me, por que chora, Beatriz?
—Oh, Seu Armando. É uma besteira!
—Não pode ser por uma besteira! Você não é de chorar por besteiras!
—É ... que ... -ri –Deixa para lá! –tinha vergonha- Riu de seu jeito — Já sabe, besteiras!
—Pensei que nos conhecíamos a tempo suficiente para confiarmos um no outro! Confio em você! Te conto meus segredos, confio as finanças da minha empresa e não pode nem por um momento confiar em mim! Que tipo de amizade temos?
—Está bem! Mas irá rir de mim e pensará que são bobagens!
—Não! Não vou!
Ante à insistência de Armando, Betty começa a contar. Armando, que conhece Betty desde há quatro anos, nunca pensou que se importava com isso, pois sempre estava feliz.
—Mas é fácil de resolver, Betty! Vá com um amigo! É festa do amor e da amizade, não? Então, não se preocupe! Com certeza, tem amigos que poderiam te leva-la!
—Quem? Até Nicolás que ia comigo, agora tem namorada, assim como Freddy, Wilson e todos os amigos homens que tenho tem namoradas ou esposas.
—Eu... eu... vou pensar em alguém. Algum dos mus amigos podem te acompanhar.
—Não, doutor! Como assim? Sou muito tímida para sair com estranhos e ainda mais em um baile de amigos ou namorados. O que pensarão?
—Oh, Betty! Não pense assim! Não é tão difícil assim.
—Não é difícil para o senhor arrumar uma acompanhante, pois é... é... LINDO assim, mas eu sou FEIA! FEIA! No sentido amplo da palavra!
Armando deu de ombros, o quartel e muitas outras moças feias que conhecia saíam e tinham namorados, por que Betty não poderia?
—Olha, quer saber? Tenho fome! Podemos sair e comer algo por aí!
—O senhor e eu? Hoje?
—Sim. Mário há ido caçar e não quero ir tão cedo para casa. Não estou de bom humor para aguentar Marcela assim a seco.
—Mas é dia dos Namorados, Seu Armando, nem assim o senhor e dona Marcela...
—Vou levar algo de presente para ela, mas creia, que não me nasce nada! É algo totalmente arranjado! E ela sabe.
—Mas ela te ama!
—Ela sempre soube que foi um casamento arranjado, mas não sei se apaixonou. E não tenho culpa disso. Nunca me apaixonei, Betty! –isto a chocou, pois pensou que talvez na juventude pudesse ter amado sua esposa ou com a convivência. Lamentou por ele. Se sentia tão bem, amando-o ainda que em segredo.
—Sim, vamos!
Os dois foram a um restaurante francês novo, Doinell´s recentemente inaugurado na capital. O dono era um francês radicado na Colômbia, amigo de Catalina. Betty o conhecia desde o dia em que ele começou a acompanhar Catalina nos lançamentos da Ecomoda. Michel, como sempre, foi muito amável e gentil. Quando abriu um restaurante na Capital, assim como já tinha em Cartagena, Betty e Catalina foram prestigiar. Mas apesar de conhecê-lo de vista, Armando ia poucas vezes a este restaurante. Mas foi para aí que resolveram ir para conversarem sem serem incomodados pelas conhecidas dele. A comida, um Ratatouille, prato típico e popular (muito diferente do que comiam no Lenoir –Lenoar) estava muito saborosa. Então, entre sucos e vinhos, como dois bons amigos se sentiram à vontade para falar de suas vidas e não só de negócios. Há tempos não desabafavam, pois a vida apressada que levavam não lhes permitia. Ao vê-los sozinhos na mesa conversando, à noite, em uma data tão significativa, Michele enviou champanhe e flores à mesa dele como cortesia da casa, especial Dia dos Namorados.
—Não ojoj Michel!
—Não são um casal ....ulalalá? ¡Mon amor! -Betty ficou vermelha.
—Não, imagina, Michel! Seu Armando é meu chefe, mas somos muito bons amigos! Ele está casado! ¡Ni Que nunca chegue nos ouvidos da mulher dele ou me mataria, mesmo sendo feia!
—¡Imagina, não é feia, Betty! Bem, perdão, queria ajudá-la!
—Sem problemas!
Armando estava mais envergonhado.
—Já falei com Michel jojo pensou que éramos um casal!
—Jura que ele pensou isso?
—Ojojo me dsse! Sim, seu Armando! Melhor comermos logo e irmos, pois podemos ter problemas ... Dona Marcela me odeia e mesmo sendo feia, se souber que saímos esta noite. Não vai gostar nada! Vai matar sua amiga feia aqui! Oj oj oj
—Pare de falar assim, Betty! Já disse!
—Não se importe, doutor! Estou acostumada a ser feia! Fui assim toda minha vida!
—Não, Betty!
—E isto aconteceu aqui com Michel que é amigo, mas imagina se acontecesse em lugares como Méson de san Diego e como seria se pensassem que foi jantar no dia dos namorados com a mulher mais feia de Colômbia?
—Olha, quer saber? Para com estas ideias de ser a mais feia disso e daquilo! Cata me disse o mesmo! Para de achar que tudo que lhe acontece na vida é por ser feia ou não!
—Mas sempre foi, seu Armando! Esta é a história de minha vida!
—Por que não muda, muda esta forma de ver as coisas!
—Não é como vejo, e sim como é e isto não vai mudar! Como sempre diz Nicolás? Nasci feia e sempre serei assim! Oj oj oj
—Não é assim! Olha, o que teria que acontecer para que acreditasse no que lhe digo?
—Que ao menos um dia eu ficasse bonitinha ou ao menos apresentável!
—Hum ... e assim iria acreditar?
—Oj oj oj e se um tipo bonito me levasse ao Baile do Amor e da Amizade!
—Ah e teria que ser bonito? Mas que exigente é você!
—-No Oj oj oj é só uma piada! Seguindo o fluxo. SE fosse uma boa pessoa, com um bom papo e inteligente estaria bem também. Mas já que me perguntou, se for bonito estaria completo! Oj oj oj
Não vai sempre com a modelo mais bonita aos coquetéis?
—Isto era antes do casamento, agora se vou sem Marcela, ela me mata! Mas sim tem razão. A verdade é que ninguém está imune a julgar outro pela aparência, sem conhecer outro a fundo. Não sou assim o tempo todo superficial, sabe?
—Bem...
—Betty!
—Não, seu Armando, de fato, o vejo como um homem justo, como sempre foi. Me contratou, levando em consideração meu currículo, minhas habilidades e não minha aparência!
—É que fiquei muito impressionado com seus conhecimentos sobre Ecomoda, até meu pai ficou impressionado!
—Menos dona Marcela!
—Marcela sempre foi superficial, até mais que eu!
— ¡Salud!
—¡Salud! (brindes)
—Bem, voltando ao tema ... você falou da Festa da Paróquia de bairro.
—Sim. (comendo)
—Quer ir com um tipo bonito, é isso? (Risos)
—Disse que era uma piada....
—Mas levei a sério ... Bem, na sua opinião, eu sou bonito, Beatriz? –segurou seu queixo com a mão para que o olhasse nos olhos
—O senhor? (engasgou)
—Acha ou não?
—Sim claro, Seu Armando! (bebendo suco)
—E tenho um bom papo?
—Sim, claro!
—Sou inteligente? Ou ao menos não sou do tipo bonito e burro?
—Muito! Não seria engenheiro industrial à toa!
—Então, játemos um candidato para levá-la à festa da Paróquia domingo!
—?Como assim?
—Tenho um tipo perfeito para acompanhá-la ao baile.
—Alguém para acompanhar-me?
—Sim.
—Mas é confiável?
—Muito. Quero dizer, normalmente não é, mas contigo será um cavalheiro.
—O conheço?
—Muito! O vê quase todos os dias!
—Ah não, seu Armando, não é seu Mário, é? (ai!)
—Quer ir con Mario?
—Não! De modo algum!
—Jamais a mandaria com Mário!
—Então, com quem, seu Armando?
—Uma pessoa que te conhece muito bem, teu amigo y e confidente.
—Doutor, já disse que Nicolás não poderá me acompanhar, pois irá com Kátia!
—E quem disse que falo de Nicolás?
—E de quem está falando, doutor?
—Ora essa! De mim. Vai a esta festa comigo!
—Como assim, doutor? Não posso ir a esta festa contigo!
—Ah, mas com Nicolás iria, por que não comigo? Não me considera seu amigo, mas Nicolás sim?
—Oh, doutor! Não é isso! Conheço Nicolás desde sempre e somos iguais, assim de feios. Seria horrível para o senhor acostumado a estas festas chiques da sociedade ir a uma festa de bairro, ainda mais com uma feia como eu!
—Ficaria muito feliz de te devolver, ao menos, um pouco do que fizeste por mim. Acredite, Betty, será um prazer para mim ser seu acompanhante nesta festa. É minha amiga, sabe? E nunca tive uma, a única! Sabe disso?
—Sim.
—E aceita meu convite?
—A pergunta é o que acontecerá comigo se dona Marcela descobre? Sabe como me odeia!
—Marcela cabe a mim! Eu cuido dela! Quero saber se aceita! E antes que diga “senhor acostumado a estas festas chiques da sociedade ir a uma festa de bairro, ainda mais com uma feia como eu” (a imita com perfeição) deixe comigo que sobre isto, já sei o que fazer!
—Mas o que fará, doutor?
—-Deixe comigo! Só aceite!
—Ai, doutor, não sei...
—ACEITE! É UMA ORDEM!
—Es-tá b-bem...Sim, doutor!
—É uma piada, Betty! –ri -Mas sabe o narcisista que sou e também egoísta e se te prôpus ir comigo é porque tenho carinho e estima por você e somos amigos. Não gosto que chore, já disse. Assim, aceita, pois não sou de ficar implorando à mulher alguma!
—Sim, doutor! Aceito! Mas peço que ninguém na empresa saiba disso, nem sequer Seu Mário!
—Sim, também ia lhe pedir isso!
—Vamos à festa?
—Sim!
Apertam as mãos.
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