Amor ou Amizade? (Betty e Armando)
2 Capítulo 2 –A mulher de meus sonhos
“Saio de meu carro e entro em minha casa. Mas não o apartamento de luxo na zona norte de Bogotá, onde vivo atualmente com Marcela e muito menos a Mansão Mendoza que herdará de meus pais. Não. E isto me intriga. A casa onde vivo em meu sonho é uma dessas casas de dois andares destes bairros de classe média. Uma casa pequena e modesta para meus padrões, mas muito bonita, aquecida, com chaminé. A meu lado, de braços dados, em lugar de Marcela, vejo a outra mulher, muito mais bonita. Ela tem o cabelo castanho liso comprido até a cintura. Seu rosto é doce, tem traços finos, um belo sorriso, olhos castanhos profundos, pose de intelectual. Me olha apaixonadamente e me abraça. A tomo em meus braços, a beijo e entramos nesta casa, a nossa. Onde nos amamos apaixonadamente. Conheço tanto esta mulher de meus sonhos que podia reconhecê-la se a encontrasse em qualquer rua. Mas NUNCA A VI EM NENHUM LUGAR NO MUNDO REAL! A tenho buscado por todas as partes, no Oráculo das Deusas de Mário, nos catálogos, nas agências e até entre o povo da rua.
—Mas tigre! Isto é só uma idealização de sua mente! Uma projeção. É seu cérebro trabalhando para encontrar a mulher ideal para você! Mas é uma ilusão!
—Não, Mário! Ela deve existir! Pois ele elegiu por mim! Vou tentar fazê-lo entender! Se eu tivesse que escolher uma mulher para mim, seria como Michelle Pfeifer ou Adriana Arboleda, entende?
—Sim, Karina Larson. Assim explosivas! (eles colocam cara de tarados) Mas esta (cara sonhadora) que aparece em meus sonhos nestes anos todos não tem nada a ver com estas tipas que conhecemos!
—Por quê? É feia?
—DE JEITO NENHUM! Minha Dulcita (como a chama) é linda, mas diferente. É doce, amorosa, tranquila e ao mesmo tempo, sensual. Me excita, a sensualidade de uma menina. Sempre acordo suado e a postos. É inocência, doçura e sensualidade em uma mesma menina-mulher.
—Até eu me excito do modo que fala desta moça!
—Nem pense! DULCITA É MINHA!
—Fala como se existisse.
—ELA EXISTE! Mas não sei onde está! Olha, vamos trabalhar! Chamarei Betty para fazer as projeções!
—Sim, nosso monstrinho está cada vez mais brilhante e a cada dia MAIS FEIA!
—NÂO FALE ASSIM DELA, TE DISSE! Além de ter sentimentos, é minha mão direita. A melhor amiga do mundo!
—E o que sou?
—¡Um idiota! Um cachorro! Mas ainda assim, meu irmão de alma! Está com ciúmes de minha amizade com Betty? Se não fora por ela, não estaríamos aqui!
—Sim, tenho ciúmes, porque antes seus segredinhos, sua cumplicidade e amizade eram só comigo, mas agora é “O que será que Betty pensa disso?” “Se Betty não concordar, sem chance!”
—Homem! Já percebeu que assim parece Marcela-riu- Sei não...
—Você me despreza! Não me dá mais valor!
—Betty não faz estas cenas!
—Viu
—Betty me escuta em tudo!
—Mas te escuto!
—Não escuta nada! Só escuta a parte que falo do que faço com as mulheres na cama. Lógico que não vou falar estas coisas para Betty. Não se diz grosserias assim a uma senhorita como Betty, mas falo da parte poética, para ela penso que é poética, como os restaurantes, os lugares, as roupas, as viagens.
—Quanta bobagem!
—Para você! Mas ela acha tudo bem interessante e divertido!
—Claro! Para a vampirin só nos sonhos poderia viver isso tudo!
—Mário! Pare com estas besteiras! Ela é minha amiga e não acho bom que fala assim dela.
—Como queira! Mas Eu posso ensinálo como agir com Marcela para que fique de boa contigo: leve-a para jantar, depois a um motel, deite-se com ela e... PRONTO!
—Não sinto nenhuma emoção com Marcela há muito tempo! Piorou muito depois do casamento. Me persegue, me segue, pergunta se as mulheres beijam como ela, se fazem amor como ela. Se saí com modelos! Só faço com ela para que pare de falar, pois quando começa, não para!
—Casamento é assim!
—NÂO, NÃO É! NÃO O DE MEUS PAIS!
—Uma exceção!
—E dos pais de Betty também!
—¡Y los padres de Betty también! Don Hermes Pinzón é um homem bem machista e antiquado, mas mesmo assim ele e Dona Júlia se dão muito bem. Já Marcela e eu está na cara que não nos daos bem! E acredita que agora inventou de ter um filho?
—Agora? Que idade tem?
—35!
—O relógio biológico está correndo!
—Com relógio ou não, nem vem! Trazer uma pobre criança ao mundo para sofrer? Brigamos todos los días. E consegue me imaginar pai? Outro como eu? Como nós?
—Um cachorro!
—Sim! Um desses!
—Pobres mulheres do futuro! Ah, mas pense bem, já pensou nós três saindo a caçar as gazelas por aí?
—Nem vem!
—Mas a verdade é que não existe a mulher certa para você e a prova é que está casado com Marcela! Ela é bonita, rica, tem classe, sobrenome e sempre me disse que era ardente. Que gosta que lhe faça sexo violento, mas nem por isto, se apaixonou por ela. Por quê? A resposta é que gosta de todas! Todas são seu tipo ideal
—Não entende! Simplesmente não entende!
Betty chega com os cálculos e os informes.
—Oi, Betty! Quer um café?
—Sim, grata!
Armando lhe serviu e enquanto tomava seu café, ele lhe sorriu, sentou-se junto a ele, devolvendo esta mirada de cumplicidade que compartiam há quatro anos.
Betty continuava feia e perdidamente apaixonada por Armando, como sempre. A diferença é que agora tem uma carreira bem construída em Ecomoda, um nome conhecido no Mercado. Até chegou a receber umas ofertas de trabalho de outras empresas, mas as recusou, pois gostava de trabalhar para Ecomoda. Além disso, continuava administrando Terramoda com Nicolás e seu pai, a pedido de Armando, o que lhe rendia um extra. Terramoda se converteu em uma empresa solida no ramo de Investimentos, na Bolsa e em capital estrangeiro, atuando também como parceira de Ecomoda patrocinando desfiles e emprestando dinheiro quando necessário.
Estavam reunidos Betty e Armando, quando chegou Nicolás à residência.
—Boa tarde, chefes!
—Isto são horas? -disse Armando olhando seu relógio
—Chefe! É que antes tive que passar em alguns lugares. Mas que mal humor, não?
Armando franziu a testa e Betty riu a sua maneira.
—Cavalheiros, por favor!
Depois, se concentraram em calcular os custos da nova coleção.
—Sei que, ainda que, as coisas tenham melhorado nos últimos anos, os custos dos provedores de tecidos e insumos seguem altos!
—Sim, mas não podemos fazer nada a respeito! Não podemos simplesmente reduzir os custos e cair de novo nos mesmos erros!
—Como baixar a qualidade dos tecidos?
—Ah isso nunca! Só podemos negociar melhores condições de pagamento e prazos mais largos! –disse Beatriz
—Sim, creio! Pode fazer isto, Betty?
—Sim, lógico, don Armando! –disse Betty com os olhos brilhando.
Em uma hora, com carta branca, Betty podia negociar como queria com os provedores.
De volta à sala de Betty:
—Segue como sempre, hein, Betty?
—Como assim?
—Louquinha pelo doutor Mendoza! Não sei como ele não nota nada! Devo ser mais cego que nós dois juntos! Eu notaria na hora se uma mulher babasse por mim como faz por ele!
—¡Oh jojojo, Nicolás! Até parece que Don Armando casado com uma mulher tão bonita como dona Marcela e um monte de mulheres lindas a seus pés iria reparar se Betty a feia morre por ele! Não! Estou muito feliz de que me consideres sua amiga.
Pelo menos me tem como a pessoa que mais confia como me disse, mais que seus pais! Não posso querer mais que isso!
—Mas se pudesse gostaria de ter algo mais com o doutor, não
—Olha, Nicolás, tampouco quero continuar a falar disso! São somente meus sentimentos e nada mais! –aperta o coração –Ainda mais, ele é um homem casado e com uma das acionistas desta empresa. E dona Marcela e nós nunca nos demos bem! Não quero mais problemas do que já tenho com ela. Don Armando com ou sem dona Marcela tem muitas opções antes de perceber algo em Betty a feia!
—Não elogiou seu sorriso?
—ojojojo ¡Ah! Foi quando tirei o aparelho! -Betty sorriu, recordando.
—
Flashback
—Bom dia, don Armando!
—Bom dia, Betty! –sem olhar- Aqui estão os informes!
—Sí, deixa-me ver. Muito bem, Betty! Creio que assim podemos lograr este objetivo!
Ele sorriu e ela lhe devolveu.
—O que aconteceu? Está diferente?
—Ah! –riu de seu jeito- Tirei o aparelho!
—¡Ah, deve ser isso! Deixe-me ver! -Armando sorri para que ela imite seu sorriso -Gostei!
—Quê? -Armando segura seu queixo.
Seu sorriso! Devería ter feito isto antes!
—¡Ah! -ficou vermelha e arrepiada até a medula com seu toque Neste momento chegou Marcela com Mário.
—Posso saber o que está acontecendo aquí?
—Nada. Beatriz tirou os ferros y estou elogiando.
—?E precisa tocá-la? ?QUE FAZ? ?Fará o quê? ?Beijá-la por isto? ESCUTA AQUÍ, ESTÚPIDA!
—Com licença, Don Armando. -Betty fugiu para sua sala, colocando Marcela ainda mais nervosa
—HAY ESTA MULHER! SONHO COM O DÍA EM QUE A EXPULSAREI DE MINHA EMPRESA!
—SOBRE MEU CADÁVER, MARCELA! BETTY, ALÉM DE MUITO COMPETENTE EM TUDO QUE
FAZ, É MINHA MÃO DIREITA, TEM ANOS NA EMPRESA, TEM UN DOUTORADO EM ECONOMÍA E ADMINISTRAÇÃO. ALÉM DISSO, TEM BOM NOME NO MERCADO ...
—¡ESTÁ BEM! MAS QUE ODIO! SE NÃO FOSSE COMO É, DIRIA QUE... TIRAR OS FERROS NÃO MODIFICOU SUA CARA DE HORROR! VAMOS Á SUA CASA AGORA!
—NÃO! TENHO MUITO TRABALHO A FAZER AQUÍ! Tenho que reduzir custos ...
—NÃO INVENTE DE REDUZIR A QUALIDADE DOS TECIDOS OUTRA VEZ!
—SOBRE ISSO, NEM FALAR! NUNCA MAIS!
—Assim espero. ¡Oh meu amor! Mas não fique até mais tarde, prepararei todo, a jacuzzi, a roupa ...
—Shiu ...
Só quando Mário olhou bem para eles que Marcela se deu conta que estava ali...
—BEM, TE ESPERO, ARMANDO! -beijo- ESTAMOS CASADOS, VOCÊ É MEU E POSSO FAZER O QUE QUIERA QUANDO QUEIRA! -E se virou.
Mário começou a rir
—Que foi, idiota?
—Mas estas mulheres suas ...
—Que mulheres? Estou casado com esta louca e dou minhas escapolidas!
—Neste caso me refiero a Beatriz! Olha, irmãozinho, controla este amor por Beatriz! Marcela pode se dar conta e converter a vida da pobre em um inferno.
—Está louco? Bebeu o quê? Por Betty não sinto nada!
—Só não admite porque é feia! Mesmo sem aparelho segue sendo um monstro, não tem jeito para ela!
—Não fale assim dela!
—Só que antes tirávamos sarro dela e agora, ninguém pode falar nada, isto deve ser paixão!
—CALA A BOCA! Não volte a falar dela assim! Entre Betty e eu não acontece nada e não é porque seja feia ou não! É que... que...Somos muito amigos, a vejo como minha irmã, Camila. Tenho um carinho e uma enorme consideração por ela, pelo que fez por nós e a empresa. Então, aparte de ser feia ou bonita, não poderia vê-la de outro jeito!
—Já sei, Mendoza! Mas se fosse bonita, ao menos ...
Armando fechou os olhos, tentou imaginar e lembrou-se de seu sorriso.
—Não, imagina.
Betty havia escutado parte da conversa e lágrima caíram. Como o amava. Claro que desde que desde seu casamento havia perdido a esperança de tê-lo ao menos um dia em seus braços.




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