Notas iniciais
Era a festa de Bodas de três anos de Marcela e Amando. Se realizava no clube, com convidados da alta sociedade colombiana, convidados ilustres como empresários, políticos, investidores e clientes de Ecomoda e misses Colômbia. Claro, Marcela, Maria Beatriz, Patrícia e Margarida estavam radiantes, mas para Armando aquilo era uma tortura. Para variar, Mario tirava sarro dele.

—Parabéns, irmão! Ânimo!

—Ah vá!

—Assim não chega aos 5 anos!

—Que assim seja!

—Irmão, não é tão mal assim. Passou bons momentos com Marcela na cama, não disse?

—Olha, Mário. Isto é passado!

—Se não está bom, podemos dar um jeito nisso!

—Como? Diga-me como?

—Fácil! Como sempre fez: com as amantes. Tenho duas mulheres que se saíres com elas, esquece até de seu nome.

—ISTO JÁ ACONTECEU! NÂO SEI MAIS QUEM SOU! NÃO ME IMPORTA MAIS ESTA EMPRESA, MINHA FAMÍLIA, MAIS NADA!

—Como assim?

—Vou acabar com esta farsa!

—O que quer dizer?

—Este casamento, Caldeirón1

—Como?

—Não posso mais!

—Olha, disse-me que não se casaria com Marcela e casou. Disse que não conseguiria chegar a um ano de casado e está completando 3. Também disse que não chegaria aos três anos e está caminho dos cinco. Sabe que não pode se separar!

—Posso!

—Sabe que precisa estar casado se quer governar Ecomoda por muito tempo ainda!

—E se não quiser, ah? E se não me interessar mais administrar Ecomoda?

—Está louco, o quê? Já sei está assim por conta de seu ex-monstrete!

—Se não quer que briguemos pare de falar dela deste jeito!

—Ah vai brigar comigo agora? E onde ficou a promessa que nunca brigaríamos por uma mulher? Vamos! Deixa de brigar comigo. Vai beber, curtir a sua festa de bodas e amanhã. Saímos para tomar uns tragos e vou te levar para as conhecer as meninas. Não vai se arrepender!

—Posso ir beber. Mas não ponha mulheres nisso!

—Está saindo com Hugo Lombardi?

—NÃO!

—Betty está muito bonita, mas tem muita mulher bonita por aí!

—Nenhuma é como ela!

—Antes era a Dulcita, a mulher do sonho. Agora, está assim por Beatriz! Acorde! E se ela não volta?

—Vai voltar!

—Como sabe?

—Porque me disse! E porque sei que é minha, não pode viver sem mim, assim como não posso viver sem ela!

—Não viveram anos antes de se conheceram?

—Sempre faltou-me algo!

—Meu amor! O que faz aí?

—Conversando com Mário.

—Está com algum planinho?

—Imagina. Vai começar o escândalo?

—Não, meu amor! Hoje não. Ainda mais não tem como. Hoje será todo meu!

Mário arregala o olho.

Marcela arrasta Armando para tirarem as fotos, posando para as revistas Hola! e Jet Set!

—Sorria, meu amor! –diz Marcela

Apesar de tudo, ele sorri.

—Com dentes.

—Está bem assim, Marcela.

—Sorria com dentes!

Também se juntam Margarida, Roberta e Maria Beatriz.

—Daniel, venha!

—Preferia não.

—Daniel, não me faça isso!

—Sorria, Armandito. Não está feliz? Então, somos dois. Odeio que esteja casado com minha irmã.

—E eu odeio você!

—Meninos, se comportem! –disse Roberto.

Todos sorriram falsamente para a foto.

Aquele tipo de festa da alta-sociedade onde todos fingiam uma felicidade que não tinha, onde Armando sempre enchia a cara para fingir esta felicidade. Mas neste dia nem a bebida poda aplacar a saudade de Beatriz. Não sabia onde estava. Nem seus pais, nem ninguém.

Beatriz havia ido por uns dias à casa das Tias Pinzón que ficaram muito felizes ao vê-la tão linda, mas que sentia uma tristeza em seu olhar, algo que não tinha antes, pois apesar de sofrer tanto bullying, havia aprendido a superá-lo e sempre tinha um brilho no olhar.

Depois, deste mês entre a casa das tias Pinzón, havia chegado o dia de voltar à Ecomoda. Havia decidido que assim faria. Apesar de ser uma executiva com uma sólida carreira, que poderia conseguir emprego em qualquer lugar, por competência, experiência e boa aparência, não poderia deixar Ecomoda de uma hora para outra. Lá tinha suas amigas, Nicolás, seu pai que uma vez fazia auditoria e o Imposto de Renda dos executivos. Também tinha Seu Armando. Para o bem e para o mal.

Para o bem, pois apesar de tudo foi a única pessoa que a deu oportunidade de trabalhar sem se importar com sua aparência. Que a deu a oportunidade de crescer e se tornar a profissional que era. Pela amizade e a cumplicidade que tiveram desde o começo.

—Por que, Beatriz, por que deixou-se levar e permitiu que rompessem a Friendzone e fossem amantes? Não sabe que nunca deixará sua mulher? O que pensaria seus pais disso? Senti que tia Aurora sabia o que estava acontecendo.

Por mal, porque sempre foi louca por ele desde o primeiro dia.

—Mas Betty, sabe que sempre sonhou em tê-lo em seus braços; Sempre foi o homem de seus sonhos. E não havia como resistir, Betty. Não naquele momento, mas agora sim. Ele gosta de sua vida, por mais que o sinta teu quando o tinha em seus braços, é apenas uma em sua cama. Ele gosta de muitas. Pois bem, Seu Armando, não mais. Não serei uma a mais!

—____

Tudo mudou

Assim, Beatriz voltou à Ecomoda o que deixou Armando, a princípio muito feliz, mas percebeu que Betty continuava fria, tal como antes. Que nem sua aproximação surtia efeito nela, é como não sentisse mais nada, fosse imune à sua loção (quem seria?) e a seu toque.

—O que te fiz, Beatriz? O que te fiz? Não quer mais nada comigo?

—Como não? Estou aqui, não? Como lhe prometi, voltei.

—Para a empresa. Mas não mais para mim.

—Nunca fomos nada!

—Sim, somos... somos namorados.

—Não somos namorados, o senhor é casado.

—Isto pode se resolver. Posso me separar.

—E a empresa? E doutor Valência?

—Que a cuide e seja feliz.

—Sabe que não é assim.

—É por isso? É por não aguentar me dividir com Marcela que está assim? -segura seu rosto –Juro que vou resolver. Vou falar com meus pais, sim?

—Não. Sejamos como antes! Apenas amigos.

Mas parecia que Beatriz não o ouvia mais. Armando estava desesperado. Não sabia o que dizer. Gostaria de ter um alguém para se abrir, uma amiga como Beatriz, mas ela também era a mulher que amava e o fazia sofrer, então, só tinha Mário para abrir-se:

—Por que está assim? Betty não voltou? Tinha razão. Voltou!

—Mas não aos meus braços!

—Vai dizer que Betty te rejeitou?

—Sim.

—Mas como está a nossa menina!

—Não sei por que ela está assim comigo!

—Vai ver que você se cansou de ser amante! Não é fácil saber que você está dormindo com o oficial e ela sozinha em sua casa!

—Sim, entendo. Só que simplesmente não durmo mais com a oficial. Idiota!

—Eu acho que... Quer dizer que você e Marcela, nada mais?

—Não mais!

—Desde quando?

—Desde que Beatriz e eu fizemos amor!

—Pois pensei que pela jeito que Marcela falou na Festa de Bodas, continuavam tão ativos quanto antes!

—Olha, cuidado, pode passar a andar com Hugo!

—De modo algum! Não consigo ir com Marcela, mas estou normal, mas fogoso que nunca! Não consigo ver Betty sem queimar-me!

—Entendo que não com Marcela, pois ela te sufoca, mas e com as modelos? Ou uma das amiguinhas?

—Também nada!

—Nada de nada?

—Lembra que fui ao desfile da Adriana Arboleda semana passada?

—Sim.

—Quando ia nestes eventos sempre ficava como louco atrás de Adriana e lógico que ela era casada e nunca me deu a mínima para mim. Mesmo assim, eu babava por ela. Pois é, sabe que se separou? E não sabe o que aconteceu!

—Ficaram juntos e já está.

—Não, homem! Adriana me cantou, me abraçou, me disse que iria para onde eu queria. Mas não a levei para lugar nenhum. Não senti nada nem quando me beijou.

—Nada?

—Aí fui ao banheiro, peguei a foto de Beatriz e foi só olhar que me lembrei de nós dois juntinhos e lá estava minha excitação de volta! E com Adriana nada de nada. Me desculpei, levei-a à porta do hotel e fui para um bar beber!

—O seu caso é grave, Mendoza!

—O pior foi com Alejandra!

—A empresária venezuelana? Mas esta você já saiu algumas vezes!

—Sim, Alejandra gosta de mim. Fizemos algumas vezes. Cheguei a pensar que podia ser ela a mulher de meus sonhos, Dulcita, sabe?

—Aquela é mulher dos sonhos de qualquer um!

—Mas não minha! Ao tocá-la sabia que não era. Me enganei pelo cabelo, ou quis me enganar. O fato é que Dulcita, a mulher de meus sonhos é Beatriz, cabelos longos castanhos, traços finos e delicados, roupas discretas, mais elegantes, às vezes sexys, mas nada exibidas. Pose de intelectual, pequenina como uma menina. E quando vi Beatriz, quando a vi, mudada, quando a toquei e fizemos amor... sabia que era ela quem buscava.

—E que coisa, Tigre, mas como ficaremos? Como iremos de caçada?

—Continuaremos amigos, mas não irei mais por aí de caçada! A menos que queira passar vergonha! Pois não me nasce, não tenho vontade alguma de estar com estas mulheres!

—Um tigre caçado?

—Sim. Por uma bela caçadora, mi Betty!

—E o que fará com Marcela? Segue pensando em se divorciar?

—Sim, acabar com meu tormento!

—Já não era sem tempo!

—¡Oh, Betty! –virou o copo de de Whisky

—Olha, tem certeza que Betty pediu só um tempo ou será que te largou?

—Pediu-me uma pausa para pensar no nosso relacionamento.

— Será que ela não tem outro?

—NÃO! MINHA BETTY NÃO É ASSIM! Ele me ama, Caldeirón!

—E você?

—Eu não sei! Eu não sei o que eu sinto! (Claro que você sabe!) Amor, eu não sei o que é!

—Por que não fala a ela tudo o que me disse?

—Ela me pediu um tempo e devo respeitar. Não posso forçar as coisas!