Amor ou Amizade? (Betty e Armando)
11 Capítulo 11 - Problemas
Por alguns dias, Betty e Armando não conseguiram se encontrar intimamente, pois Marcela o mantinha sob intensa vigilância e praticamente exigia que ele fosse e voltasse com ela de Ecomoda. Mas isso não o impediu de dar desculpas para ir ao escritório de Betty para roubar-lhe beijos. Literalmente, roubados, pois sempre a pegava desprevenida.
O aniversário de 3 anos de casamento se aproximava, Armando não via motivos para comemorar, mas também não tinha coragem de dizer à Marcela que queria o divórcio. Como queria que fosse mais fácil. Era um sonho de seus pais que se casassem e houve muita pressão deles para que se tornasse realidade. Apesar de Marcela saber que era um casamento arranjado para unir os bens da família, um mero compromisso, tal como os casamentos arranjados entre nobres e famílias burguesas do passado, para ela não era assim. Ela havia se apaixonado ou assim ele pensava. E ele a conhecia desde sempre, não queria magoá-la e também não desgostava da mãe. Betty estava ciente disso, ela sempre teve e embora não gostasse de ser seu amante, ela o amava demais para desistir desse sonho. Mas por quanto tempo você aceitaria esse papel?
Receosa em continuar a aceitar o papel de ser “a outra”, ensaiou várias vezes uma despedida. Pediu que se afastasse dela, que a deixasse em paz, que voltasse a tratá-la como amiga ou melhor que cortassem até este envolvimento e fossem só chefe e funcionária.
—Tem certeza que é o que quer? Diga-me que o que quer!
—É o que quero.
—Diga olhando nos meus olhos e me convença e te juro que nunca mais toco em você nem para um aperto de mão!
Havia tentado dizer-lhe, mas bastava uma "revaslada", um olhar para que seus corpos ardessem como fogo e sentissem seus fluídos como lavas. Beatriz não era uma calculadora, um computador com óculos como pensavam ser. Podia ser assim sempre com todos os outros homens. Com os empresários, gerentes de bancos e até Michel, que agora, a olhavam de outra maneira e a viam como uma mulher bonita e sensual. Poderia ser uma pedra de gelo, mas com Armando queimava como uma fogueira. E sabia que ele sentia-se do mesmo jeito. O que era verdade, pois Armando não conseguia controlar-se quando a via, muitas vezes arriscando-se, sobretudo na empresa. Há muito tempo não sentia nada por Marcela, a não ser sentimentos fraternais e se antes, de ter Beatriz em seus braços, sentia desejo quando a esposa o provocava muito, agora não mais. Sentia-se seco e brochado ao seu lado, por mais que o provocasse. Havia prometido à sua amada que tudo iria se resolver, que iria achar uma maneira. Mas não sabia como. Mas Betty apaixonada e louca de amor, via sinceridade em seus olhos e confiava em suas palavras que tudo era pelo bem da empresa e que ela, somente ela era seu amor, a mulher que amava e desejava.
—____
Mas...
Tudo estava indo bem, até que uma das modelos de Hugo decidiu visitar a Presidência.
—Olá, Armando! –disse uma mulher abrindo a porta da Presidência com tudo, aproveitando que era hora do almoço e nenhuma das secretárias estaria ali para a anunciar.
—Mas o que você está fazendo aqui?
—Já que você nunca mais foi ao meu apartamento, resolvi te fazer uma visita! Vim te convidar para vir hoje e se divertir muito!
—Só que não vou hoje, nem amanhã, nem dia nenhum! Acabou, como eu te disse! Estávamos apenas brincando, passando um tempo! Nunca te prometi nada! Agora volte para o ateliê, ok? Eu tenho muito trabalho e você também! –disse Armando, sentado em sua cadeira.
—Pois vou te lembrar o quão inesquecível eu sou!
Então ela agarrou-o e sentando-se sobre o beijou.
Neste momento, sem bater, entrou Bertha e viu a cena.
Bertha, ao invés de almoçar, estava trabalhando na sala de Gutiérrez, para ver se emagrecia. Foi à sala da presidência para levar contratos para Armando assinar e ao não ver Patrícia, entrou direto e viu a modelo sentada no colo do presidente agarrando-o e beijando-o.
—Oh sinto muito!
—SAI DAQUI, SUA LOUCA! TERMINOU. NÃO VOLTE A FAZER ISSO OU TE PONHO NO OLHO DA RUA! -A modelo saiu chorando.
—VOLTE AQUI, BERTHA! -Armando gritou com ela como se pedisse ajuda. –Sente-se! Ainda bem que foi você, Bertha e não Marcela (ou Betty –pensou) Ela não entenderia! Essa mulher maluca veio aqui, me agarrou e me beijou! Não se engane, ah? E não abra essa boquinha dentro do Ecomoda!
—Está tudo bem, Don Armando! -disse ela, gostando da fofoca.
—Não saia contando nos corredores ou nos banheiros da empresa!
—Está bem! — ela concordou, chateada.
Acataria a ordem, não falaria sobre isso na empresa. Mas ela não iria deixar de fazer um 911 no Corrientazo com as amigas. Era uma fofoca demais de saborosa. Há tempos não via seu Armando com modelos e agora o havia pego no flagra (era o que pensava). Mas teria que esperar o dia seguinte, quando iria almoçar com elas. Neste dia, nem dormiu direito.
No Corrientazo:
—Meninas! Tenho uma ótima fofoca! Como há muito tempo não tinha!
—Conta, Bertha!
—Saborosa! Deliciosa!
—Abri a porta e lá estava ele com uma daquelas modelos 90-60-90.
—Quem?
—Escutem primeiro! Ela estava sentada em seu colo!
—Aposto que é seu Mário! Ele adora fazer no escritório! –disse Aura Maria
—Aura Maria! –repreendeu Inesita
—Como você sabe?
—Lembram-se, que Aura Maria andou com seu Mário? -disse Sandra
—Ou foi seu Gutiérrez!
—Aquele velho é safado! –disse Sofia –Vive traindo a esposa
Betty coma tranquilamente, sem abrir a boca, apenas ouvia, mas estava perdida em seus pensamentos.
—Ai, deixa continuar! A modelo estava sentada no colo!
—Estavam fazendo coisinhas e pelados?
—Não. Estavam vestidos!
—Vestidos ou mais ou menos?
—Não, Vestidos mesmo, os dois!
—Ah assim não tem graça!
—Aura Maria!
—Ai, Inesita!
—Posso continuar?
—Ah vai continua.
—Ai, isto está muito bom! Humm!
—Bertha! Você não disse que não iria almoçar mais?
—E não estou almoçando!
—Ah não? E o que está fazendo?
—Estou me pagando pela fofoca que trouxe! Fui até ameaçada po Seu Armando!
—POR SEU ARMANDO? -perguntaram as do quartel. Ao ouvir este nome, Betty despertou e olhou para Bertha.
—Também se isto chegar nos ouvidos de Dona Marcela!
—Mas por que Seu Armando não estava falando de Seu Mário?
—Ou de seu chefe?
—Que nada! Fui levar uns contratos na Presidência, a oxigenada não estava lá e entrei direto e quando abri a porta, dei de cara com seu Armando e uma modelo se beijando.
—Ele estava beijando ela?
—Na verdade, ele estava apenas sentado parado, mas a mulher estava sentada em seu colo e o beijava com vontade! Foi quando entrei!
Betty engasgou com a comida, Mariana e Sofia tiveram que lhe dar tapinhas.
Não podia acreditar no que ouvia. Havia testemunhado essa cena várias vezes desde que era secretária na Presidência. Mas acreditou que com ela não aconteceria, pois sentia algo especial da parte dele quando estavam juntos. Não o forçava a estar com ela. Haviam feito um acordo que na teria outras, além da esposa com quem tinha que permanecer casado pelo patrimônio Mendoza-Valência e ela, Beatriz, que dizia que era o amor de sua vida. Bertha, logicamente não disse que a mulher havia invadido a sala presidencial e o beijado, apenas o beijo, pois a fofoqueira de Ecomoda não acreditava na história que o presidente contou-lhe.
Naquele dia não voltou para Ecomoda. Precisava pensar no que faria. Mas uma coisa era certa. Não mais iria aceitar ser de Armando Mendoza! Podia aceitar que ele tivesse que dormir e fazer amor com Marcela (segundo pensava), pois era casado, (em casamento arranjado, mas casado) mas a principal era Marcela, jamais o confrontaria por isso, pois confiava que o amor dele era dela. E que as aventuras dele com as modelos haviam acabado. Não suportaria dividi-lo com quantas mais se apresentassem. Por mais que o amasse Exatamente, por isso não podia aceitar.
A partir daquele dia, Betty começou a se afastar dele a partir daquele dia. Ela recusou seus convites para sair, até mesmo para coquetéis, evitou ficar sozinha com ele, até mesmo no escritório. Agora sim conseguia ter forças para rejeitá-lo e ser uma pedra de gelo e um computador humano com ele. Armando não entendeu muito bem o que poderia estar acontecendo com ela.
—Eu preciso de algum tempo, doutor!
—Eu entendo que não é fácil para você!
—Não é!
—Não é para mim também!
—Por isto, doutor, é melhor voltarmos um pouco para pensar sobre o que estamos fazendo. Quando você precisar de mim como amiga estarei aqui, mas não como sua amante!
—Mas Betty ...
—Não mais! Pensar. Você gosta da sua vida, a vida que sempre teve!
—Como assim?
—Abraça-me, doutor!
—Sempre!
—Betty não estou gostando disso. Estou com uma impressão ruim, como se fôssemos nos separar e não apenas dar um tempo.
Betty o apertava e chorava.
—Não é verdade, não é? Parece aqueles abraços de despedida no aeroporto.
—Algo assim, seu Armando.
—Não me chame de seu Armandio quando estamos sozinhos.
—Seu Armando, já está na hora. Tenho que ir!
—Posso te levar ao menos?
—Não se preocupe! Nicolás me levará!
—NICOLÁS NÃO É SEU NAMORADO!
—VAI GRITAR AGORA?
—Não! –encolhendo-se –Desculpe-me, Betty! Está bem, Nicolás tem namorada e é seu irmão.
—Ok! Fique bem.
—Betty, jura que só está dando um tempo? Jura que não vai embora? -acaricia seu cabelo. –Não sou nada sem você. É a mulher de minha vida!
Betty com lágrimas se afastou dele.
“Vou voltar sim, mas quando voltar não serei mais a mesma.”
Beatriz pegou sua bolsa, saiu da sala, secou as lágrimas e desceu o elevador. Despediu-se de Freddy e Wilson. Escolheu a hora do almoço, para não ter que encontrar o quartel e Freddy. Já basta a comoção inevitável com seu Armando.
—Pronto, Nicolás! –Betty chegando no carro
—Betty, não sei porque resolveu ir assim!
—Faz muito tempo que não tiro férias e estou precisando! Oj oj oj
—Sei... Com certeza, Doutor Mendoza tem algo com isso.
—Nicolás!
—Estou ligado nas coisas, Betty! Não sou bobo não!
—Na verdade você é um gênio! Estou indo para descansar e pensar minha vida.
—Faz bem, Betty! Faz bem!
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