Amor não era o plano
20 Surpreendida
Renesmee
O último mês tinha sido um inferno, e eu não conseguia encontrar uma palavra mais adequada para descrevê-lo. Em pouco mais de trinta dias, vi a vida que levei anos para construir ser desmontada diante dos meus olhos, não porque tivesse administrado mal meu dinheiro ou deixado de pagar alguma dívida, mas porque confiei na pessoa errada. Voltar para a casa dos meus pais com Belinha foi uma das coisas mais difíceis que precisei fazer. Eu estava novamente no quarto onde tinha dormido durante boa parte da juventude, cercada por algumas coisas antigas que Bella nunca tivera coragem de jogar fora, mas agora havia uma cama pequena ao lado da minha, brinquedos espalhados pelo chão e roupas infantis dividindo espaço no armário.
Minha mãe tentou fazer de tudo para que eu não me sentisse uma hóspede, meu pai repetia que aquela continuava sendo minha casa e Emmett e Alice apareciam quase diariamente, mas nada disso apagava a sensação de ter voltado vários passos na minha vida. Eu tinha uma filha, um negócio que construí com esforço e uma casa onde acreditava que criaria Belinha. De repente, estava outra vez morando com meus pais e preparando encomendas na cozinha da minha mãe.
Bella não reclamava. Muito pelo contrário. Tinha reorganizado metade da cozinha para abrir espaço para minhas formas, embalagens e ingredientes, e Edward já tinha reclamado duas vezes porque não conseguia encontrar nada depois das mudanças. Continuei aceitando encomendas pelas redes sociais e mantive contato com meus clientes, fazendo o possível para que a perda da doceria não significasse também o fim do meu trabalho. Algumas manhãs eu ocupava toda a bancada com doces, enquanto minha mãe me ajudava com as embalagens e Jessica cuidava das entregas. Não era o que eu queria, mas era o que tinha naquele momento. Eu podia perder uma vitrine, um endereço e até o forno profissional que tinha escolhido com tanto cuidado, mas Ethan não conseguiria tirar de mim aquilo que eu sabia fazer.
A parte mais difícil tinha sido descobrir como tudo aconteceu.
Eu ainda sentia vergonha quando lembrava das reuniões com o advogado, dos documentos espalhados sobre a mesa e da expressão de Emmett enquanto tentávamos reconstruir os últimos anos. O dinheiro usado na compra da doceria tinha saído de mim. Eu havia economizado durante anos, dado a entrada e assumido as parcelas acreditando que estava comprando aquele prédio. Ethan cuidou da negociação, preparou a documentação e me entregou papéis para assinar. Entre eles estavam documentos que permitiram que o imóvel fosse colocado no nome dele. A casa tinha seguido um caminho parecido. Eu assinara documentos sem ler como deveria porque confiava no homem com quem dividia a vida e que era pai da minha filha. Nunca imaginei que precisasse desconfiar quando Ethan apontava uma linha e dizia que eu deveria assinar ali.
Eu me sentia uma idiota.
Algumas noites ficava acordada no meu antigo quarto enquanto Belinha dormia ao meu lado e tentava lembrar quantas vezes tinha assinado alguma coisa sem perguntar. Ethan dizia que entendia mais daquele assunto, que cuidaria de tudo e que eu já tinha preocupações suficientes com a doceria e com nossa filha. Eu acreditava. Agora sabia que o prédio que paguei nunca esteve realmente em meu nome e que a casa onde criei minha filha durante anos também tinha sido protegida por documentos que favoreciam Ethan. Meu advogado dizia que existiam caminhos para contestar aquilo, principalmente porque havia comprovantes dos valores pagos por mim, mas seria uma briga demorada.
Eu brigaria.
Ethan podia esperar que a perda da casa e da doceria me deixasse desesperada o suficiente para aceitar aquela proposta nojenta de morar em Seattle e continuar sendo a mulher escondida enquanto ele permanecia casado com Claire. Se aquela era a intenção, ele tinha cometido mais um erro sobre mim.
Eu não cederia.
Se precisasse vender doces na cozinha da minha mãe durante um ano, venderia. Se precisasse começar outra vez com uma bancada pequena e meia dúzia de clientes, começaria. Eu já tinha construído meu negócio uma vez e sabia fazer isso novamente. O que era meu eu tentaria recuperar na Justiça, mas minha dignidade Ethan não teria oportunidade de negociar.
Naquela tarde, saí um pouco mais cedo para buscar Belinha na escola. Ela vinha lidando com todas aquelas mudanças melhor do que eu esperava, embora perguntasse frequentemente quando voltaríamos para casa. Eu dizia que ficaríamos um tempo com a vovó e o vovô e tentava transformar aquilo numa aventura. Bella ajudava, deixando que ela dormisse em sua cama algumas noites, Edward reclamava fingindo que a neta roubava todo o espaço e Emmett praticamente tinha assumido a função de distraí-la sempre que percebia que eu estava cansada. Belinha sentia falta da casa, mas sentia ainda mais falta do pai, e essa era uma ferida que eu não sabia como tratar.
Quando ela saiu pelo portão da escola, veio correndo na minha direção com a mochila balançando nas costas.
– Mamãe!
Abri os braços e recebi seu abraço.
– Oi, meu amor. Como foi a aula?
– A professora colocou meu desenho na parede!
– Colocou?
– Porque foi o mais bonito.
Sorri.
– Foi ela que disse isso ou você?
Belinha pensou.
– Eu.
Comecei a rir.
– Imaginei.
Segurei sua mão e começamos a caminhar pela calçada enquanto ela me contava todos os detalhes do desenho, incluindo uma explicação bastante confusa sobre uma borboleta que inicialmente seria um cachorro, mas tinha ganhado asas porque ela errou as orelhas. Eu prestava atenção na história quando um veículo estacionado alguns metros adiante chamou minha atenção.
Era impossível não notar.
Grande, preto, luxuoso demais para aquela rua e completamente diferente dos carros que normalmente paravam diante da escola. Reduzi o passo instintivamente.
Então a porta se abriu.
Ethan saiu.
Meu corpo inteiro ficou tenso.
Ele não usava mais as roupas discretas com as quais aparecia em Forks durante os anos em que fingia ter uma vida comum conosco. Vestia calça social escura, camisa perfeitamente ajustada ao corpo e um relógio que provavelmente custava mais do que eu ganhava em meses vendendo doces. O carro também fazia parte daquela versão dele que eu desconhecera durante anos. Ethan não precisava mais fingir comigo. Eu sabia quem ele era.
Belinha percebeu antes que eu pudesse segurá-la.
– Papai!
Ela soltou minha mão e correu.
– Belinha!
Não adiantou.
Ethan abriu os braços e minha filha se jogou contra ele. Ele a levantou e Belinha imediatamente passou os braços ao redor de seu pescoço, beijando seu rosto com uma felicidade que me fez parar por alguns segundos.
– Papai! Você veio!
– Vim ver minha princesa.
– Você demorou muito.
– Eu sei.
– Eu senti saudade.
Ethan beijou o rosto dela.
– Eu também senti saudade de você.
O ódio percorreu minhas veias com uma intensidade que quase me fez esquecer onde estávamos. Aquele homem tinha tirado a casa onde a própria filha dormia. Tinha tirado o lugar onde eu trabalhava e depois desaparecido durante semanas, enquanto Belinha perguntava por ele e eu inventava respostas para evitar que uma criança de cinco anos carregasse os problemas dos pais.
Mesmo assim, não podia arrancá-la dos braços dele.
Belinha o amava.
E eu me recusava a usar minha filha como arma, mesmo contra um homem que parecia não ter o mesmo cuidado.
Caminhei até os dois.
– O que você está fazendo aqui?
Ethan olhou para mim.
– Oi, Renesmee.
– Não me dá oi.
Belinha olhou de um para o outro e controlei imediatamente o tom.
– Mamãe, o papai veio me buscar.
Olhei para Ethan.
– Foi isso que ele disse?
– Ele disse que a gente vai almoçar.
Meu olhar voltou para ele.
– Coloca ela no chão.
– Renesmee...
– Coloca a Belinha no chão.
Ethan respirou fundo e obedeceu. Assim que os pés dela tocaram a calçada, segurei sua mão.
– Por que você não vai esperar a mamãe ali perto do portão, meu amor?
– Mas eu quero ficar com o papai.
– Eu sei. Só preciso conversar com ele um pouquinho.
Belinha fez um pequeno bico.
Ethan se abaixou diante dela.
– Espera a mamãe ali, princesa. Depois a gente conversa.
Ela pareceu mais satisfeita com a resposta dele do que com a minha e caminhou alguns passos, permanecendo perto o suficiente para nos ver. Esperei até ter certeza de que ela não ouviria facilmente antes de me voltar para Ethan.
– Como você tem coragem?
Ele franziu o cenho.
– De quê?
Soltei uma risada incrédula.
– Você quer mesmo que eu faça uma lista?
– Eu vim ver minha filha.
– Depois de um mês.
– Você deixou bem claro que não queria que eu aparecesse na casa dos seus pais.
– Porque você não é bem-vindo lá.
– Então vim até a escola.
– Sem me avisar.
– Eu não preciso pedir autorização para ver Belinha.
– Precisa quando pretende buscar uma criança de cinco anos sem avisar a mãe.
Ele enfiou as mãos nos bolsos.
– Eu não vim brigar.
– Engraçado. Porque tudo que você faz parece terminar exatamente nisso.
– Vim buscar você e Belinha para almoçar comigo.
Fiquei alguns segundos olhando para ele, tentando entender se tinha ouvido corretamente.
– Você está falando sério?
– Completamente.
– Depois de tudo que fez, aparece na escola da nossa filha e acha que nós três vamos sentar em um restaurante como uma família feliz?
– Não falei em família feliz.
– Então o que você quer?
– Conversar.
– Nós não temos mais nada para conversar.
– Temos bastante.
– Não vou a lugar nenhum com você.
Ethan olhou rapidamente para Belinha, que nos observava de longe enquanto chutava uma pedrinha na calçada.
– Ela quer ficar comigo.
– Ela tem cinco anos. Se você disser que vai levar ela para comer sorvete antes do almoço, ela também vai querer.
– Continua sendo minha filha.
– Nunca neguei isso.
– Está fazendo parecer que negou.
Aproximei-me um pouco mais e abaixei a voz.
– Você tirou a casa onde sua filha morava.
A expressão dele permaneceu tranquila.
Aquilo me irritou ainda mais.
– Você tirou meu local de trabalho. Usou documentos que eu assinei confiando em você e agora aparece aqui como se tivesse passado um mês viajando a trabalho.
– Você está simplificando uma situação que não entende.
– Eu entendo perfeitamente. Eu paguei por um prédio que você colocou no seu nome.
– Você assinou os documentos.
Senti meu estômago revirar.
– Porque confiava em você.
– Isso não muda o que está nos papéis.
Fiquei olhando para ele.
Ali estava Ethan de verdade.
Não o homem que dividira minha cama. Não o pai que fazia panquecas com Belinha aos domingos ou o companheiro que dizia que cuidaria das partes burocráticas porque eu trabalhava demais.
Aquele homem talvez nunca tivesse existido.
– Você é nojento.
Ele respirou fundo.
– Podemos discutir no meio da rua ou sentar em algum lugar e conversar como adultos.
– Minha resposta continua sendo não.
– Renesmee.
– Eu não vou almoçar com você.
– É uma pena.
O jeito tranquilo como respondeu me deixou desconfiada.
– Por quê?
Ethan abriu a porta traseira do carro e pegou alguma coisa que estava sobre o banco. Quando voltou, havia uma pasta fina em sua mão.
– Porque eu tenho uma proposta para fazer.
Olhei para a pasta e depois para ele.
– A última proposta que você me fez envolvia me transformar oficialmente na sua amante. Então pode guardar essa.
– Essa é diferente.
– Não estou interessada.
Ethan abriu um pequeno sorriso.
– Acho que vai ficar.
Apertei a mão de Belinha quando ela voltou para perto de mim e encostou a cabeça em meu braço.
– O que você quer, Ethan?
Ele bateu levemente a pasta contra a palma da mão.
– Almoça comigo e descobre.
Olhei para aquele homem e tive certeza de uma coisa.
Nada que Ethan Hale precisasse esconder dentro de uma pasta poderia ser bom para mim.
Olhei para a pasta nas mãos de Ethan e não senti curiosidade suficiente para permanecer ali nem por mais um minuto. Durante anos, ele tinha conseguido exatamente o que queria de mim usando aquele mesmo comportamento, falava com calma, dizia que sabia o que era melhor, colocava documentos na minha frente e esperava que eu confiasse. Eu já tinha aprendido quanto aquela confiança tinha me custado. Minha casa, minha doceria e uma parte da segurança que levei anos para construir tinham desaparecido porque eu acreditava que o homem com quem dividia minha vida jamais usaria minha confiança contra mim. Não cometeria o mesmo erro novamente só porque ele tinha aparecido com um carro caro e uma pasta debaixo do braço.
– Não.
Ethan franziu o cenho.
– Você nem sabe o que vou propor.
– E não quero saber.
– Renesmee, para de agir por impulso.
Soltei uma risada curta.
– Impulso? Eu passei um mês inteiro descobrindo as coisas que você fez pelas minhas costas. Tive bastante tempo para pensar.
– Justamente por isso deveria me ouvir.
– Não. Você teve anos para conversar comigo. Escolheu mentir. Agora acabou.
Dei as costas para ele e fui até Belinha, que ainda estava perto do portão, observando nossa conversa com uma expressão confusa. Aquilo me incomodou mais do que qualquer coisa. Ela não precisava estar no meio daquela disputa, não precisava olhar para os pais tentando descobrir por que eles já não conseguiam permanecer perto um do outro sem que alguma discussão começasse. Forcei um sorriso quando me aproximei e me abaixei diante dela.
– Vamos para casa, meu amor.
Belinha olhou para Ethan.
– Mas o papai falou que a gente ia almoçar.
– Hoje não.
O rostinho dela imediatamente murchou.
– Por quê?
– Porque a mamãe precisa trabalhar e a vovó está esperando a gente. Outro dia você conversa com o papai, está bem?
– Eu queria ir hoje.
Meu coração apertou, mas eu a peguei no colo e beijei sua bochecha.
– Eu sei.
Comecei a caminhar com ela nos braços quando senti uma mão fechar ao redor do meu braço.
Parei imediatamente.
Olhei primeiro para os dedos de Ethan e depois para seu rosto.
– Me solta.
– Se eu fosse você, iria comigo.
O tom baixo com que ele falou fez meu corpo inteiro se enrijecer.
– Ainda bem que você não é eu. Agora tira a mão.
– Renesmee, não transforma tudo numa guerra.
– Você tirou minha casa e minha loja e está me pedindo para não transformar isso numa guerra?
Belinha se mexeu nos meus braços.
– Mamãe...
Controlei a voz imediatamente, embora a raiva estivesse queimando dentro de mim.
– Está tudo bem, meu amor.
Voltei a olhar para Ethan.
– Solta meu braço.
Ele afrouxou os dedos, mas não se afastou.
– Me dá uma hora.
– Não.
– Um almoço. Só isso.
– Não.
– Você precisa ouvir o que tenho para oferecer.
– Eu não preciso de absolutamente nada vindo de você.
– Precisa mais do que imagina.
Balancei a cabeça e tentei passar por ele.
Ethan voltou a impedir meu caminho.
– A doceria pode voltar a ser sua.
Parei.
Não porque tivesse mudado de ideia, mas porque a audácia dele conseguiu me surpreender.
– O quê?
– Você ouviu.
– A doceria era minha.
– Podemos discutir isso durante o almoço.
– Não existe discussão. Eu paguei por aquele prédio.
– E os documentos dizem outra coisa.
– Porque você me enganou!
Algumas pessoas começavam a sair pelo portão da escola e percebi dois pais olhando em nossa direção. Aquilo estava ficando exatamente como eu não queria.
– Baixa a voz – Ethan pediu.
– Não manda eu baixar a voz.
– Estou tentando resolver.
– Você está tentando me pressionar. É diferente.
– Se quisesse pressionar você, Renesmee, faria muito mais do que fiz.
Senti um frio desagradável percorrer minha nuca.
– Isso é uma ameaça?
– É um conselho. Você está enfrentando uma situação que não sabe como resolver e eu estou oferecendo uma saída.
– A saída é devolver o que roubou de mim.
A expressão dele endureceu.
– Cuidado com as palavras.
– Vai me processar também?
– Eu quero que você pare de dificultar uma coisa que poderia ser simples. Venha comigo, leve Belinha, nós almoçamos e conversamos. Você ouve minha proposta e depois decide.
– Eu já decidi.
– Você está sendo teimosa.
– E você ainda não entendeu o significado de não.
Virei novamente, mas Ethan segurou meu braço pela segunda vez. Dessa vez com mais força.
– Eu disse que, se fosse você, iria comigo.
Meu coração acelerou. Belinha estava nos meus braços, e isso era a única coisa me impedindo de reagir como gostaria.
– E eu disse para me soltar.
– Escuta primeiro.
– Ethan, tira a mão de mim.
– Renesmee...
– Ela já disse não.
A voz masculina surgiu atrás de nós.
Grave.
Calma.
E suficientemente firme para fazer Ethan soltar meu braço no mesmo instante.
Virei o rosto.
Por alguns segundos tive certeza de que estava confundindo as pessoas, porque Jacob Black era a última pessoa que esperava encontrar diante da escola da minha filha em Forks.
Ele estava encostado em um veículo preto estacionado alguns metros atrás do carro de Ethan, os braços cruzados sobre o peito e os olhos fixos nele. Não usava terno como nas vezes em que o tinha visto em Seattle, apenas calça escura e camisa social com as mangas dobradas até os antebraços. Ainda assim, havia alguma coisa em sua presença que fazia parecer que todo o restante da rua tinha diminuído de importância.
Ethan ficou rígido.
– O que você está fazendo aqui?
Jacob se afastou do carro.
– Não estava falando com você.
Ele caminhou em nossa direção sem pressa. Meu olhar acompanhou cada passo, ainda tentando entender por que Jacob Black estava em Forks, como sabia onde me encontrar e, principalmente, por que tinha acabado de interferir numa discussão que não tinha nada a ver com ele.
Quando chegou perto, olhou rapidamente para mim e depois para Belinha.
A expressão dele mudou por um instante ao ver minha filha agarrada ao meu pescoço.
– Está tudo bem?
Assenti, ainda surpresa.
– Está.
Ethan soltou uma risada sem humor.
– Isso é ridículo.
Jacob nem olhou para ele.
– Renesmee, entra no meu carro.
Franzi o cenho.
– O quê?
Ele apontou discretamente para o veículo.
– Entre no carro com sua filha.
– Senhor Black, eu...
– Jacob.
Pisquei.
– Jacob, eu não estou entendendo o que está acontecendo.
– Eu explico depois.
Ethan deu um passo à frente.
– Ela não vai a lugar nenhum com você.
Jacob finalmente virou o rosto para ele.
– Você está ficando muito confortável dando ordens para mulheres que já disseram não.
– Isso é entre mim e Renesmee.
– Era. Até você colocar a mão nela.
Ethan apertou o maxilar.
– Ela é a mãe da minha filha.
– Isso não dá a você o direito de segurá-la.
Olhei de um para o outro e senti Belinha esconder o rosto no meu pescoço.
Aquilo decidiu por mim.
Eu precisava tirar minha filha dali.
Não fazia ideia do que Jacob Black queria em Forks e muito menos por que tinha aparecido exatamente naquele momento, mas, naquele instante, minhas opções pareciam ser permanecer ao lado de Ethan ou entrar no carro de um homem que eu conhecia muito pouco.
E, surpreendentemente, Jacob parecia a opção mais segura.
– Meu carro está ali – falei.
Jacob tirou alguma coisa do bolso.
– Quil resolve.
– Quil?
Como se aquela situação já não fosse estranha o suficiente.
– Ele está comigo.
Olhei para o veículo de Jacob e depois para Ethan. Meu ex me encarava com uma expressão que deixava claro o quanto odiava aquela possibilidade.
Isso ajudou bastante na minha decisão.
Ajustei Belinha nos braços.
– Está bem.
Jacob abriu a porta traseira para mim.
– Entra.
Passei por ele, mas Ethan chamou meu nome.
– Renesmee.
Não parei.
– Não faz isso.
Continuei andando.
– Renesmee!
Abri a porta e coloquei Belinha no banco traseiro. Jacob tinha uma cadeirinha infantil ali, o que me fez franzir o cenho por um segundo até lembrar de Ephraim. Acomodei minha filha, prendi o cinto e entrei ao lado dela. Assim que fechei a porta, Belinha olhou curiosa para mim.
– Mamãe, quem é ele?
– É o senhor Black.
– O vovô do Ephraim?
Olhei para ela, surpresa.
– É.
Ela pareceu satisfeita com a explicação.
Eu não estava satisfeita com absolutamente nada.
Através do vidro, observei Jacob fechar a porta depois de conferir se estávamos dentro do veículo. Em vez de entrar no banco do motorista, ele se virou.
E caminhou de volta até Ethan.
Meu estômago apertou.
Ethan permanecia ao lado do próprio carro, segurando a pasta e acompanhando Jacob com uma expressão carregada de raiva. Jacob parou diante dele. Não consegui ouvir o que disseram, mas não precisei de som para perceber a diferença entre os dois homens. Ethan gesticulou primeiro, claramente irritado. Jacob permaneceu imóvel, ouvindo e então respondeu em poucas palavras.
Ethan tentou interrompê-lo mas Jacob deu um passo à frente, e mesmo sem ouvir uma única frase, vi Ethan recuar.
Encostei as costas no banco e fiquei observando através do vidro, com Belinha ainda segurando minha mão.
Eu não fazia ideia do que Jacob Black tinha ido fazer em Forks.
Mas, pela expressão de Ethan, comecei a suspeitar que ele estava prestes a descobrir.
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