Amor não era o plano
41 Sala de espera
Jacob
A manhã da audiência chegou antes do que eu gostaria. Eu estava acordado desde pouco depois das cinco, embora tivesse dormido tarde revisando com Paul os últimos detalhes que poderiam interferir no processo. Oficialmente, eu não tinha qualquer razão para estar no tribunal. Não era parente de Belinha, não fazia parte da ação e minha presença dentro da sala poderia levantar questionamentos desnecessários, principalmente depois que meu jurídico havia passado a auxiliar J. Jenks. Paul tinha sido bastante claro sobre isso. Eu deveria ficar longe, deixar os advogados trabalharem e esperar. Concordei com quase tudo. A parte de esperar em casa, no entanto, ele poderia esquecer.
Renesmee entraria naquele tribunal sabendo que havia uma possibilidade real de sair sem a guarda da própria filha. Eu não poderia estar ao lado dela durante a audiência, mas estaria do lado de fora quando terminasse. Não tinha perguntado se ela queria. Também não pretendia perguntar.
Terminei de abotoar a camisa diante do espelho e peguei o paletó escuro que havia deixado sobre a poltrona. Vesti e ajeitei os ombros, deixando os primeiros botões da camisa abertos. Tinha dispensado a gravata de propósito. Já bastava aparecer no tribunal cercado pelos homens do meu departamento jurídico. Não precisava parecer que estava indo assumir a presidência do país. Olhei meu reflexo por alguns segundos e passei a mão pela mandíbula. Não estava nervoso com o resultado. Pelo menos era isso que vinha dizendo a mim mesmo desde que acordei.
A verdade era menos conveniente.
Eu não gostava de depender da decisão de outro homem.
Dinheiro resolvia muita coisa. Influência resolvia outras tantas. Eu podia contratar os melhores profissionais, encontrar informações antes que chegassem oficialmente aos envolvidos e colocar uma equipe inteira trabalhando durante a madrugada. Mas, quando aquelas portas se fechassem, a decisão estaria nas mãos de um juiz. Não nas minhas.
Aquilo me irritava profundamente.
Saí do quarto ajustando o relógio no pulso e desci as escadas enquanto verificava uma mensagem de Paul. A equipe já estava no tribunal e J. Jenks havia chegado com Renesmee. Guardei o celular e estava atravessando o último degrau quando percebi que não estava sozinho.
Claire estava na sala.
Parei.
Minha filha permanecia próxima à janela, com a bolsa sobre o sofá e os braços cruzados. Pela expressão, não tinha aparecido para tomar café comigo. Fazia semanas que Claire praticamente não atendia minhas ligações, recusara-se a ir ao aniversário de Billy e agora surgia na minha casa antes das oito da manhã.
Não demonstrei surpresa.
Continuei caminhando até o aparador e peguei a chave do carro.
– Que agradável. Comecei a achar que precisaria cortar mais alguma coisa para conseguir uma visita sua.
Claire não achou graça. – Preciso falar com você.
– Imaginei. Você raramente invade minha casa tão cedo para desejar bom dia.
– Recebi uma notificação dos advogados.
Ergui os olhos para ela. Finalmente Solomon tinha feito o trabalho direito. – Então imagino o que tenha lido.
– Li que as ações que meu avô me deu estão sendo retiradas da minha administração e colocadas sob uma estrutura que impede Ethan de representá-las na empresa. – Claire caminhou na minha direção, visivelmente furiosa. – Você convenceu o vovô a fazer isso.
– Não.
– Não minta para mim.
Minha expressão endureceu. – Cuidado com o tom, Claire. Você pode estar com raiva, mas continua dentro da minha casa falando comigo.
Ela apertou os lábios, porém não recuou.
– Você quer que eu acredite que o vovô decidiu fazer isso sozinho?
– Foi exatamente o que aconteceu.
– Que conveniente.
– Ethan costuma produzir esse tipo de conveniência.
O nome dele foi suficiente para piorar a expressão dela.
– É disso que se trata. Você não suporta que eu tenha escolhido continuar com meu marido.
– Você pode continuar com quem quiser. É adulta e já demonstrou que pretende aprender da maneira mais difícil. O que não vai acontecer é Ethan usar patrimônio da minha família para manter poder dentro da minha empresa.
– As ações são minhas.
– E continuam destinadas a proteger você e Ephraim. O que mudou foi a capacidade do seu marido de usá-las como se fossem dele.
Claire riu com incredulidade. – Você não está me protegendo. Está tentando controlar minha vida porque eu não fiz o que você queria.
Aquela acusação já estava começando a ficar velha.
– Se eu quisesse controlar sua vida, Ethan não estaria dormindo ao seu lado. Acredite, Claire, eu teria encontrado uma solução muito mais rápida.
– Isso é uma ameaça?
– É uma constatação.
Ela me encarou por alguns segundos, e eu vi a mesma teimosia que carregava desde criança. A diferença era que, quando tinha dez anos, as consequências de uma decisão ruim normalmente envolviam um joelho ralado ou algum brinquedo quebrado. Agora havia um filho no meio.
Aproximei-me dela. – Seu avô soube o que Ethan fez com Renesmee e tomou uma decisão. Ele deu aquelas ações para garantir seu futuro, não para colocar um homem que mentiu para você durante anos dentro da Black Enterprises.
– Ethan não roubou nada de mim.
– Ainda.
– Você está obcecado em transformar meu marido num criminoso.
Soltei uma risada curta. – Não preciso transformar Ethan em nada. Ele faz um trabalho excelente sozinho.
Claire desviou o rosto por um instante, mas continuei.
– Abra os olhos enquanto ainda pode fazer isso sem perder alguma coisa que realmente importe.
– Eu não vim aqui para ouvir você insultar meu marido.
– Então veio ao lugar errado.
Ela pegou a bolsa do sofá, irritada. – Ethan me contou o que você está fazendo. Você tirou o escritório dele, afastou os acessos, colocou seus advogados contra ele e agora convenceu o vovô a mexer nas minhas ações. Você quer destruí-lo.
– Seu marido está hoje diante de um juiz tentando tirar uma criança da mãe.
Claire ficou imóvel.
Finalmente tínhamos chegado ao assunto que realmente importava.
– Isso não tem nada a ver comigo.
– Tem tudo a ver com você.
– Belinha é filha dele.
– E onde estava essa preocupação paternal durante os últimos anos?
Claire abriu a boca, mas eu não lhe dei espaço para inventar uma resposta confortável.
– Ethan viveu com Renesmee durante seis anos. Criou aquela menina ao lado dela enquanto voltava para Seattle e deitava na sua cama. Em todo esse tempo, teve oportunidade suficiente para organizar legalmente a situação da filha, reconhecer responsabilidades, estabelecer direitos e garantir o futuro dela. Não fez nada. A preocupação com a guarda apareceu exatamente quando Renesmee descobriu a verdade, recusou-se a voltar para ele e deixou de aceitar suas condições.
– Ele quer participar da vida da filha.
– Então pediria convivência, não a guarda integral.
Claire ficou em silênciobe eu dei mais um passo. – Pense, porra.
Ela ergueu os olhos imediatamente. – Não fale assim comigo.
– Então pare de se comportar como se eu estivesse discutindo com uma adolescente apaixonada. Você tem vinte e cinco anos, é mãe e existe uma criança de três anos dependendo das decisões que você toma agora. Ethan está tentando tirar Belinha de Renesmee para atingir Renesmee. Se você não consegue enxergar o que isso diz sobre o homem com quem está vivendo, temos um problema muito maior do que algumas ações.
– Você não sabe por que ele pediu a guarda.
– Sei o suficiente.
– Ele quer dar à Belinha a mesma vida que dá ao Ephraim. Uma casa boa, segurança, escola, tudo que ela precisar. Renesmee perdeu a loja, voltou a morar com os pais e mal consegue se sustentar sem ajuda. Talvez Ethan realmente acredite que a filha fique melhor com ele.
Olhei para minha filha por alguns segundos.
Aquilo era Ethan falando através dela.
– Curioso.
Claire franziu a testa. – O quê?
– Seu marido não parecia tão preocupado com a qualidade de vida de Belinha enquanto enganava a mãe dela e mantinha a criança escondida de todos vocês.
– Ele sustentava as duas.
– Não estou falando de dinheiro.
Minha voz saiu mais baixa, e Claire percebeu imediatamente a mudança. – Um pai preocupado com a estabilidade da filha não toma a casa onde ela mora. Não tira a fonte de renda da mãe e, depois que consegue deixá-la sem patrimônio próprio, usa exatamente essa situação para argumentar que ela não tem condições financeiras de cuidar da criança. Isso não é preocupação paternal, Claire. É estratégia.
Ela balançou a cabeça. – Você está ouvindo apenas o lado da Renesmee.
– Estou olhando documentos.
– Porque acredita nela.
– Porque os documentos existem.
– Você mal conhece essa mulher.
Aquilo me irritou mais do que deveria, mas mantive a expressão imóvel.
– Conheço Ethan o suficiente.
– Você sempre odiou Ethan.
– Eu gostava dele o bastante para colocá-lo dentro da minha empresa e confiar parte dos meus negócios a ele. Não reescreva a história para conseguir continuar acreditando na versão que seu marido colocou na sua cabeça.
Claire respirou fundo, visivelmente lutando para manter o controle. – Ele me ama.
– Talvez.
A resposta pareceu surpreendê-la. – Talvez?
– Não faço ideia do que Ethan sente por você. Também não me interessa. Homens podem amar uma mulher e ainda destruí-la quando aquilo que querem se torna mais importante. Amor não transforma caráter ruim em caráter bom.
Os olhos dela ficaram úmidos, mas Claire ergueu o queixo. Eu conhecia aquele gesto. Tinha herdado de mim a recusa em demonstrar quando alguma coisa a atingia.
Minha voz permaneceu firme. – Hoje ele usa Belinha para pressionar Renesmee. Amanhã pode usar Ephraim para pressionar você.
– Ethan nunca faria isso comigo.
– Renesmee provavelmente teria dito exatamente a mesma coisa um mês atrás.
Aquilo a calou, mas não senti prazer algum, preferia que Claire gritasse, me insultasse ou jogasse alguma coisa contra a parede. O silêncio significava que, por alguns segundos, eu tinha conseguido atravessar a defesa que ela construíra ao redor do marido.
– A verdade está diante dos seus olhos – continuei. – Você só não quer olhar porque, quando olhar de verdade, vai precisar admitir que construiu uma vida com um homem que não conhece. Eu sei que isso dói. Mas vai doer muito mais se esperar até ele decidir que você também deixou de ser útil.
Claire desviou os olhos.
Eu podia obrigar pessoas a fazer muita coisa, mas não podia obrigar minha filha a enxergar uma verdade que ela ainda preferia negar. Só podia fechar as portas que Ethan usaria para machucá-la até que ela estivesse pronta.
Olhei para o relógio.
A audiência começaria em pouco tempo, e eu tinha prometido a mim mesmo que estaria naquele tribunal antes de Renesmee entrar.
Ajustei o relógio no pulso e peguei definitivamente as chaves do carro sobre o aparador. Claire acompanhou meus movimentos.
– Vai aonde?
Parei por um instante. – Ao tribunal.
A expressão dela mudou.
– Por causa da Renesmee?
Não respondi à pergunta. Não devia explicações sobre aquilo nem para Claire.
Caminhei em direção à porta e parei ao passar por ela. Minha filha continuava imóvel, dividida entre a raiva e alguma coisa que começava a se parecer perigosamente com dúvida.
Olhei para ela uma última vez. – Quando estiver pronta para enxergar Ethan como ele é, me ligue. Até lá, mantenha meu neto fora das mãos dele.
Não esperei resposta, abri a porta e saí.
Claire poderia me odiar por algumas semanas, meses ou pelo tempo que precisasse. Eu suportaria. O que não faria era assistir em silêncio enquanto Ethan colocava as mãos no futuro dela e de Ephraim.
E naquela manhã eu tinha outro assunto para resolver.
Renesmee entraria naquele tribunal com trinta por cento de chance de manter a filha.
Quando saísse, eu estaria esperando,, independentemente do resultado.
Sam tinha sido bastante específico quando me encontrou no corredor do tribunal pouco antes do início da audiência. Eu deveria ficar longe da sala, longe de Renesmee e, principalmente, longe de Ethan. Segundo ele, minha presença poderia criar uma distração desnecessária e dar a Alec Volturi alguma oportunidade de questionar até onde ia meu envolvimento naquela disputa. Solomon concordara, usando uma quantidade irritante de argumentos jurídicos para dizer exatamente a mesma coisa, e Paul teve a coragem de acrescentar que me manter afastado de Ethan também diminuía consideravelmente as chances de alguém sair algemado daquele prédio.
Eu não gostei e ainda assim, aceitei.
Não porque concordasse com eles, mas porque qualquer atitude minha que pudesse prejudicar Renesmee estava fora de questão.
Por isso, enquanto todos entravam na sala de audiência, fui conduzido até uma pequena sala reservada em uma parte mais afastada do corredor. Havia uma mesa, algumas cadeiras, uma cafeteira que produzia algo que definitivamente não deveria ser chamado de café e uma janela grande demais para uma vista absolutamente inútil de outro prédio. Eu poderia ter ido embora. Sam deixou isso claro antes de sair. Poderia voltar para a empresa e receber uma ligação quando tudo terminasse.
Ele sabia que eu não faria isso.
Renesmee sabia que eu estaria ali.
E eu tinha dito que estaria esperando quando ela saísse.
Não costumava quebrar minha palavra.
Nos primeiros vinte minutos ainda consegui trabalhar. Abri o notebook, respondi alguns e-mails, revisei números enviados pela diretoria financeira e aprovei duas decisões que estavam aguardando minha autorização desde a noite anterior. Na terceira vez em que percebi que tinha lido o mesmo parágrafo de um relatório sem absorver uma única palavra, fechei o computador com força suficiente para fazer o som ecoar pela sala.
Aquilo era inútil.
Levantei e caminhei até a janela.
Olhei o relógio.
Vinte e sete minutos.
– Porra.
Eu estava acostumado a controlar reuniões que duravam horas. Já tinha passado dias esperando respostas sobre negociações de centenas de milhões sem perder uma noite de sono. Sabia trabalhar sob pressão, sabia esperar pelo momento certo e, quando necessário, conseguia deixar uma decisão amadurecer durante semanas sem demonstrar ansiedade.
Mas aquilo não era uma negociação.
Era Belinha.
Era Renesmee.
E eu não tinha qualquer controle sobre o que estava acontecendo do outro lado daquele corredor.
Comecei a andar.
Da janela até a mesa eram onze passos. Da mesa até a porta, sete. Descobri isso depois de repetir o percurso vezes suficientes para começar a contar por puro tédio. A cada ruído vindo do corredor, meus olhos iam imediatamente para a porta. Funcionários passavam, advogados conversavam do lado de fora e, em algum momento, duas pessoas riram alto o suficiente para me irritar sem qualquer motivo razoável.
Olhei novamente para o relógio, quarenta e três minutos.
Aquela merda estava parada.
Peguei o celular e encontrei uma mensagem de Paul enviada antes de entrar.
"Não saia daí."
Não respondi.
Outra de Sam tinha chegado dois minutos depois.
"Estou falando sério."
Aquilo mereceu uma resposta.
"Vão trabalhar."
Guardei o aparelho no bolso e continuei andando.
Eu sabia o que estava em jogo naquela sala. Tinha lido cada relatório preparado pela equipe, discutido cada cenário com Paul e Solomon e ouvido mais vezes do que gostaria aqueles malditos setenta por cento. A situação financeira de Renesmee era o ponto que mais me incomodava. Ethan tinha sido meticuloso. Tirara dela justamente aquilo que agora pretendia usar para demonstrar instabilidade. Primeiro a casa. Depois o prédio da doceria. Em seguida aparecia diante de um juiz oferecendo uma residência luxuosa, dinheiro, escola e uma estrutura financeira que ele próprio ajudara a destruir do outro lado.
Aquilo não era uma disputa pela filha. Era uma chantagem com testemunhas.
E se o juiz não enxergasse isso, eu faria questão de encontrar alguém que enxergasse.
Parei diante da mesa e apoiei as duas mãos sobre a madeira.
Não.
Não podia pensar daquela maneira ainda.
Sam tinha me avisado justamente sobre aquilo. Eu já estava planejando o que fazer depois de uma derrota antes mesmo de saber se ela existiria. Jenks era competente. Meu jurídico tinha trabalhado ao lado dele durante semanas. Paul conhecia cada documento, Solomon revisara tudo e Sam havia ajudado a organizar a estratégia. Alec Volturi podia nunca ter perdido uma causa, mas também não era um homem disposto a destruir a própria reputação por um cliente. Se descobrisse durante a audiência que Ethan tinha escondido informações importantes dele, teria um problema nas mãos.
Tínhamos armas.
Precisávamos apenas que fossem suficientes.
O celular vibrou, e tirei-o do bolso imediatamente, mas er Rachel. Ignorei a ligação.
Ela ligou novamente menos de um minuto depois. Atendi. – O quê quer Rachel?
– Nossa, que delicadeza. Também senti sua falta.
– Estou ocupado.
– Está andando de um lado para o outro numa sala, não está?
Parei. – Paul falou com você?
– Não. Conheço meu marido, ele não liga em meio a algo importante.
– Então use esse conhecimento para saber quando desligar.
Rachel riu. – Só queria saber se já terminou.
– Quando terminar, você saberá.
– E Renesmee?
Minha mandíbula se contraiu. – Está na audiência, Rachel.
– Eu sei disso. Estou perguntando como ela estava antes de entrar.
– Nervosa.
– E você?
Olhei para a porta. – Adeus, Rachel.
– Jacob...
Desliguei.
Não precisava de uma análise emocional da minha irmã naquele momento. Muito menos de qualquer comentário sobre o motivo de eu estar trancado num tribunal esperando por uma mulher que, poucas semanas antes, era apenas a chef contratada para preparar os doces do aniversário da minha filha.
O relógio continuou andando.
Uma hora. Uma hora e vinte. Uma hora e quarenta.
Em determinado momento, desisti completamente de trabalhar. O café esfriou sem que eu bebesse, o notebook permaneceu fechado e meu celular ficou sobre a mesa. Continuei andando enquanto minha cabeça criava cenários que me irritavam cada vez mais.
Pensei em Renesmee entrando naquela sala e no que faria se aquele desgraçado saísse de lá com uma decisão favorável nas mãos.
Não seria naquele tribunal. Eu tinha prometido a Sam que não chegaria perto dele e cumpriria. Mas depois...
A porta continuava fechada.
Olhei o relógio outra vez. Duas horas. Parei no meio da sala.
Duas malditas horas.
Foi quando ouvi passos no corredor.
Dessa vez eram vários.
Não me movi imediatamente. Esperei, atento, até as vozes baixas se aproximarem. Reconheci a de Paul primeiro. Depois Sam. A terceira era Solomon.
Fui até a porta antes que alguém precisasse abri-la. Ela se abriu no momento em que alcancei a maçaneta.
Sam entrou primeiro, Paul veio logo atrás e Solomon foi o último.
Olhei para os três procurando alguma resposta em seus rostos, mas nenhum deles facilitou. Sam estava sério. Paul mantinha a mandíbula travada e Solomon carregava uma pasta de documentos contra o corpo com a mesma expressão controlada que usava em reuniões.
Meu estômago se contraiu.
– Como foi?
Nenhum respondeu.
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