Jacob


Cheguei à Black Enterprises pouco antes das dez da manhã e meu humor já estava uma merda antes mesmo de atravessar as portas do prédio. A reunião de emergência tinha sido marcada depois que Solomon me informou que um dos acionistas minoritários havia vendido toda a participação sem comunicar previamente aos demais. Legalmente, dependendo dos termos e da estrutura da operação, poderia existir margem para aquilo. O problema era outro. Ninguém sabia quem tinha comprado. Uma quantidade considerável de ações da empresa que carregava meu sobrenome tinha mudado de mãos e, depois de tudo que vinha acontecendo nos últimos meses, eu não estava disposto a aceitar surpresas dentro da minha própria casa. Principalmente quando surpresa costumava ser apenas uma palavra educada para dizer que alguém estava tentando me foder.

Atravessei o corredor do andar executivo sem diminuir o passo. Minha secretária levantou da mesa assim que me viu, provavelmente para me atualizar sobre alguma coisa, mas fiz apenas um gesto indicando que falaria com ela depois. Quando abri a porta da sala de reuniões, encontrei Sam, Paul, Embry, Solomon e Quil já acomodados ao redor da mesa. Havia documentos espalhados, notebooks abertos e uma expressão coletiva que não me agradou nem um pouco. Ninguém tinha cara de quem descobrira alguma coisa útil.

– Espero que essa reunião tenha sido marcada para me dar um nome e não para cinco homens adultos me explicarem durante uma hora por que ainda não conseguiram um – falei enquanto entrava e deixava uma pasta sobre a mesa. – Porque, se for a segunda opção, podemos economizar tempo e começar diretamente pela parte em que eu fico puto.

Quil recostou-se na cadeira e cruzou os braços.

– Bom dia para você também.

– Meu dia começou ótimo até eu lembrar que alguém comprou uma parte da minha empresa e ninguém nesta sala sabe me dizer quem foi. Então guarda a gentileza para quando tivermos alguma coisa para comemorar.

Solomon empurrou alguns documentos na minha direção.

– Fizemos uma nova análise da operação. A venda foi conduzida por intermediários e está juridicamente bem amarrada. O comprador utilizou uma empresa de investimentos para concluir a aquisição, e o acionista que vendeu não violou nenhuma cláusula que nos permita anular a operação imediatamente.

Puxei a cadeira da cabeceira e me sentei.

– Não perguntei se podemos anular. Perguntei quem comprou.

Solomon sustentou meu olhar sem se intimidar. Era uma das razões pelas quais eu ainda pagava aquele homem tão bem.

– E estou dizendo que ainda não sabemos.

– Então estamos pagando uma equipe jurídica inteira para descobrir que não sabemos de porra nenhuma.

Paul abriu um dos arquivos no tablet.

– Sabemos algumas coisas. O comprador não fez isso por impulso. A empresa usada na aquisição foi estruturada para manter o verdadeiro investidor distante da negociação. Quem fez isso sabia exatamente como impedir que o nome aparecesse antes da conclusão.

Olhei para ele.

– Isso deveria me tranquilizar?

– Não.

– Ótimo. Pelo menos um de nós está acompanhando a gravidade da situação.

Sam apoiou os antebraços sobre a mesa.

– Estamos verificando todas as empresas relacionadas à operação. Pode ser apenas alguém que queira entrar na Black Enterprises sem chamar sua atenção antes da compra.

Deixei escapar uma risada sem humor.

– Sam, alguém gastou uma fortuna para entrar na minha empresa escondendo o próprio nome e você quer que eu considere a possibilidade de ser timidez?

Embry soltou uma risada curta e recebeu um olhar meu.

– Alguma coisa engraçada?

– Absolutamente nada.

– Imaginei.

Peguei um dos documentos, mas antes que pudesse começar a leitura senti o celular vibrar dentro do bolso do paletó. Normalmente eu ignoraria qualquer mensagem durante uma reunião daquele nível. Nos últimos meses, porém, existia uma pessoa que conseguira o privilégio irritante de furar praticamente todas as minhas prioridades.

Tirei oaparelho, era Renesmee, imediatamente abri a mensagem.

"Aniversário do meu pai em Forks no final de semana. Você vai, não vai?"

Fiquei olhando para a tela.

Claro. Não era um convite. Era uma ordem disfarçada de pergunta, e eu estava começando a desconfiar que aquela mulher tinha aprendido comigo mais do que deveria.

Enquanto Sam continuava falando alguma coisa sobre rastrear os responsáveis pela intermediação, digitei:

"Vou olhar minha agenda."

A resposta apareceu quase imediatamente.

Uma careta. Apenas uma maldita careta.

Franzi o cenho para o celular.

Quil parou de mexer nos documentos e me observou pelo canto dos olhos, mas teve juízo suficiente para não perguntar.

Sam continuava falando. – Também solicitei um levantamento das últimas movimentações dos demais acionistas. Se alguém dentro do conselho intermediou esse contato, vamos descobrir.

– Faça isso – respondi, ainda olhando para a tela.

Outra mensagem de Nessie apareceu.

"Jacob."

Só meu nome. Eu conhecia aquele Jacob. Conseguia praticamente ouvir a voz dela.

Suspirei.

"Vou."

Três pontinhos surgiram na tela e, poucos segundos depois, apareceu um coração.

"Sabia que você era um amor. Te amo."

Balancei a cabeça.

Um amor.

Se alguém naquela empresa me chamasse daquela merda, provavelmente estaria desempregado antes do almoço.

Ainda assim, senti o canto da boca se mover.

Respondi antes de guardar o aparelho.

"Continua espalhando essa calúnia e eu mudo de ideia."

A resposta dela veio antes que eu bloqueasse a tela.

"Não muda não. ❤️"

Filha da mãe. Guardei o celular no bolso e, quando levantei os olhos, encontrei cinco homens olhando para mim.

Fiquei em silêncio.

Eles também.

Paul mordeu o interior da bochecha. Embry baixou os olhos para os documentos. Sam estava sério demais, o que significava que estava tentando não rir.

Solomon teve a dignidade de fingir interesse no notebook. Quil era o pior. O desgraçado estava sorrindo abertamente.

– Por que vocês estão olhando para mim?

– Ninguém está olhando – respondeu Sam com uma seriedade ridícula.

Olhei ao redor da mesa. – Cinco pessoas estão com a cara virada na minha direção.

Paul pigarreou. – Coincidência.

– Vocês têm cinco segundos para descobrir algum assunto mais interessante.

Quil não perdeu a oportunidade. – Eu estava apenas tentando entender como um homem entra nesta sala ameaçando demitir metade do jurídico e, três minutos depois, fica sorrindo para o celular.

Virei lentamente a cabeça para ele. – Eu não estava sorrindo.

– Claro que não – concordou Embry. – Deve ter sido uma contração muscular.

Paul finalmente riu. – Algum efeito tardio do estresse.

– Continuem – avisei, apoiando as costas na cadeira. – Estou anotando mentalmente quem precisa trabalhar no próximo feriado.

Quil levantou as mãos. – Eu não falei mais nada.

– Não precisa. Sua cara já está me irritando.

Sam balançou a cabeça, divertindo-se.

– Nessie?

– A vida particular do presidente da empresa não consta na pauta desta reunião.

– Então era ela – concluiu Paul.

– Paul.

Ele fechou a boca, ainda sorrindo.

Solomon resolveu salvar os idiotas antes que eu começasse a distribuir trabalho inútil por puro prazer. – Podemos voltar ao acionista misterioso?

– Finalmente alguém nesta sala se lembrou por que está sendo pago.

Peguei novamente os documentos e comecei a analisar a estrutura da venda. Tentei afastar Renesmee da cabeça, mas aquela porra do coração vermelho continuava aparecendo na minha memória. Ela fazia aquilo comigo e provavelmente nem percebia. Alguns meses antes eu teria considerado patético ver um homem da minha idade interromper uma reunião milionária para responder à namorada. Agora eu fazia exatamente isso e ainda ficava irritado quando ela demorava para responder.

Que fase do caralho.

– Quero o nome desse comprador antes que ele coloque os pés dentro deste prédio – determinei, voltando a atenção para Solomon. – Não me interessa quantas empresas existem entre ele e essas ações. Sigam o dinheiro, levantem procuradores, intermediários, escritórios, qualquer filho da puta que tenha participado dessa operação. Alguém sabe quem está por trás disso.

Solomon assentiu.

– Já estamos fazendo.

– Então façam mais rápido.

A porta se abriu antes que Solomon pudesse responder, e minha secretária entrou na sala. Bastou olhar para ela para perceber que alguma coisa estava errada. A mulher trabalhava comigo havia anos, já tinha visto reuniões terminarem em demissões, discussões entre acionistas e negociações de centenas de milhões sem demonstrar qualquer desconforto. Naquele momento, porém, segurava o tablet contra o corpo e parecia escolher com cuidado a maneira de me dar uma informação que evidentemente preferia não precisar anunciar.

– Senhor Black, desculpe interromper a reunião, mas há alguém na recepção pedindo para falar com o senhor.

– Se não está na minha agenda, mande esperar ou voltar outro dia – respondi, sem esconder a irritação. – Hoje não estou distribuindo audiência para quem resolveu aparecer sem avisar.

Ela não se moveu.

Aquilo me fez erguer os olhos dos documentos.

– Algum problema?

Minha secretária respirou fundo antes de responder.

– É o senhor Hale.

O silêncio caiu sobre a mesa. Não precisei perguntar qual.

Sam imediatamente recostou-se na cadeira, Paul abandonou o tablet e Quil virou o rosto para a porta como se tivesse certeza de que ouvira errado. Minha secretária conhecia Ethan. Durante anos, ele havia circulado por aqueles corredores como meu genro e executivo da Black Enterprises. Ela também sabia que, depois de tudo que descobrimos, aquele homem não deveria ter coragem suficiente para colocar os pés no prédio outra vez.

– Ethan está aqui? – perguntei, mantendo a voz baixa.

– Sim, senhor. – Ela apertou o tablet entre os dedos. – Ele chegou há poucos minutos. Eu pedi que aguardasse na recepção porque não sabia se o senhor gostaria de recebê-lo.

Quil soltou uma risada incrédula.

– Esse filho da puta perdeu completamente o instinto de sobrevivência.

– Ou veio justamente porque sabe que não vamos arrancar a cabeça dele diante de cinquenta funcionários – comentou Paul.

Olhei para ele.

– Não apostaria nisso.

Embry passou a mão pela boca, contendo uma risada, enquanto Solomon permaneceu sério.

– Jacob, antes de fazer qualquer coisa, seria conveniente descobrirmos por que ele veio.

– Eu sei exatamente o que é conveniente, Solomon. Isso raramente significa que eu esteja interessado.

Minha secretária continuava próxima à porta.

– Senhor Black, devo pedir que ele vá embora?

Pensei por alguns segundos. Ethan tinha desaparecido depois que começamos a desmontar as mentiras que sustentavam sua vida havia anos. Agora, justamente quando uma participação da minha empresa havia mudado de mãos sem que conseguíssemos identificar o comprador, ele aparecia na Black Enterprises sem marcar horário.

Coincidência demais costumava significar planejamento.

Levantei devagar e abotoei o paletó. – Não. – Olhei para os homens ao redor da mesa antes de voltar minha atenção para ela. – Mande entrar.

Ela assentiu, mas antes que saísse acrescentei:

– E avise a segurança para ficar neste andar.

Quil arqueou uma sobrancelha. – Segurança para proteger quem?

Olhei para ele. – Depende de quanto Ethan pretende me irritar nos próximos dez minutos.

Minha secretária saiu e fechou a porta. Voltei a me sentar na cabeceira, apoiei os braços na cadeira e encarei a entrada.

Eu ainda não sabia o que Ethan tinha vindo buscar.

Mas, depois de tudo que aquele filho da puta fizera com Claire, com Renesmee e com a minha família, entrar novamente na Black Enterprises por vontade própria exigia duas coisas.

Um motivo muito bom ou uma vontade do caralho de morrer.



Jacob

A porta da sala se abriu poucos minutos depois, e Ethan entrou com uma tranquilidade que, por alguns segundos, conseguiu me deixar mais impressionado do que irritado. O filho da puta tinha coragem, eu precisava reconhecer isso. Vestia um terno escuro impecavelmente cortado, camisa clara, sapatos que provavelmente tinham sido engraxados naquela manhã e carregava uma pasta fina em uma das mãos. Não parecia um homem que tinha sido expulso da Black Enterprises, perdido o apoio da família que usara durante anos e estava sendo investigado por uma quantidade crescente de irregularidades. Parecia um executivo chegando para uma reunião marcada, e aquela segurança calculada me disse imediatamente que ele não tinha aparecido para pedir nada.

Sam estava sentado à minha direita, Paul e Embry ocupavam o outro lado da mesa, Solomon tinha alguns documentos abertos diante dele e Quil observava Ethan com uma expressão que dispensava qualquer tentativa de cordialidade. Nenhum deles se levantou para recebê-lo. Ethan percebeu, mas não demonstrou incômodo. Fechou a porta atrás de si e caminhou alguns passos para dentro da sala antes de me olhar com um sorriso que eu conhecia bem demais.

– Bom dia, sogro. Faz algum tempo.

Apoiei lentamente as costas na cadeira e o encarei.

– Se pretende sair desta sala usando os mesmos dentes com que entrou, sugiro que não me chame assim outra vez. Agora diga o que veio fazer aqui enquanto ainda estou interessado em ouvir.

Sam baixou o rosto e levou a mão à boca para esconder o riso. Paul desviou os olhos, mas vi o canto de sua boca se mover. Ethan, por outro lado, manteve o sorriso e caminhou até a mesa como se minha ameaça tivesse sido uma recepção perfeitamente normal.

– Continua com o mesmo temperamento agradável.

– E você continua confundindo minha paciência com educação. A diferença é que hoje eu não preciso fingir que gosto de você porque minha filha cometeu a estupidez de se casar contigo.

A mandíbula dele endureceu discretamente.

Finalmente.

Havia alguma coisa por baixo daquela pose.

Ethan puxou uma cadeira sem pedir autorização e se sentou diante de mim. Quil soltou uma risada baixa ao perceber a audácia, mas eu permaneci imóvel. Queria descobrir até onde aquele teatro iria antes de começar a desmontá-lo.

Ethan colocou a pasta sobre a mesa e cruzou uma perna sobre a outra.

– Isso são modos de um presidente receber o novo sócio da própria empresa?

Ninguém falou.

Eu também não.

Apenas o encarei.

Ethan pareceu apreciar o silêncio.

– Pela expressão de vocês, imagino que ainda estejam tentando descobrir quem comprou as ações de Thompson.

Solomon se endireitou na cadeira.

– Qual é exatamente o seu envolvimento naquela operação?

Ethan olhou para ele e sorriu.

– Todo.

Meu olhar permaneceu fixo nele.

– Continue.

Ele abriu a pasta e retirou alguns documentos.

– Imagino que seu jurídico já tenha confirmado que a negociação foi concluída de maneira regular. Thompson queria sair, recebeu uma proposta bastante generosa e vendeu sua participação. Nada particularmente emocionante.

Paul olhou para Solomon, que permaneceu em silêncio.

Ethan deslizou os documentos pela mesa na minha direção.

Não toquei neles.

– Quanto?

Ele pareceu gostar da pergunta.

– Vinte e cinco por cento.

Sam perdeu qualquer vestígio de humor.

Embry se inclinou para frente e Quil soltou um palavrão baixo. Solomon pegou os documentos imediatamente e começou a analisá-los, mas eu continuei olhando para Ethan.

Vinte e cinco por cento.

Aquilo não era uma compra pequena feita para conseguir dividendos ou diversificar investimentos. Vinte e cinco por cento colocavam Ethan dentro da Black Enterprises com peso suficiente para incomodar, questionar decisões, acessar informações e transformar qualquer reunião de acionistas numa guerra.

E ele sabia exatamente disso.

– Você comprou vinte e cinco por cento da Black Enterprises – repeti, sem alterar a voz.

– Agora estamos nos entendendo.

– Não. Estou apenas dando a você a oportunidade de repetir a merda que acabou de dizer para ter certeza de que não entendi errado.

Ethan abriu os braços.

– Sou proprietário de vinte e cinco por cento da empresa que ajudou a construir sua fortuna. Tecnicamente, voltaremos a trabalhar juntos.

Quil se mexeu na cadeira.

– Você não construiu porra nenhuma aqui.

Ethan virou o rosto para ele.

– Não estava falando com você, Ateara.

Quil sorriu, mas conhecia aquele sorriso. Era o que aparecia pouco antes de ele esquecer que já tinha idade suficiente para não resolver problemas com os punhos.

– Continua sendo um filho da puta corajoso quando tem uma mesa entre você e os outros.

– Quil – chamei sem tirar os olhos de Ethan.

Ele se calou.

Ethan voltou a olhar para mim.

– Preciso admitir que esperava uma reação maior. Achei que pelo menos quebraria alguma coisa.

– Eu não destruo patrimônio quando estou irritado. Prefiro destruir o motivo da irritação.

O sorriso dele diminuiu.

– Isso foi uma ameaça?

– Você conviveu comigo tempo suficiente para saber quando estou ameaçando alguém. Ainda estamos conversando.

Solomon levantou os olhos dos documentos.

– Jacob, preciso analisar isso com mais cuidado, mas os documentos parecem corresponder à operação que recebemos esta manhã.

Assenti lentamente.

Então finalmente peguei a pasta.

Passei os olhos pelas primeiras páginas sem realmente precisar lê-las naquele momento. A informação principal já estava diante de mim. Ethan tinha conseguido dinheiro suficiente para adquirir uma participação considerável da empresa e escondido o próprio nome até a conclusão da venda.

Aquilo levantava uma pergunta muito mais interessante.

De onde tinha vindo o dinheiro?

Ethan não possuía patrimônio suficiente para uma operação daquela magnitude. Eu conhecia a situação financeira dele melhor do que ele imaginava. Conhecia salários, bonificações, investimentos e praticamente tudo que tinha passado pelas mãos daquele homem durante os anos em que trabalhou para mim.

Vinte e cinco por cento da Black Enterprises estava muito além de suas possibilidades.

Fechei a pasta.

– Quem financiou você?

Pela primeira vez, Ethan demorou um pouco para responder.

Foi pouco.

Mas eu vi.

– Isso não é da sua conta.

Sorri.

– Agora começou a ficar interessante.

– A origem dos meus recursos não muda o fato de que a operação foi concluída.

– Talvez não. Mas muda a conversa.

Inclinei-me para frente.

– Porque eu sei quanto você ganhava. Sei quanto patrimônio tinha enquanto trabalhava aqui e sei aproximadamente quanto restou depois que suas mentiras começaram a cair. Você não tinha dinheiro para comprar cinco por cento desta empresa, muito menos vinte e cinco. Então ou encontrou uma porra de uma mina de ouro nas últimas semanas ou alguém colocou dinheiro na sua mão.

Ethan sustentou meu olhar.

– Pode investigar à vontade.

– Pretendo.

– Enquanto investiga, talvez seja melhor começar a se acostumar com a ideia de me encontrar nestes corredores novamente.

Deixei escapar uma risada baixa.

– Você está confundindo ações com poder.

– Vinte e cinco por cento dizem o contrário.

– Vinte e cinco por cento fazem de você um acionista relevante. Não fazem de você presidente, não colocam seu sobrenome naquela fachada e definitivamente não transformam esta sala na sua casa. Não se empolgue antes da hora.

A expressão dele endureceu.

– Você parece incomodado.

– Você entrou na minha empresa depois de aplicar um golpe na mulher que eu amo, mentir para minha filha durante anos e usar meu neto como peça nessa merda toda. Incomodado é uma palavra educada demais para o que estou sentindo.

O olhar de Ethan mudou quando mencionei Renesmee.

Ali estava.

Eu tinha acertado exatamente onde queria.

– A mulher que você ama – repetiu ele com um sorriso amargo. – Então chegamos a esse ponto.

– Chegamos muito além dele.

– Engraçado. Você ficou com a minha família e agora ainda fala como se eu tivesse sido o único a cruzar limites.

Minha mandíbula travou. – Cuidado.

– Acertei alguma coisa?

– Não. Só estou avisando porque você parece ter desenvolvido uma vontade impressionante de sair daqui carregado.

Sam respirou fundo ao meu lado.

– Jacob.

Levantei uma mão.

Não precisava que ninguém me controlasse. Ainda.

Olhei para os cinco homens ao redor da mesa e tomei minha decisão.

– Sam, Paul, Embry, Quil, Solomon, saiam.

Quil virou imediatamente para mim. – Nem fodendo.

– Não me faça repetir.

– Jake, esse cara...

– Eu sei exatamente quem está sentado na minha frente.

Solomon fechou a pasta que estava analisando.

– Como seu advogado, eu recomendaria que qualquer conversa relacionada à aquisição acontecesse na minha presença.

– E como presidente da empresa, estou mandando você sair da sala.

Solomon me encarou por alguns segundos antes de assentir e Sam se levantou primeiro e fechou o paletó.

– Vamos.

Paul acompanhou o movimento. Embry recolheu o tablet, mas Quil permaneceu sentado.

Olhei para ele. – Quil.

– Se eu sair e ouvir alguma coisa quebrando, vou voltar.

– Se ouvir alguma coisa quebrando, provavelmente já vai ser tarde demais para ajudar quem ficou.

Ethan sorriu.

Quil apontou um dedo para ele.

– Não fica feliz, Fitzgerald. Eu estava falando de você.

– Fora – repeti.

Quil finalmente se levantou. Os cinco caminharam em direção à porta. Solomon foi o último e, antes de sair, lançou um olhar para os documentos sobre a mesa.

– Não assine nada.

– Não pretendo assinar. Pretendo conversar.

Ele pareceu considerar que, vindo de mim, aquilo não era particularmente tranquilizador, mas saiu mesmo assim.

A porta se fechou e o silêncio tomou a sala. Fiquei sentado de um lado da mesa e Ethan do outro. Sem nenhum advogado, funcionário ou testemunha.

Apenas nós dois.

Ethan recostou-se na cadeira com uma confiança que começava a me divertir.

– Então, sogro...

Levantei os olhos lentamente. Ele sorriu e eu também. – Ótimo – falei, tirando o relógio do pulso e colocando-o sobre a mesa. – Agora pode me chamar assim outra vez.