Narrado por Jacob


Eu não acreditava em sorte.

Nunca acreditei.

Sorte era a palavra que as pessoas usavam quando não queriam admitir que alguém havia trabalhado mais, arriscado mais ou sido mais impiedoso do que elas para chegar a algum lugar. Aos quarenta e nove anos, eu tinha aprendido que praticamente tudo podia ser conseguido quando se entendia o que as pessoas queriam, do que tinham medo e, principalmente, o quanto estavam dispostas a perder. A Black Enterprises não tinha se tornado uma das maiores empresas privadas de Seattle porque eu tivera sorte. Existia porque eu passara mais de trinta anos construindo cada parte dela, comprando concorrentes quando estavam vulneráveis, encerrando contratos quando deixavam de ser interessantes e aprendendo cedo que amizade e negócios eram duas coisas que jamais deveriam ocupar a mesma sala.

Meu pai provavelmente odiaria metade das coisas que fiz para transformar o pequeno negócio que ele começara em La Push no império que existia agora. Billy Black ainda acreditava que um aperto de mão significava alguma coisa. Eu preferia contratos com vinte páginas e multas suficientemente altas para fazer qualquer pessoa pensar duas vezes antes de quebrá-los. Talvez por isso ele tivesse desistido de discutir comigo muitos anos atrás. Meu pai gostava de dizer que eu tinha nascido com uma pedra no lugar do coração, e Rachel respondia que aquilo era injusto com as pedras. Eu não me ofendia. Nunca precisei que minha família aprovasse a maneira como conduzia meus negócios, apenas precisava que os resultados aparecessem no fim de cada trimestre.

Naquela manhã, os resultados estavam espalhados diante de mim sobre a enorme mesa da sala de reuniões no último andar do edifício da Black Enterprises. Havia relatórios financeiros, projeções para o próximo semestre e uma proposta de aquisição que meus diretores insistiam em chamar de arriscada. Eu chamava de barata. A empresa que pretendíamos comprar estava perdendo dinheiro havia oito meses, os investidores começavam a entrar em pânico e o presidente ainda acreditava que poderia negociar comigo como se tivesse alguma vantagem. Não tinha. Só ainda não havia percebido.

– Eles recusaram a proposta novamente – Quil informou, sentado algumas cadeiras à minha direita.

Nem levantei os olhos do relatório.

– Então reduza em cinco por cento.

Ouvi uma pequena movimentação ao redor da mesa.

– Jacob – Sam começou –, se reduzirmos agora, eles podem procurar outro comprador.

Finalmente levantei a cabeça.

– Que comprador?

Ninguém respondeu.

Olhei para cada um dos homens sentados diante de mim.

– É exatamente o que pensei.

Fechei a pasta.

– Eles têm dívidas vencendo em quarenta e cinco dias, perderam dois dos maiores clientes e os bancos não vão ampliar a linha de crédito. Não existe outro comprador porque ninguém quer assumir aquele problema. Eu quero. Portanto, não vou pagar o valor que eles acham que merecem. Vou pagar o valor que eu decidir que ainda vale a pena.

Quil recostou-se na cadeira.

– E se recusarem?

– Daqui a três semanas oferecemos dez por cento menos.

Sam riu baixo.

– Você é um filho da puta.

– É por isso que você trabalha para mim.

– Tecnicamente eu trabalho para a empresa.

– A empresa é minha.

– Está vendo? É exatamente disso que estou falando.

Ignorei.

Meu celular vibrou sobre a mesa e olhei rapidamente para a tela. Uma fotografia apareceu na notificação antes mesmo que eu abrisse a mensagem.

Meu neto.

Peguei o aparelho imediatamente.

Aquilo fez Quil sorrir. – Impressionante.

– O quê?

– Trinta milhões de dólares sobre a mesa e você não mexeu uma sobrancelha. Aparece uma foto do seu neto e a reunião deixa de existir.

Abri a mensagem enviada por Claire.

Meu neto estava usando uma camisa social pequena demais para parecer confortável e segurava um carrinho diante do espelho. Abaixo da fotografia, minha filha escrevera que ele havia decidido sozinho qual roupa usaria no aniversário dela e que qualquer tentativa de fazê-lo trocar seria responsabilidade minha.

Sorri.

– A reunião já tinha acabado.

– Claro.

Ampliei a fotografia.

Havia poucas pessoas no mundo capazes de interromper uma reunião minha sem enfrentar consequências. Meu neto nem precisava estar presente para conseguir.

Claire era minha filha única e eu a amava de uma maneira que provavelmente nunca soube demonstrar corretamente. Tinha orgulho da mulher em que ela havia se tornado, mas nunca a tratei como frágil e ela aprendera cedo que ser filha de Jacob Black não significava receber tudo sem esforço. Com meu neto, entretanto, todas as regras que eu mesmo estabelecera pareciam desaparecer. O garoto podia entrar no meu escritório durante uma negociação, subir no meu colo e exigir que eu montasse um dinossauro de blocos enquanto executivos aguardavam do outro lado da mesa. E eu montaria.

Talvez aquela fosse minha única fraqueza.

Todo homem tinha uma.

O erro era permitir que mais de uma pessoa descobrisse.

– Falando em Claire – Quil disse enquanto recolhia alguns documentos –, está tudo resolvido para sábado.

– O quê tem sábado?

Ele parou.

Sam começou a rir.

– Você não pode estar falando sério.

Olhei para os dois.

– Tenho cara de quem está brincando?

– É o aniversário da sua filha – Quil respondeu.

Passei a mão pelo maxilar.

Merda.

– Eu sabia.

– Evidentemente.

– Apenas não lembrava que era sábado.

Quil balançou a cabeça.

– Se você esquecer de aparecer, Claire vai te matar.

– Minha filha não me mata.

– Rachel mata.

Isso era verdade.

Levantei-me e abotoei o paletó.

– Então certifique-se de que minha agenda esteja livre.

– Já está.

– Ótimo.

Saí da sala enquanto minha assistente começava a me acompanhar pelo corredor, enumerando os compromissos que ainda tinha naquele dia. Ouvi metade. A outra metade da minha atenção estava no celular, onde uma nova mensagem acabara de chegar.

Dessa vez não era Claire.

Bree Tanner.

Parei diante das portas do elevador.

Fazia quase duas semanas que não falava com ela.

Abri a mensagem.

"Preciso falar com você."

Nenhum cumprimento. Nenhuma explicação.

Típico.

Bree e eu tínhamos terminado havia quase dois anos, embora "terminado" talvez fosse uma palavra excessivamente definitiva para descrever o que existia entre nós. Ela sabia que eu nunca voltaria a assumir um relacionamento com ela e eu sabia que, apesar de todo o orgulho que carregava, Bree ainda atendia quando eu ligava. Não me orgulhava particularmente disso. Também não fingia que desconhecia a vantagem.

Depois de Leah, eu tinha desistido da ideia de casamento. Minha ex-esposa passou anos tentando conviver com a minha necessidade de controlar tudo até perceber que amar alguém não significava aceitar viver segundo as regras dele. Leah queria um companheiro. Eu, naquela época, queria que as coisas funcionassem da maneira que considerava correta. Horários, viagens, dinheiro, decisões, até discussões precisavam acontecer no meu terreno. Ela cansou antes que eu entendesse que casamento não era uma empresa e que uma esposa não era alguém que eu podia administrar. Quando finalmente entendi, já estávamos assinando os papéis do divórcio.

Bree veio anos depois.

E Bree era diferente.

Ela conheceu exatamente o homem que eu era e entrou mesmo assim.

O elevador chegou.

Entrei e pressionei o botão da garagem.

Minha assistente continuou falando sobre um jantar com investidores enquanto respondi à mensagem.

"Meu escritório. Cinco horas."

A resposta apareceu quase imediatamente.

"Não posso às cinco."

Olhei para a tela por alguns segundos.

Então digitei:

"Pode."

Guardei o celular no bolso antes que ela respondesse.

Talvez aquilo dissesse mais sobre mim do que eu gostaria.

Aos quarenta e nove anos eu não tinha qualquer interesse em fingir ser um homem fácil. Não era. Não precisava ser. Minha vida funcionava porque eu sabia exatamente onde cada coisa deveria estar e o que esperava de cada pessoa ao meu redor. Controle não era uma característica da qual eu tentava me livrar. Era a razão pela qual meu sobrenome estava no alto daquele edifício.

E, até aquele momento, eu tinha motivos suficientes para acreditar que tudo estava exatamente onde eu havia colocado.


17:01. O relógio na minha sala exibia a hora exata. O sol da tarde, filtrado pelas persianas, pintava listras douradas no carpete. Dispensei Clara, minha secretária, com um aceno de cabeça. Ela sabia o protocolo. Na portaria, o recado era claro: apenas Bree Tanner teria acesso. E depois dela, silêncio absoluto. O interfone permaneceu mudo. O mundo lá fora podia esperar.

Peguei o telefone, desliguei a linha e caminhei até a adega particular, um refúgio de tons escuros e garrafas alinhadas. A escolha foi fácil. Um bom vinho tinto, daqueles que aquecem a alma e desamarram os nós da garganta. Despejei um generoso gole na taça, o rubi líquido dançando à luz fraca. Levei-a aos lábios, o sabor amadeirado e frutado preenchendo meus sentidos. Um suspiro escapou.

17:05. A porta do escritório se abriu com um leve rangido. Bree. Ela entrou com a impaciência habitual, o cabelo levemente desalinhado, uma expressão de quem acabou de vencer uma batalha. "Que dificuldade para chegar aqui, Jacob", reclamou, a voz tingida de frustração.

Larguei a taça sobre a mesa de mogno, o tilintar suave ecoando no silêncio. Atravessei o espaço que nos separava, o cheiro dela, uma mistura inebriante de perfume e algo mais selvagem, chegando até mim. Puxei-a para perto, meus braços envolvendo sua cintura.

- E qual outro motivo você teria para vir, Bree?, perguntei, a voz baixa, carregada de intenção.

Ela se afastou um pouco, o olhar fixo no meu, uma faísca de irritação começando a brilhar. — Eu não vim para isso, Jacob.

- Ah, não? Então qual seria o motivo? Diga-me.

- É sempre o mesmo motivo, não é? Você só me procura quando quer sexo. A acusação pairava no ar, densa.

Dei de ombros, um sorriso mínimo nos lábios. — Não tenho culpa se você fode bem- A irritação dela se aprofundou, os olhos escurecendo. — Nós combinamos isso, Bree. Era para ser apenas isso. Sem sentimentos, sem complicações.

- Eu não quero mais isso, Jacob. Acabou. A firmeza na voz dela me pegou de surpresa.

Retornei à mesa, peguei a taça de vinho e bebi o restante. O silêncio que se seguiu foi pesado. Aceitei a decisão dela. Bree se virou para mim, a frustração se transformando em mágoa. — Você realmente não sente nada por mim, não é?

A pregunta ecoou em minha mente. Talvez ela tivesse razão. Talvez não. Avancei novamente, puxando-a para perto mais uma vez. O desejo era um fogo que me consumia, um instinto primitivo que não se apagava com palavras. — Sinto tesão, Bree. E isso é o suficiente.

Meus lábios encontraram os dela. Ela me empurrou no início, um resquício de resistência, mas logo a paixão tomou conta, e ela retribuiu com a mesma intensidade. Num movimento rápido, a sentei na beira da mesa, abrindo suas pernas. O mundo se reduziu a este momento, a este corpo, a este desejo. — Vou foder você pela última vez! sussurrei contra sua boca, antes de me colocar entre elas.

A adrenalina percorria minhas veias como um rio caudaloso, a urgência tomando conta do meu corpo. Olhei para Bree, e em seus olhos eu via o mesmo desejo ardente que me consumia. A saia dela, um véu tentador sobre a promessa do que se escondia por baixo. Sem hesitação, minhas mãos subiram, afastando o tecido sedoso e a delicada renda de sua calcinha. Um gemido escapou de seus lábios, um som que fez meu corpo vibrar. Ela jogou a cabeça para trás, expondo a curva elegante de seu pescoço, e eu soube naquele instante que ela estava pronta.

- Você está molhada, exatamente como eu gosto-

murmurei, minha voz rouca de desejo. Com um movimento rápido, o zíper da minha calça desceu, liberando a tensão que se acumulava. Posicionei-me entre suas pernas abertas e a penetrei com uma ânsia que me era peculiar. Bree gemeu novamente, um som que se misturou ao meu próprio suspiro de satisfação. A cada estocada, a mesa rangia sob nós, um ritmo selvagem que ecoava em nossos corpos.

Após alguns momentos de êxtase avassalador, a necessidade de explorar novas sensações me dominou. Com um movimento brusco, mas ainda controlado, a desci da mesa, girando-a para que suas costas ficassem voltadas para mim. Seus quadris se afastaram, e eu a penetrei por trás, a força da minha entrada a fazendo ofegar.

- Não... ela sussurrou, uma súplica que foi rapidamente abafada pela intensidade do meu toque. Mas seu corpo traiçoeiro respondia de outra forma, contorcendo-se em prazer. Eu a fodi com uma ferocidade renovada, segurando seu rosto entre minhas mãos, sentindo a pele macia sob meus dedos.

- Esta é a última vez- sussurrei em seu ouvido, o hálito quente em sua pele. — Por isso, você deve guardar isso. Cada sensação, cada gemido.

A promessa de memória, um selo em nosso momento de pura entrega. Meus músculos se contraíram, e com um último impulso, liberamos juntos a onda de prazer que nos consumiu, deixando-nos ofegantes e entregues um ao outro.