Amor e Ódio
12 Mudanças
A castanha despertou ao ouvir o som do alarme tocando em sua mesinha de canto, ao contrário das outras vezes em que ela reclamava quando precisava se levantar cedo, a menor não hesitou em sair da cama.
Se levantou animada, olhou no relógio e era 5:00 AM, colocou sua roupa de treino e foi ao banheiro fazer suas higienes matinais, jogou uma água no rosto e se direcionou a cozinha. Apenas tomou um copo de leite e comeu um pão, não queria ficar com o estômago cheio antes de se exercitar.
O sol ainda não tinha nascido, o vento estava um pouco gelado, ela estava com uma blusa de frio fina, tinha certeza que depois iria esquentar. Colocou a música em seu celular e levou os fones no ouvido, começou a se aquecer e logo em seguida a correr.
Deu pelo menos duas voltas em torno do lago, mas logo o cansaço bateu, se apoiou em uma árvore e parou para respirar um pouco. Seus pensamentos buscaram por Katsuki, com certeza ele a chamaria de fraca e ameaçaria chutar sua bunda caso não continuasse, ela riu com o pensamento, Bakugou era engraçado do jeito dele e ela gostava disso.
Mas seus pensamentos sobre o loiro não pararam por ali, foi então que ela começou a pensar o quanto ele ficava bonito quando estava treinando, suas veias ficam mais ressaltadas e quando estava nervoso também. Acha um charme a mania dele coçar o nariz quando fica bravo e quando o time dele perde no treinamento sempre culpava os amigos.
"Ochako — suspirou — Você não pode continuar pensando no Bakugou dessa maneira ... Você não pode se apaixonar por uma pessoa que é incapaz de demonstrar amor... Você só está pensando nisso porque ele quase te beijou, mas lembre-se que depois daquilo ele nunca mais tocou no assunto" — seus pensamentos eram melancólicos, até outro dia ela achava que gostava do Deku, uma pessoa totalmente confusa.
Voltou a se concentrar na corrida, a tática de correr para organizar seus pensamentos deu certo. A castanha conseguiu dar cinco voltas em torno do lago, mas estava morta. Deitou na grama e olhou para o céu, o sol estava prestes a nascer, era uma das visões favoritas dela.
Um frio percorreu sua espinha, foi então que ela sentiu um olhar sobre ela, quando olhou para trás ele estava lá, com uma visão dos deuses. O cabelo espetado como sempre dessa estava molhado, a camisa marcava os gominhos de seu abdômen e seu olhar rubi a fitavam, ele caminhou cautelosamente até ela e sentou-se ao seu lado.
— B-bom d-dia, Bakugou — ela gaguejava, sempre se sentia intimidada perto de figuras masculinas, mas o nervosismo perto dele era diferente.
— Bom dia, cara de lua — ele sempre mostrou para ela uma versão diferente dos outros — Caiu da cama? — perguntou zombando dela.
— Como você disse ontem — olhou para ele — Eu preciso melhorar meu condicionamento físico e não vou fazer isso se dormir até tarde e não treinar — deu de ombros — Mudanças de hábitos.
Ele deu um leve sorriso de lado, estava orgulhoso da pequena aprendiz — Até que fim que se tocou disso — não iria elogiar ela assim tão fácil, teria que fazer mais. Foi então que ele reparou nela, mesmo depois do treino, a castanha continuava linda.
Ela mantinha seus olhos grandes no céu, ao contrário dele, Ochako adorava olhar para o céu — Eu amo o nascer e o pôr do sol — disse observando o sol nascer, era apaixonante ver ela ali.
{...}
Era hora do almoço, todos estavam no refeitório conversando, quer dizer, Uraraka estava ali só fisicamente, seus pensamentos se encontravam em outro lugar, ou melhor, em uma pessoa.
— Ochako — o menino de cabelo verde lhe chamava tirando do transe — Você parece estar cansada, está tudo bem? — havia um tom de preocupação em sua voz.
— Está sim, Deku — ela sorriu — Só estou cansada, acordei cedo para correr ... Preciso melhor condicionamento físico antes de treinar a parte de luta com o Kacchan — explicou ao amigo.
— Uraraka — ele disse sem jeito — Você não acha que vai acabar se machucando treinando com o Bakugou? — ele perguntou a amiga.
Seu rosto ficou triste, mais uma vez seu amigo desacreditava dela, era por isso que ela precisava treinar, precisava mostrar que ela é forte — Midoriya — notava tristeza em sua voz — Eu não sou fraca...
— É que o Katsuki não vai parar, você sabe Ocha ... Ele não vai lutar diferente com você, como nós fazemos — tentou se explicar, mas acabou piorando a situação.
Aquela frase foi a gota d'água para ela, precisava sair dali antes de começar a chorar — Eu preciso resolver uma coisa, Izuku — se levantou — Até depois — saiu em olhar para trás.
Ela apenas saiu andando com a cabeça baixa e sem rumo, só queria sair dali o mais rápido possível para chorar em paz. Quando se deu conta, ela estava no terraço da escola, se apoiando no parapeito e olhando para o horizonte, ao contrário dos outros dias, aquele estava quente e o sol brilhava fortemente. Estava tão distraída que não percebeu outra pessoa ali, só deixou algumas lágrimas rolarem.
— Você não devia chorar por conta daquele idiota.
Ela se assustou com a voz grossa, mas sabia perfeitamente quem era o dono.
— Eu não estou chorando — tentou limpar o rosto antes que ele a visse — O que faz aqui? — tentou mudar de assunto.
— Eu vi sua cara de choro quando deixou o refeitório — deu de ombros — Vim ver como você estava — disse como se fosse algo do feitio dele.
— Eu não quero mais ser vista como fraca, Kats — dessa vez ela o olhou — Não quero ser a bonequinha de porcelana que pode se quebrar com qualquer ventinho, estou cansada disso — uma lágrima caiu de teimosia.
O loiro se aproximou dela o suficiente para sentir sua respiração — Você não é nenhum pouco fraca, cara de lua — limpou a lágrima que caiu — Você me deu um puta trabalho naquela merda de festival e não ouse dizer que eu estou mentindo — seus olhos rubis encontravam com os castanhos — Eu não minto para você, Uraraka.
— Obrigada, Katss — sorriu para ele.
Ela o olhou nos olhos, lentamente foram se aproximando, calmos e hipnotizados, como se já tivessem feito aquilo milhões e milhões de vezes. Era inevitável, não tinha mais como escapar — a verdade é que nenhum dos dois queriam fugir daquele momento, de forma alguma — Então, apenas se entregaram um para o outro, torcendo para que ninguém estragasse aquele momento.
Era como se os corpos já não se obedecessem mais, não resistiriam a aquele encontro de desejos. Ela permitiu que ele a envolvesse em seus braços, enquanto suas mãos se direcionavam para seu pescoço, tomando cuidado para não fazê-los flutuar, ele sentia o nervosismo transcorrendo pelo corpo pequeno da menina.
Parou a milímetros de seus lábios carnudos, carinhosamente passou a mão áspera pelo seu rosto redondo e lhe deu um selinho, ele subiu suas mãos até os seus cabelos e se aproximou mais. Os olhos foram lentamente se fechando e antes que Ochako pudesse pensar em alguma coisa, Katsuki já abria espaço entre seus lábios cerrados com sua língua quente e macia, que logo adentrou em sua boca, ele virou um pouco o rosto e seus lábios se encaixaram com perfeição.
Começaram a se beijar, ele explorava a boca da castanha, assim como ela explorava a dele, calmamente, sem nenhuma pressa, em uma dose doce de paixão. Todas as emoções mais fortes que poderiam existir estavam concentradas nos dois, era como um choque, o calor de Katsuki se encontrando com a calmaria de Uraraka. Posso contar que aquele beijo demorou ... Mas foi inesquecível.
O beijo se encerrou com vários selinhos, as testas ainda coladas e os olhares conectados, estavam em uma bolha, em uma bolha só deles. Ele a olhava, ela estava coroada e seus lábios inchados, estava linda. O sinal tocou anunciando que a aula começaria em alguns minutos, os dois sabiam o que deveria ser feito. Katsuki lhe deu mais um selinho e a puxou, era hora de voltar para a realidade.
{...}
A castanha tentou se concentrar na aula, mas era praticamente impossível depois do que aconteceu, vez ou outra se pegava olhando para ele, para sua sorte ele sentava em sua frente. Deu graças a Deus quando Eraser encerrou a aula, antes mesmo que pudesse dizer algo, viu o menino se levantando e saindo, sem dizer nada.
— Uraraka — o representante de sala a chamou — Vamos?
— C-claro, Iida — sentiu seu rosto ficando vermelho.
Ela caminhava quieta, se perguntava como seria agora, estava com medo de ter estragado tudo com aquele maldito beijo. Que beijo! Era seu primeiro beijo e não poderia ter sido melhor, estava nas nuvens.
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