Amor e Ódio

13 Reação Pós Choque


Se uma palavra pudesse definir Katsuki naquele momento seria confusão, encarava o teto do seu quarto — era o que mais feito nos últimos dias — após ter praticamente saído voando da sala de aula. Estava cansado de ficar ali, praticamente passou a tarde inteira recluso, não saiu nem para tomar café da tarde, precisava organizar seus pensamentos, precisava parar de pensar em Ochako e confinado ali não estava conseguindo nada. O loiro pulou de sua cama e seguiu para o lago, infelizmente a arena estaria ocupada, teve que se contentar com o que tinha.

Já era a terceira volta que dava entorno do lago e seus pensamentos não saiam da castanha por nada — "Maldita cara de lua" — aumentou o ritmo da corrida, tentou colocar metas para a corrida, mas seus pensamentos o traíram novamente — "Se a preguiçosa estivesse aqui, com certeza estaria reclamando ... Espera por que eu estou pensando nela? Merda" — foi então que um estalo passou por sua cabeça — "Não acredito nessa bobagem de paixão — suspirou — Eu não posso me apaixonar”

Bakugou não é o tipo de pessoa que fugia de algo, ele é do tipo que fica, luta e grita "morra", não era o cara que fugiu assim que Eraser encerrou a aula para evitar contato com uma garota. Não era o tipo de cara que mal conseguia se concentrar na porra da aula porque pensava na maldita castanha e no maldito beijo.

Foi então que o maldito beijo com a castanha lhe veio à cabeça, a vontade de sentir os lábios macios e carnudos novamente, inalar o cheiro de framboesa e sentir seu corpo quente próximo ao dele. Esse sentimento estranho estava lhe consumindo por inteiro, Ochako era doce de mais para se envolver com alguém feito ele, além do mais todo mundo sabe da paixonite dela por Deku, seus olhos se reviraram ao lembrar disso — "Deku idiota" — o xingou mentalmente.

Se perguntava como iria encarar a castanha agora? Como poderia reprimir todos aqueles sentimentos indefinidos e os colocar em uma caixinha? Metade dele queria reprimir isso, mas outra queria viver um rolo — esse seria o termo correto? — com ela.

Se tem algo que Katsuki não se importa, é com rotulações, tanto faz o que tinha com a pessoa, pra ele todos eram colegas, menos Denki e Kirishima, eles se tornaram verdadeiros amigos, mesmo que o loiro não gostasse de assumir.

Cansou de correr, olhou em seu bracelete inteligente e viu que tinha feito um bom número de passos, olhou para o lago e sentiu vontade de se deitar na grama — "Maldito tempo de convivência com aquela cara de luta" — em pouco tempo já estava pegando suas manias.

— Katsuki?

"Puta merda, o que ela está fazendo aqui?"

— Oi, cara de lua — a olhou deitada na grama e pode ver seu rosto ruborizar — O que faz aqui?

Ela se virou se colocando de bruços e erguendo as pernas para o alto — B-bom ... É é que — tropeçou em suas próprias palavras e balançava as pernas no alto.

O loiro riu, achava fofo a forma como ela se atrapalhava com as palavras— Respira aí, bochechuda — viu ela ficar mais corada ainda.

— Eu não conseguia me concentrar — suspirou olhando para as mãos — Resolvi dar uma volta, tentar dar uma relaxada — fez uma pausa — E você?

— Na mesma merda que você —deu de ombro — Conseguiu chegar a algum lugar?

Ela hesitou em respondê-lo, não poderia responder — "Claro, estou perdidamente apaixonada por um ogro" — mas ele estava ali lhe encarando e a única coisa que saiu foi — Claro, cheguei até você — seus próprio olhos arregalaram com a resposta — "Você é patética, Ochako" — disse a si mesmo.

— Acho que eu quem cheguei até você, cara de lua — o loiro acabou soltando sem pensar — "Que porra foi essa Bakugo? Mas que caralho de resposta também, Ochako ... Puta merda, quanto duplo sentido" — suspirou e percebeu o olhar confuso sobre ele — Afinal, você já estava aqui quando eu cheguei — tentou disfarçar.

— Oh — ficou surpresa — É verdade — sorriu tímida.

O silêncio surgiu entre os dois, a castanha estava com vergonha, queria falar sobre o acontecido da tarde, mas não sabia como, voltou para sua posição inicial, colocando sua barriga para cima e olhando para o céu. Estava encantador, as estrelas estavam lindas.

Katsuki se permitiu a observá-la por um tempo, era tão adorável a ver despreocupada assim, pensou em ir embora, mas não conseguia, se deitou ao lado dela e ficaram em silêncio. Não era um silêncio constrangedor, nem tenso, era algo do tipo confortável.

— Você sabia — olhou para ele com seus olhos grandes — Cada estrela visível no céu é maior e mais brilhante do que o Sol?

— Não fazia ideia —tentou fazer indiferença, mas na realidade adorava quando ela falava.

— A menos intensa entre as 50 mais brilhantes é a Alpha Centauri e, mesmo assim, ela é 1,5 vezes mais brilhante do que o Sol — mostrava para ele no céu.

— Ochako ... — ele a chamou.

A castanha continuou tagarelando sem dar a mínima — A Deneb é uma das estrelas visíveis mais dist... — sua fala foi interrompida pelos lábios quentes do loiro, iniciando um beijo longo e com saudades. Ele a puxou para perto e Uraraka se sentou sobre o corpo musculoso do garoto, o beijo foi ficando mais intenso e o desejo aumentando.

Katsuki assumiu o controle do seu corpo novamente e aos poucos, os dois foram finalizando o beijo, colando as testas, apenas sentindo a respiração um do outro. A castanha permanecia de olhos fechados, tentando acalmar seu corpo.

— Você fica linda com vergonha — ele acariciou o rosto dela.

— Katsuki — ela o olhou — O que estamos fazendo? — se sentia confusa.

— Nesse momento? — ela concordou com a cabeça — Você está sentada em cima de mim após termos nos beijado — sorriu vitorioso. Ele sabia do que ela estava falando, mas como responder algo que não tinha as respostas. Ela ficou frustrada com a resposta e ele percebeu isso — Ochako... Eu realmente não sei — disse com sinceridade — Não sei o que estamos fazendo e nem o que vamos fazer, só sei que sempre que a vejo quero te beijar — ele estava nervoso, eram raros momentos como esses.

A garota o encarou por alguns segundos, lá estava ela ouvindo uma declaração estilo Bakugou e sem saber o que fazer — Amigos que trocam carícias? — perguntou rindo, mas na realidade estava morrendo de medo da resposta.

— Eu adorei a ideia — sorriu com malícia.

A garota engoliu a seco, não esperava que ele realmente fosse topar. É claro que ela adorava a ideia de beijar ele, mas não sabia se iria continuar sem se envolver, mais do que estava, porém por outro lado, era isso ou nada — Bom, acho que podemos tentar algo — deu de ombros, igual o loiro faz.

— Só não vai se apaixonar — mentalmente ele estava torcendo para ela se apaixonar, pois ele suspeitava que estava fodidamente apaixonado.

OchaKo gelou ao ouvir aquilo, já estava apaixonada e isso só poderia piorar — Digo o mesmo — mostrou a língua — Mas precisamos voltar, está tarde — tentou disfarçar a tristeza em seu tom de voz.

— Tsc ... Mas antes — a puxou para mais um beijo — Agora podemos ir.

Eles estavam quase chegando ao dormitório, mas Katsuki sabia que algo incomodava a castanha — Desembucha logo, bochechas — disse ríspido — Caralho.

A menor para de frente a ele e a encarou — Katsuki, eu não quero ficar com alguém que me trate com grosseria — disse nervosa — A próxima vez que me tratar mal vai procurar outra otária para enganar — deu as costas a ele e saindo andando.

— Uraraka — ele a puxou — Caralho, você me deixa doido — a trouxe para perto — Desculpa, não era a minha intenção ser grosso — lhe deu um selinho — O que está te incomodando? — perguntou calmo.

— Humm ... é que — coçou a cabeça — Não queria que ninguém soubesse de nós — o olhou tímida.

"Que porra foi essa? — tentou controlar sua raiva — Por que seria ruim se alguém soubesse de nós dois?" — ele se perguntou.

— Não fique com raiva — acariciou seu rosto — Acho que seria melhor, sabe? Sem ninguém dando palpites, não que eu me importo com isso — se justificou — Mas você poderia explodir alguém — sorriu.

"Puta que pariu, como ela me conhece tão bem?"

— Como você sabe que eu fiquei com raiva sem eu não ter dito nada? — ficou curioso.

— Pelos seus olhos — deu de ombros — Quando está com raiva eles mudam para vermelho vibrante, quando está no seu momento normal ficam só rubi mesmo.

— E quando estou com você? — especulou.

— Vermelho rosado — disse sem pensar.

— Você repara muito em mim, Buzz — zombou o menino, mas na realidade adorava saber que era notado por ela.

— Eu gosto de reparar nos olhos das pessoas — disse sem graça — Principalmente em quem tem tons diferentes.

O loiro sorriu para ela, sabia que não estava mentindo, estava sendo totalmente sincera. Estavam na porta do dormitório, queria a puxar para mais um beijo, porém algumas vozes o atrapalharam e eles tiveram que se afastar — Te vejo no treino de quinta, bochechuda — disse seguindo para o lado masculino do dormitório.

A garota apenas ficou o olhando entrar no elevador, sentindo os olhos rubi sobre seu corpo, estava hipnotizada e mal conseguia respirar. Assim que as portas se fecharam, a castanha soltou um suspirou.

"Que dia maluco foi esse?! — perguntou a si mesma — Será que foi uma boa aceitar isso?"

A garota agora tinha mais dúvidas em sua cabeça do que quando saiu do quarto para aliviar a mente. Apenas deitou em sua cama e deixou tudo de lado, caindo em um sono profundo.