Amor e Ódio

15 Caindo a ficha


Ochako se encontrava inquieta esperando por Bakugou, era quinta feira e isso significava dia de treino. Não era do feitio dele se atrasar, mas já tinha passado dez minutos do horário combinado, já se perguntava se ele não iria treinar naquele dia e esquecera de avisar.

Checou seu celular mais uma vez e nada, decidiu treinar sozinha mesmo, essas coisas poderiam acontecer, né? Imprevistos acontecem e Katsuki não era uma exceção.

A castanha colocou seus fones de ouvidos e começou a se alongar, deu algumas voltas na quadra e partiu para a parte de ataques. Iniciou com as posições, lembrou-se do que o loiro havia corrigido: posições dos pés e joelhos. Estava se sentindo orgulhosa e mal via a hora de mostrar para o treinador.

O que ela não contava é que Katsuki estava a observando, ele havia chegado quando a castanha estava treinando os movimentos de ataque e resolveu apenas assistir. Estava orgulhoso ao vê-la treinando sozinha e melhorando os ataques, porém é cabeça dura o suficiente para elogiar a garota, esperou que ela terminasse a sequência para interrompê-la.

— Até que não foi tão ruim, Buzz Lightyear— disse a pegando de surpresa — Mas precisa ser mais rápida.

— Hã-ã — ruborizou, sabia que aquele era um elogio estilo Bakugo — O-obrigada, Kats — sorriu tímida — Hey, achei que não fosse vir treinar hoje — olhou no relógio do celular — Está há 20 minutos atrasado — brincou fazendo uma cara de reprovação.

— Tsc, precisei passar em um lugar — deu de ombros — Qual é cara de lua? Nasceu grudada em mim.

— Não foguetinho — disse o provocando — Apenas estranhei, não é do seu feitio atrasar e você sempre reclama quando eu atraso — deu de ombros — Vamos treinar logo.

"Porra, ela nem vai se dar o trabalho de perguntar onde eu fui" — por mais que odiasse pessoas curiosas, naquele momento ele queria que a castanha o perguntasse isso, mas já devia imaginar que não faria aquilo. Ochako sempre foi uma pessoa tagarela, mas nunca enxerida.

— Vamos logo — revirou os olhos.

Katsuki passou um novo ataque para ela, esses envolvia usar o braço e pernas ao mesmo tempo, o que ele não contava era com o fato dela ser desastrada. Em um certo momento, a castanha acabou o acertando bem no nariz, arrancando sangue do loiro.

— AH MEU DEUS, KATS — entrou em desespero — ME DESCULPA, FOI SEM QUERER — tentava ver o machucado.

— CARALHO CARA DE LUA — tentava estancar o sangue — PUTA MERDA.

— DESCULPA, DESCULPA, DESCULPA.

— TA BOM PORRA, ERA ESSA A INTENÇÃO DO ATAQUE — tentou acalmar ela — MAS PORRA

A castanha chegou perto e tocou seu rosto, analisou o nariz que não parava de sangrar — Kats, acho que devemos ir para a enfermaria — seu tom de voz era de preocupação — Não está parando de sangrar.

— Calma, cara de lua — Tombou a cabeça para cima — Vai parar já já, relaxa aí que eu tenho um histórico de socos no nariz.

— Tudo bem — respirou aliviada — Deixa eu te ajudar — pegou uma toalha em sua bolsa e limpou o sangue do garoto, ele se sentou no chão, tombou a cabeça para trás, apoiando em seus seios — Vou fazer um pouco de pressão — ele concordou com a cabeça. Ela segurava a toalha com suas pequenas mãos, colocou uma mecha do cabelo dele para trás e impulsivamente depositou um beijo em sua testa — Desculpa de novo, não era pra ter te acertado.

O loiro sentiu seu rosto queimar, não era acostumado com demonstrações de carinhos e com alguém se preocupando com ele. Era estranho, mas bom ao mesmo tempo — Cara de lua, relaxa — acariciou a mão dela — Gostei de ver você me acertando, foi um ótimo ataque — sorriu sem jeito.

"Pronto, agora ela vai achar que eu sou sadomasoquista e que curte sentir dor — resmungou em seus pensamentos — Mas achei sexy mesmo, foda-se"

— Acho que agora parou — tirou cuidadosamente a toalha que agora estava com uma grande mancha de sangue — É vai ficar um pouco inchado — sorriu sem jeito.

— Tsc, que se foda — resmungou.

— Prometo não contar para ninguém sobre isso — o olhou com os olhos grandes.

— Que se foda — deu de ombros — Ficaria orgulhoso em falar que levei um soco de você e ainda por cima arrancou sangue.

Ela sorriu coroada, Katsuki estava tão amável — Acho que encerramos por hoje, né? — não aguentaria mais treinar.

— Com certeza — disse se levantando — Trouxe um negócio para você — foi até sua mochila e pegou um pacote — Toma — jogou para ela.

— O que é isso? — ele a olhou com uma cara óbvio — Tá, eu vou abrir — revirou os olhos. Ela abriu o pacote delicado, sentiu um cheiro conhecido vindo de dentro, tirou a embalagem que envolvia o pequeno mochi e seus olhos brilharam —Kats...

— Me atrasei porque fui comprar essa porcaria ... Trouxe o seu favorito — ele a olhava, cada minuto atrasado tinha valido a pena, ver aquele olhar de felicidade da castanha não tinha preço.

— Eu amo mochi — seu olhar foi em direção ao dele — Obrigada — deu um rápido selinho nele — Vem, vamos comer — o puxou pelo pulso, fazendo com que ele sentasse novamente.

O loiro ficou sem reação, era como se eles estivessem em um relacionamento e aquilo fosse algo rotineiro, balançou a cabeça sorrindo com o pensamento — Tsc, eu comprei para você — queria ver ela comendo, era um dos novos prazeres dele.

— E eu posso dividir com quem eu quiser — disse teimosa — Quero dividir com você — pegou o mochi e partiu ao meio — Toma — levou a boca do menino — Não me faça socar na sua boca — disse autoritária. Levou o seu pedaço na boca e comeu balançando a cabeça de um lado para o outro, lá estava a cena que ele que lhe trazia paz.

Katsuki gostou do que ouviu, ver ela se impondo era algo bom, queria que ela fizesse isso mais vezes e não só com ele, mas com outras pessoas também. Queria ver ela se impor mais, é importante para conquistar respeito e amedrontar os vilões, assim ninguém iria ver ela como fraca.

— Você deveria ser assim mais vezes — a incentivou — Sabe, ninguém mais a veria como fraca.

Ela o olhou pensativa — Huum ... Não sei se combinaria muito comigo — colocou a mão no queixo — Quero dizer, não quero ser antipática também.

— Você não precisa ser minha versão feminina — ele riu — Só tente deixar mais claro sua opinião sobre as coisas — piscou para ela.

Por um momento, ela se esqueceu como respirava, sentiu suas bochechas aquecerem e a vontade de beijá-lo aumentou e o loiro sentiu a mesma coisa. Serenamente se aproximou dela juntando seus lábios, esperou que ela desse passagem e então, suas línguas começaram uma disputa por território, ele a puxou para perto, colando seus corpos. Suas respirações estavam misturadas, as mãos ásperas do loiro vagavam pelo corpo dela e as dela bagunçava seus cabelos.

Um beijo intenso, com desejo de quero mais, com ternura, com um misto de sentimentos, isso descrevia o beijo deles, um beijo que começou calmo e foi ganhando intensidade, mas se finalizou da mesma forma que iniciou. Entre selinhos e sorrisos, Katsuki confessou algo para para Ochako.

— Ochako

Ela murmurou entre beijos, ele tinha sua devida atenção.

— O que acha de sairmos?

Ela parou o beijo e fitou seus olhos escarlates, ele não estava mentindo e nem brincando.

— Você está falando sério? — perguntou em um sussurro.

— E eu lá tô com cara de brincadeira, cara de lua? — disse impaciente, estava com medo de rejeição.

— Huum — pensou por alguns segundos — Eu acho que seria legal.

— Ótimo, vamos sair sábado, te espero às 19:00 horas no salão principal — lá estava a postura autoritária do loiro — Não se atrase, bochechuda.

— Eu achei que você fosse fazer um convite e não mandar — disse sarcástica — No dia em que você me convidar, quem sabe eu aceito — deu de ombros — Já deu por hoje — se virou e começou a arrumar as coisas.

Bakugo bufou — Uraraka — ele a chamou e ela parou — Eu não sou do tipo que flores e chocolate — tentava controlar o tom de voz — Eu sou explosivo e autoritário, mas com você, eu acabo baixando a guarda — se aproximou — Prova disso está no meu rosto — apontou para o nariz vermelho, ele suspirou — Car... Ochako Uraraka, você aceita sair comigo? — sentiu seu rosto ruborizar, era raro momentos como esse com os outros, mas com Uraraka estava virando rotineiro.

Ela fingiu pensar por alguns segundos, mas sua resposta já estava na ponta da língua — Eu aceito — sorriu tímida — Te espero às 19 horas, lá no salão principal e não se atrase — retribuiu o autoritarismo — Agora vamos, estou morrendo de fome — passou a mão na barriga.

— Tsc, você vive com fome — se aproximou e a puxou pela cintura, lhe deu mais um beijo — Pronto, agora podemos ir.

Pode perceber o sorriso no rosto da castanha, aquele maldito sorriso. Ele caminhou ao lado dela, segurando mão pequena e macia. Foram de mão dadas até metade do caminho, somente quando chegou perto o suficiente do dormitório que a castanha soltou.

Ele torceu o nariz, não gostou daquele ato, queria questioná-la, mas não era um direito seu, apenas balançou a cabeça em um ato de reprovação. A morena lhe deu um último selinho e entrou, estava quase no horário da janta, mas tinha um tempo para tomar um banho.

Katsuki fez o mesmo, mas uma certa castanha não saia de seus pensamentos, estava ansioso por sábado, já tinha feito mil planos e nenhum parecia bom. Odiava dizer aquilo, mas iria precisar de ajuda, teria que recorrer ao seu amigo ruivo.

Katsuki Bakugou

Cabelo de merda, tá aí?

Eijiro Kirishima

Baku-Bro, fala aí.

Katsuki Bakugo

Preciso falar com você...

Te encontro no seu quarto em 10 minutos.



Eijiro Kirishima

Beleza.

Katsuki estava pontualmente no quarto do amigo, mal entrou e já começou a falar — Puta merda mano, eu me meti em uma furada — confessou — Eu to na merda, caralho.

O amigo se assustou, Katsuki não assumia tão facilmente estar com problemas, então aquele certamente deveria ser um dos grandes — Calma Bro, não deve ser nada disso — tentou o acalmar.

— Eu tive a estúpida ideia de chamar a cara de lua para sair — passou as mãos pelos cabelos desesperados — QUE IDEIA DE MERDA.

— Calma Bro, ta nervoso por que? Isso envolve a aposta?

— QUE SE FODA A APOSTA — gritou desesperado — EU SEI LÁ PORQUE CHAMEI ESSA MALDITA.

— Qual o motivo então? — viu a cara de desentendido do loiro — O motivo de você ter a convidado e agora estar nervoso, Bakugou — suspirou — Você não fica nervoso por conta disso, Bro.

— QUE MERDA — ele entendeu o que estava acontecendo — CARALHO.

— Você tá apaixonado, Bro ... Só aceita e fica quieto.