Amor e Ódio
16 O encontro
Uraraka estava nervosa, se olhava no espelho e achava aquela roupa extravagante demais, já devia esperar aquilo vindo de Mina. Vagou seus olhos pelo guarda-roupas, encontrou um vestido branco que ia um pouco acima dos joelhos, o tempo estava um pouco frio, decidiu colocar uma meia calça preta e sobretudo vermelho.
— Assim está melhor — sorriu ao se ver no espelho — Uma boina, talvez? — colocou na cabeça — Não, não está tão frio assim — tirou em sinal de reprovação.
Olhou o horário no celular, faltavam 10 minutos para dar o horário, agora o frio na barriga era maior, seria seu primeiro encontro. Seu primeiro encontro seria com ninguém menos do que o garoto mais explosivo — literalmente — de toda a U.A. Quando contou para as meninas, todas foram à loucura, Uraraka e Bakugou, todas ficaram intrigadas.
— Tem certeza que Bakugou não estava brincando, Ochako? — a menina verde perguntou a amiga.
— YAAH — Mina interviu — Ele não estava brincando, fiquei sabendo que ele estava até nervoso sem saber onde te levar — disse animada — E minhas fontes são confiáveis — piscou para as outras.
Uraraka riu ao se lembrar da cara da amiga, até parecia que ela quem foi chamada para sair. Se olhou no espelho mais uma vez, a maquiagem era leve e o cabelo estava mais liso do que o normal, seu batom era um Lip Tint vermelho, nada muito chamativo, ao contrário do que Mina queria, mas nem tudo do look dela foi descartado, a castanha continuo com o coturno que tinha um salto discreto.
Era a hora, seu coração batia a mil, seu estômago se revirava e suas pernas queriam falhar. Bakugou não deu nenhum sinal para onde a levaria e ela não fez questão de perguntar, confiava nele. O oposto de suas amigas que pediram para ela deixar a localização do celular ativada e mandasse mensagem caso o encontro estivesse ruim, elas iriam aparecer para lhe salvar.
Katsukia esperava por ela impacientemente na sala, o perfume amadeirado que tinha passado já havia se misturado com cheiro de caramelo do seu suor, sabia que gostava da garota, mas porra, o que ela estava fazendo com ele? Com certeza a maldita o enfeitiçou.
Às 19 horas em ponto o elevador abriu, exalando uma fragrância de framboesa conhecida por ele, era ela. O loiro se colocou de pé assim que a viu apontar na porta, se permitiu observá-la por alguns segundos, agradecia mentalmente por ser o motivo de toda aquela arrumação.
— Caralho, você está linda — confessou.
— Você também está muito bonito, Kats — retribuiu o elogio ficando mais vermelha que a peça de roupa que vestia.
— Tsc — estalo a língua no céu da boca — Vamos? — tentava disfarçar sua vergonha.
— Vamos! — respondeu animada — Você vai me contar agora ou será surpresa? — perguntou curiosa.
— Aguenta aí, cara de lua — revirou os olhos — Será surpresa, vem — pegou em sua mão.
A castanha resmungou um pouco, mas logo começou a falar sobre como adorava sair à noite, sobre como ela gosta da árvore de Ipê, mas ao mesmo tempo não gostava das flores caindo, falou alguns assuntos totalmente aleatórios — que se fosse qualquer outra pessoa, Bakugo faria questão de ligar o foda-se — Porém, pelo contrário, ele a ouvia atentamente e até interagia.
OchaKo só parou de falar quando Katsuki avisou que eles haviam chegado ao destino, não era um restaurante como ela imaginou e nem algo romântico, mas sim uma casa de show. O lugar parecia ser pequeno, a fachada por fora era toda preta e a única parte visível era o fumódromo.
"Dei uma chance a ele, Ochako" — sua consciência dizia a si mesmo, não custava tentar, né? Na verdade, custava sim, mas quem iria pagar seria Katsuki.
— Uma banda de rock que eu gosto vai tocar aqui — ele murmurou — Você já veio aqui? — a olhou.
— Não ... Não sou de sair muito — não queria estragar a noite logo de cara, mas na verdade ela odiava lugares assim.
— Você vai gostar — deu de ombros sem se importar muito.
Logo depois que fizeram o cadastro na portaria, seguiram por um corredor preto com alguns recortes colados na parede. Ochako observava tudo, era um ambiente bem diferente do que ela costumava frequentar, achou descontraído.
Katsuki estava empolgado, planejou meticulosamente cada detalhe, olhou para a castanha por cima dos seus ombros, ela parecia um pouco assustada com o ambiente — Vou te mostrar o lugar — a puxou pela mão e foi em direção a área de jogos, tinha uma mesa de pebolim, uma cesta de basquete e alguns fliperamas — Qual você quer ir primeiro?
— Huuum — estava perdida com tantas opções — Quero o pebolim — sorriu.
— Eu vou acabar com você nesse jogo — sorriu malicioso
— Vai sonhando — retribuiu o sorriso.
Uraraka se posicionou ao lado contrário da mesa, lançou um olhar desafiador e começou a girar as barras, o primeiro gol foi dela — Fala sério Kats, você não precisa me deixar ganhar — o provocou.
—MORRA — girou a barra mais forte, porém Uraraka foi mais ágil e conseguiu defender — PORRA MULHER.
— Fatos sobre mim — ela defendeu um ataque feito por ele — Já fui campeã três vezes consecutivas de pebolim — riu da cara dele.
— Você está de brincadeira né? — ficou impressionado, ela balançou a cabeça dizendo que não — Você é fodona.
— E ganhei de você — sorriu vitoriosa.
— Tsc — resmungou — Vamos em outro que eu possa te detonar.
Eles se divertiram no fliperama e no basquete, Ochako não podia negar que estava se divertindo, até aquele momento. Uma voz anunciou que iria começar o show, o loiro a puxou e seguiram para a área, a castanha percebeu uma loja de roupa e até um estúdio de tatuagens.
— Caramba, Kats — sorriu impressionada — Tem um monte de coisas aqui.
— Se ficar muito bêbado e não tomar cuidado, você sai com uma marca para o resto da vida — sorriu ao ouvir o som da risada dela.
O palco se encontrava em um galpão, podia ver as pistas de skate que eram usadas durante o dia, ela estava impressionada com tudo. Uma trilha sonora alto iniciou, avisando que o show iria começar, Katsuki a puxou para o meio da multidão.
Bakugou estava animado, começou a cantar algumas músicas da banda, enquanto Ochako apenas observava tudo. Não conseguia enxergar nada e de quebra levava umas cotoveladas de vez em quando, estava odiando aquilo. Não gostava de aglomerações e nem músicas daquele estilo, mal conseguia entender o que o cara cantava, era uma gritaria.
O loiro olhou de relance para a castanha e percebeu uma cara de incômodo — Não está curtindo? — sussurrou no ouvido dela.
A castanha se arrepiou inteira — Hã ... Eu não consigo ver nada — disse sussurrando em seu ouvido envergonhada — Acho que vou embora — estava triste, o encontrou começou tão bem, mas estava seguindo um rumo horrível.
— Então vamos — entrelaçou suas mãos.
— Mas Kats — o puxou para frente a ela — Pode ficar aqui, poxa, você está se divertindo ... Eu pego um táxi — sorriu de lado.
— Deixa de ser cabeça dura, bochechas — a puxou novamente — Você veio comigo, vai embora comigo.
— Nada que eu falar vai mudar sua opinião, né? — ele acenou com a cabeça — Então, vamos.
Do lado de fora, Katsuki passou o braço por cima dos ombros dela, colando os corpos — Desculpa por ter sido um desastre — disse olhando em seus olhos.
— Bem ... Eu até me diverti — sorriu — Foi bom ganhar de você.
— Prometo que no próximo, vou me superar — lhe puxou e deu um selinho rápido — Está com fome?
— Sempre — sua resposta o fez rir — Qual o cardápio?
— Surpresa — sorriu malicioso.
Ele a guiou até uma lanchonete simples, mas o ambiente era acolhedor. Lá dentro estava quente, Ochako tirou seu sobretudo, deixando à vista seu vestido branco que marcava suas belas curvas.
— Você parece um anjo com essa roupa branca — a observou.
— O-o-obrigada, Kats — sorriu tímida.
Eles pediram os lanches e de sobremesa não podia faltar o maldito mochi que a castanha tanto gostava. O loiro ainda não estava pronto para encerrar a noite, levou ela a mais um lugar — Essa é a última parada, eu prometo — beijou sua testa.
Ele a levou até um parque perto da academia, se sentaram em um banco de frente ao lago, com a vista perfeita para o céu. Ele a puxou para perto de si, seu braço estava apoiado no ombro dela — Ochako — ela o olhou — Desculpa mais uma vez por não ter sido o encontro perfeito.
Ela encarou seus olhos carmins e sorriu balançando a cabeça — Eu adorei o lugar em que fomos comer e estou adorando estar aqui — beijou o pescoço dele, o fazendo arrepiar — Obrigada.
— Da próxima vez vou levar em consideração sua altura — resmungou — Toquinho de gente.
— Por favor — ela riu — Vou ficar com alguns hematomas das cotoveladas.
— Aqueles malditos não sabem como se comportar — disse bravo — Bando de animais.
— Ah Kasts, eles só estavam aproveitando — sorriu fazendo com que ele se acalmasse — Você também estava curtindo.
— Aqueles malditos fazem um puta som — deu de ombros — Adoro os shows deles.
— Percebi — sorriu.
O silêncio começou a falar, eles apenas se contentaram e ficaram olhando para a paisagem, a lua e as estrelas estavam lindas. Ochako gostava de falar sem parar e muitas vezes até se incomodava com o silêncio, mas quando estava ao lado do loiro, o silêncio era confortante.
— Vamos? — ele a tirou do transe — Ou quer ficar mais um pouco?
— Já está ficando tarde ... — seu tom de voz era triste.
— Então vamos — se levantou e a puxou.
A castanha voltou comentando algumas coisas sobre o tempo, a posição das estrelas, sobre os tipos de árvores e tudo o que fosse possível, era confortante conversar com ele, se sentia à vontade para conversar sobre tudo com ele.
— Posso te acompanhar até seu quarto? — perguntou receoso a ela.
— Está tarde ... E se alguém te ver? — por mais que ela quisesse, era perigoso.
— E se ninguém ver? — perguntou arqueando a sobrancelha.
Ela sorriu, ele tinha a convencido — Faça silêncio — o puxou pela mão e guiou até seu quarto, pararam na entrada e não esperou que ele falasse algo, só o puxou para um beijo de despedida.
Fecharam os olhos e apenas sentiram o misto de emoções o tomarem, provaram um do sabor do outro, um beijo suculento. Sentia o polegar de Katsuki roçando sua nuca, isso a fez arrepiar. À medida que o beijo se intensificava, o calor de seus corpos aumentava, ela respondia cada vibração ao toque dele, um gemido escapou entre os beijos. Bakugo sabia o que aconteceria se isso se prolongasse, seu corpo pedia pelo dela.
— Ochako — gemeu em seu ouvido
— Katsuki.
Seu corpo se arrepiou inteiro, como poderia uma simples voz lhe causar todos aqueles efeitos? — Acho melhor pararmos — sentiu o calor de seu corpo se afastando — Não acho que seja bom isso acontecer.
Ochako queria enfiar a cabeça em um buraco, ele acabava de recusá-la. Frustração e decepção, isso que sentia — Tudo bem — respondeu sem graça — Até amanhã.
Ele a encarou, sabia exatamente o que ela estava pensando — Eu sei o que está pensando — fitou seus olhos castanhos — Só não quero que isso aconteça ainda, não é o momento — se justificou.
— Oh — ficou surpresa — Entendi ... — ela realmente entendeu, se sentiu uma pervertida por querer tanto algo.
— Boa noite — lhe deu um beijo rápido — Durma bem.
— Você também — sorriu com seu rosto ruborizado.
Uraraka entrou no quarto assim que o elevador fechou, estava em êxtase, seu encontro com o loiro foi ótimo, por mais que tenha acontecido imprevistos. Suspirou — Estou apaixonada por Katsuki — confessou para si mesma.
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