Amor e Conquista
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Bem vindas a mais um capítulo de amor e conquista.
Creio que será o ultimo do ano, não sei, ainda.
Estou morrendo de sono, então não tenho muito a dizer.
Boa leitura, nos vemos nas notas finais!
Capítulo 24
O enterro de Tadase aconteceu no dia seguinte. As mulheres vestiam preto, e os homens traziam atadas faixas pretas do braço. Yaya estava ao lado de Amu, apertada as mãos, com os olhos pregados na cova recém aberta. Em frente estava Yukari, com o rosto incrivelmente pálido contrastando com o preto do vestido, e nem mesmo no funeral do filho mudaria a fase sem emoção que sempre tinha.
Depois da cerimônia e o caixão foi abaixado ao solo, as pessoas presentes passaram um por um, dando suas condolências, Amu sabia que deveria ir ao encontro de Yukari e apoiá-la, mas simplesmente não conseguia.
Não dormira direito, com sua mente voando entre as acusações de Yukari para sua mãe.
Amu saiu caminhando, em direção ao outro jazigo, ao lado do de Tadase, ficava o de seu pai. Na parte superior do jazigo de Kazuomi Hotori encontrava-se o de sua mãe. Ficou simplesmente olhando, até ver se aproximar Ikuto com um sorriso cansado. Ele se aproximou mais, encaixando-a entre seus braços, apoiando seu queijo no topo de sua cabeça. De alguma forma, o toque gentil dele acalmava todo seu temor e a enchia de forças.
— Está preocupada — afirmou Ikuto — Percebo, somente de olhar seu rosto, algo alem da morte de Tadase a perturba.
Amu concordou.
— É que... Yukari acusou minha mãe de ter roubado Kazuomi dela. Disse-me que estavam tendo um caso.
Ikuto a olhou diretamente nos olhos.
— E você acreditou nela?
— Não sei por que Yukari mentiria com uma coisa dessas. Ela amava ele e nunca mancharia seu nome só para me chatear. Eu creio que ela acredita no que falou. Mas, se é verdade... não sei. Não quero pensar isso da minha mãe.
Ergueu o rosto para olhar-lo, com o rosto preocupado, ao mesmo tempo em que o marido lhe apertava a mãe, indo em direção a carruagem.
— Tia Yukari sempre pensa o pior das pessoas, é cheia de raiva e nojo, e o fato dela acreditar nisso não o fazer verdade.
— Eu sei. Fiquei repetindo isso infinitas vezes para mim, mas há coisas...
— Quais?
— Coisas... sobre o nossa situação aqui na Casa Tsukiyomi. Minha mãe era prima de Yukari, mas não tinha nenhuma relação com Kazuomi. Mas, era óbvio que não foi ela a deixar que viéssemos para cá, logo, de vê ter sido Kazuomi. E desde quando ele possuía alguma compaixão?
— Ele me abrigou, embora me odiasse — disse Ikuto.
— Sim, mas era sua obrigação. Seu avó passou a sua guarda para ele, e bom, ele esperada que você morresse antes de seu avô, sendo ele a herdar o título... Eu queria apenas saber se isso tem fundamento. Pensei... que a Sra. Nelliel pudesse saber de algo que pudesse confirmar ou não a versão de Yukari.
— Talvez sim. Deveria conversar com ela antes de acreditar em minha tia. Irei com você até lá amanhã.
Amu sorriu, sentindo-se um pouco melhor. Fosse o que fosse a verdade, não pareceria tão ruim se Ikuto estivesse ao seu lado.
Amu estava descendo para o jantar, na mesma noite, quando viu a porta do quarto de Utau totalmente aberta. A irmã de Tadase estava de pé em frente a penteadeira com uma caixa de jóias em mãos, com um rosto preocupado, procurando algo.
O coração de Amu começou a bater irregularmente. Decidida entrou apressada no quarto.
— Não vai descer para jantar? Eu lhe faço companhia, se me permitir.
— O quê? — perguntou Utau, distraída — Ah, sim. Desculpe-me. Estou me sentindo tão... estranha. É como se tudo passasse a minha volta tão rápido que me perco no tempo. — balançou a cabeça — É uma bobagem, eu sei. Estou aqui há um tempo, tentando encontrar uns brincos para colocar. Pelo que vejo não tenho nada de azeviche**
Amu caminhou até ficar ao lado dela, olhando a caixa.
— Possui jóias muito lindas.
E então, viu um reflexo vermelho no meio das peças misturadas. Era um brinco, um pingente de rubis, mas não faltava nenhum. Tentando não parecer óbvia, procurou pela caixa o par, ou de um cordão que fizesse conjunto com ele.
Utau praticamente arrancou a jóia de sua mão, Amu a olhou intrigada pela reação. Ela a fitava de um modo que quase mostrava medo em seus olhos.
O coração de Amu pareceu parar. Seria Utau a assassina de Tadase?
— Esses rubis são lindos — elogiou, olhando Utau. — Tem algum cordão que combine com eles?
— Claro — o medo dela pareceu aumentar.
— Adoraria vê-lo — disse Amu, lutando contra si mesma para manter o tom de voz igual apesar da tensão que crescia dentro de si.
— Por quê? Ai meu Deus, você sabe não sabe? — Utau levou a mão aos lábios, com os olhos arregalados — Como poderia saber? Por favor, não conte a Kukai...
— Utau... Tenho certeza que teve uma razão para fazer o que fez — começou Amu, mantendo a voz calma, enquanto levava a mão ao braço de Utau. — Não a condenarão se contar.
— Não! — exclamou Utau, saindo de perto de Amu, dando uns passos para trás. — Não posso contar para ele. Você não pode entender — Lágrimas inundaram os olhos de Utau. — Como soube? Quem lhe contou? Tadase?
— O quê? — perguntou, achando que Utau tivesse enlouquecido.
— Ele me prometeu que não contaria a ninguém. Dei dinheiro para ele não fizesse.
— Utau... do que está falando? — perguntou Amu, percebendo que não estavam falando do mesmo assunto. — O que Tadase prometeu não contar? Por que lhe deu dinheiro?
— Então... quer dizer que não sabia de nada? Mas você... Acho que estou ficando maluca. Pensei que tivesse percebido que os rubis são falsos. — dizendo isso soltou uma gargalhada histérica.
— Quer dizer que não são verdadeiros?
— Não. Esse é o problema — lamentou Utau. — Kukai ficará furioso se descobrir. Tenho medo que algum dia ele os examine e veja que são falsos.
— Ele não sabe?
— Claro que não! Que confusão — Utau atirou-se na cadeira, de forma que se Yukari estivesse presente a repreenderia pelo desleixo. Apoiou os cotovelos sobre as guardas e abaixou a cabeça descançando-a nas mãos. — Por que me deixe perder tanto dinheiro?
— Jogando? — perguntou Amu, entrando no assunto da conversa.
A irmã de Tadase concordou.
— No inicio eu ganhava. Era tão emocionante! — Ela ergueu a cabeça com os olhos brilhando de emoção com a lembrança. — Meu irmão conhecia a todos. Ele que me levou até os jogos. Pensei que eram pessoas descentes, mesmo que eu não as conhecesse. Eram inocentes rodas de carteado na casa da Sra. Sakura. Não era como ir a casa de jogos**
— E então começou a perder dinheiro.
Utau suspirou.
— Sim. Um monte. Não sabia como podia perder tanto se só ganhava no inicio. Sir Kukai disse que eles tinham me enganado... que me deixaram ganhar para me pregar uma armadilha — Utau a olhou com os olhos novamente carregados em lágrimas, como uma criança que parecia descobrir que não existia fadas. — Acha que ele tem razão?
— Acredito que sim. O Sr. Hisagi contou que Tadase fazia esse tipo de coisa, levava pessoas aos seus “amigos” que trapaceavam no carteado.
Utau concordou triste.
— Nunca pensei que ele faria isso comigo... Não éramos muito ligados, mas eu era irmã dele!
— Ele era maldoso. Pareceu que estava desesperado por dinheiro.
— Eu sei. Ele me ameaçou para guardar segredo.
— Sobre o quê? O jogo?
— Não pelas jóias. Ele não faz nem idéia sobre as jóias. — explicou Utau — Eu as vendi. Não tinha como pagar minhas dividas e eles não iam deixar continuar a jogar se não pagasse. Isso foi antes de Kukai descobrir. Não sabia o que fazer, joguei todo o dinheiro da minha herança fora. Não tinha pagado a costureira, a chapeleira... Tinha gasto tudo no jogo. Perdi o controle, tinha que continuar jogar, sabe? Era o único jeito de ter meu dinheiro. E então Tadase... Ele foi tão sujo, ele me sugeriu aquilo! — Ela parecia agora indignada enquanto limpava os olhos.
— Sugerir que vendesse as jóias? — completou Amu.
— Me disse para penhorar, com o dinheiro continuar a jogar, e pegar meu dinheiro de volta. Eles me pagavam tão pouco por elas! No fim não conseguir recuperar nenhuma jóia. Se Kukai descobrir ficará tão bravo.
— Entendo...
— Então Tadase começou a me pedir dinheiro, dizendo que se não emprestasse contaria para meu marido sobre as jóias e sobre tudo! Começou a dizer piadinhas e insinuando algo sobre minhas jóias. — Me sinto tão mal em pensar que quanto vi Tadase estirado não chão, fiquei tão aliviada.
Amu suspirou, imaginava se Utau tinha idéia do quanto contava. A irmã de Tadase tinha motivos para matar o irmão. Se ele estivesse vivo, continuaria a pedir dinheiro em troca do silencio, a morte dele tirara um fardo das costas de Utau.
Mesmo assim, Amu não conseguia deixar de sentir pena da mulher. Não só pelo fato de Tadase tirava-lhe dinheiro, mas também pelo medo que ela sentia se o marido descobrisse a verdade.
— Utau... talvez fosse melhor contar a verdade a Sir Kukai. Ele sabe que fez por que estava desesperada.
— Não. Não poderia. Ele não deve saber. Os rubis eram herança de família. Assim como os anéis. E muitas das jóias foram presentes dele. Meu marido enlouqueceria.
— No começo sim, mas não eternamente. Assim ele pode reaver a herança. Será pior se ele descobrir daqui a alguns anos e não poder fazer mais nada.
Utau mostrou-se imutável em contar a verdade ao marido, fazendo Amu prometer que não contaria nada a ninguém. Mas, pensava em contar a Ikuto e se concluíssem que a irmã de Tadase o tinha matado, então tudo viria à tona.
— Então Utau — vendo ela secando as ultimas lágrimas — Vamos jantar?
Ela abriu um sorriso gentil, e saíram juntas do quarto.
Quando deixou o quarto de Amu, ficou imaginando como seria viver com medo e mentido para o marido, sempre preocupada que ele descobrisse. Como poderia ser feliz no casamento quanto tinha que fingir todo o tempo?
Porém naquela noite quando estava sozinha na cama, acordada esperando ouvir o som da porta abrindo e Ikuto entrando em seu quarto, perguntou para si se o que estava vivendo não era uma grande mentira, como a de Utau.
Fingia ser uma esposa, mas passava as noites sozinha. Nunca deveria ter concordado com aquele tipo de união. Não podia deixar de perguntar como conseguiria viver o resto da vida desse jeito.
As lágrimas molhavam-lhe o rosto. Enterrou-o no travesseiro. Não mentia somente para o marido como para sim mesma. Fingindo que tudo que sentia por Ikuto era apenas amizade.
A verdade era que amava Ikuto desde sua infância. Durante todo o tempo que passaram afastado, o amor por ele ficara adormecido dentro de seu coração e bastou ele voltar para que tudo ressurgisse, deixando de ser o amor de criança, passando para o do tipo que ligavam uma mulher a um homem, algo profundo e vibrante.
Em seu coração era esposa de Ikuto. O único homem que amava e amaria em toda a vida. Desejava mais. Desejava ser tudo que ele precisava. Unir a ele em todos os sentidos. Conhecer o toque, o beijo e a luxuria que sabia que poderia ter entre ambos.
Mas a idéia de que Ikuto não tinha o mesmo sentimento era como uma nuvem negra, nublando seu casamento. Dizia ter por ela um carinho de um amigo, mostrando o quanto era grato e cumprira a promessa da infância de um dia buscá-la. Mas, nunca falou de amor. Ele dizia que era incapaz de ter algo assim.
Tinha certeza que Ikuto era capaz de amar. O que lhe machucava tanto o coração era pensar que ele talvez só não fosse capaz de amar a ela.
Pequenas notas a título de curiosidade:
* Azseviche, compactado usado como gema também é conhecido como ambar negro. No século XIX teve seu uso relacionado ao momento de luto, atualmente é ligado a pequenos grupos exotericos, perdendo seu significado inicial.
** As casas de jogos que Utau fala, eram lugares onde homens e “mulheres de baixa reputação” (Cortesas, e prostitutas) em sua maioria frenquentavam para jogar, beber, fumar e outras coisinhas a mais...
Notas finais
Feliz ano novo!!!
Deixem reviews, e me deem um bom começo em 2012, ein!
Beijos, Lady.
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