Notas iniciais
Olá gente bonita, estamos aqui com mais um....
Pulando essa parte, boa leitura!
Nos vemos nas notas finais ^^

Capítulo 18

Ikuto se inclinou à frente, apoiando os ombros sobre a mesa e sustentando a cabeça nas mãos. Xingava-se em pensamento. Estava se comportando como um adolescente idiota. Fizera uma promessa a Amu e a quebrara na primeira oportunidade que se apresentava. Tinha todo o direito de estar furiosa com ele.

Sabia que não estava se portando como um cavalheiro. Embora nunca tivesse pretendido se transformar em um, jamais cogitara agir sem respeito com Amu.

E ainda assim, lá estava ele, permitindo que o desejo o levasse a quebrar tal promessa. Havia jurado a ela que aquele seria um casamento platônico e sob tal condição que Amu aceitara o pedido. Suas ações nos últimos dias a levariam a imaginar que ele não seria capaz de honrar o acordo. Temia que a futura esposa achasse que fora enganada.

Ikuto não era afeito a receios. Tinha aberto seu caminho no mundo e era um homem bem-sucedido, o que o tornava um vencedor. Porém, no momento, tinha medo de perder Amu.

Ela era a única pessoa no mundo a quem queria bem. Foi sua companheira e amiga quando se encontrava totalmente só no mundo. Confiava nela e não se lembrava de outra pessoa em quem tivesse depositado sua confiança. Por isso não podia deixar que nada acabasse com laço que os unia... não importava o quanto a desejasse.

Não tinha pensado que se entregaria a esse desejo. A imagem guardada em sua cabeça era de uma criança que havia amado na infância. Amu tinha sido como uma irmã para ele. Embora tivesse se dado conta de quão bela e desejável ela havia se tornado, não esperara que a luxúria o dominasse a ponto de quase perder o controle. Ofereceu um casamento sem nenhum desejo escondido. Amu merecia que não tivesse que ser inferior a outras pessoas e merecia o que havia de melhor no mundo e seria ele a lhe proporcionar isso.

Mas, a convivência das últimas semanas transformara a amiga estimada em uma mulher extremamente desejável. O tipo de casamento que ofereceu não mais o satisfazia. Desejava seduzi-la e levá-la para cama. Descobriu-se ansiando pela noite de núpcias com a aflição própria de um noivo.

Mas toda aquela luxúria não era justa para com Amu. Afinal, ela concordara em ser sua esposa apenas no nome. Aceitara a proposta só por lealdade ao rapaz que fora seu amigo na infância. Não o amava. Ficara claro quando se mostrou relutante em aceitar o pedido de casamento. Para uma mulher como Amu, amor e desejo estavam extremamente ligados. Ao contrário de si mesmo, a amiga de infância não era imune a sentimentos profundos.

Amu pensava que ele era capaz de sentimentos nobres, mas aquilo era pelo carinho que ela fazia ele agir com toda a delicadeza com que ela sempre o tratou, sempre o via embaixo de uma luz brilhante que podia perdoar-lhe os pecados e desculpar seus erros. O fez perfeito em sua mente e quando estava com ela, Ikuto se esforçava por não decepcioná-la. Só ele conhecia a frieza e indiferença que guardava para ele. Os mesmos sentimentos que o deixaram nem ai para a notícia da morte do tio. Recordava o ódio que sentia a cada surra o tio lhe dava. Tinha ciência das leis que desobedecia e outras que simplesmente ignorou e as regras da honra e honestidade que abandonou em busca de seus objetivos.

Não era um homem bom. Apenas Amu o via assim.

Mas não deixaria que a visão que Amu tinha dele fosse manchada. não se importava como as pessoas pensavam dele, mas, a opinião de Amu era vital.

Sua futura esposa não recusaria a ele se pedisse pela noite de núpcias. Sabia que Amu sucumbiria ao desejo, achando que era o dever da esposa completar os votos do casamento. Talvez pensasse que isso que deveria em troca da vida como Lady Tsukiyomi que teria pela frente. Nem era modesto a dizer que não daria prazer a ela. Percebeu a reação de Amu quando o tomou nos braços, a respiração ofegante, pulsação acelerada quando lhe beijava o pescoço, os se... Suas carícias a estavam. Mas, apesar do desejo, ela não o amava e aquilo a mataria. Não queria que Amu sentisse obrigada a se entregar ao desejo. Odiaria que sua futura esposa se visse escrava do desejo quando não sentia amor.

Acima de tudo, não suportaria que se Amu se desse conta de que ele não era o homem que imaginara. Seria doloroso demais agüentar o olhar de desilusão. Saber que o via como ele realmente era: um homem capaz de quebrar a promessa que lhe fizera para Satisfazer o desejo carnal.

Não permitiria que acontecesse. Manteria a promessa de abstinência a qualquer custo.

Não deveria ser tão difícil, Ikuto tentou convencer a si mesmo. Depois de passar um bom tempo com a esposa ali, poderia contratar os serviços de alguma rameira de Londres.

Não gostava da idéia. Para ser sincero consigo mesmo, a imagem de qualquer outra mulher era um nada comparada a de Amu. Até mesmo as mais atraentes amantes de seu passado pareciam agora chatas e indesejadas se comparadas a ela. Não se sentia a vontade para procurar outra mulher para saciar o desejo carnal e aquele pensamento tornava a idéia da vida conjugai ainda mais dura e complicada

Jurou a si mesmo que não a levaria para a cama quando se casassem. O único problema era o fato de não saber como obedecer a si mesmo.

~ ♥ ~

O dia do casamento amanheceu claro e iluminado. Como nos últimos dois dias chovera sem parar, a luz do sol se revelava uma boa profecia para Amu. Sentia-se bastante nervosa para comer o café-da-manhã posto à mesa, ficando apenas por uma xícara de chá e uma torrada.

Desejava que Rima estivesse ali para ajudá-la a passar o dia. Yaya ofereceu-se para ajudar a criada com o vestido e os cabelos, mas embora a jovem tivesse boa vontade, não era a mesma coisa que ter consigo a melhor amiga dos tempos de escola. Rima teria dominado a situação com seu estilo autoritário, eliminando todo e qualquer problema que surgisse e fazendo com que todos trabalhassem debaixo de seu jugo e, ao mesmo tempo, a teria acalmado.

Sendo assim, durante toda a manhã, Amu alternou momentos de terror, em que pensava estar fazendo a coisa errada e momentos de expectativa, em que não via a hora de ir para a cerimônia. Estava certa de estar fazendo o que de fato desejava, porém insegura se era o melhor para ela.

Somado à incerteza, estava o fato de que nos últimos dias seu pensamento se voltava inevitavelmente para o que aconteceria depois da cerimônia, seu desfecho da noite de núpcias. Iria Ikuto levá-la para a cama? Ele dissera que o casamento de ambos seria platônico, porém o modo como a havia beijado a fizera imaginar se não teria mudado de idéia. O que faria se o futuro marido fosse a seu quarto naquela noite? Sabia como reagiria às carícias e beijos de Ikuto, o que lhe daria todo o direito de achar que ela o desejava.

O problema é que de fato o desejava, porém corria o risco de ter o coração partido se fizessem amor. Iria considerar-se uma esposa no real sentido da palavra, mas suspeitava que Ikuto não se sentiria da mesma forma. Declarara-se imune ao amor, o que demonstrava que não havia se apaixonado por ninguém e significava que não a amava. Entregar seu coração a um homem que não correspondia ao sentimento e amá-lo cada vez mais quando talvez ele se aborrecesse de sua companhia, seria um desastre. Acabaria solitária e magoada.

Seria bem melhor, pensou, permanecerem apenas amigos. Iria refrear-se de se aventurar em águas mais profundas. Se Ikuto quisesse dormir com ela e recebesse uma recusa, por certo não insistiria. Porém não estava certa de que seria capaz de resistir ao desejo que sentia por aquele homem. Teria forças para negá-lo?

Encontrava-se perdida em tais pensamentos, e a conversa casual de Yaya não conseguia afastá-la deles. Sentiu-se aliviada quando por fim chegou a hora de partir para a cerimônia. Assim, Amu pôde empurrar os devaneios para o fundo da mente e simplesmente seguir em frente.

~ ♥ ~

Entrou na igreja do vilarejo percebeu que a maioria dos convidados pertencia a nobreza da região e aos membros da família. Nem ela e nem Ikuto conhecia a maioria das pessoas presentes, depois de tanto tempo fora da alta sociedade, e nenhum dos Hotori mostrava interesse em chamar seus amigos. Na verdade tinha ficado surpresa com a presença de um dos amigos de Tadase...

Em frente ao altar Ikuto a aguardava com a face se suavizando ele ao perceber sua presença na igreja, esboçou um sorriso que lhe foi o suficiente para tirar qualquer dúvida e insegurança que ainda guardava dentro de si, não havia mais volta agora, pertenceria a Ikuto até o resto de suas vidas, mesmo que ele não aceitasse seu coração.

“ Eu Ikuto, recebo-te por minha mulher a ti Amu, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.” Enquanto ouvia o juramento de Ikuto e falava o seu, desejava de todo seu coração que estivesse fazendo o certo naquele momento.

~ ♥ ~

A falta de convidados não incomodava Amu. A cerimônia simples a emocionou e quando voltou o olhar para Ikuto, as mãos entrelaçadas nas dele, seu coração pareceu flutuar de felicidade. Sorriu para o noivo com olhos marejados de lágrimas e teve certeza de que, não importava o que o futuro lhes reservasse, fizera a escolha certa. Sua vida estava entrelaçada à dele e o futuro pertencia a ambos.

Após a cerimônia, voltaram à casa e receberam os cumprimentos. Lá se daria o jantar de comemoração e o baile para os familiares e convidados, mas antes tinham de receber as felicitações dos inquilinos e moradores do vilarejo, para todos convidados a um banquete oferecido no jardim, sob o arvoredo. Amu sorria e cumprimentava a todos, alguns dos quais recordava do tempo em que vivera ali. Outros eram-lhe completamente desconhecidos. A Sra. Nelliel chegou em uma pequena charrete que Amu tinha mandado. A ex-criada se curvou, aceitando a mão estendida de Amu e assegurou que seu casamento seria abençoado Até mesmo o ferreiro do vilarejo se encontrava presente. Um gigante louro, mais alto até mesmo que Ikuto, com peito largo e braços musculosos que combinavam com seu trabalho. Falou pouco, assentindo com um gesto de cabeça para os noivos de modo respeitoso, mas não subserviente, antes de apresentar a bela jovem a seu lado como sua esposa.

Quando o casal se encaminhou à mesa das bebidas, Amu inclinou-se em direção ao marido.

— Este não é o homem que bateu em Tadase? — sussurrou. — Estou surpresa que tenha vindo.

Ikuto confirmou.

— Sim. Mas ele me parece um homem justo. Gostei dele. Esse homem conseguiu perceber que as ações de Tadase são opostas ao meu caráter.

Amu observou-os abrir caminho na multidão. Ambos caminhavam de braços dados e ele inclinava a cabeça de maneira protetora para escutar a esposa.

— Ela é graciosa.

— Sim. É fácil imaginar por que Tadase se sentiu atraído por ela — retrucou Ikuto, sorrindo.

— Conhece o amigo de Tadase? —perguntou Amu, curiosa.

— O sujeito de Londres? Qual o nome dele?

— Hisagi — informou ela. —Hisagi Shuuhei.

— Isso mesmo. Não, não o conheço, mas achei curioso que alguém que nunca vimos e que não convidamos se apresente para o casamento — comentou Ikuto.

— Acho que o próprio Tadase não sabia da chegada dele — opinou Amu.

Ele franziu o cenho.

Conhecendo meu primo como conheço, acho que o amigo dele não está aqui com uma idéia verdadeira. Vou ficar atento e tentar descobrir o que está por trás dessa aparição repentina. — E dando um olhar à esposa com um sorriso débil. — Acha rude de minha parte pensarque ninguém faria uma visita amigável a Tadase?

— Acho inteligente de sua parte — retrucou Amu.

Havia comida e bebida com fartura, tanto no interior quanto no exterior da casa, e horas depois deu-se início à dança. Ikuto guiou a esposa para o centro do salão, para dançar a primeira valsa como marido e mulher. Quando ele a tomou nos braços, Amu não pôde evitar a lembrança da noite, um mês atrás, quando o reviu depois de 12 anos.

Recordou-se da sensação do braço forte lhe enlaçando a cintura e como o fitara nos olhos. Não havia passado muito tempo, porém parecia ter sido uma eternidade. Nunca imaginaria naquela noite que, apenas um mês mais tarde, seria a esposa de Ikuto.

E aquela noite... aquela noite, seria sua mulher de fato, ou apenas no nome? Era uma pergunta para a qual ainda não tinha resposta...

Terminada a valsa, seguiram-se as danças obrigatórias com os demais convidados. Aquela pensou Amu com um suspiro conformado, não eram tão prazerosas. Foi girada pelo salão por Sir Kukai e mais tarde por Hisagi. O marido de Utau dançava como que se esforçando para recordar as lições que tomara anos atrás. Podia quase ouvi-lo contar os passos. Quando os últimos acordes da música se fizeram ouvir, o sorriso que ele lhe deu era mais de alívio do que de divertimento. Hisagi, por sua vez, era um dançarino passável, porém pouco falava. Quando se separaram na pista de dança, Amu sabia pouco mais sobre ele do que quando deram os primeiros passos. Não estava certa se o amigo de Tadase procurava evitar perguntas ou se era apenas tímido.

Hisagi executou uma mesura e a deixou, caminhando ao local onde Tadase se encontrava, com um copo na mão, fitando mudo a comemoração.

Não era preciso muito para perceber que Tadase não estava feliz em ver o amigo. Ele lançou um olhar carrancudo a Hisagi e deslizou o olhar a sua volta como se procurando um modo de escapar. O amigo, no entanto, se plantou diante dele e começou a falar com a facilidade que não expressara quando estava dançando com Amu.

Naquele instante, o Sr. Kurosaki , um solteirão de meia-idade do vilarejo, pediu a próxima quadrilha e, concentrada nos passos da dança, Amu perdeu-os de vista. No entanto, quando seu parceiro, que se revelara um perfeito dançarino, guiou-a de volta à cadeira que ocupava, ela avistou Tadase e Shuuhei Hisagi ainda conversando.

Ficava óbvio que estavam discutindo pelo tom de voz alterado. Surpresos, os convidados lhes lançavam olhares curiosos. A um gesto de Yukari, a orquestra apressou-se em soar os primeiros acordes da próxima música, cobrindo o barulho feito pelos dois. Yukari cruzou o salão em direção ao filho. Parou na frente dele e disse poucas palavras. Hisagi pareceu envergonhado e se calou, concordando com um gesto de cabeça para a senhora. Em seguida, lançando um último olhar para Tadase, abriu caminho por entre a multidão. O filho olhou a mãe, desafiador, e acabou o resto da bebida num só gole.

Amu observou desanimada quando Tadase girou nos calcanhares, caminhando em sua direção. Tropeçou contra um dos dançarinos, cambaleou e seguiu em frente sem sequer se desculpar. Amu desejou se virar e sair correndo, porém ficaria óbvio que o estava evitando. Só Deus sabia o que aquele homem seria capaz de fazer naquele estado de embriaguez — talvez até mesmo gritar por seu nome no salão.

Como a última coisa que desejava era uma cena no dia de seu casamento, permaneceu onde estava, observando-o aproximar-se com um pretenso olhar amigável estampado na face.

— Am... Amu — engrolou Tadase, executando uma profunda mesura e quase tombando para frente.

— Tadase, por favor... — sussurrou Amu. — Está bêbado. Suba e vá para seu quarto se deitar.

Ele a fitou de soslaio.

— Isso é um convite, minha querida?

— Não seja mais tolo do que já provou ser — sibilou ela entre dentes. — Por favor, pense em sua família, esposa e em você mesmo, pelo amor de Deus! Quer se humilhar diante de toda essa gente?

— Quero dançar com a noiva — retrucou Tadase, em tom pastoso. — Não mereço dançar com você no dia de seu casamento?

A voz de Tadase havia alcançado um volume considerável e Amu pôde perceber cabeças girando na direção deles.

— Pois bem — concordou Amu, resignada. — Dançarei com você, mas apenas se prometer que se irá embora depois.

— Claro que sim. Após dançar com a linda noiva meu dia estará completo — dizendo isso, envolveu-lhe a cintura com uma das mãos, empurrando-a para a pista de dança. Amu segurou a própria irritação e voltou a olhar para ele. Seria uma provação dançar com Tadase a qualquer hora, mas pior ainda quando se encontrava bêbado. Ele lhe tomou a mão e deslizou a outra por sua cintura. Podia sentir o odor de álcool no hálito que lhe batia no rosto, embora estivesse afastada dele o máximo possível.

A música começou e Amu esforçou-se para acompanhá-lo. A mão de Tadase pesava-lhe no peito e lhe parecia que os dedos se enterravam em sua pele com mais força que o necessário.

— Linda noiva — repetiu ele.

— Obrigada — replicou Amu em tom seco. Tadase lhe lançou um olhar malicioso.

— Sempre a desejei, sabia?

— Tadase... essa não é uma conversa apropriada. — Aquele homem não tinha jeito.

— É verdade — continuou ele, como se Amu o tivesse encorajado. — Todos os dias quando voltava da escola lá estava você... Provocando-me.

— Não seja ridículo — disparou ela, indignada. Sabia que era inútil discutir com um bêbado, mas não poderia deixar de contestar a afirmação absurda. — Eu nunca...

— Oh, talvez pense que não — interrompeu-a Tadase, piscando para ela. — Mas eu sei que sim.

— Não sabe de nada — retrucou Amu, o olhar brilhando de raiva. — Mas ao menos poderia se esforçar em não demonstrar sua ignorância tão abertamente.

Ele soltou uma gargalhada e lhe apertou a cintura de modo que Amu cambaleou à frente, batendo contra o peito de Tadase.

— Contenha-se antes de fazer outra cena — criticou ela.

Naquele instante, a mão de Ikuto pousou no ombro do primo.

— Desculpe-me. Estou certo de que não se importará que eu roube a noiva de você.

— Ikuto! — Amu voltou-se para o marido com expressão aliviada.

Ele a encarou, observando-lhe o rubor da face e o brilho de raiva nos olhos e voltou a atenção para Tadase.

— Não acha que já bebeu demais? Acho que está na hora de se recolher.

— Não me importa sua opinião — retrucou Tadase. — Estamos dançando. Saia do caminho.

— Farei mais do que me atravessar em seu caminho se não largar minha esposa agora — disse Ikuto em tom de voz normal, desmentido pela expressão desafiadora e o brilho frio dos olhos azuis.

— Sua esposa... Está ansioso pela noite de núpcias? Acha mesmo que será o primeiro? Cheguei antes...

O que quer que Tadase pretendesse dizer se perdeu no instante em que o punho de Ikuto o atingiu em cheio no queixo, derrubando-o ao solo.

Uma mulher gritou. Tadase levantou, cambaleante, atirando-se sobre Ikuto, que se desviou com precisão e o atacante se projetou para o vácuo. Em seguida, o Lorde o pegou pelo braço, sacudindo-o. Tadase tentou desferir um soco, mas errou outra vez. Ikuto deu-lhe um soco no estômago e arremessou o joelho contra mandíbula do oponente. Tadase tombou com um baque surdo.

— Ikuto! — gritou Amu, segurando o marido pelo braço. — Por favor, não! — A face de Ikuto se encontrava rubra de raiva e os punhos cerrados. Esperou em posição alerta, fitando o corpo inerte no chão. Tadase soltou uma imprecação, rolando para o lado e se esforçando para se erguer. — Ikuto — chamou Amu outra vez, com urgência na voz. — Por favor, não estrague o dia de nosso casamento.

Ele baixou o olhar para a esposa e Amu pôde perceber os músculos tensos do braço dele relaxarem.

— Desculpe, querida — E dirigindo o olhar outra vez ao primo. — Suba e vá dormir.

Os lábios de Tadase se franziram. O olhar desafiador prejudicado pelo hematoma na face e o fio de sangue que lhe escorria dos lábios.

— Vou matar você!

— Em seu lugar eu não tentaria — retrucou Ikuto em tom calmo.

— Não seja tolo, Tadase — interveio Hisagi Shuuhei, abrindo caminho entre os presentes e segurando o amigo pelo ombro. — Venha.

Ele o puxou pelo braço e, depois de alguns instantes de hesitação, Tadase o seguiu, cambaleante. Os demais convidados se afastaram para deixá-los passar e em seguida voltaram-se uns para os outros, comentando a cena que haviam acabado de testemunhar. Amu pensou, com um suspiro resignado, que seu casamento produziria lenha para manter acesa a chama dos mexericos durante semanas.

— Desculpe-me. Acho que arruinei a celebração — desculpou-se Ikuto, em tom metálico.

— Não tem importância —garantiu ela, erguendo o olhar para o marido. Ikuto parecia distante, como se de repente tivesse se transformado em um estranho. Com uma pontada de medo a lhe espetar a alma, Amu imaginou se ele não teria acreditado nas palavras do primo.

— Ikuto! — chamou ela, lançando-lhe um olhar aflito. — Não pode acreditar que Tadase...

— O quê? Claro que não. — A expressão do rosto másculo se mostrou ainda mais rígida, se é que era possível. — Aquele homem é um mentiroso. Sempre o foi. Mas... sinto muito que tenha sido obrigada a presenciar a briga.

Fazia anos, pensou Ikuto, que não se envolvia em uma luta. Deus sabia, que em sua adolescência, as brigas eram comuns, nascidas do ódio guardado dentro dele, explodia à menor provocação ou desafio. Aquele fora, na verdade, o único modo que conhecera de sobrevivência. Rebeldia e agressão haviam sido seu lema.

Levara anos para controlar aquele lado de sua personalidade. Pensara ter dominado a natureza brutal que sabia possuir e o surpreendeu, até mesmo perturbou-o, descobrir que ela aflorara com tanta facilidade. Detestava que Amu o tivesse visto daquela maneira. Saber que a personalidade selvagem ainda pulsava dentro dele, rosnando e sempre pronta a ganhar vida. Era difícil encará-la, quanto mais perceber o medo estampado na face delicada.

Sentiu-se aliviado quando Utau se encaminhou em direção aos dois, colocando uma das mãos no braço dele e outra no de Amu. Em seguida, exibiu um sorriso jovial como se os últimos minutos não tivessem acontecido.

— Chegou a hora, não acham? Que ambos têm esperado impacientemente, desejando mandar todos nós para o inferno. Risadas se fizeram ouvir atrás da prima de Ikuto. Amu lhe lançou um olhar agradecido. Ela estava tentando distrair a atenção de todos para a partida dos noivos.

— Não esperaria um segundo se fosse você, meu jovem — brincou um general aposentado que vivia no vilarejo.

— Oh, por certo não, general — concordou a esposa do cavalheiro, uma mulher alta que era uma das companheiras de equitação de Yukari. Era difícil imaginar a amizade entre a extrovertida mulher e a puritana tia de Ikuto. Porém, Amu aprendera que a paixão por cavalos proporcionava as mais exóticas ligações.

A face de Amu se tornou rubra ante o comentário ousado da mulher.

— Oh, Sra. Sayuri, a senhora fez a noiva corar — brincou Utau. — Venham, está na hora de partirem.

Amu sentiu-se aliviada por escapar do salão de baile e da presença dos convidados, embora o coração batesse descompassado ante a visão do futuro iminente. O casal permitiu que Utau os guiasse para fora do salão, despedindo-se e recebendo os votos de felicidades de todos.

Subiram a escada, deixando os convidados a fitá-los. A mão de Amu se encontrava pousada sobre o braço de Ikuto. Os músculos pareciam sólidos como ferro sob o tecido do paletó. Em seu interior se confundiam com um embolado de sensações — excitação, ansiedade e indecisão sobre o que desejava que acontecesse. Chegara o momento crucial.

Notas finais
Espero que tenham gostado, não sou boa com cenas de casamentos, por isso não detalhei muito, fiz algumas pesquisas, mas nenhuma me deu algo com exatidão, então tentei expressar mais os sentimentos que o acontecimento em si.
Quando fui escrever a cena lembrei que toda noiva tem um vestido (¬¬) então acho que seria esse: http://images.andale.com/f2/109/129/28369566/2007/3/9/lauragown3.jpg
Um fofo vestido do século XVIII *-*
Para os três próximos capítulos um grande acontecimento!
Deixem reviews e façam essa sonolenta autora feliz, por que estou escrevendo isso desde às 01:15 e agora são 04:42 ^^
Beijos, Lady.