Notas iniciais
Aqui estamos com o sétimo capítulo da fanfiction, sem muito a declarar, vamos a leitura!

Quando Amu voltou para casa, encontrou Ami no corredor da porta de entrada. A menina obviamente estava esperando por ela, pois a fitou com expressão de alívio e, pegando-lhe a mão, puxou-a em direção à biblioteca. Amu abriu a boca para perguntar a ela o que estava fazendo, mas Ami gesticulou para que ficasse em silêncio, olhando para o topo da escada com expressão dramática.

Ami fechou a porta atrás delas e virou-se para Amu.

— É melhor se manter fora do caminho de Lulu. Ela ficou amaldiçoando sobre você pela casa por mais de uma hora. Nunca a vi tão irritada.

— Oh, Deus! — suspirou Amu. Adorara o passeio a sós com Ikuto, mas, como havia imaginado, teria que pagar por isso.

— O que aconteceu? Ela fala como se você tivesse arruinado a vida dela — perguntou Ami. — Foi pior do que quando ela perdeu seu pente favorito no mês passado.

— Lorde Tsukiyomi me levou para passear em seu coche sem convidar Lulu.

Ami deixou escapar uma risada.

— Verdade? Imagino o que passou pela cabeça de Lulu. Ela ficava dizendo que você lhe roubou alguma coisa, mas sei que não faria uma coisa dessas.

Amu fez uma careta.

— Suponho que tenho de encarar o dragão.

— Eu não iria se fosse você. Sempre achei que é melhor deixar Lulu se acalmar quando está zangada. Acho que ela seria capaz até de te bater. Por que não vai dar uma caminhada?

Amu ficou tentada a obedecer, mas respondeu.

— Não. Obrigada pela dica, mas prefiro encarar a ela de uma vez.

Ela deixou Ami e caminhou em direção à sala de estar. Ami estava certa em dizer que seria melhor deixar Lulu se acalmar e, como não queria problemas, o melhor a fazer seria não provocá-la.

Contudo, Lulu aparentemente ouviu os passos de Amu, pois apareceu na escada.

— Aí está você!

— Olá, Lulu — disse Amu em tom normal, acenando para ela.

— Como pôde fazer uma coisa dessas? — exclamou Lulu.

— Não sei do que está falando — respondeu Amu calmamente. — Por que não vamos até a sala de estar para conversarmos?

— Conversarmos? Conversarmos? — A voz de Lulu denotava repugnância. — Você acha que pode tentar roubar Lorde Tsukiyomi de mim e depois fazer tudo parecer certo com uma conversa?

Amu lutou para manter seu temperamento sob controle.

— Lulu, garanto-lhe que não tentei roubar Lorde Tsukiyomi de você.

— De que chamaria o que fez então? — retrucou Lulu com as faces em chamas. — Você me deixou de fora. Você...

— Não fiz nada disso. Lorde Tsukiyomi explicou que só havia lugar para duas pessoas em seu coche e...

— E eu deveria ser convidada a passear com ele -completou Lulu, descendo até o final da escada, com a expressão de quem iria bater-la.

— Lorde Tsukiyomi me convidou — esclareceu Amu. -Não caberia a eu dizer-lhe que a levasse.

— Você tramou contra mim. Você o forçou a convidá-la.

— Lulu, por favor, se acalme. Isso não faz o menor sentido — protestou Amu.

A mãe de Lulu apareceu na escada como um tanque de guerra e Amu virou-se em sua direção.

— Sra. Morcerf, eu...

A mãe estendeu a mão.

— Não pense que pode me enganar, mocinha. Você passou dos limites e isso está claro.

— Como disse? — Amu não esperava que a Sra. Morcerf fosse apoiá-la, mas o absurdo daquelas palavras a pegou de surpresa.

— Não vou permitir que fique usando de artimanhas com homens enquanto estiver sob o meu teto, fique sabendo.

— O quê?! — Amu encarou a patroa espantada demais para saber como responder àquela acusação.

— Oh, não pense que não sei o que está pretendendo — continuou a Sra. Morcerf, balançando a cabeça. –Lulu é inocente e pura demais para perceber o que está pretendendo, mas eu não. Sei o que você fez como seduziu Lorde Tsukiyomi, forçando-o a levá-la sozinha, as promessas que deve ter feito. Aonde vocês foram?

— Como ousa insinuar uma coisa dessas? — gritou Amu, as faces brancas de raiva. — A senhora não tem motivos para dizer tais coisas sobre mim! Eu jamais...

A Sra. Morcerf fez um gesto com as mãos para deter os protestos de Amu.

— Oh, eu sei muito bem das coisas. Por que outro motivo um homem a escolheria para passear com ele ao invés de convidar Lulu? Não é preciso ser um gênio para saber as coisas que você prometeu... O tipo de tentação à qual nenhum homem resistiria, nem mesmo um cavalheiro. E não vou permitir isso em minha casa, onde residem duas moças inocentes.

— Mamãe! Não! — gritou Ami da porta da biblioteca, de onde observava a cena.

Amu aproximou-se da Sra. Morcerf. Ao longo dos anos havia treinado para manter seu temperamento sob controle quando a provocavam, mas aquela acusação era demais para ela.

— Nunca houve a mínima mancha em minha reputação — retrucou Amu com a voz embargada pela indignação.

— Ah! — exclamou Lulu. — Mamãe tem direito de dizer isso. Você sabia que ele me admira e o seduziu para levá-la no passeio.

— Não seja mais tola do que já é, Lulu — cortou Amu. — Ikuto não a admira. Ele nem sabe quem você é. Ele é meu amigo há anos e me convidou para acompanhá-lo em um passeio porque queria conversar comigo. E não a convidou porque não queria que você fosse. Nem todos os homens do mundo devem cair a seus pés.

Antes que Lulu pudesse dizer qualquer coisa, Amu virou-se para a mãe dela.

— E quanto à senhora, antes de fazer acusações sobre a reputação dos outros, sugiro que olhe primeiro para sua filha. Lulu flerta com todos os rapazes e eu tenho que manter os olhos bem abertos o tempo todo durante os bailes para certificar-me que ela não escape para o terraço com um deles. Se não lhe puser umas rédeas, ela acabará dando um mau passo. E se isso acontecer ficará arruinada perante a sociedade. E nenhuma beleza será suficiente para apagar essa mancha. Não importa o quanto possa ser atraente, qualquer um que a conheça pode dizer como é egoísta, presunçosa, mimada e imbecil. E se continuar assim, as chances de conseguir um casamento aceitável vão desaparecer. Se espera que sua filha consiga um bom casamento, faça com que ela seja o tipo de moça que a mãe de um cavalheiro aceitaria para sua nora, e não um tipo de beldade que corre atrás de qualquer um.

Amu parou e respirou fundo. De repente, sentia-se calma. Concluiu que sem dúvida perdera seu emprego, mas não se arrependia de nada que disse... Ou pelo menos não ainda. Estava satisfeita demais por ter conseguido externar seus sentimentos.

— Saia já desta casa! — gritou a Sra. Morcerf. A raiva estampada no rosto. — Agora mesmo! Ouviu?

— Com muito prazer — respondeu Amu, passando pela mãe e olhando em direção à escada.

— E não espere que lhe dê qualquer tipo de referência — continuou a gritar a Sra. Morcerf.

— Nem pensaria numa coisa dessas — disse Amu, subindo a escada. Atrás dela, ouviu os passos de Ami.

— Srta. Hinamori! Espere! — gritou a menina com expressão triste. — Amu virou-se à porta de seu quarto. — Por favor, não vá, Srta. Hinamori.

— Sinto muito. Não tive escolha. Sua mãe não permitiria que eu ficasse. — Amu virou-se e entrou no quarto.

Ami entrou atrás dela.

— Ela só está zangada. Mas vai se acalmar e então tenho certeza de que se arrependerá.

— Pois não tenho tanta certeza, depois de tudo que eu disse — retrucou Amu com um suspiro. — Sinto muito. Não deveria ter dito tudo àquilo sobre a sua irmã.

— Não. — Ami observava Amu abrir um pequeno baú no fundo da cama e começar a enchê-lo com as roupas que estavam nas gavetas. — Você está coberta de razão. Lulu é uma criatura muito idiota e egoísta também. E você não tem que agüentar as más criações dela porque Lorde Tsukiyomi não caiu a seus pés. Odeio ver você partir.

— Também sentirei sua falta — disse Amu com honestidade, passando um braço ao redor dos ombros da menina. — Talvez sua mãe permita que vá me visitar algum dia.

— Talvez — respondeu Ami, duvidosa. — Para onde irá?

Amu concluiu que nem havia pensado nisso. Na verdade não sabia para onde ir, nem o que fazer. Agira no calor do momento. Mas, mesmo assim, não se arrependia.

— Acho que vou para a casa de uma amiga. Mashiro Rima... Bem, Lady Sanjou agora, depois que se casou — respondeu ela, pegando um lápis e um pedaço de papel de uma das gavetas. — Vou anotar aqui o endereço para que possa visitar-me. Freqüentamos a escola juntas e ela sempre me convidou para ficar com ela.

Não demorou muito, Para arrumar todos os seus pertences e Amu estava pronta para partir. Ela chamou um criado para ajudá-la a carregar o baú e então abraçou Ami.

Os olhos da menina estavam repletos de lágrimas e Amu sentiu um aperto no peito. Mesmo estando ali havia apenas alguns meses, desenvolvera um profundo afeto pela menina.

— Prometo visitá-la — garantiu Ami. — Mesmo que tenha de me esgueirar para fora de casa.

— Não vá ficar em apuros por minha causa — disse-lhe Amu. Sabia que a coisa certa a dizer à menina era que obedecesse à mãe, mas sabia também que Ami era muito mais esperta do que a Sra. Morcerf.

Amu desceu a escada depressa, carregando uma pequena mala, a fim de se despedir da criadagem. Notou que o criado que levara seu baú já havia providenciado uma carruagem e o colocara lá dentro. Ele a ajudou a subir, fechando a porta atrás dela, e o veículo começou a rodar.

Lá estava ela, mais uma vez, sem emprego e sem esperanças de conseguir um. Amu reclinou-se no banco e pela primeira vez nas últimas duas horas pensou na situação em que se encontrava.

Foi então que concluiu que Ikuto não saberia seu destino.

Notas finais
Para quem não gostava da Lulu espero que tenham apreciado a discussão, e sinto pena da Ami por ter nascido na família Morcerf. (Mesmo que eu a tenha colocado lá)

Em breve, grandes revelações na história.

Beijos, Lady.