Notas iniciais
Olá, bom dia, boa tarde e para quem ler à noite, boa noite.

Só para esclarecer antes da leitura e determinar os casamentos, e famílias bizarras que fiz nesta história.

Rima Mashiro casou-se com Kairi Sanjou
O nome dos empregados da Rima são os do Shugo Chara.
As crianças de Rima também tem nome de Shugo Chara.

Perdoem-me pelas colocações estranhas.

Mas, Boa leitura a todos! :D

Capítulo O8

A casa de Lady Sanjou era uma elegante mansão branca ao estilo Queen Anne que ocupava um bom terço de um dos quarteirões mais requintados de Mayfair. Quando Amu desceu da carruagem, ouviu o cocheiro soltar um assovio de admiração e descer para pegar o dinheiro, retirando o chapéu num gesto mais respeitoso do que quando ela entrara no veículo.

Enquanto o homem retirava a mala da traseira do coche, Amu caminhou até a porta e usou a grande aldrava de metal para se anunciar. A porta foi aberta um momento depois por um homem baixo, com feições angulosas, orelhas disformes e um nariz que lembrava o de um boxeador. Não era o tipo de aparência mais indicada para um criado e muito menos para um mordomo e administrador de uma casa, mas ela sabia que aquela era a função dele. Como muitos dos amigos e empregados de Rima, ele competente e extremamente leal.

— Srta. Hinamori! — disse o mordomo, a face rude iluminando-se com um amplo sorriso. — Que prazer em vê-la. A Srta. Rima ficará muito contente. Entre, entre.

— Olá, Daichi — respondeu Amu, seguindo-o para o interior da casa e entregando-lhe a pequena sacola que trazia. — Perdoe-me por chegar deste modo. Mas não tive tempo de enviar uma carta a Srta... Quero dizer, Lady Sanjou.

— Não se preocupe com isso. Sempre há um quarto pronto para a senhorita. — assegurou o mordomo, virando-se em seguida para falar com um homem jovem que surgiu dos fundos da casa — Kusu-Kusu pegue as malas de milady e leve-as para o quarto azul.

Como Daichi, Kusu-Kusu trajava vestes asseadas em tons de preto e branco, mas não usava libré, outra excentricidade dos criados de Rima. Eram uma mistura de nacionalidades, Daichi e a criada pessoal eram americanos como a patroa; Kusu-Kusu e a maioria dos outros criados eram ingleses e a cozinheira, francesa.

Os criados não eram as únicas esquisitices na casa da amiga. Rima tinha o hábito de ajudar os outros, embora algumas almas cáusticas a considerassem uma intrometida inveterada. Nos últimos anos adotara duas crianças órfãs, uma delas uma vigorosa menina francesa chamada Nana e a outra um menino americano chamado Rizumu, bem como uma jovem indiana que Rima salvara de ser lançada em uma pira funerária junto com o marido morto e que havia se tornado babá das crianças. Seu gerente empresarial era um homem negro, bem versado, que o pai dela resgatara da escravidão e enviara à escola. Isso tornava a casa cheia de energia e, às vezes, ruidosa, mas todos a adoravam.

— A Srta. Rima está no estúdio — informou Daichi. Era óbvio, pensou Amu, que apesar do casamento com Sir Kairi, jamais seria Lady Sanjou pra Daichi. Seria sempre a Srta. Rima que ele conhecera ainda menina quando viera trabalhar para o pai dela.

— Quer que eu a leve até ela, ou prefere que lhe mostre o seu quarto primeiro, para que possa se refrescar um pouco?

Amu respondeu que veria Rima antes. Sentia-se na obrigação de lhe pedir formalmente para ficar, embora soubesse que a amiga jamais lhe recusaria hospitalidade.

Foram amigas durante 9 anos e apesar dos caminhos opostos que suas vidas tomaram e as freqüentes separações, a amizade entre ambas ainda era tão intensa quanto no início. Conheceram-se na escola para moças, para a qual Amu havia sido enviada juntamente com Utau Hotori. A intenção dos pais de Utau era que ela tomasse conta da menina, ajudando-a com os estudos e certificando-se de que não se meteria em nenhuma confusão. Utau aceitara a ajuda de Amu como uma obrigação, mas não a considerava uma amiga. Essa posição era reservada a outras meninas com status social semelhante ao seu.

Então, fora deixada de lado por Utau e seu grupo, bem como pela maioria das outras alunas. Todas sabiam que sua amizade não traria nenhum benefício para melhorar a posição delas na sociedade. Mas logo se tornara amiga de outras meninas também consideradas excluídas. Rima Mashiro, embora muito rica, era americana e, de acordo com a opinião geral das alunas da Escola Miss Blanton para Moças, não passava de uma estrangeira. Amu simpatizara com ela à primeira vista.

Enquanto Daichi a conduzia ao longo do corredor em direção ao estúdio de Rima, ouviu o som de um piano sendo tocado. A música parou de repente, recomeçou de modo indeciso e parou mais uma vez.

— Sir Kairi está no quarto de música compondo — explicou o mordomo.

Amu assentiu com a cabeça. Não conhecia muito bem o marido da amiga. Rima havia se casado dois meses atrás, em uma pequena cerimônia que Amu assistira. Era um homem, esbelto, tranqüilo, que parecia, em sua opinião, manter-se à margem da vida da esposa. Depois do casamento, sempre que a visitara, Sir Kairi normalmente se encontrava isolado no quarto de música ou em seus aposentos com tosses e febres que, aparentemente, o acometiam. Era um gênio da música, a amiga lhe assegurara, e Amu às vezes desejava saber se Rima não se casara com aquele homem apenas para se certificar de que a vida dele seria administrada corretamente. Dessa forma, permitia que ele se dedicasse à música, sem se preocupar com coisas mundanas, como comida ou remédios, ou ter que pagar contas.

Afinal, administrar era a especialidade de Rima.

Daichi bateu à porta do estúdio. Então, a abriu quando a patroa respondeu.

— A Srta. Hinamori está aqui para vê-la, madame.

Rima que se encontrava exausta em meio a pilhas de figuras e lápis, olhou surpresa e viu Amu. Com um grito de felicidade, ergueu-se e correu pegar as mãos da amiga.

Rima era uma mulher baixa, que possuía um porte majestoso, ao contrário da magreza esbelta de Amu. Os cabelos eram loiros, a pele clara e os olhos de um mel vivido. Tinha uma figura delicada e dominante, que chamava atenção em qualquer multidão e Amu sempre a considerou muito bonita. Vestia-se do modo que a agradava, vestidos de cortes simples e cores vividas. Mesmo antes de se casar, quando as moças geralmente eram obrigadas a usar tons brancos e pastel, Rima as julgava insípidas.

— Amu! Que surpresa maravilhosa! — exclamou, num tom caloroso. — Traga-nos um pouco de chá, Daichi.

— Claro, Srta. Rima.

Rima beijou-a na face e em seguida afastou-se. Então, segurando as mãos da amiga, encarou-a com as sobrancelhas se franzindo numa carranca.

— O que a traz aqui a esta hora num dia de semana? Algo errado?

Amu suspirou.

— Acredito ter vindo apelar pela sua clemência. Fui demitida.

— Demitida? — A face expressiva de Rima encheu-se de indignação. — Por aquele sapo detestável? Morcerf?

Amu não pôde deixar de rir da descrição da amiga sobre a ex-patroa.

— Sim.

— Santo Deus! Eu sabia que ela era tola, mas realmente... Venha, sente-se e me conte tudo.

Amu fez o que amiga ordenou, contando-lhe a história do reencontro com Ikuto e todos os eventos que se seguiram. Parecendo intrigada, Rima a escutou atentamente, interrompendo-a uma única vez para dizer:

— Ikuto, o menino que era primo de Utau? De quem você costumava falar muito?

Diante do aceno positivo de Amu, enrugou os lábios, pensativa, e lhe disse para continuar. Amu obedeceu, só parando quando Daichi entrou com o carrinho de chá.

— Mas que mulher estúpida! — comentou Rima vertendo chá nas duas xícaras. — Era a chance de ela entrar na sociedade onde tanto almeja colocar a filha e acabou perdendo a oportunidade. Se em vez disso a tivesse mantido no emprego e a tratado bem, a filha poderia ser convidada para as melhores festas devido ao seu conhecimento com Lorde Tsukiyomi.

— Você conhece Lorde Tsukiyomi?

Amu sabia que a amiga freqüentava certa parte da sociedade de Londres. Rima havia se estabelecido como protetora das artes e mantinha um eclético salão, onde artistas e autoridades se misturavam com os ricos e nobres à procura de estímulo intelectual.

— Não pessoalmente. Ouvi falar de sua volta. É uma das fofocas mais populares na sociedade, mas não imaginei que ele fosse o seu Ikuto. Teria me esforçado para conhecê-lo se soubesse. — Ela sorriu. — Embora pense em fazer isso agora.

— Ele nem sabe o que me aconteceu ou onde estou — admitiu Amu. — Não pude lhe enviar uma carta, dizendo para onde vim. Não seria adequado.

Rima encolheu os ombros. Sabia tão bem quanto Amu das restrições impostas às damas honradas. Estava louca para desconsiderá-las, mas sabia que a posição da amiga era mais precária que a sua.

— Não se torture. Pensaremos em algo. Amu sacudiu a cabeça.

— Não importa. Não é uma amizade que eu possa manter. Uma dama de companhia não deve receber visitas de homens ou de qualquer outra pessoa. E quando eu puder vir visitá-la ou a Sra. Kazuya, em meus dias de folga, raramente poderei me encontrar com um cavalheiro. Quanto tempo me sobraria para vê-lo?

— Então fique comigo — ofereceu Rima. — Não precisa arrumar outro emprego. Sabe que é bem-vinda em minha casa. Já lhe convidei muitas vezes. Não haverá nenhum problema em Lorde Tsukiyomi vir visitá-la aqui. Estou certa de que posso encontrar um modo de fazê-lo saber que está aqui comigo. Kairi e eu vamos para a Itália dentro de três semanas, é melhor para a saúde dele e para a sua música. Mas posso atrasar a partida.

— Não, não faça isso por minha causa. É muito amável, mas não posso me impor dessa maneira — respondeu Amu. Aquele era um argumento que ela e a amiga haviam discutido muitas vezes, o único ponto de discórdia entre as duas.

Rima fez uma careta.

— Você e seu orgulho! Não estou fazendo nada que você não fizesse por mim se a situação fosse inversa.

— Sabe que se a situação fosse inversa, iria sentir-se exatamente como me sinto — replicou Amu com um sorriso estampado no rosto. — Não posso depender da sua caridade.

— Então vou contratá-la. Preciso de uma dama de companhia. As coisas são muitíssimo mais agradáveis quando se tem uma amiga com quem compartilhá-las. Posso lhe pagar o que a Sra. Morcerf lhe pagava e então você será independente.

— Não precisa de uma dama de companhia, ambas sabemos disso. Não adianta querer disfarçar, continuaria sendo caridade, e mais dispendioso porque estaria me Pagando. — Amu se ergueu e pegou a mão da amiga, dando-lhe um aperto afetuoso. — Conheço-a muito bem Para que possa me enganar.

Rima riu.

— Que injustiça. Embora deva admitir que gosto de organizar coisas. Ela lançou um olhar divertido a Amu e acrescentou: — Mas tudo que desejo é que sua vida se torne mais fácil. Você merece ser mais feliz.

— Não sei o que mereço, mas com certeza minha vida continua e tenho que administrá-la sozinha.

— Claro. Eu entendo — concordou a americana. — Você é bastante independente.

— Preciso arrumar um emprego. E... Tenho de ser realista em relação à Lorde Tsukiyomi. — Amu fitou a amiga com expressão sombria. — Pensei sobre isso durante todo o trajeto até aqui. Tenho vivido num mundo de ilusões nos últimos dias. E uma situação impossível. Não posso continuar vendo Ikuto.

Notas finais
Mais nada a declarar.
Até o próximo capítulo
Beijos, Lady.