Notas iniciais
Desculpem-me pela demora, estou sem internet então fica difícil postar com regularidade. Mas, garanto que pelo menos terá um capítulo por semana.Boa leitura.

Capítulo O4

O que aprendeu naquele dia, foi confirmado nos seguintes. Tadase e Utau nunca eram errados, e castigados. De um jeito ou outro Ikuto era culpado por tudo.

Amu reclamou com mãe sobre a injustiça da professora, mas ela apenas falou preocupada:

- Não discuta com a professora, obedeça as ordens, seja uma boa menina. Ela age assim por que Sr. Hotori a manda. – avisou Midori

Amu não entendeu o que as palavras da mãe significavam, mas só de ouvir o nome de Kazuomi Hotori era suficiente para ficar quieta. Amu o achava assustador. Era quieto e calmo, não mostrava raiva, mas os olhos aterrorizavam qualquer um. Até mesmo Tadase se comportava na presença do pai.

Ikuto era a única pessoa que encarava o tio, com as costas retas e cabeça erguida, mesmo quando sabia que aquela “afronta” o levaria a um castigo no escritório do Sr. Kazuomi Hotori.

Amu não entendia onde Ikuto tirava coragem. Mesmo brigando com Tadase, e contradizer a professora, sua coragem acabava na presença de Kazuomi. Mesmo chamando a Sra. Hotori de “Tia Yukari”, como Ikuto fazia, não conseguia chamar o Sr. Hotori de outra forma se não “Senhor”. Ele visitava de cortesia o chalé de tempos em tempos. A mãe a chamava para cumprimentar o Sr. Hotori e ela obedecia, fazia uma educada reverencia. Amu dificilmente conseguia olhar-lo nos olhos, e parecia que ele achava engraçado. E no momento que a dispensava, Amu saia correndo e ficava trancada no quarto enquanto ele ficava no chalé.

Quando Amu reclamava de ter que ser educada com ele, sua mãe sempre a xingava.

- Não fale algo assim. Os Hotori são muito bondosos com nós. Se nos mandarem embora não teremos lugar para ir. Não ofenda Sr. Hotori. E, por favor, não fale nada daquele garoto malcriado.

- Ikuto não é! Tadase sim é malvado e malcriado.

Sempre que via a palidez no rosto da mãe, parava. Esforçava-se para ser educada e agüentar as horas que passava com Tadase e Utau.

Naquele tempo, Amu não pensava sobre o porquê dos Hotori serem tão bondosos com elas. Só aceitou o fato como parte da vida. Mas, quando ia crescendo começou a questionar a generosidade. Afinal, não eram bons. Uma vez perguntou para a mãe o que achava, mas ela ficou muito assustada e disse que não deveria questionar a sorte que tiveram.

Quando se lembrava daqueles tempos, Amu acreditava que Kazuomi e Yukari as ajudaram por que talvez ficasse mal para a sociedade deixar uma viúva e sua filha abandonadas sem dinheiro.

Durante os primeiros anos na casa Hotori, somente a amizade que tinha com Ikuto tornava a vida suportável.

Mesmo sendo quatro anos mais velho, deixava que o acompanhasse e a protegia contra Tadase. Mesmo sabendo que Ikuto seria castigado pelas ações de Tadase, Tadase morria de medo dele. Sendo amiga de Ikuto, a Srta. Kisaki e os filhos dos Hotori podiam ser ignorados. Mesmo o fato de sua mãe nunca ser mais alegre podia ser suportado.

Amu ficou arrasada quando Ikuto foi embora. Ela entendia a atitude dele. Ali levava uma vida miserável. Mas, sua ausência a deixou sozinha e triste.

Depois de todos aqueles anos, Ikuto voltou. Não poderia deixar de imaginar o que causaria na vida dela. Amu, sentada na beira da cama com o rosto pensativo, escovava os cabelos enquanto viajava longe.

Era obvio que a Sra. Morcerf e Lulu queriam tirar vantagem da amizade dela com Ikuto para caçarem o melhor partido do ano. Amu esperava que ele não tivesse se torna do idiota para cair pela beleza de Lulu. Mas, também não era idiota a ponto de viver os romances de infância que a tanto custo guardara.

Nem sabia o que esperar de Ikuto. Só tinha certeza do quão agradável tinha sido a sensação de rodopiar no salão entre os braços dele. Como seu coração batia forte quando ele sorria. E pela primeira vez em muito tempo estava ansiosa pelo amanhã.

Amu estava sentando na sala de estar na tarde do dia seguinte, bordando um lenço, quando a empregada avisou da chegada de um visitante. Largou o bordado e levantou-se, seu coração falava as batidas, enquanto a criada anunciou a chegada do Conde.

- Ikuto! – Amu não conseguiu afastar o prazer escachado no rosto.

- Amu! – ele atravessou o salão e tomou as mãos dela nas dele – Parece surpresa, achou que não viria?

- Claro que não. Só... – deu de ombros. Não conseguia explicar a surpresa e o prazer com a visita dele depois de tê-la vista ontem. – Por favor, sente-se.

Amu sentou no sofá e Ikuto em uma cadeira na frente. A presença da figura imponente dele a fez sentir-se muito menor. Era consciente dos nervos apertando-lhe o estomago. Olhou subitamente insegura do que dizer.

Ele tirou as luvas e Amu percebeu o anel na mão direita, um simples sinete de ouro. Tinha notado-o ontem. Mas, agora o encarava, reconhecendo o H gravado nele.

- O anel do papai! – falou, espantada

- Hã? – Ikuto seguiu o olhar – Ah, sim, é o anel que me deu quando fui embora.

- E o guardou esse tempo todo? – Sentiu um aperto na garganta e os olhos ficaram cheios de lagrimas

- Claro – ele sorriu – É um amuleto da sorte

Amu engoliu em seco. Ficando estranhamente feliz de saber que ele guardava uma lembrança sua, mas também ficou um tanto desconfortável.

- Né... Já se passou tanto tempo. Nem sei por onde começar – falou com um sorriso – Para onde foi? O que tem feito? A cidade verve de especulações sobre você.

Ele fez um estalo.

- E o que falam de mim?

- Ah, que já foi de tudo, desde contrabandista até pirata e espião. Acho que a verdade é algo mais comum... Mercador marítimo, talvez.

Os olhos azuis de Ikuto brilharam divertidos.

- Tudo talvez tenha um fundo de verdade. Apesar de nunca atacar navios e roubar baús de tesouro.

- Oh, que decepção – comentou Amu – Não vou comentar que disse a nenhuma das moças casadoiras. Vou estragar a imagem que construíram de você.

- Por favor – disse ele, levando a mão ao peito um tanto dramático – Gostaria que destruísse essa imagem que fazem de mim. Seria ótimo ir às festas sem que uma das cabeças de vendo e as odiosas mães determinadas a atirar as filhas em cima de mim.

- Isso será difícil de acontecer – retrucou Amu – Sua reputação é de um homem muito rico e com título. Seu caminho estará cheios dessas garotas até que decida se casar com uma delas.

- Nunca! – falou com uma careta.

- Então o aviso para não ficar caminhando por aqui – continuou Amu.

Ikuto franziu o rosto e só então entendeu o significado do que ela acabou de falar.

- Ah! A moça loira?

Amu assentiu com a cabeça.

- Lulu

Como se a conversa a atraísse, ouviram passos do lado de fora e a Sra. Morcerf entrou na sala.

- Lorde Tsukiyomi! Que visita agradável! Peço desculpas por não estar aqui para cumprimentá-lo quando chegou.

Com um significativo a Amu, Ikuto levantou-se e fez uma reverencia.

- Sra. Morcerf. Estávamos falando da senhora.

A mãe abriu um sorriso radiante, lançando um olhar pretensioso.

- Encantador! Sei quem espera, e posso garantir que não sou eu. Não se preocupe, Lulu irá descer em um momento – Ela virou-se para Amu – Querida, pode trazer um chá para nós? Vamos tomar-lo na biblioteca – Virou-se novamente para Ikuto com um sorriso. – Tem mais espaço, milorde. Não posso imaginar que Amu estava pensando em recebê-lo aqui.

Ikuto olhou indiferente para a sala.

- Estava mais interessando em conversar com Amu do que com a sala.

Não tinha muito o fazer, a não ser seguir a Sra. Morcerf enquanto ela o arrastava para fora da sala indo até a biblioteca. Amu pediu o chá e sentou-se suportando ter a conversa com o amigo interrompida.

Lulu chegou alguns minutos mais tarde, quase sem ar e com as faces vermelhas. Amu notou que ela tinha trocado de vestido e amarrado uma nova fita nos cachos dourados.

- Lorde Tsukiyomi – Ela adiantou-se e fez uma graciosa reverencia, estendendo a mãe sorrindo – Fiquei surpresa quando mamãe falou que veio me visitar!

- Na verdade, vim visitar a Srta. Hinamori.

Lulu arregalou os olhos diante daquela resposta, mas a mãe cobriu o momento de silencio da filha.

- Ficamos tão surpresas ao saber que nossa amada Amu lhe conhecia – disse a Sra. Morcerf. Ela levantou um dedo, brincalhona para a Amu – Você, danadinha, guardando um segredo assim!

Amu ficou tentada a responder que as pessoas que conhecia não eram da conta de ninguém, mas Ikuto a cortou

- Com certeza a Srta. Hinamori não pensou que um renegado como eu merecesse sua atenção, Senhora.

A Sra. Morcerf riu.

- Ah, que isso... – Ela abriu o leque e cobriu a parte de baixo do rosto, deixando a mostra apenas o olhar medonho.

Lulu, chateada por não ser o centro das atenções, voltou a falar.

- Sua vida deve ter sido tão interessante – disse ela a Ikuto, com os olhos brilhantes – Já esteve em vários lugares. Mal posso imaginar o que fez.

- Ah, sim – concordou a Sra. Morcerf – Deve nos contar sobre suas viagens, Lorde Tsukiyomi.

Amu podia imaginar a Sra. Morcerf copiando os trechos da conversa para jogar na cara das suas amigas “Como Lorde Tsukiyomi me contou...” ou “ Ah, sim, Lorde Tsukiyomi falou que esteve na ..."

Ela olhou o amigo, que já indicava que tinha pouca vontade de falar sobre suas aventuras com as Morcerf. Ele olhou em sua direção e voltou-se para a mãe.

- Desculpe-me senhora, mas infelizmente não tenho tempo para manter nossa conversa. Somente passei para convidar a Srta. Hinamori para um passeio no meu coche amanhã.

- Seria esplêndido – respondeu Amu rápido, sem nem ao menos olhar a patroa para pedir permissão. Não estava à vontade de deixar a mulher arrumar outra visita, jogando Lulu em cima dele.

- Perfeito! – Ikuto se levantou – Agora, se me derem licença, deve ir embora. Sra. Morcerf, Srta Morcerf – fez uma pequena reverencia na direção delas. – Srta. Hinamori

- Milorde

Amu ficou olhando a porta depois da saída de Ikuto, perplexa demais para dizer alguma coisa. Depois se virou para Amu, com o rosto torcido de raiva. Amu teve um desejo que seus pretendentes a visse daquele jeito.

- Não! – gritou Lulu – Você não pode ir. Não deixarei.

Notas finais
Espero que tenham gostado.Deixem reviews.Até o quinto capítulo.Beijos, Lady.