Amor e Conquista
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Desculpem-me pela demora... Realmente não deu para postar antes. Motivos de causa maior.
Penúltimo capítulo de Amor e Conquista!
Espero que gostem!
E Boa leitura!
Amu recostou-se ao travesseiro, deixando escapar um profundo suspiro. Não havia mais nada em seu estômago, portanto, fico de olhos fechados até que os espasmos de dor passassem.
Ao menos, estavam mais espaçados, pensou, resignada. E a estranha e intensa salivação também diminuíra. Preferia não testar a tontura, portanto, continuou deitada.
Imaginou que horas seriam. A manhã havia passado em horas intermináveis de mal-estar. Desejou, não pela primeira vez, não ter insistido para que Ikuto partisse. Por mais que a desagradasse a idéia de o marido vê-la naquela condição, houve ocasiões em que se sentira tão assustada que ansiara pela presença de Ikuto a seu lado. Tudo parecia menos assustador e mais suportável quando ele estava por perto.
Pela primeira vez desde que o marido partira, imaginou o que ele teria extraído de Oto. Talvez, aquele fosse um sinal de melhora. Pelo menos assim pensara Célia, que havia descido para lhe preparar um caldo, na esperança que Amu conseguisse segurar alguma coisa no estômago.
A porta se abriu e alguém entrou. Pelo som do farfalhar de tecido, era uma mulher. Amu não se esforçou para abrir os olhos, deduzindo que seria a criada.
Porém, quando a visitante falou, reconheceu de pronto a voz.
— Tia Yukari? — Surpresa, Amu descerrou as pálpebras e observou a mulher se aproximar da cama, com uma pequena bandeja nas mãos.
— Sim. Vim saber como está.
— Melhor, acho.
Embora ciente da expressão surpresa de Amu, a Sra. Hotori exibiu um tênue sorriso.
— Tenho prática em cuidar de doentes. Afinal, criei dois filhos e assisti Kazuomi quando morreu.
Amu conteve-se para não mencionar que o que lhe causava estranheza não eram suas habilidades em assistência, e sim a repentina delicadeza que demonstrava.
— Trouxe-lhe um xarope — anunciou Yukari, pousando a bandeja ao lado da cama. Havia um copo com um pouco de água e um pequeno frasco com rolha de cortiça que continha um líquido marrom. Não estava disposta a ingerir nada, muito menos o repulsivo xarope.
— Acho que não conseguirei — afirmou Amu.
— Bobagem — retrucou Yukari em sua maneira peremptória. — Isso a fará se sentir melhor. É um remédio antigo que minha mãe costumava nos dar quando adoecíamos.
— Estou me sentindo melhor — protestou Amu, observando-a, desconfiada, enquanto ela retirava a rolha de cortiça e despejava um pouco do líquido marrom no copo com água.
— Não seja infantil — começou Yukari, agitando o copo para misturar o líquido. — Tem um sabor um tanto amargo, mas vai sentir-se melhor quando o tomar.
Yukari caminhou em direção à cama, segurando o copo numa das mãos. Amu pressionou a cabeça contra o travesseiro. A simples visão da mistura fez seu estômago revirar. Pensou em algo que pudesse atrasar Yukari, na esperança de que Matsumoto entrasse e convencesse a patroa a não forçá-la a ingerir nada.
Olhou para o broche sobre a garganta de Yukari. Uma mecha de cabelos negros trançados em um ornamento. Percebendo o olhar de Amu, a mulher levou a mão ao pescoço.
— É um broche de luto. Confeccionei-o com uma mecha de cabelos de Tadase.
Os olhos de Yukari se encheram de lágrimas e Amu não pôde evitar uma pontada de piedade.
— Sinto muito.
Yukari meneou a cabeça de maneira quase imperceptível.
— Era um menino extraordinário. Amava-me. Meu filho não era como as pessoas o faziam parecer. E não quero que a imagem de Tadase seja denegrida por aqueles que o invejavam.
A expressão da senhora endureceu à medida que falava. O olhar se tornando velado. Amu começou a falar, tentando lhe oferecer algum tipo de consolo, quando de repente a imagem de Yukari no dia do casamento lhe veio à mente. Trajava um vestido cinza-claro e havia um broche atado à gola alta — não um como aquele à sua frente, mas uma grande jóia cravejada de diamantes e rubis.
Amu se viu paralisada de medo. O olhar se alternando entre Yukari e o broche. O temor a impedia de agir, limitando-a a fitar a senhora.
Os olhos de Yukari tinham um brilho maquiavélico, quando a segurou pelos ombros e levou o copo aos lábios de Amu.
— Beba — ordenou. — Vá. Beba tudo.
— Não! — Amu fez menção de rolar na cama, mas a mulher a agarrou pelo braço, detendo-a. Em seguida, pousou o copo na mesa e colocou as mãos nos ombros de Amu, pressionando-a contra o colchão, enquanto subia na cama, estendendo a perna sobre seu corpo para impedi-la de se mover.
— Terá de beber! — exclamou em tom estridente, com um brilho insano nos olhos. A face da mulher pairava sobre Amu como uma máscara de ódio. Os dedos cravados em seus ombros enquanto a pressionava sobre o colchão com toda a força do peso que possuía. Amu não podia acreditar na força que emanava daquela senhora e seus músculos se encontravam demasiadamente debilitados devido às horas de vômito.
— Largue-me! — gritou Amu, com todo o fôlego que conseguiu juntar. Praguejou contra o mal-estar que a deixara tão fraca e então percebeu tudo.
— Você! Foi você que fez isso comigo! Deu algo esta manhã para que eu ficasse doente! -A mente de Amu trabalhava frenética. — No chá. Serviu no chá!
Yukari deixou escapar um som desdenhoso. — Não a matará apenas lhe causou um mal-estar. Era o que eu tinha à mão. Precisei de algum tempo para conseguir as sementes de teixo. Deveras apropriado, não? Você morrer como sua mãe?
Amu paralisou, fitando a mulher, surpresa, enquanto digeria a informação.
— Minha mãe! Matou ela também?
— Claro que sim. Sabia que ninguém iria suspeitar. Sementes de teixo são extremamente venenosas. Colhi e fiz uma infusão com elas. Em seguida, misturei ao remédio de enxaqueca de sua mãe e na próxima vez que lhe deu uma dor de cabeça... — Yukari deu de ombros.
Os olhos de Amu se encheram de lágrimas.
— Você a matou?
— Ela roubou meu marido — replicou Yukari em tom casual. — Pensei que, se me livrasse dela, Kazuomi voltaria para mim. — O olhar da mulher escureceu. — Mas ele continuou a agir do mesmo modo. Servindo-se de prostitutas, me envergonhando e desdenhando de mim. Engravidou uma das criadas em minha própria casa! — Um rubor intenso lhe aflorou à face e o olhar distante, indicava que Yukari falava para si mesma. — Recusava a ser um bom marido. Dei-lhe todas as chances!
— E então o matou? — indagou Amu. Tinha de manter Yukari distraída. Talvez a força com que a mulher a detinha abrandasse, dando-lhe a oportunidade de escapar.
— Claro que sim. De modo diferente. Seria suspeito que outra pessoa morresse do que parecia ser um ataque cardíaco, não acha? — Os lábios de Yukari se encresparam. — Ninguém suspeitou. Por que alguém desconfiaria de que eu conhecesse venenos? — A voz gélida soava repleta de deboche.
— Tolos! Como se eu não tivesse aprendido tudo com meu pai... Todas as plantas que poderiam fazer mal aos cavalos. Sabia o que evitar e o que utilizar para simular um ataque do coração — ou uma doença. Dei a Kazuomi ervas-de-são-tiago... Em doses homeopáticas. Todos os dias durante semanas. Isso destrói o fígado. Todos julgaram que a hidropisia se devia ao álcool. Foi um fim terrível. Regozijei-me em vê-lo sofrer.
A amargura e o ódio nos olhos de Yukari eram aterrorizantes.
— Mas por que matou Tadase? — inquiriu Amu. -A senhora o amava.
— Ele era como o pai! — disparou Yukari. — Recusava a acreditar naquilo. Todos aqueles anos... As coisas que Tadase fazia... Eu arranjava desculpas para todas elas. Disse que não devia viver à imagem do pai. Que estava errado em deixar aquele novo-rico herdar uma terra que deveria ser dele. Culpei a pequena tola que tomou como esposa por não ser boa o bastante para segurar o marido. Mesmo quando ele mentia e traía, e ainda quando roubou minhas jóias para pagar os débitos de jogo... Amava-o demais para lhe perdoar os erros. E então... — Os lábios se retesaram ante as recordações. Os olhos se encheram de lágrimas e a voz falseou.
— Surpreendi-o com a criada, agarrando-a e a forçando, enquanto ela lutava para se desvencilhar, suplicando-lhe que a deixasse. E então soube. Não havia como negar. Tadase era como o pai: detestável e libertino... Um libertino imundo. Não pude suportar aquilo!
A pressão que Yukari exercia nos ombros de Amu diminuiu, fazendo-a concluir que chegara o momento. Juntou as mãos e as erguendo, arremessou contra o estômago da mulher com toda a força que foi capaz de reunir, jogando-a para o lado e rolando para fora da cama.
Mas antes de alcançar a outra extremidade, Yukari estava sobre ela, segurando-a e arranhando-a. Amu lutou com ela, tentando se desvencilhar, mas a força da mulher era insana. Ambas rolaram sobre a cama. Yukari bateu com o punho fechado contra o queixo de Amu, fazendo brotar lágrimas em seus olhos. Amu chutou e se revirou na cama, afastando-se, mas a Sra. Hotori a atingiu nas costas, sentando-se sobre ela e lhe enterrando a face na colcha macia com ambas as mãos. Amu tentou erguer a cabeça, mas o tecido da manta colava-se à face, impedindo-a de respirar.
Foi então que a distância ouviu o som de uma batida e Ikuto chamando seu nome. Em seguida, socos na porta, que Amu julgou estar trancada. Pontos escuros se formavam em sua visão. Nunca mais o veria. Não teria oportunidade de lhe dizer o quando o amava...
Naquele momento a porta se escancarou e, instantes depois, o peso lhe foi tirado das costas. Amu rolou, lutando por ar, enquanto Ikuto e Yukari caíam ao chão do outro lado da cama.
Matsumoto se materializou ao lado da patroa, ajudando-a a se erguer, e o restante da família, seguidos por uma horda de criados adentrou o aposento. O mordomo e Sir Kukai correram até Ikuto para ajudá-lo com Yukari, que esbravejava, gritando palavras incoerentes.
Ikuto a entregou aos dois homens e se dirigiu à cama.
— Amu! — gritou, indo em sua direção e lhe tomando a mão. — Meu amor, graças a Deus! Você está bem?
— Sim — ofegou Amu, atirando-se nos braços fortes. — Estou bem agora.
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— Que diabos farão com ela? — indagou Amu, no dia seguinte, sentada em sua cama e totalmente recuperada do mal-estar. Yukari estava certa sobre os efeitos da íris em seu organismo. Após o ataque da Sra. Hotori, Amu aos poucos se recobrou do enjôo e dormiu durante quase toda tarde nos braços do marido. Na verdade, Ikuto só a havia deixado há uma hora, quando desceu para conversar com o magistrado sobre o destino de Yukari. Ainda assim, designara Yaya para tomar conta dela até que ele voltasse.
— Aparentemente enlouqueceu — explicou Ikuto, enquanto sentava-se na beirada da cama ao lado dela. — Confessou o assassinato de Tadase, assim como o de Kazuomi e o da sua mãe. E então, quando a guiaram para a cela que ocuparia na prisão, começou a balbuciar palavras incoerentes, gritando e chutando, desvairada. De acordo com o juiz, está sentada, imóvel em sua cela desde então, com o olhar fixo na parede. Ele não sabe ao certo o que fazer com Yukari e veio pedir minha opinião.
— E o que lhe disse?
A expressão da face se retesou.
— Pelo que ela fez com você, sugeriria que matasse aquela bruxa.
— Ela está louca — afirmou Amu, em tom suave. — E deve estar vivendo um inferno particular. Matou a única pessoa que amou na vida.
— É o que Yukari merece — replicou Ikuto em tom áspero. — Mas não posso esquecer que o julgamento seria um sacrifício para você. E um terrível escândalo.
— Pobre Utau! Como se não fosse suficiente o assassinato do irmão, por pior que ele fosse, descobriu que a mãe foi à responsável pela morte dele e do pai!
— Não podemos fazer isso com ela. Embora fútil, não é má pessoa. E Yaya sofreria. Quando esteve aqui mais cedo, contou para mim sobre Nagihiko Fujisaki e o amor que os une. Contou que planejam casar após passar o luto. Parecia tão feliz. Porém, se houver um julgamento e tudo sobre Tadase, Yukari e Kazuomi vier à tona, arruinará a felicidade dela e manchará o nome da família. Yaya não se vai casar com o Nagihiko Fujisaki se um escândalo desses se abatesse sobre ela. Não acho justo que as perversidades de Yukari causem mais sofrimento àquela jovem. Eles têm de julgá-la e condená-la à forca? Não há mais nada que se possa fazer em relação a ela?
— Sabia que essa seria sua opinião — replicou Ikuto, com um leve sorriso a lhe curvar os lábios. — O magistrado quer trancafiá-la num manicômio. É um destino terrível, mas seria melhor do que enforcá-la.
— Sinto quase com pena dela — declarou Amu.
— Eu também me sentiria assim, se ela não tivesse tentado matá-la. Isso, não poderei perdoar — afirmou Ikuto, esticando o braço e a puxando para si. — Peço a Deus nunca mais precisar passar por horas como as de ontem. A medida que cavalgava em direção a Lychwood Hall, aumentava a certeza de que tia Yukari havia matado o filho e só conseguia pensar em você deitada nessa cama, fraca e vulnerável. Refleti sobre seu mal-estar e lembrei que ela lhe havia servido o chá naquela manhã. -Ikuto beijou-lhe a fronte antes de continuar: — Nunca me senti tão assustado em minha vida. Não sei o que faria se a perdesse.
Amu deslizou os braços pelo pescoço largo e o apertou contra o colo.
— Eu o amo — murmurou. Em seguida, afastou a face para fitá-lo. — Sei que não quer um casamento com amor. Porém, ontem, quando vi a morte se aproximar, lamentei nunca ter lhe dito isso. Eu o amo e não posso continuar fingindo que o que sinto por você não é amor. Amo-o desde que posso me recordar.
Um sorriso curvou lentamente os lábios de Ikuto.
— E eu a amo desde sempre, também. Recordo-me do lhe que disse. Fui um idiota. Pensei que nunca havia amado, mas era porque em meu coração só havia você, o que me tornava incapaz de amar outra mulher. De alguma forma, sempre soube que voltaria para você. Não chamava isso de amor, porque o que eu sentia era muito maior e mais intenso do que o que as pessoas rotulam como amor. Você é minha vida, meu lar e meu ar.
Ikuto envolveu-a nos braços, cobrindo-lhe a face de beijos.
— Eu a amo, Amu.
Ela se entregou ao corpo másculo, os olhos banhados de lágrimas. Aquilo, pensou, era o tudo que sempre esperara na vida.
— E eu o amo, Ikuto.
Notas finais
Falem nos reviews!
Eu leio TODOS e espero todos eles com muito carinho ^^
Estarei respondendo assim que possível.
Espero vocês no último capítulo.
Até semana que vem
Beijos, Rise-chan
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