Amor e Conquista
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Agora começamos a acertar as coisas, vemos os suspeitos e espero que percebam o avanço da relação entre Ikuto e Amu *-*
Boa leitura!
Capítulo 21
O sol o sol atravessou a cortina batendo diretamente nos olhos de Amu acordando-a. Amu sentou-se, sonolenta. Não dormiu por muito tempo, mas sabia que não conseguiria voltar a dormir outra vez. Dobrou os joelhos e apoiou a face sobre eles, deixando escapar um gemido.
Gostaria de pensar que os acontecimentos da noite anterior não haviam passado de um pesadelo, mas sabia que não era verdade. Tadase estava morto e alguém o matou. Yukari obviamente acreditava — que tinha sido Ikuto.
O fato de ele e Tadase terem brigado pesava contra o marido. E embora lhe tivesse fornecido um álibi, a palavra de uma esposa era uma prova frágil. Era necessário que ela e Ikuto descobrissem o assassino.
Levantou-se e lavou o rosto na bacia de porcelana. Em seguida tirou do armário um vestido que não precisava de ajuda para vestir. Não queria chamar Matsumoto àquela hora da manhã. Após calçar os sapatos, colocou o rubi no bolso e foi para o térreo.
Ikuto era o único à mesa do café-da-manhã. Ergueu o olhar quando Amu entrou e, com um sorriso cansado, levantou-se e puxou a cadeira para que ela sentasse.
— Não conseguiu dormir também?
— Acordei cedo. Eu... tive um sono agitado.
— O que não é de admirar.
Quando se sentou, uma das criadas, chamada Momo, adiantou-se para lhe servir o chá. Amu percebeu um tremor intenso nas mãos da serviçal, o que fez o bico do bule de chá bater contra a xícara. E quando ergueu o olhar para fitar a face de Momo, percebeu a palidez e a expressão assustada nos olhos dela.
— Momo, você está bem? — indagou, preocupada
A criada engoliu em seco e voltou o olhar para o criado que servia a Ikuto.
— Sim, milady.
A jovem parecia tão nervosa que Amu resolveu não pressioná-la. Sequer seria necessário. Não era de se estranhar que alguém estivesse amedrontado em uma casa em que ocorrera um assassinato.
Momo serviu o chá a Ikuto também e colocou o bule no aparador com as costas voltadas para a porta. Naquele instante, o mordomo entrou no aposento da maneira silenciosa como sempre fazia, dirigindo-se ao aparador por trás de Momo. Quando a criada se virou, quase bateu com ele e soltou um grito, deixando cair o prato que tinha nas mãos.
— Menina estanha! — exclamou Rinji . — Volte para cozinha. Agora!
— Des... Desculpe-me, senhor — desculpou-se a criada, disparando pela porta chorando.
O criado apressou-se em limpar os cacos e o mordomo se voltou aos patrões.
— Peço-lhe desculpas, milorde. — E dirigindo-se a Amu. — Milady. A criada esta assustada.
— É compreensível — falou Ikuto. -Não se preocupe com isso.
— Vou providenciar outro prato imediatamente.
Rinji fez uma mesura e deixou a sala, fechando a porta atrás de si.
Ikuto deixou escapar um profundo suspiro, pousando a faca e o garfo.
— Estou sem apetite esta manhã.
— Ficou acordado até tarde tratando do...? — Amu se interrompeu, incapaz de falar delicadamente sobre o assunto.
— Corpo? — completou Ikuto, de modo direto. — Sim. Fiquei acordado até que eles partissem. E certifiquei-me de trancar a porta pessoalmente para evitar que alguém entrasse lá. — E, fazendo uma careta: — Claro que sou o principal suspeito.
— Ikuto... não.
Ele a fitou por alguns instantes.
— Não contou a verdade ao Juiz sobre ontem à noite. Disse que eu estive com você a noite toda depois que deixamos o salão de baile. Mas ficamos cerca uma hora separados.
— Eu sei — retrucou Amu em tom calmo. — Ouvi quando saiu de seu quarto.
— E por que não lhe contou isso?
— Sei que não matou Tadase. E não poderia deixar que Yukari dissesse que você o fez.
— Acredita demais em mim. Fiz muitas coisas desprezíveis em minha vida e odiava Tadase. Como pode ter tanta certeza que não o golpeei na cabeça?
— Eu o conheço — afirmou ela, de maneira direta. — Imagino que não tenha vivido de modo exemplar. Talvez tenha feito coisas que não eram exatamente... certas. Mas sei que não é um covarde. Se tivesse matado Tadase, seria por uma séria razão e no calor da raiva, em luta face a face, como ontem na pista de dança. Jamais o atacaria daquela forma covarde, pelas costas com um atiçador. — Em um gesto inconsciente, ela esticou o braço e tomou nas suas as mãos do marido, o olhando os olhos. — Estou enganada?
Ikuto a encarou por um longo instante e ela percebeu uma discreta mudança na expressão dele. Um relaxamento e afetuosidade, enquanto os dedos longos se enrascavam nos dela. Em seguida, levou a mão delicada aos lábios.
— Sou grato por ter me dado a honra de ter se tornado minha esposa — declarou.
Amu sorriu, maravilhada.
— Não mais que eu.
— Tem razão, claro — concordou Ikuto, soltando-lhe a mão e se reclinando na cadeira. — Não matei Tadase. E não sou o maior suspeito do juiz, ele acha que foi Hirako.
— O ferreiro? — Ikuto corcondou.
— O homem tinha muito ódio em relação a Tadase. Surrou-o semana passada e teve oportunidade. Afinal, era um dos convidados.
— Mas isso é algo muito vago. Por que o mataria tanto tempo depois e não quando o descobriu assediando a esposa?
— Não sei. Não estou convencido de que foi ele. Mas é possível que Tadase tenha se passado da própria estupidez e voltado a assediar a esposa de Hirako ontem à noite. Após o assassinato, quando conversei com os criados, dois deles o viram misturado aos inquilinos.
— Mas ele foi morto dentro da casa.
— Teria sido fácil para alguém segui-lo. Aquela sala não é distante da entrada lateral. Não podemos descartar Hirako. — Ikuto fez uma pausa para tomar fôlego. — Mas, como disse, não me sinto a vontade a culpá-lo. Acho que é honesto e justo... não do tipo, como você afirmou sobre mim, que golpearia um homem pelas costas. Mas, tenho medo que o juiz foque toda a atenção nele. Seria mais fácil para eles condenar um homem comum do que um cavalheiro de grande influência.
— Ou uma dama de grande influência.
— Tem razão — concordou Ikuto, concordando com um gesto de cabeça. — Estou certo de que um bom número de mulheres teria prazer em ter feito aquilo com ele.
— Não podemos deixar que coloquem a culpa em Hirako se ele for inocente. E não posso deixar de me preocupar com o fato de Yukari querer convencê-los de que você foi o responsável. Deveríamos investigar por nossa conta.
— Não pretendo deixar a tarefa apenas com o juiz e o médico-legista — afirmou Ikuto, firme. -Vou investigar pessoalmente. No entanto, eu...
— O problema... — interrompeu Amu. Suspeitava de que Ikuto iria lhe dizer para que ficasse fora da investigação e não pretendia ser excluída. — É que há poucas pessoas as quais podemos descartar. Tadase fez inimigos por todos os lugares.
— Isso é verdade — concordou o marido.
— O amigo dele, o Sr. Hisagi. Eu vi discutindo com Tadase na noite passada, quando estava dançando. Não acho que tenha vindo até aqui apenas para visitar um amigo. Tadase ficou surpreso com a presença dele e não muito feliz em vê-lo. Acho que talvez lhe devesse dinheiro. Também escutei uma conversa entre Sir Kukai e Tadase um dia. Tadase pedia dinheiro emprestado e o Sir. Kukai deixou escapar que Tadase devia a muitas pessoas.
— Mas se Tadase lhe devia dinheiro não faz sentido o Sr. Hisagi ter matado ele. Dessa forma, nunca teria a quantia emprestada.
— É verdade. Mas, ele estava furioso com Tadase na noite anterior. — E depois há Sir Kukai.
— O cunhado? — perguntou Ikuto, levantando a sobrancelha. — Ele parecia não gostar de Tadase, mas não o suficiente para matá-lo.
Amu deu de ombros.
— Não sei. Quando vi Sir Kukai e Tadase discutindo naquele dia, o marido de Utau parecia bastante irritado com ele. Pelo que pude entender, emprestou muito dinheiro a Tadase e não a recebeu de volta.
— Não me parece motivo para um assassinato. Bastava não lhe emprestar mais nada.
— A raiva de Sir Kukai não se limitava ao empréstimo. Ele o acusou de ser responsável por envolver Utau com o mundo do jogo. Pelo que parece Utau perdeu muito dinheiro nos jogos. E por isso vieram para cá em vez de permanecerem em Londres para a temporada.
— Ah, então foi isso — começou Ikuto, meneando a cabeça. — Utau não parece do tipo que se enfia no campo quando pode estar freqüentando os bailes da corte.
— Não. Eu me atreveria jurar que ela odeia estar aqui e que culpa Tadase por isso.
— O irmão parecia estar sempre fazendo algum comentário que a desagradava — acrescentou Ikuto.
— Sim. Achava isso estranho. O que ele dizia, embora nos parecesse sem sentido, resultava olhares furiosos da parte dela.
— É certo — especulou Ikuto. — Que a pessoa que mais tinha motivos para querer se ver livre de Tadase seria a esposa.
— Yaya? — indagou Amu, surpresa. — Mas ela é tão pequena e... bem, tímida.
— Sir Kukai e Utau não tinham de conviver com Tadase. Se ele os incomodava tanto, porque simplesmente não partiriam? Yaya estava amarrada a ele. Estou certo de que há muito percebeu o erro que cometeu em ter aceitado se unir a Tadase. Amu pressionou os lábios, pensativa.
— Sim. Ela teria motivos mais graves para querer se livrar dele. Deveria ser terrível conviver com um homem como aquele. — Fez uma pausa, recordando as marcas que vira no braço de Yaya no dia em que a jovem a ajudava com os convites do casamento. — Acho que talvez a ferisse... fisicamente, quero dizer. Um dia percebi hematomas em volta de seu braço, como se alguém mais forte a tivesse apertado. Sem contar com o fato de que ela deveria se deparar a toda hora com as notícias das traições de Tadase aos votos que fizeram no casamento. O marido não deixava as outras mulheres em paz e naquele dia, durante o almoço...
— Sim. Ficou clara a infidelidade de Tadase ao assediar a esposa do ferreiro. Não havia como ela ignorar o fato — afirmou Ikuto. — E quanto a ela ser pequena e tímida... bem, ele foi atingido pelas costas com um atiçador, o que apaga a diferença de força entre eles...
— Não podemos esquecer a possibilidade de ter sido uma mulher — concordou Amu. — Veja o que descobri ontem à noite no chão da sala em que ele foi morto, apenas a alguns centímetros do corpo.
Ela enfiou a mão no bolso da saia e de lá retirou o rubi, esticando a palma da mão em direção ao marido. Ikuto ergueu as sobrancelhas.
— O que é isso? — Pegou a pedra e a segurou contra a luz. — Um rubi?
— Sim. Vi quando segurou a lamparina sobre o corpo de Tadase. O reflexo chamou minha atenção. Estava próximo da estante, perto do pé de Tadase. E se Pertencer ao assassino?
Ikuto estudou a pedra, pensativo.
— Pode ser, claro. Aquela sala é pouco utilizada e se tivesse caído do ornamento de alguém no passado, alguma criada o teria encontrado enquanto limpava o aposento.
— É uma possibilidade. Infelizmente não é grande. Poderia ter passado despercebido. Só o notei porque você moveu a lamparina.
Ikuto voltou o olhar para a esposa.
— Contou a alguém sobre isso?
— Não. Fiquei calada quando o encontrei. Temi que, se fizesse alarde, daria ao assassino...
— A chance de se livrar da peça de onde o rubi se desprendeu — concluiu Ikuto. — Está com toda razão. Não é uma prova conclusiva, claro, mas talvez nos dê uma idéia mais clara de quem cometeu o crime. – Parou, pensando antes de continuar: — Mesmo que isto pertença ao criminoso, não significa que seja necessariamente uma mulher. Essa pedra preciosa pode ter caído de um botão.
Amu anuiu com um gesto de cabeça.
— Gostaria de lembrar o que cada convidado estava usando ontem à noite.
— Para mim seria um esforço inútil. Só consigo me recordar de como estava bela. — Ele se calou e, para surpresa de Amu, a face bronzeada parecia um tanto rubra. Em seguida, Ikuto levantou-se rapidamente e se encaminhou ao aparador para encher a xícara de chá. Deixou-se ficar lá por alguns instantes, com o olhar baixo, e depois girou, ficando de frente para a esposa.
— Devo desculpas — declarou, tenso, sem olhar-la. — Pelo meu comportamento de ontem à noite. Eu... bem, não tenho desculpas para justificá-lo a não ser pelo fato de ter bebido.
Levou alguns instantes para Amu perceber ao que ele estava se referindo. Quando percebeu que o comportamento em questão foi o modo como a tomara nos braços e a beijara com ousadia, morreu. O que ela havia achado tão prazeroso era motivo de arrependimento para o marido.
— Compreendo — replicou ela, desanimada. Ikuto sentia remorso por tê-la beijado. Preferia ter permanecido em seu quarto e não haver sucumbido à paixão. Não fizera nada daquilo por causa dela e sim pelo efeito do álcool? Sentiu vontade de chorar ao simples pensamento.
— Não deveria ter me imposto a você daquela forma — continuou Ikuto.
— Não foi...
— Não! — interrompeu ele, meneando a cabeça em negativa. — Não tente desculpar-me. Estabelecemos limites no nosso casamento e eu os ultrapassei. Espero que me perdoe e isso não acontecerá outra vez.
Amu baixou o olhar, sentindo-se embaraçada. Imaginou se o marido não teria achado seu comportamento inadequado também, já que reagira com igual intensidade. Talvez não tivesse agido como Ikuto desejava que uma esposa se comportasse.
— Aceito seu pedido de desculpas — retrucou ela, por fim.
— E muito generoso de sua parte.
Ikuto se deteve junto ao aparador por algum tempo. Amu sentia-se incapaz de encará-lo, tentando ao máximo as emoções que a agitavam se refletissem no seu semblante— Por fim, ele se caminhou até a porta e a abriu.
A princípio, Amu pensou que ele pretendia sair, porém o marido voltou para a mesa e se sentou. Ela remexeu a comida que se encontrava no prato, sem apetite para continuar a refeição. Largou o garfo e ergueu o olhar, mantendo a expressão o mais neutra possível.
Ikuto a observava pouco à vontade. Imaginou se o marido temia que ela fizesse alguma cena. Pensando assim, dirigiu-lhe um sorriso luminoso, pretendendo desculpar-se e sair.
Naquele instante, ouviram passos no corredor e Hisagi Shuuhei entrou a sala. Ikuto olhou de imediato à esposa e ela lhe adivinhou o pensamento. O primeiro suspeito de ambos estava ali, e Ikuto pretendia arrancar-lhe o máximo possível de informações.
Amu desistiu do desejo de deixar a sala no mesmo instante. Podia não ser esposa de Ikuto no sentido literal da palavra, mas ao menos no que dizia respeito ao assassinato unir-se-ia a ele. Pretendia ajudá-lo a descobrir o criminoso.
— Ah, Sr. Hisagi — começou Ikuto de maneira gentil, erguendo-se e dirigindo-se ao aparador para encher uma xícara de chá para o convidado. — Estamos nos servindo esta manhã. Espero que não se incomode.
— Claro que não — concordou Hisagi, simpático.
— Dormiu bem, Sr. Hisagi? — indagou Amu.
— Tanto quanto possível, suponho — respondeu o homem, enquanto se sentava. Em seguida, bebeu um gole da bebida quente e pousou a xícara. — Ouviu alguma coisa em relação às suspeitas dos agentes da lei?
— Não muito — retrucou Ikuto. — Lady Tsukiyomi e e eu estávamos discutindo isso. Tem idéia de quem poderia ser?
Hisagi deu de ombros.
— Acho que será difícil encontrar alguém que não desejasse a morte de Tadase. — E, encarando Ikuto com olhar desafiador: — O mais difícil, sem dúvida, será colocar como suspeito somente uma pessoa.
Notas finais
Foram diferentes opiniões sobre o assassino de Tadase..., mas ainda não irei dar nenhuma dica sobre isso :D
Deixem reviews e nos vemos no próximo capítulo.
Beijos, Lady.
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