Os dias se passaram tão rápido depois da dose de coragem que a castanha tomou, mas logo após a adrenalina passar, ela surtou e muito. Surtos e surtos.

Se arrependimento matasse, Ochako já estaria a sete palmos da terra. Se perguntava onde estava com a cabeça quando foi convidar Bakugou para sair, maldita hora em que foi dar ouvidos a Midoriya.

— Deixa de ser boba — a castanha imitava a voz do amigo — Você vai arrasar — revirou os olhos.

A pior parte não foi chamá-lo para sair e sim onde levá-lo, ela não poderia simplesmente levar o esquentadinho em um parque de diversões, ele odiaria isso. A segunda opção seria ir ao cinema e assistir algum filme, mas nenhum dos que estavam em cartazes agradaria ele e sinceramente, nem ela.

Dessa vez, ela não pediu ajuda a Mina e nenhuma outra das meninas, resolveu confiar em si mesma. Se olhou no espelho mais uma vez e sorriu confiante, se não fosse pela blusa rosa, seu look ficaria todo gótico.

Olhou no relógio e já estava na hora de descer, como se fosse a primeira vez, as borboletas em seu estômago voavam abóbadas, as mãos suavam e as pernas bambearam.

O medo de decepcionar o loiro era grande, não queria magoá-lo. Antes de sair, recebeu uma mensagem de Izuku, ele desejava sorte e que torcia para tudo dar certo, estava sendo um amigo incrível.

Como da primeira vez, Katsuki estava esperando lá embaixo, ansioso e nervoso. Mas ao contrário da primeira vez, agora ele não tinha controle sobre a situação, não sabia onde ela pretendia levá-lo. Pela primeira vez, ele abriu mão do controle da situação por ela, só por ela.

Ela se aproximou do loiro com cautela — Oi — sorriu tímida — Está nervoso? — perguntou nervosa.

— Oi, bochechuda — respondeu com um sorriso — Um pouco — pegou em sua mão — Mas sinto que posso ir em qualquer lugar com você — depositou um beijo em sua testa.

— Espero que sim — sorriu — Vamos?

— Vamos — sorriu.

Uraraka estava maravilhada por esse novo lado de Bakugou, não parecia ser o mesmo menino raivoso que via durante as aulas e treinos. Ao lado dela, ele demonstrava ser diferente, tão carinhoso e atencioso ... Tão ele.

A castanha o guiou até uma arena, ele se questionava a onde estavam indo, mas não queria perguntar, iria confiar nela e torcer para dar certo.

A arena estava lotada, o centro todo iluminado e algumas pessoas andavam pela mesma, pode perceber alguns montes de areia, mas nada fazia sentido. O loiro analisava tudo, já estava desconfiando dela ter o levado para um rodeio.

"Achei que o meu encontro tinha sido péssimo, mas esse ... Porra Ochako, vai se foder"

Os pensamentos do garoto foram interrompidos quando as luzes se apagaram, todos na arena começaram a gritar e círculos de fogos se acenderam. Instintivamente, ele apertou Ochako contra seu corpo, sua mente tentava lhe acalmar, aquilo não era um ataque da Liga dos Vilões.

A castanha tentava ler as reações dele, Katsuki continuava com o olhar sério para o centro da arena e a apertando, agora se remoía por não ter contado onde iriam.

— Kats — o chamou tirando de seus devaneios — Está tudo bem — sorriu acalmando o garoto — Espero que você goste.

Nesse momento, motos começaram a entrar na arena e chamaram a atenção de Bakugou, fazendo-o ficar maravilhado com tudo — Porra, cara de lua — seu tom era de felicidade — Você me trouxe para um circuito de motos com fogo? — perguntou olhando-a.

— Espero que você goste — sorriu tímida — Eu gosto um pouco e sei lá, pensei que você pudesse gostar também — deu de ombros.

— É claro que eu gosto dessa merda — rapidamente selou seus lábios — Esse encontro vai ser foda — sorriu

A castanha sorriu tímida, estava feliz por ter acertado onde levar o garoto. A cada manobra realizada, o loiro comemorava e quando o motoqueiro passou pelo círculo de fogo, ele se levantou e começou a gritar, era uma visão satisfatória para ela.

O brilho nos olhos do garoto durou do começo ao fim do show, ele estava empolgado e a castanha se sentia realizada. Ochako sempre gostou de show de motos, seu pai e ela sempre iam quando possível, porém, infelizmente quando se mudou para U.A, não encontrou ninguém que gostasse e era desanimador ir sozinha.

Porém, ao seus olhos, tudo mudaria agora com a entrada de Katsuki em sua vida, quer dizer, quase entrada. Eles não tinham nada sério — ainda — ela torcia muito para que a situação mudasse logo, não aguentava mais esconder ... Claro que algumas amigas e Deku sabiam da relação, mas ela não queria mais ter que soltar a mão dele quando alguém estivesse vindo e nem beijá-lo escondido .. Só queria poder assumir algo.

Seus olhos se espreitaram a ele, a beleza dele é algo surreal, até o modo em que seus cabelos ficam espetados, mas o sorriso ... que sorriso! Aquele sorriso arrancava o ar de qualquer pessoa, talvez fosse esse o verdadeiro motivo dele não mostrá-lo tanto.

O olhar dele se chocou com o dela fazendo com que um rubor surgisse em seu rosto, agradecia por sua individualidade não ser ler mentes, mas se bem que com ela, não precisaria disso.

— Um mochi por pensamento — sorriu desafiando-a — Onde vamos agora?

— Que tal naquela lanchonete que fomos daquela vez? — perguntou sorrindo — Eu estou morrendo de fome.

— Adorei a ideia — sorriu e a puxou fazendo com que ela se levantasse — A noite está muito agradável.

— Você está gostando? — perguntou curiosa.

— Fala sério cara de lua, quem não gostaria? — ficou surpreso, será que estava demonstrando que não estava gostando? — Com certeza você me levou a um lugar muito melhor do que eu te levei, nem sabia que você curtia isso — sorriu.

— Eu e meu pai sempre íamos em circuitos assim — falar aquilo a deixou um pouco triste, estava com saudades de casa — Fazia muito tempo que não vinha, não achava ninguém que gostasse ... Mas agora encontrei você, então espero que você comece a vir comigo — fez um olhar de cachorro que caiu da mudança.

— Não faz essa cara não, bochechas — fingiu estar bravo — Tsc, como se você precisasse pedir né — a apertou — Vamos vir sempre que você quiser — beijou sua testa.

Ochako não estava muito diferente dos outros dias, continuava a tagarelar sem parar, mas a cada dia de convivência com o loiro, a intimidade aumentava e ela se abria mais ainda. Com Bakugou não era diferente, queria isso, queria essa liberdade, queria mostrar a ela um lado que ninguém conhecia.

Bakugou era extremamente cortês com ela, abriu a porta para ela entrar na lanchonete e até esticou o braço para a castanha se sentar na cadeira, já que não tinha como puxar a mesa.

— Obrigada — murmurou tímida — Que tal um x-tudo e um milkshake? — perguntou com água na boca.

— Milkshake? — perguntou curioso — Não prefere um refrigerante?

— Milkshake de chocolate — disse empolgada — Para molhar a batata frita — seus olhos brilharam.

— Fala sério, cara de lua — se espantou — Isso é muito estranho — fez uma careta — Mas é simplesmente você, não esperava menos. A garota sorriu envergonhada, nunca pensou que Katsuki iria falar isso, afinal ela só estava sendo ela.

A garçonete rapidamente anotou os pedidos e se retirou, ele lançava seu olhar sobre ela — É Ochako — ele a chamou novamente — Como foi seu dia? — não sabia o real motivo de perguntar aquilo.

— Huum — murmurou — Foi... normal ... Sem treinamentos e ninguém aparecendo — deu de ombros — Um dia comum — sorriu — E o seu?

— Foi tedioso ... Quase não te vi — deu de ombros.

— Ah — sorriu sem graça — Você consegue me deixar sem jeito...

A garçonete interrompeu o clima colocando os pedidos na mesa — Aqui estão os lanches e um milkshake para a senhorita — disse gentilmente — Aproveitem — sorriu e se retirou da mesa.

Ochako instantaneamente molhou a batata frita no milkshake e levou a boca — Isso é a melhor coisa do mundo — fez cara de aprovação para o loiro que torceu o nariz — Experimenta — colocou uma na boca dele antes mesmo de responder — O que achou? — perguntou animada.

— Primeiro, que você tem que parar com essa mania de enfiar as coisas na minha boca — disse bravo — Segundo, até que não é ruim não, mas continua sendo esquisito.

— Eu falei que você iria gostar — disse sorrindo.

Durante a refeição eles conversaram um pouco sobre tudo, a castanha contou para o loiro que estava tendo um melhor desempenho em condicionamento físico e que logo logo poderia partir para cima dele, claro que ele respondeu que mal esperava a hora disso acontecer. Antes deles deixarem o lugar, a garçonete os chamou.

— Um mimo para esse casal lindo — entregou um mochi a castanha — Vocês formam um belo casal — sorriu — Espero que tenham gostado.

— Adoramos — o loiro foi gentil, gostou do que ouviu — Até a próxima — passou a mão pela cintura de Uraraka e a trouxe mais próximo.

— Até — a castanha sorriu se despedindo.

Ela estava com vergonha, gostou do que ouviu e desejou com todas as forças que virasse realidade, mas sabia que isso não estava nos planos do loiro.

— Eu acho — ele chamou sua atenção — Que a garçonete tem razão.

— Em que? — perguntou confusa.

— Em sermos um belo casal — deu de ombros — Sua cara redonda combina com a minha e você tem o tamanho ideal pra mim — a olhou nos olhos.

— Kats — ela tentou falar, mas ele colocou o dedo indicador em seus lábios como um sinal para ficar calada.

— Não me interrompa, bochechuda — ela concordou com a cabeça — Eu to cansado dessa merda de pique esconde, não quero escondendo mais isso que temos, já estamos a dois meses nessa enrolação — suspirou — Eu sei que não era essa a intenção no começo, mas eu acabei me envolvendo demais nesse lance todo e tudo o que consigo pensar o dia inteiro é quando vou ver sua maldita cara redonda ... Tenho vontade de explodir cada imbecil que chega perto de você e eu me seguro muito para não fazer isso — olhou para as mãos nervoso — Fico me perguntando que feitiço você lançou em mim, maldita — ficou a olhando — Agora é sua vez de falar ou sair correndo.

— Caralho! — arrancou um sorriso dele — Você é imprevisível, Katsuki Bakugou!

— Eu sei — disse convencido — Pior que eu não planejei essa merda toda, só falei o que deu na telha — deu de ombros.

— Eu não sei muito o que dizer depois disso tudo — olhou nervosa para as mãos — Mas sei muito bem o que eu sinto por você, faz alguns dias que venho querendo ser mais do que sua amiga e não nego que tentei reprimir isso, tive medo de ser rejeitada por você — levantou o olhar até ele — Eu também estou cansada desse pique esconde, não sei se aguento ficar muito longe de você — sorriu.

— Não precisa ficar, pode grudar em mim igual carrapato — a puxou para perto — Você se encaixa perfeitamente em mim — depositou um beijo em sua testa.

A castanha o abraçou e encostou a cabeça em seu peito, podia ouvir seus corações baterem acelerados, sorriu ao se lembrar que ela era o motivo daquilo — Kats — olhou para ele — Você ainda não fez nenhum pedido formal — riu tímida.

— Tsc — fingiu resmungar — Ochako, cara redonda, bochechas, meu mochi, você quer namorar comigo? — tentou disfarçar, mas era a primeira vez que fazia o pedido a alguém, não era qualquer outra pessoa com quem ele ficará, era ela.

— Huuum, deixa eu pensar — colocou o dedo indicador no queixo — Eu aceito, foguetinho — sorriu e o beijou.

— Agora eu posso explodir qualquer um que chegue perto de você, principalmente o Tamaki — sorriu vitorioso.

— Não vai explodir ninguém, sem ciúmes possessivo — disse brava — Você precisa acalmar seus ânimos, te prometo minha lealdade, não vai ser necessário isso — acariciou seu rosto.

— Tsc .... Pelo menos o Mineta

— A ele pode — os dois riram — Vamos, namorado? — perguntou sorrindo.

— Vamos — colocou seu braço sobre o ombro dela.

Os dois estavam na lua, a felicidade era nítida em seu rosto, Katsuki nunca pensou que namoraria tão cedo, mas lá estava Ochako, o contrariando em tudo. Uma menina tão doce e delicada, ela era como um calmante para ele, bastava apenas sentir seu cheiro que ele se acalmava, o toque dela relaxava todos os seus músculos e o olhar... a olhar!

— Cara de lua — a chamou antes dela entrar no elevador.

— Oi — sorriu tímida, ainda não tinha pensando em nenhum apelido para ele.

— Te vejo amanhã cedo — a beijou.

— Tchau — disse entorpecida pelo beijo.

O elevador se fechou e o Uraraka se apoiou na parte de trás, aquilo realmente estava acontecendo? Não era um sonho que ela iria despertar daqui a pouco? Se beliscou rapidamente e teve a prova que não, ela realmente estava namorando com Katsuki Bakugou.

Ele pensava a mesma coisa, finalmente o destino estava lhe ajudando, nunca pensou que um cara tão fodido como ele poderia ser digno disso, um sentimento tão puro e tão bom. O loiro iria proteger isso custe o que custar, precisava conversar urgentemente com Denki, que se foda aquela aposta, ele estava namorando com ela por que realmente gosta da castanha.

Resolveria isso amanhã, iria se dar o prazer de ficar na lua mais alguns instantes e adormecer com belos pensamentos.