Amor e Ódio
19 Revelação
Depois daquela noite de sono muito bem dormida, Ochako ainda não acreditava no que tinha acontecido, o cara mais explosivo da escola a pediu em namoro. Como isso poderia ser possível? Ela toda baixinha, sem um corpo padrão e com um gosto um tanto esquisito — como ele mesmo diria — iria chamar a atenção de um cara como ele? Isso só poderia ser um sonho.
— Afinal, ele é o Katsuki Bakugou e eu ... Bem, eu sou eu — disse para si mesma.
Uma dose de insegurança passou pela sua cabeça, será que Bakugou realmente gostava dela? Ele poderia ter qualquer uma aos seus pés, mas optou por ela ... Desde quando as coisas começaram a mudar para melhor? Desde quando ela teve sorte em algo?
Ela queria contar para as suas amigas, mas sabia que nem todas aprovariam essa relação e isso a desanimou, Ochako sempre esteve ali por elas, será que elas poderiam estar ali uma vez para ela?
Inflou o ar para os seus pulmões e expirou. Estava decidida, iria contar a elas, queira bem ou mal. Sabia que não era uma boa ideia contar antes da aula começar.
Ao contrário dos outros dias, ela se permitiu pular o treino matinal e ir direto para o café da manhã e em seguida para a aula. Lembrava que Katsuki falava de se encontrarem, mas não sabia ao certo onde e nem quando, então apenas seguiria o cronograma normal dela.
O loiro também não conseguia esconder a felicidade que sentia, aquela maldita cara de lua realmente mexia com ele. Tinha vontade de estar com ela o tempo inteiro, falar com ela até sobre as coisas mais bobas do mundo ... Aah, como é bom estar apaixonado!
Retornou do seu treino no horário de sempre e fez suas higienes matinais, andou até a cozinha e vagou seu olhar pela mesma, mas foi em vão, a dona de seu coração não se encontrava ali.
Uma pontinha de ciúmes surgiu, será que ela estava com o Deku de merda? Ou só estava com as amigas? Não queria ser possessivo, mas porra, ele nunca gostou de alguém como estava gostando dela, nem sabia como agir sem parecer um idiota.
Idiota.
Se lembrou de uma certa aposta, precisava encontrar o inútil do amigo antes que essa merda viesse à tona, ele não precisava de uma aposta para começar a namorar com Uraraka, ela já tinha o conquistado muito antes disso.
Meticulosamente se sentou ao lado de Denki durante o café da manhã, conferiu mais uma vez a ausência da castanha no ambiente e se sentiu à vontade para falar.
— Pikachu – ele o chamou.
— Bom dia, BakuBro — sorriu animado — Como foi o encontro ontem?
— Não te interessa — tentou manter a calma — Precisamos conversar sobre a aposta.
— Pega leve, Bro, ainda está muito cedo para levar patadas — fingiu estar ofendido — Precisa de ajuda? — sorriu, provocando.
— Preciso que você esqueça essa bosta — o olhou — Quero cancelar essa maldita aposta.
— Ué — o loiro coçou o queixo — Por que?
— Não te interessa — deu de ombros — Esqueça essa porra, te dou um jogo de Xbox como prêmio, mas você não pode abrir a boca sobre isso — o olhou sério — Pare ninguém e nunca.
— Bro, eu até posso fazer isso, mas tenho o direito de saber o motivo — retribuiu o olhar sério — Você goste ou não.
— Tsc — não teria como fugir — Eu me apaixonei pela Uraraka muito antes dessa maldita aposta — como estava sendo difícil falar de seus sentimentos ali e principalmente para um idiota — Eu e ela já estávamos ficando, a aposta só incentivou mais ainda — nesse momento ele viu o sorriso de vitorioso do amigo e entendeu tudo — Seu merda, você planejou tudo isso? — o loiro de alterou.
— Bro, calma — pediu — Deu tudo certo no fim, não é mesmo? — Denki tentava contornar a situação — Eu já tinha sacado tudo, você só precisava de um empurrãozinho e voilà — gesticulou com as mãos — Serei padrinho do casamento.
— Seu, seu ... IDIOTA! — o explosivo estava puto, como a onda elétrica teve audácia de fazer isso? — MORRA! — gerou uma explosão com a mão, mas não teve tempo de lançar.
— Bakugou?
Ele ouviu a voz doce da amada o chamando, somente ela para o acalmar e impedi-lo de explodir alguém.
— Bakugou — chamou novamente — Pare com isso, está muito cedo para explodir alguém!
— Ochako, ele provocou — parecia uma criança tentando se explicar — Aliás, bom dia — se aproximou e depositou um beijo em seus lábios — Meu mochi — colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
Naquele momento, todos que estavam presentes na sala olharam para eles, como assim Katsuki Bakugou é capaz de demonstrar afetividade a alguém? Bakugou e Uraraka realmente trocaram carinho na frente de todos?
Kirishima foi o primeiro a se pronunciar — Casalzão da porra — não tinha melhor maneira de quebrar o clima.
Uraraka permanecia estática, com certeza sairia correndo dali, mas Katsuki a segurava pela cintura impedindo sua fuga. Ao contrário dela, o loiro estava conseguindo esconder sua vergonha e sabia que precisava lidar com a situação — Eai seus merdas, nunca beijaram ninguém não? Vão ficar encarando até eu explodir cada um? — pronto, era só ameaçar que tudo voltava ao normal, apesar de alguns ousados ainda olharem.
— Calma, Kats — ela sussurrou em seu ouvido — Vamos para a aula? — sorriu.
Maldito sorriso.
— Você já tomou café? Não pode pular essa refeição — lá estava ele demonstrando seu lado cuidadoso.
— Já tomei, meu amor — pode notar o rosto do loiro coroando — Já estava indo para a aula, mas tive que voltar por conta que esqueci meu caderno.
— Você é sempre avoada assim — sorriu — Vamos? — pegou sua mão.
— Vamos.
Era nítido como Bakugou agia diferente com Ochako, a forma como tratava ela com carinho e até mesmo com o apelido. O apelido que deu a ela não era ofensivo e sempre evitou xingar a garota, podia contar nos dedos quantas vezes a mandou calar a boca ou ir a merda. Ela não ligava para aquilo, aquele era o jeito dele, mas sentia a diferença de tratamento, a castanha não pretendia mudar nada e muito menos pedir a ele para mudar.
— Todo mundo está nos olhando — disse baixinho enquanto eles caminhavam em direção a sala, seu rosto denunciava a vergonha que estava sentindo.
— É claro, com uma deusa grega feito você ao meu lado, quem não olharia? — disse sorrindo — Não ligue para isso, cara de lua.
— Meio difícil né? Nunca fui o centro das atenções, além do mais é um pouco estranho ver um cara como você com uma garota como eu — tentou esconder o tom de mágoa em sua voz.
— Você que nunca reparou, mas já ouvi vários comentários sobre você e toda vez queria explodir o filho da puta — ele contraiu sua mão, só de lembrar o calor subia — Você não deve se sentir inferior, Ura — parou em sua frente e ergueu a cabeça dela — Você é linda, eu gosto de você do jeito que você é, não mudaria nada — disse olhando em seus olhos — Muito cedo para ouvir eu te amo? — sorriu ao ver o rosto dela se iluminando.
— Você tem certeza disso?
— É claro, porra, eu lá tenho cara de não saber meus sentimentos? Não ia falar isso da boca para fora.
— É que sei lá — coçou a cabeça — É estranho ouvir isso de você — sorriu tímida.
— Uraraka, eu amo você porra e aceita isso — sorriu e a beijou.
— Eu também amo você, foguetinho.
— Agora vamos entrar logo, não quero me atrasar — a puxou pela mão — Você tem esse hábito, mas eu não, aliás, você vai entrar na linha namorando comigo — a olhou desafiando — Não aceito rendimentos baixos.
— Sim, senpai — sorriu provocando.
Durante a aula, era notável uns cochichos e encaradas, por mais que eles não estavam perto um do outro, eram o centro das atenções. Eles não tinham a intenção de ficar grudados o tempo inteiro, iriam agir normalmente. Mas assim que a aula encerrou, os amigos cercaram cada um deles.
— Ochako — Deku a chamou — Você vai almoçar com a gente? — perguntou receoso.
— Mas é claro, com quem mais eu iria almoçar? — perguntou sorrindo.
— Hã ... Com o seu namorado — Mina sugeriu.
— Ah, eu e ele vamos nos ver depois, agora é meu tempo com vocês — sorriu de lado — Não quero ser o tipo de amiga que começa a namorar e esquece dos amigos.
— Uraraka — Iida a chamou — Não sei se um namoro agora iria fazer bem a você, seu rendimento pode cair — advertiu a amiga — Você tem que focar no seu futuro.
Ele não queria ser chato, apenas se preocupava com ela e a castanha respeitava isso, afinal isso é ser amigo.
— Iida, fique tranquilo — sorriu — Bakugou e eu conversamos disso, não vamos deixar o rendimento cair, a meta é aumentar ele — respondeu pacientemente.
— Podemos conversar melhor no refeitório? Estou com fome — Mina reclamou
Bakugo observava de longe a castanha saindo com os amigos enquanto Kirishima o enchia de perguntas.
— Não acredito que você realmente conquistou a Uraraka, como conseguiu isso? Foi tão másculo.
— Ela que me conquistou primeiro, eu só caí feito um patinho na conversa dela — deu de ombros.
— Másculo — o ruivo colocou a mão no queixo, demonstrando estar pensando em algo — Bro, mas e a aposta?
— Cala a boca, cabelo de merda — o cutucou — Já foi resolvido, não é Denki? — lançou um olhar ameaçador ao loiro.
— É c-claro — sorriu nervoso — Tudo resolvido — balançou a cabeça concordando.
— Bro — o ruivo tentava manter a calma — Você não acha melhor contar a verdade a Uraraka? Tipo uma hora isso vai estourar ..— tentou alertar o amigo.
— Só vai estourar se os idiotas darem com as línguas nos dentes — respondeu nervoso — E acho bom não fazerem isso, seria tentativa de suicídio.
— BakuBro, você tem certeza disso? — o ruivo sabia que isso era uma péssima ideia — Pensa em como pode ser ruim ela descobrir depois, ela vai se sentir usada ... — o olhava.
Katsuki suspirou, realmente fazia sentido aquilo, mas não poderia colocar tudo em risco agora — Eu cometi alguns erros e fiz escolhas ruins, mas a vida parece estar me dando uma segunda chance — passou a mão pelos cabelos — Você sabe como isso é difícil de acontecer para um cara como eu ... Você me conhece mais do que ninguém — olhava cabisbaixo para o amigo.
— Bakugo — o amigo suspirou — Eu espero que realmente tudo dei certo — deu um tapinha em seu ombro.
— Beleza, mas podemos ir comer? — Denki perguntou cortando o clima — Eu sei que tá meio tenso, porém estou morrendo de fome.
Katsuki sorriu, sabia que Kirishima estava certo, mas sabia que Ochako iria ficar magoada com aquilo, por hora seria melhor manter em segredo mesmo.
Os três caminharam brincando entre si até o refeitório, ao entrar, o loiro fez uma varredura à procura de sua namorada e a encontrou rindo com os amigos. Ele amava isso, a ver descontraída e se divertindo, ele amava ouvir sua risada.
— Quem sabe você não aprende a ser gentil com a Uraraka — Kirishima o provocou.
— Cala a boca, cabelo de merda.
"Há tantas coisas que eu quero aprender com ela"
— É mais fácil ele corromper a menina — dessa vez foi Denki quem falou — Ochako vai começar a falar palavrão e ficar cascuda — riu.
— Te dou até três para calar essa maldita boca ou eu te explodo aqui mesmo — ele ficou irritado, será que isso seria possível? E se todos pensassem assim? E se a popularidade dela caísse? Como ela iria conseguir um estágio bom? Agora ficaria se remoendo.
— Nesse momento, eu acho mais fácil você explodir o Tamaki — o loiro ficou surpreso com a fala do amigo — Olha lá ele de conversinha com a Uraraka.
Katsuki levou seu olhar até a namorada, mais uma vez aquele maldito estava de conversinha com ela, puta merda! Involuntariamente, o loiro se levantou e caminhou até a mesa da castanha, seu corpo estava tomado pelo ciúmes.
Chegando perto da mesa, pode perceber que a castanha estava incomodada com o garoto em sua frente — Ochako — ele a chamou, fazendo com que Tamaki notasse sua presença.
— Kats — ela sorriu — Senta aqui comigo — bateu a mão ao lugar vago ao seu lado — Tamaki, esse é o Bakugou, o meu namorado —sorriu e abraçou o braço dele.
— Eai — o loiro se limitou a responder apenas isso.
— Poxa, Uraraka me contou que tinha namorado, mas eu não coloquei muita fé, sabe como é né? — o jovem comentou de uma maneira desleixada.
— Não, eu não sei — respondeu ríspido — Agora você vai deixar a minha namorada em paz ou eu vou ter que te explodir? — o garoto já cheirava a nitroglicerina.
— Ei, calma — a castanha interviu — Tamaki já está de saída e nós também — puxou o loiro pela mão — Tchau, Tamaki.
— Aquele orelha de fada — o loiro resmungou — Você deveria ter me deixado explodir ele.
— Você não vai explodir ninguém, tem que aprender a controlar isso — a castanha ainda o guiava até o terraço.
— Pois deveria, o cara foi um babaca — ele tentava se justificar — Você já tinha falado não, mas o maldito não entende a porra do não.
— Se ele não entendesse, eu saberia me defender — sorriu para ele — Você tem que aprender a confiar mais.
— Não é que eu não confie em você, eu não gosto de ver esse inúteis te atormentando — cruzou os braços bravo.
— Bom, se continuarem me atormentando, aí você entra na parada — sorriu e o abraçou — Temos pouco tempo, que tal aproveitar? — perguntou o olhando de baixo.
— Tsc.
Os dois continuaram ali curtindo o momento, o terraço virou o ponto de encontro para os dois, foi ali que tudo começou. Ochako tinha um efeito muito grande sobre o loiro, apenas um único toque e ele se acalmava completamente.
O resto do dia foi cheio de provocações por parte dos amigos, principalmente quando deu o horário dos dois treinaram. Porém, Katsuki cumpriu com o prometido, durante o treinamento não existia "relacionamento", somente um oponente à sua frente.
Ochako estava feliz, o loiro a fazia feliz. Todo mundo percebeu isso, até suas amigas, que a apoiaram e claro, ameaçaram o explosivo. Katsuki também estava feliz, não teria como estar, ele encontrou alguém que o amava do jeito que ele é, que aceita suas explosões e patadas, mas ao mesmo tempo tem audácia suficiente para retrucar e bater de frente.
Não tinha jeito, era ela. Ochako era dele e ele dela.
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