Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
18 Tensão na praça
Notas iniciais
... Ainda na praça...
Totalmente desconfortável diante daquela situação em que suas filhas a colocaram, Kate mordeu o canto inferior direito do seu lábio, demonstrando tal sentimento e, de cabeça levemente inclinada para o lado olhava fixamente para Richard, que, ao contrário dela, parecia estar se divertindo com o ‘pedido’ da filha, pois continuava com o mesmo sorriso cínico e estava com a mão esquerda estendida na direção de dela.
Na tentativa de se livrar do desconforto, Kate sugere – Queridas, a mamãe não precisa andar de mãos dadas com o papai. Nós já não estamos todos juntos?
— Precisa, sim, mamãe. – afirmou Annie — Vocês não estão dando as mãos para mim e para Bia? – indagou Annie, com a carinha de cachorrinho perdido na mudança.
Na tentativa de contestar, Kate argumentou — Mas aí é diferente, porque vocês são crianças... – mas foi interrompida por Annie.
— Nós somos crianças e vocês são namorados, mamãe, e namorados andam de mãos dadas e se beijam. – Annie falou com naturalidade.
— Eca! — Bia fez cara de nojo diante da menção ao beijo de namorados.
Kate engoliu em seco e, diante daquela colocação da filha, Kate deu graças a Deus de já ter dispensado Beth, pois não ia querer passar por aquilo na frente dela.
Kate e Richard admiraram a personalidade forte que Annie puxara deles, só que Kate, neste momento, não sabia se estava gostando tanto assim desta qualidade da filha, pois gelou ao simples fato da garota ter mencionado a palavra “beijo”, ao passo que Richard estava visivelmente se divertindo muito com a inflexibilidade da pequena.
“Quero ver agora como é que Kate vai se sair desta...”— Richard pensou e aproximou-se de Kate.
“Oh, meu Deus, onde é que eu estava com a cabeça quando, desde cedo estimulei estas meninas para nunca desistirem de seus sonhos e de que deviam correr atrás deles?”— pensava Kate.
— Vamos mamãe, pegue logo a mão do papai, porque eu e Annie queremos tomar sorvete – Bia falava com voz doce, pois estava encarando a situação com naturalidade.
Para piorar, Rick se dirige a Kate com um sorriso bem safadinho querendo tirar proveito da situação – É, Kate, vamos, nossas filhas querem tomar sorvete e não podemos deixa-las esperando, não é? Se demorarmos, vai escurecer. – concluiu sorrindo, arqueando as sobrancelhas.
Ao ouvirem o que o pai falou, as gêmeas, em êxtase, bateram palminhas e ficaram sorrindo, demonstrando que ficaram contentes com a interferência do pai.
— Êba, papai! – Annie estava radiante.
— É, mamãe, estamos esperando. – Bia falava alegre.
Irritada, Kate percebera que a cada segundo que passava, Rick ganhava mais pontos com as filhas, o que facilitaria e muito sua aceitação na vida delas.
Enviando para ele um olhar mortal e, com receio da situação ficar ainda mais constrangedora, Kate aceitou a mão estendia de Rick, e ele prontamente a apertou forte, como que para impedir que ela se soltasse e, em seguida, tomou a iniciativa de recomeçar a caminhada.
— Você me paga, Richard Alexander Rodgers – Kate falou bem baixinho, entredentes, de forma que somente ele pudesse ouvir.
Com o mesmo tom de voz, ele comentou – Estou ansioso para chegar este momento, ‘querida’. Mal posso esperar.
Alheia a situação pela qual que fizeram Kate passar, as meninas comemoravam.
— Ehhh! Ehhh! – comemorava Annie, que ao invés de andar normalmente como os pais e a irmã, locomovia-se dando pequenos saltinhos, típicos de meninas da sua idade quando estão felizes.
Com a mesma inocência de Annie, sem perceber a tensão que rolava entre seus pais, Bia falou — Eu quero uma taça de sorvete de morango com calda de morango e quero colocar por cima um monte de M&M’s e Kit Kat.
— Eu também quero colocar M&M’s e Kit Kat no meu sorvete, papai, só que eu quero sorvete com sabor de chiclete. – pediu Annie.
Quando Annie indica o sabor do seu sorvete, tanto Rick quanto Kate fizeram, simultaneamente, uma cara de enjoo.
Durante o percurso com as mãos dadas a Kate, Rick não perdeu a oportunidade de fazer carinho no dorso da mão dela, usando o polegar, o que causou um arrepio nela e, não querendo que ele percebesse que estava gostando do carinho, até mesmo porque ela própria se recusava a aceitar tal fato, ela deu um puxão na mão dele, significando que deveria parar com aquilo, o que não aconteceu. Sem conseguir se soltar, continuava andando de mãos dadas, recebendo carinhos dele.
No percurso, foram surpreendidos por um fotógrafo que ganhava a vida tirando fotos dos casais e das famílias que passeavam pelo parque. Kate não apreciou muito, ao contrário de Rick que fez as meninas e Kate se posicionarem de várias formas diferentes, todos sorrindo, sendo que ele e Kate, sempre juntos abraçados ou de mãos dadas e ao final disse ao rapaz que ele poderia entregar a fotografia na sorveteria e indicou qual seria a sorveteria.
— Não se preocupe Senhor, eu encontrarei você, sua esposa e suas filhas. — falou o fotografo informando ainda que as fotografias ficariam prontas muito rápido.
Sem deixar que Rick percebesse, Kate gostou de ouvir a frase do fotógrafo "você, sua esposa e suas filhas". Kate resolveu tiras estas ideias da cabeça... Isso só traria aflição. Chega de sofrimento.
Ao chegarem à sorveteria, a primeira coisa que fez foi libertar sua mão do Rick e ficou irritada consigo mesma por sentir um vazio com a afastamento das mãos dele.
De repente, Rick falou para as três – Que tal ao invés de tomarmos sorvete agora, deixássemos para tomar depois do jantar? Não podemos pular o jantar e ir direto para a sobremesa, não é isso? – sem esperar qualquer resposta ele continuou – Logo ali – apontou para a direita – tem um restaurante maravilhoso, onde servem comidas deliciosas e aí, depois, podemos voltar aqui e tomar sorvete ou se quiserem ou poderemos tomar o sorvete lá mesmo. O que é que você me dizem?
— Richard... eu... – Kate estava confusa, pois fora pega de surpresa. Aliás, aquele dia ela só teve surpresas, desde o início da manhã.
Annie ainda segurava sua mão e, a olhando com um beicinho lindo, cortando completamente seu coração, suplicava bem baixinho, sem chamar atenção das pessoas em volta. – Vamos, mamãe. Vamos.
— Mammy... ‘porfavorzinho’... – clamava Bia, da mesma maneira que a irmã tinha feito, baixinho e com o olhar meigo, o que terminou por desarmar Kate.
— Kate... – Richard já ia argumentar.
Kate olhou para as filhas, sorriu para elas, deu um beijinho na cabeça de cada uma delas e falou baixinho – Tá bom, vamos. Mas não se acostumem com essas mudanças de planos tão em cima da hora, entenderem, princesas? E parabéns por se comportarem bem, falando baixinho para a mamãe, para ninguém mais ouvir.
— Sim, mamãe – falaram as duas simultaneamente, fazendo os pais sorrirem.
Dirigindo-se para Rick, Kate disse somente para ele ouvir – Por hoje, tudo bem, Richard, mas eu não gosto de mudar a rotina delas, tampouco os horários de alimentação e de dormir, para que não se sintam cansadas no dia seguinte para irem à escola e amanhã ainda é sexta-feira, elas têm aula.
— Kate, mas elas só têm cinco anos, não haveria problema se elas faltassem um dia de aula para ficar comigo agora à noite e amanhã durante o dia. Aproveitar que eu estou aqui com elas.
Kate inclinou sua cabeça de lado, o olhou atravessada e falou – Você quer mermo ouvir o que eu vou dizer? – deu uma pausa e sussurrou – Mas mesmo sem querer você vai ouvir, Richard. Você perdeu cinco anos da vida delas por sua própria culpa e não venha me dizer que agora quer tirar o atraso, fazendo-as sair completamente da rotina, fazendo com que elas durmam tarde e não tenham condições de acordar cedo e percam aula no dia seguinte e pior ainda, faltar à aula para passar o dia brincando e passeando com você.
— Kate... – ele ia tentar amenizar a situação.
— Não perca seu tempo se justificando, Rick. Nada do que você disser vai mudar minha opinião. Mas, como você me colocou numa saia justa, não quero sair de ruim na história, e só por isso eu concordei. Mas não vá pensando que você em poucas horas vai botar a perder cinco anos de educação e orientação que eu dei para elas. A vida não é um 'oba-oba', Richard. – ela sussurrou, mas deixou claro que estava muito irritada. Falando agora normalmente, com um tom de voz que dava para as filhas ouvirem, ela perguntou divertida, nem parecendo que havia brigado com ele – Então, vamos jantar ou não vamos?
O restaurante era grande, próximo à sorveteria e ficava dentro da praça, com mesas espalhadas dentro e fora do estabelecimento. Escolheram uma mesa retangular com quatro cadeiras. Era ao ar livre, pois o clima estava muito agradável e, apesar de já ter passado poucos minutos além das dezoito horas, ainda havia claridade do sol, porém não estava mais esquentando. As cadeiras estavam dispostas em dupla, duas em cada lado da mesa. Havia postes com lâmpadas que acenderiam, automaticamente, assim que o sol abaixasse.
Após Kate telefonar para Beth avisando que não iriam jantar em casa, fizeram os pedidos que foram atendidos, rapidamente. Os quatro se alimentaram e saborearam o jantar que foi elogiado por todos. As meninas não só se comportaram perfeitamente bem, como também não deram trabalho para comer, pois, além de terem hábito de comerem fora em alguns finais de semana, elas gostavam de comer quase todo tipo de comida, com raras exceções, e não estranhavam o sabor de temperos de restaurantes.
Após o jantar, como prometido, tomaram sorvete, mas o fizeram no próprio restaurante, fato que as crianças não se importaram. Elas eram muito tranquilas. Fizeram os pedidos. Duas bolas para cada, apesar de Kate tê-las advertido que elas não aguentariam comer as duas bolas, até porque haviam jantado muito bem e ainda por cima teria a tal calda e também os M&M’s e Kit Kat.
Após o pedido ser feito, Rick pediu licença e foi falar com o gerente do restaurante e voltou em seguida. Kate perguntou o que foi que aconteceu, preocupada se algo ruim teria acontecido e ela não percebera, mas Rick disse que não havia acontecido nada mau e o que ele falara com o gerente ela iria saber em dois minutos. Ela insistira, mas não tivera êxito.
Em cinco minutos o próprio gerente chega com o pedido, que fora alterado por Richard, causando alvoroço nas meninas, de tanta alegria que elas ficaram. As duas estavam com os olhos abertos de espanto, dada a beleza do que viam. Ele pedira um sorvete especial que já vira em um cardápio de uma sorveteria e o gerente dali dissera que fariam ali também, sem nenhum problema. E dito e certo. O pedido foi elaborado maravilhosamente bem. Rick havia combinado com o gerente, que ao invés de sorvete de pistache para ele e para Kate e sorvete de morango para as meninas, acompanhado de todas aquelas guloseimas, era para eles prepararem um bolo de sorvetes de morango, creme e chocolate, dispostos em camadas, ladeados por dezenas de Kit Kat e coberto com calda de chocolate e M&M’s coloridos e sortidos.

Não foram somente as gêmeas que foram surpreendidas com a beleza e a novidade da sobremesa, mas Kate também ficou maravilhada. Foram servidos quatro pedaços generosos, entenda-se, grandes para todos. Em seguida, o bolo foi recolhido, senão derreteria.
Durante o tempo em que as meninas se deliciavam e estavam focadas na guloseima gelada, Kate evitou, ao máximo, olhar para Richard e se concentrou em saborear o seu pedaço e também em ajudar Annie, que estava do seu lado e o mesmo acontecia com Rick, que, ao lado de Bia, também a auxiliava. As gêmeas, apesar de espertas, tinham somente cinco anos e por isso precisavam de supervisão, senão iam se sujar muito. A todo o momento tanto Kate quanto Rick passavam guardanapos nas boquinhas e nos queixos das filhas.
Durante o tempo em que permaneceram no restaurante, Kate não tomou iniciativa de puxar conversa com Rick. Ela ficou apenas ouvindo a conversa dele com as filhas, tomando a palavra apenas quando se fazia necessário.
Ela deixou correr livre a conversa deles e ficou impressionada quão fácil foi a aceitação das gêmeas com o pai. Por mais maduras que elas fossem, não esperava isso delas, e sim, que ficassem um pouco assustadas e até arredias, por conta de nunca o terem visto pessoalmente. Contudo reconhecia que elas sempre foram extrovertidas e esta característica elas puxaram dele, pois Kate era mais reservada. Também tinha o fato dele, além de ser expansivo, era muito simpático, agradável, comunicativo, divertido e muito bonito e todas estas qualidades facilitavam em muito a receptividade das gêmeas. Elas estavam tão à vontade com o pai que naquele momento tudo girava em torno dele e todas as atenções eram para ele. Estavam visivelmente apaixonadas pelo pai, que, com certeza, já era o super-herói delas e Kate já estava prevendo que o assunto do mês seria sobre o “papai”. Ela sorriu feliz internamente.
— O meu sorvete está tão gostoso, papai, o seu também está? – Annie perguntou.
— Sim, princesa, o sorvete do papai está uma delícia e é igual ao seu. – todos sorriram – Mas o sorvete que o papai mais gosta é de pistache, aliás, sua mamãe também. – ele sorriu para a filha.
— Eca! Eu não gosto de sorvete de pistache, papai. – Annie fez uma careta, fazendo os adultos sorrirem.
— Eu também não gosto de sorvete de pistache, papai. – Bia também expressou sua opinião.
— Quando eu crescer eu vou gostar de sorvete de pistache, papai? – Annie perguntou curiosa, franzindo a testa, com a carinha mais fofa que existe, demonstrando que aquela dúvida a estava incomodando. – Heim, mamãe? – Também queria a opinião da mãe.
Tanto Kate quanto Rick sorriram diante daquela pergunta, e ele disse mostrando-se pensativo – Hummmm! Não sei, querida, mas isso ainda vai demorar muito, portanto não fique pensando nisto agora, ok? – respondeu carinhosamente e de forma divertida e como esperado, todos riram.
Neste momento quem chega ao lado da mesa é o fotógrafo, trazendo um envelope tamanho médio, contendo as fotografias que tiraram quando estavam andando. Rick abriu o envelope, e neste momento, encontrou o olhar de Kate e ambos pensaram no tal envelope que receberam seis anos atrás, e que fora o estopim do rompimento do noivado. Ambos ficaram gelados e sem graça, mas foram interrompidos pelo fotógrafo. — Vão ficar com todas?
Neste momento, Rick viu que havia cinco fotos e iria ficar com elas, até porque todos estavam muito bem, principalmente suas filhas e Kate, que na opinião dele, não tinha tempo ruim, pois ela ficava linda de qualquer jeito.
Rick pagou o preço pedido pelo fotógrafo e este se retirou.
Ficaram admirando as fotografias e falando delas por um tempo, depois foram colocadas de volta no envelope.
Mesmo se divertindo com a conversa, Kate fez um carinho nos lindos cabelos claros de Annie e falou carinhosamente – Meus amores, que tal vocês tomarem sorvete antes que ele derreta mais? Depois vocês conversam, queridas. – disse isto e passou guardanapos mais uma vez na mãozinha e no rostinho lambuzado de Annie. – a não ser que não queiram mais o sorvete... – Kate sorriu.
— Não, mamãe. Eu quero sorvete. Eu adoro sorvete! – Annie respondeu logo e passou a tomar o sorvete.
Rick também limpou o rostinho e a mãozinha de Bia.
Após comer aproximadamente a metade do seu pedaço do bolo de sorvete, Bia fala – Mamãe, meu sorvete está muito gelado. – a garotinha faz uma cara engraçada.
— Mas todo sorvete é gelado, não é papai? – Bia se aventurou e fez a afirmativa.
— Sim, querida, todo sorvete é gelado.- Rick respondeu, sorrindo.
Annie mostrou-se esperta e disse — Mas se o meu sorvete estivesse menos gelado eu acho que ia ficar mais gostoso.
Só que Kate já sabia que aquela conversa de Annie significava que ela não queria mais tomar o sorvete e não queria dar o braço a torcer. Tanto Annie quanto Bia, assim que o sorvete chegou, comeram os M&M’s e o Kit Kat e só depois de se empanturrarem das bolinhas coloridas de chocolates e o biscoito recheado e coberto também por chocolate, é que passaram a tomar o sorvete, que, como Kate previra, não conseguiriam chegar até o fim.
Com o objetivo de evitar indisposição nas filhas, Kate falou delicadamente para as elas – Queridas, se vocês não quiserem comer mais sorvete a mamãe e o papai vão entender, viu? Não vamos ficar chateados porque vocês vão deixar sorvete no pratinho. Só comam se vocês aguentarem, Ok?
Annie fez um muxoxo mais lindo do mundo, meio tortinho, e falou toda compenetrada – Eu até queria tomar todo o sorvete, mamãe, mas eu vou deixar para outo dia. Outro dia eu tomo, né?
Não passou um segundo e Bia também informou – Eu também vou parar de tomar sorvete, viu, mamãe, mas é só para fazer companhia a Annie, senão ela fica sozinha, aí eu tenho que ficar conversando com ela.
Rick e Kate se olharem diante daquelas informações 'preciosas' das filhas e, se não tivessem se controlado, teriam caído na risada.
Deixando os pratinhos de sorvete de lado, as meninas travaram uma conversa entre elas sobre assuntos infantis, como coleguinhas, brincadeiras, brinquedos, etc, oportunidade em que Rick, aproveitando um momento de distração de Kate, pegou a mão dela que estava sobre a mesa e a segurou entre as suas e comentou baixinho – Você fez um ótimo trabalho com elas. – deu uma pausa e continuou com olhar e voz que traduziam sinceridade – Elas são educadas, comunicativas, gentis... – e mergulhando nos verde dos olhos dela, Rick completou — e doces,... iguais a você.
Confusa por ter sua mão entre as do Rick sobre a mesa e ouvindo estas declarações dele, Kate disse sorrindo, olhando para as filhas e depois retornando sua atenção para ele – Foi um trabalho árduo, mas valeu à pena. Elas são ótimas. Não tenho do que reclamar delas, porque não me dão trabalho. Mas eu não posso levar os méritos sozinha, porque eu conto com a ajuda inestimável de Beth que além de arrumar e limpar a minha casa, também cuida de meninas e segue rigorosamente minhas orientações. Além disso, elas estudam num colégio maravilhoso e muito bem frequentado e conceituado, onde depois de pesquisar bastante, pude constatar que os métodos de ensino são excelentes, e que os professores e a direção são rigorosos, dentro dos limites da razoabilidade, e oferecem aos alunos orientação e educação de primeira linha e um ensino de excelente qualidade. O preço é salgado – sorriu – mas eu quero dar para minhas filhas o que tem de melhor aqui de Washington D.C.. – Com tranquilidade e sem arrogância, ela continuou — Eu me esforcei e quase me matei de trabalhar para chegar onde estou, não para ostentar riqueza, mas sim para dar conforto e uma educação de qualidade para minhas filhas.
— Parabéns, Kate!...
Ela o interrompeu e prosseguiu – e quanto a eu ser “doce”... Hummm! não tenha tanta certeza disto, Richard, porque ao lutar e alargar sozinha passagens estreitas que eu tive que percorrer para trabalhar e trilhar os caminhos com muito esforço, numa cidade onde tudo para mim era novo, tudo era novidade e tendo, como se diz, “matar um leão por dia” sem encontrar apoio financeiro de ninguém, e ainda ter que proteger, cuidar, orientar e educar minha filhas, que só podiam contar comigo, tudo isto tirou um pouco da minha leveza. Então, o pouco do doce que me resta, é fruto do convívio diário com as minhas filhas, que além de recarregar minhas baterias com muita força e coragem, elas também me abastecem diariamente de amor e é um amor tão puro, tão gostoso e tão verdadeiro que às vezes penso que não mereço.
— De qualquer forma, Kate, Parabéns! E fique certa que você merece o amor delas e que não perdeu a doçura, você talvez a tenha escondido para proteger a si própria e para proteger nossas filhas dos perigos do mundo.
Percebendo que o assunto estava seguindo para um caminho perigoso, Kate falou com o seu tom de voz normal – Então minhas princesas, vamos para casa. Estou sentindo que tem gente com sono.. — sorriu.
Assim que saíram do restaurante – Bia cutucou a mãe para chamar sua atenção e tanto Kate quanto Rick olharam para a pequena que, bocejando, falou – Mamãe, eu já estou com soninho... – Bia falou isto, manhosa, estendendo os bracinhos para o pai, que a carregou e a menina, imediatamente, se aconchegou nos braços dele, posicionando a cabeça nos ombros do pai, agarrando seu pescoço, o que fez o coração de Rick quase explodir de emoção.
Neste mesmo momento, Annie também disse que estava com sono e, da mesma forma que a irmã, pediu colo para o pai, porém, Kate interveio e disse suavemente – Querida, o papai não aguenta as duas. Vocês já são mocinhas de cinco anos e são pesadas. Eu mesma não consigo mais carregar uma, imagina duas. — Kate sorriu para amenizar a negativa.
Rapidamente, a pequena argumentou – Mas mamãe, você não aguenta porque você é menina, mas o papai é homem. Homem ‘grandão’— Annie falou convicta, frisando a palavra ‘homem’, fazendo os pais rirem. A menina continuou – O papai é o mais forte do mundo. Do mundo todo – ela abriu os bracinhos demonstrando o tamanho, indicando que o mundo era grande. Ela cutucou a mãe e apontou o pai com o dedinho indicador — Olha como o papai é grande, mamãe! Nenhuma coleguinha minha tem o pai mais bonito nem mais forte e tão grande quanto o meu. – disse, toda orgulhosa.
Tanto Rick quanto Kate sorriram diante daquela afirmativa da filha.
Kate sorriu também ao perceber que não era só ela que era apaixonada por Richard. O danado era um poço de simpatia e beleza. As meninas, em menos de duas horas, já estavam completamente loucas pelo pai. Hummm! Viu que estava perdida. Pelo menos podia ficar feliz pelas meninas, porque elas podiam expressar o amor que sentiam por ele, ao contrário dela, que se recusava a ceder assim tão fácil, quer dizer, ela até caiu em tentação algumas vezes no escritório, mas isso não ia mais se repetir. Se ele ainda a quisesse, teria que provar que cometera vários erros e um deles foi ter duvidado do seu caráter e teria que pedir desculpas por todos os outros erros que cometera e teria que reconhecer cada um deles e provar para ela que estava sendo sincero no momento do pedido de desculpas. Não bastava falar, teria que provar. Quanto ao fato dele se apossar dos coraçõezinhos das filhas, hummmm! Isso já era um caminho sem volta, porque elas já estavam caidinhas pelo pai.
Kate voltou à realidade com Annie chamando por Rick – Papai...
Olhou para a garotinha e ela estava bocejando e com os bracinhos estendidos para o pai, que falou – Kate, pode deixar, eu aguento, mas preciso apenas que você a coloque nos meus braços. Kate se rendeu e colocou Annie nos braços de Rick – em seguida, após estar com as duas filhas nos braços ele disse — Eu sei que você mora perto...
— Como você sabe? – ela ficou curiosa.
— Desculpe-me, mas no mesmo telefonema que eu ouvi o nome desta praça, eu ouvi você dizer que a praça era perto da sua casa... Então... – Rick arqueia as sobrancelhas mostrando que fora esperto.
— Ham! Tô sabendo... Você sabe que é feio escutar atrás da porta, não é?
— Kate, só para te lembrar, não havia porta. — ele sorriu — Pois é, então, por mais que eu esteja conseguindo carregar as duas ao mesmo temo, reconheço que vai ficar complicado ir andando até sua casa, É muito perto?
— Duas quadras, Richard.
— Então, vamos tomar um taxi, eu deixo vocês na sua casa e sigo para o hotel.
Naquele exato momento Richard lamentou ter dispensado o taxi do Sr. Edward Candeia assim que as meninas pediram para tomar sorvete. No entanto, apesar de estarem em uma grande metrópole, conseguiram rapidamente outro taxi.
Só que ao chegarem à porta do prédio de Kate, as meninas, que não estavam dormindo, somente sonolentas, se recusaram a largar o pescoço do pai.
Kate até que tentou. Com jeitinho, quando conseguia pegar o braço direito de uma filha o esquerdo ficava preso e quando conseguia o esquerdo, o direito voltava a se prender. Seria uma tarefa difícil, ainda mais que seria duplicada. Respirou fundo e baixinho e com muito carinho, porque estavam no taxi, Kate falou – minhas princesas, nós chegamos em nossa casa e precisamos sair do taxi para o papai poder ir embora.
Pronto. As palavras malditas foram ditas. “para o papai poder ir embora” e, como num passe de mágica, as duas começaram a chorar e pedir para o pai não ir. – Não, o papai não pode ir embora. Não, de novo não. Por favor, papai, não! Mamãe, não deixe ele ir embora. Por favor, mamãe, eu quero o papai.
As duas choravam e pediam por tudo para o pai não ir embora.
— Eu quero que o papai me coloque para dormir e conte historinhas. – Bia pedia soluçando, seguida de Annie que fazia o mesmo tipo de pedido.
Kate estava sem saber o que fazer. Ela olhava das meninas para Rick e de Rick para o motorista do taxi, que, discreto, estava virado para a frente do carro, sem dar a perceber que estava ouvindo a cena familiar que se desenrolava no banco de trás.
“E agora? O que eu faço, meu Deus?”— pensava Kate aflita. Ela, notadamente aflita, olhou novamente e firmemente para Richard que prendeu seu olhar.
Rick acalentava suas princesas e beijava seus cabelos com o objetivo de fazê-las parar de chorar. Mas sempre com os olhos fixos em Kate.
Enquanto as meninas choravam agarradas ao pai, Rick estava mergulhado no olhar de Kate onde ele percebia claramente que havia dúvida, paixão, medo e dor. Ele sentia que ela estava no maior conflito interno por causa das filhas. Ela até poderia estar pensando que se não fosse pelas filhas, talvez ele nem estivesse naquele momento ali, o que não era verdade, pois tudo de bom que sentira no passado por ela, voltara imediatamente no momento em que a vira no escritório. Linda, firme, passional, justa e verdadeira. Ele ainda não conseguira conversar com ela a este respeito, mas iria fazê-lo. O que ele sabia é que a existência das filhas apenas facilitara e acelerara seu acesso a Kate. E óbvio, isto era fácil de perceber e teria que conseguir provar.
Com o olhar preso em Rick, e também vendo e ouvindo as filhas chorarem e sofrerem com a possível separação do pai, pois tinham medo de nunca mais vê-lo novamente, Kate não conseguia raciocinar, muito menos decidir, tampouco articular as palavras.
Enquanto a luta interior de Rick e Kate era travada e enquanto as crianças choravam, foram interrompidos pelo motorista do taxi que, educadamente, comunicou que eles teriam que decidir, pois em dez minutos ele teria que estar na porta de um cliente, cujo endereço era distante dali.
Rick tinha convicção que ele não poderia decidir por Kate. No entanto, tinha convicção que o melhor a ser feito era ele subir para o apartamento dela e colocar as crianças para dormir, assim como elas haviam pedido. Não via perigo nenhum nisso. Tinha ainda convicção que não poderiam empatar o taxi, pois o moço teria que cumprir um horário agendado dali a dez minutos.
Com o coração acelerado, quase saindo pela boca porque ela não via nada de mal em deixa-lo subir para colocar as filhas para dormir, já que as meninas estavam loucas pelo pai e pelo pouco tempo que presenciou elas com ele, tinha certeza que ele as amava e que não iria abandoná-las. Ela também estava pensando, que se ele subisse, assim que entrasse no quarto das filhas muitos assuntos da conversa que teriam sobre as meninas seriam eliminados. E este fato tinha seus pontos positivos e seus pontos negativos. Mas poderia arriscar. Não via prejuízo nisto. Então, ao mesmo tempo em que via o lado das meninas, ou seja, sem tanto perigo porque ele não faria mal a elas, havia também o receio com relação a ela própria, pela saúde emocional dela, pelo bem do coração dela, pela paixão que descobrira que ainda sentia por ele, pelo receio de cair em tentação novamente sendo que desta vez, não estavam mais no escritório dela e sim na sua casa sem nada ou ninguém para atrapalhar qualquer avanço dele e a possível concordância dela. É, ela teria que tomar uma decisão.
"- A sorte está lançada! Seja o que Deus quiser."— Kate pensou.
Mordendo o canto inferior dos seus próprios lábios, Kate enche o peito de ar e o solta lentamente pelo nariz e de uma só vez para não correr o risco de voltar atrás, fala. – Vamos Richard. Vamos subir, senão nossas filhas não param de chorar e esta comoção toda pode prejudicar o sono tranquilo delas.
Continua...
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