Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
19 No apartamento
Notas iniciais
... No apartamento de Kate...
A subida pelo elevador foi feita em um silêncio profundo. Além de carregar sua bolsa, Kate também levava nas mãos o envelope contendo as cinco fotografias tiradas naquele final de tarde no parque. Rick carregava as duas filhas e tinha os olhos fixos em Kate, observando como ela era linda. A maternidade fizera muito bem a ela, que, já era belíssima e agora ela conseguira o que ele considerara ser impossível, ficar ainda mais maravilhosa. Ele a olhava e registrava cada detalhe do seu rosto, seus olhos, seus cabelos, seu corpo... Ao contemplá-la, ele sabia que precisava dispersar esses pensamentos porque precisava respeitar o espaço dela e o tempo que ela pedira para conversar com as filhas, contudo ele não sabia se conseguiria.
Kate notava que estava sendo observada por Rick, mas estava fazendo um esforço muito grande para evitar olhar para ele, apesar dos olhos azuis a estarem chamando como um ímã.
Na teoria estavam convictos que não poderia acontecer nada no apartamento: nem beijos nem abraços, muito menos fazer amor. Tanto Kate quanto Rick pensavam a mesma coisa a respeito disto. Ambos estavam susceptíveis a cair na tentação, porque estavam não só atraídos um pelo outro pelo desejo, mas também pelo cheiro, pois a memória olfativa de ambos estava apuradíssima. Não podiam negar que apesar de todo ressentimento, a paixão estava aflorada e os sentimentos nobres estavam vivos, mesmo que camuflados pelos sentimentos desprezíveis, tais como raiva e mágoa. Enfim, que Deus os protegessem.
Obedecendo ao comando de Kate, que digitou uma senha privativa para ter acesso ao seu apartamento, o elevador parou no andar solicitado por ela, e ao chegarem, não pararam em um hall comum, mas diretamente na sala da estar do seu loft, o que foi uma surpresa para Richard.
Ao sair do elevador, Richard admirou a suntuosidade do ambiente onde havia alguns vasos de plantas. Era uma imensa sala com vários ambientes, todos, clean, decorados com muito bom gosto, parecendo que saíram diretamente de uma revista de decoração, com móveis em tons de branco ou areia, contrastando com um banco feito de tronco de madeira agreste que ficava próximo à lareira e uma mesa de centro quadrada, também de madeira rústica.

Kate pôs o envelope das fotos sobre a mesa de centro da sala de estar e se dirigiu para o ex-noivo – Você quer me passar uma das meninas? Elas estão muito pesadas. Assim, ficará mais fácil para você levá-la para o quarto.
— Não, Kate. Pode deixar, eu dou conta. – recusou gentilmente.
— Tá. Então tá. Então venha. – Kate concordou.
Neste momento, ela percebeu que as meninas estavam acordadas, pois estavam apenas simulando o sono porque estavam querendo apenas aproveitar do calor do colo do pai. Então, Kate falou amável, porém com voz divertida, se dirigindo a Rick – Huuummm! Estou vendo que tem gente fingindo dormir no colo quentinho do papai... Que delícia, né, minhas princesas? – Kate sorriu e piscou para Rick, que entendeu que ela estava apenas caçoando com as filhas, ao mesmo tempo que amou os elogios que ouvira dela: "colo quentinho" e ainda falara que "era uma delícia!" Deus realmente tinha que ajudá-lo a não cair na tentação. Tirando tais coisas dos seus pensamentos, Kate continuou falando, desta vez diretamente para as gêmeas – Minhas princesas, vamos subir a escada andando? – Kate completou.
Annie, com voz sonolenta disse – Não posso, mamãe, eu estou dormindo.
— Oh – Kate comentou risonha, fingindo estar pasma – Desde quando você fala dormindo, minha lindinha? – sorriu e continuou – Annie, para mim isso é novidade, meu amor. – e se dirigindo para a outra filha, Kate disse – E você, Bia, venha para o chão, querida, vamos subir andando porque o papai já carregou muito vocês duas e deve estar cansado.
— Eu também estou dormindo, mamãe. – Bia falou com voz de sono.
Kate deu mais uma piscada para Rick, sinalizando que iria brincar com as meninas para ver até onde elas iriam com a 'farsa' de estarem dormindo.
Kate prosseguiu falando com Rick – Oh, papai, nossas princesas estão dormindo mesmo. Que pena. Então, já que estão dormindo, vamos colocá-las nas caminhas delas e depois nós dois descemos para tomar sorvete de morango que eu comprei ontem.
— Mamãe, eu também quero sorvete – falaram as duas simultaneamente.
— Mas se vocês estão dormindo, como é que vão tomar sorvete? – Richard comentou entrando na brincadeira de Kate.
— Papai, pode me colocar no chão. – Annie se esticou nos braços do pai e indicou seus olhos abertos. – Eu já acordei, ó!
— Eu também, papai, pode me colocar no chão, viu? – Bia também estava animada com a possibilidade de tomar sorvete.
Depois de colocar as duas em pé no chão, Rick olhou para Kate e depois para as filhas e disse – Então, já que vocês estão acordadas e vão tomar sorvete, eu já vou embora para deixa-las mais à vontade. – Rick falou, muito embora ‘ir embora’ era uma coisa que não queria fazer naquele momento, pois, ele queria ficar e aproveitar mais uns instantes com as filhas, além de ficar mais um tempo na companhia de Kate. Mesmo que não pudesse tocá-la, só em vê-la ele ficaria feliz. Percebeu-se bobo de amor e paixão novamente pela mesma mulher que há sete anos pedira em casamento.
Ao ouvirem que o pai iria embora as meninas se assustaram — Não! – ambas falaram, ao mesmo tempo.
Neste momento, Rick, pergunta para as filhas – Vocês ficam ensaiando para falarem juntas, é? – olha sugestivamente para Kate, demonstrando que estava se lembrando das muitas vezes em que eles próprios faziam o mesmo, pois sempre estavam na mesma sintonia.
Kate devolveu o mesmo olhar, indicando que também estava se recordando de tais momentos. Contudo, ela achou mais sábio desviar as vistas para as filhas.
— Não, papai, é que eu e a Bia muitas vezes pensamos a mesma coisa no mesmo momento. Foi a mamãe que explicou isto para mim. – Annie esclareceu sorrindo.
— A mamãe também disse que isto acontecia com você e ela, papai. Não é, mamãe? – Annie olhou para o pai e depois para a mãe.
Vermelha, Kate confirmou a informação prestada pela filha – É sim, meu amor. – olhou para Rick – também acontecia, com frequência, de o papai falar as mesmas coisas no mesmo momento em que a mamãe falava. Tínhamos os mesmos pensamentos... – eles se olham com um ‘Q’ de nostalgia. – Mas já passou... – Kate conclui, saindo do clima nostálgico e vai em direção à cozinha. – Venham meninas e tragam o seu pai. – Richard, fique para tomar sorvete conosco.
Mesmo louco para ficar, ele tentou recusar – Kate....
De mãos dadas com suas filhas, Kate para de andar, gira o corpo na direção dele, inclina um pouquinho a cabeça, sorri levemente e o interrompe – Você não vem, Rick?
Rick ficou espantado e ficou como estátua, diante do chamado tão particular deles dois na época em que estavam juntos, ainda mais que ela o chamou pelo apelido.
Percebendo que o pai estava parado, as duas meninas largam as mãos da mãe e andam rapidamente na direção do pai — Vem, papai – disse Annie já pegando a mão do pai, seguida de Bia que teve a mesma atitude, o puxando na direção da mãe.
Sentados à mesa da cozinha, cada um com sua colher, os quatro tomaram sorvete diretamente do pote, o mesmo pote, todos ao mesmo tempo, e conversavam e riam sobre assuntos ligados às meninas. Kate orientou as gêmeas para não tomarem muito sorvete, já que elas tinham tomado bastante lá no restaurante.
Quando encerrou a farra do sorvete, Kate disse para as duas. – Pronto, agora vocês vão dormir. – piscou os olhos para as filhas – só que antes de deitar, as minhas duas princesas lindas vão tomar banho, pois brincaram na areia e nos brinquedos do parque e por isso estão um pouco sujinhas, tá bom, queridas? – Kate riu e passou a mão nas cabeças das filhas.
— Tomar banho, mamãe? Não precisa, eu estou cheirosa – argumentou Annie.
— Não senhora, mocinha – Kate falou rindo, abaixou-se e ficou da altura da filha e deu-lhe um abraço e um beijo. – Você está cheirosa, mas está com a sujeira do parque, querida. – Kate ainda sorriu, mas voltou a levantar-se.
— Então o papai vem com a gente – Bia falou.
Kate não sabia o que dizer diante de tal pedido da filha. Então falou – Mas o papai não pode ficar, filhas.
Com carinha de choro, ambas ficam curiosas – Por que? – Bia falou primeiro.
Olhando para cima, Annie perguntou — É, papai, porque você não pode ficar? – a menina quis saber, apertando com força sua mão em volta da mão do pai.
— É, é... É que eu...
— Papai, você prometeu que ia me colocar para dormir e contar historinhas. – Bia não chorava, mas fazia biquinho e olhar de cachorrinho pidão, desarmando Rick, que olhou para Kate, como que pedindo autorização.
Olhando mais uma vez para o alto em direção do pai e com o mesmo biquinho e olhar de cachorrinho pidão, Annie confirmou o que sua irmã dissera — Foi mesmo, papai, você prometeu contar historinhas e me colocar para dormir.
Como ensinara às meninas que toda promessa feita tinha que ser cumprida, não restou alternativa para Kate. Olhou para Rick e perguntou – E então, papai, você vai ficar para colocar suas filhas para dormir e contar-lhes historinhas? – ela falou isto e pode perceber as carinhas de felizes das gêmeas.
Com um sorriso que parecia que havia ganhado sozinho numa loteria milionária, Rick olha alegre para Kate e para as filhas e confirma – Com certeza. Com certeza eu vou ficar e cumprir minha promessa.
Então todos sobem as escadas e seguem em direção ao quarto das gêmeas.
Ao chegar ao quarto das filhas, Kate disse que irai dar um banho rápido nas filhas e se dirigiu ao banheiro conjugado ao quarto das meninas.
Richard disse que ficaria esperando. Ele olhou em volta e ficou impressionado com a beleza e o tamanho do ambiente. Era um quarto muito grande rodeado de lambri pintado em esmalte sintético branco do chão até a metade das paredes. Da metade até o limite do teto, a parede estava pintada com tinta lilás bem clara, onde estavam fixadas muitas borboletinhas de diversos tamanhos e cores. As duas camas brancas de madeira, com travesseiros e edredons acolchoados e coloridos, onde prevalecia o rosa clarinho, estavam próximas à janela. Sobre cada uma das camas, pendia do teto uma flor de tecido com caule verde e pétalas cor de rosa claro, de onde saia cortinado em tule também rosa. O piso era de tábuas de madeira e havia tapetes de tecido com diversos tons de rosa. Ao lado das camas havia três criados-mudos do mesmo material e da mesma cor das camas e em cada um deles havia um abajur com cúpula recoberta com lindas e pequeninas flores cor de rosa.
Rick ouvia o som da água e as conversas e risadas das meninas durante o banho delas.
Rick olhou em volta e viu que tinha outra porta igual ao do banheiro que ele supôs ser o closet das meninas. Na parede que ficava em frente as camas das meninas não havia lambri, havia uma estante branca, onde estavam arrumados brinquedos diversos e muitas bonecas. Existiam também muitos porta-retratos das meninas distribuídos em várias prateleiras da estante, em todas as idades e em vários momentos diferentes, sempre lindas e sorridentes. Havia fotos coloridas e também em preto e branco. Nas fotos as gêmeas estavam ora juntas ora sozinhas e em outros elas estavam com Kate e, para sua surpresa, para não dizer espanto, havia outros porta-retratos onde as meninas estavam acompanhadas nada mais nada menos do que ele sozinho ou com Kate. Nestas fotos onde ele aparecia, as meninas estavam ainda muito pequenas, desde recém-nascidas até aproximadamente um ano, um ano e meio. Em outros, onde Rick aparecia sozinho e outros, onde Kate era abraçada por ele, ambos sorridentes e felizes na época em que namoravam e também quando eram noivos. Apesar de saber que seria impossível ser ele nas fotos com as gêmeas, pois ele não as conhecia, as fotografias pareciam reais e autênticas e em todas, ele estava sorrindo. Como se não bastasse, havia outras fotos onde as gêmeas não estavam apenas acompanhadas dele, mas também da Alexis e ainda outros onde as gêmeas estavam acompanhadas da avó paterna, sua mãe, Martha Rodgers.
Ao lado da estante, havia três porta-retratos idênticos, que ocupavam boa parte da parede, todos com molduras brancas e estavam presos na parede, lado a lado e cada um destes porta-retratos porta-retrato gigantes, continham quarenta e oito fotografias, totalizando cento e quarenta e quatro fotos das meninas, de Kate, dele, de Alexis, de sua mãe e de Jim.
Segurando dois dos porta-retratos que estavam na estante onde ele aparecia com as filhas, Rick olhava com atenção cada uma das fotos, quando foi tirado de sua concentração ao perceber que Kate e as meninas chegarem perto dele, falando – Papai, estamos prontas. – Annie comunicou – Veja se eu estou cheirosa.
Com os porta-retratos nas mãos, ele olhou para Kate com olhar indagador, franzindo a testa e pergunta baixo se referindo às fotos – O que significa isto, Kate?
Sem perceber o clima tenso que se formava, Bia o chama, fazendo com que ele desviasse o olhar da ex-noiva – Papai, venha por a gente na cama. Já estamos prontas para dormir, ó. – Beatrice pegou na camisola que vestia para mostrar ao pai e, em seguida esticou a mãozinha para pegar a mão do pai. – após Rick devolver os dois porta-retratos aos locais de origem, ele aceitou a mão da filha que o puxou em direção à sua cama.
Ainda espantado com o que acabara de ver nos porta-retratos, ele segue as filhas. Ao chegar ao local que ficava entre as duas camas, ele retorna a atenção para Kate, cujo olhar ainda estava fixo nele e, percebendo que ele estava com a fisionomia abalada, ela fala gentilmente – Rick, ponha as suas filhas para dormir e depois nós conversamos. – Kate falou, inclinando um pouco a cabeça em direção aos porta-retratos a fim de indicar que estava se referindo a eles. Em seguida, ela fala para – Richard, pegue aquela cadeira ali e ponha onde você está para ficar mais cômodo você contar histórias para elas. Eu faço isso sempre, pois assim, tenho acesso visual a ambas.
Rick carregou cada uma das filhas, colocando-as nas suas respectivas camas, cobrindo-as com o edredom. Em seguida, aceitando a opinião de Kate, faz o que ela disse e pegou a cadeira. Ele se acomodou na cadeira e, suavizando o olhar, se dirige carinhosamente para as filhas. – Minhas princesas, vocês tem um quarto lindo. Um quarto de princesas de verdade. – ele sorri para elas.
Elas sorriem com aquele comentário do pai e depois Bia comenta – Mamãe disse que foi você que mandou fazer estas estantes e as camas, papai. Eu gosto delas. – deixando Rick sem fala.
— Mamãe disse que você é um papai muito bom e que ama muito a gente e que cada coisa daqui de casa foi você e ela que escolheram e compraram juntos. – com olhar esperto, Annie olha sorridente para o pai, mas aí mudou a expressão, passando a ficar meio tristinha – Mas eu não me lembro, papai, porque eu devia ser pequena. – falou fazendo beicinho — Mamãe disse que foi você que escolheu a banheira que fica no banheiro meu e de Bia, não foi, mamãe?
Rick olha mais uma vez para Kate com olhar indagador.
Kate fala – Foi, querida, foi o papai que escolheu com a mamãe todas as coisas deste apartamento. – como o clima estava denso e já passara do horário das meninas dormir, Kate quer encerrar aquele assunto, então aconselha – Queridas, que tal vocês fecharem os olhinhos, ouvir a historinha do papai e depois dormir.
— Tá certo, mamãe. – ambas falaram juntas.
Kate, que estava entre as camas das meninas, olhou para elas e falou – antes do papai começar a conta a historinha, temos que fazer a Oração do Anjo da Guarda para vocês terem um sono tranquilo, tá certo?
Imediatamente, as meninas saem debaixo de seus edredons e, cada uma delas se ajoelha sobre o colchão, unem suas mãozinhas colocando-as próxima à boca, fecham os olhinhos e começam a falar ao mesmo tempo – “Santo Anjo do Senhor, Meu zeloso guardador, Se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege me guarde me governe e me ilumine. Amém! Santo Anjo da guarda, guardai-me!”.
Após o final da oração, as meninas retornaram para baixo dos seus respectivos edredons.
Kate se dirigiu a cada uma delas, beijou a testinha das duas, sendo premiada por cada uma delas com um beijo estalado na face, fato que se repetia todos as noites.
Kate disse – Boa noite, minhas princesas. Mamãe ama vocês.
— Boa noite, mamãe, eu também te amo. – Bia disse.
— Eu também, mamãe. Eu te amo. Boa noite. – Annie também falou para a mãe.
Kate foi até onde Richard estava e fala — Te espero lá embaixo.
Quando estava de saída, Bia, esperta, fala para a mãe – Mamãe você beijou a gente, agora é a vez do papai. Você também tem que beijar o papai.
Como não fazia a mínima ideia de que as meninas falariam isso, Kate sentiu um frio na barriga, mas respondeu rápido – Mas o papai não vai dormir agora, queridas, somente vocês é que vão.
— Mas eu quero ver você dar um beijinho no papai – Bia insistiu.
— Não, querida. Agora não. – sorriu para a filha para amenizar a negativa – Eu pensava que nenhuma criança gostasse de ver os pais trocando beijinhos – Kate brincou para tentar mudar de assunto. — Boa noite, crianças – falou isso e já ia se afastar em direção à porta quando Bia, retoma o assunto.
— Mas é que eu não me lembro de ver você beijando o papai, então eu queria ver.
— Eu também. – Annie engrossou o pedido.
Sem dar muita corda às meninas, pois não poderia deixar que elas a manobrassem, Kate olha firme para as filhas, porém fala com a voz muito doce – Minhas lindinhas, vocês já fizeram a oração para Papai do Céu e pró Anjo da Guarda. Então, meus amores, não é momento de conversar e sim de ficar quietinhas, pois vocês são crianças boazinhas e obedientes. Façam o que a mamãe todo dia diz para vocês fazerem: Fechem os olhinhos, respirem suavemente para ficar com a mente bem tranquila, porque agora vocês vão dormir ouvindo a historinha. E olha que coisa boa, esta noite quem vai contar a historinha é o papai. – Sem esperar resposta, Kate se dirige à porta e repete – Boa noite, princesas.
Sem contestar, as gêmeas acataram o que mãe disse e, sorrindo, disseram em coro – Boa noite, mamãe. – e jogaram no ar beijinhos para Kate.
Rick assistia satisfeito aquelas doces e lindas cenas entre mãe e filhas, com direito a beijinhos e declarações de amor.
Após Kate retirar-se do quarto, fechando a porta atrás de si, Rick foi em cada uma das filhas, fez carinhos nos seus cabelos e beijou a testa das duas. Em seguida, habituado a contar historinhas para Alexis, contou uma muito linda e especial, que rapidamente, fez dormir as suas princesas, Bia e Annie, as filhas cuja existência descobrira naquele mesmo dia e por quem já sentia um amor imenso, pleno, limpo, puro e incondicional que, equivocadamente, julgara não poderia sentir por mais ninguém além de Alexis.
Após o final da história, Annie já dormia, porém, ele viu Bia, bocejando, se ajeitando no edredom. De repente, a garotinha com os olhinhos quase fechados, esticou os bracinhos pedindo um abraço para Rick, que ao chegar perto dela, também a abraçou e deu mais dois beijinhos da sua testa e disse – Boa noite, meu amorzinho e fez mais um carinho dos cabelinhos claros da filha.
Qual não foi a sua emoção quando a sua pequena e doce Bia, com naturalidade, deu um beijo estalado no seu rosto e com uma voz fininha e sonolenta, falou – Papai, eu te amo. Não viaje mais não, papai, por favor. Fique aqui com a gente. – em seguida, ela recolheu os bracinhos, se virou, se acomodou e se aconchegou no edredom e ficou com a respiração regular. Dormiu.
Com o coração saltando pela boca de emoção pela linda declaração de amor da filha, lágrimas descerem pelo seu rosto. Foram muitas emoções para somente uma tarde e um início de noite. Emoções dos mais diferentes níveis, tais como paixão, amor e desejo por Kate e um amor puro e incondicional pelas filhas.
Ele respirou fundo, segurou a emoção, passou as mãos pelo rosto para secar as lágrimas e olhando para o jeitinho lindo das suas pequenas filhas dormindo, começou a pensar em tudo que acontecera naquele dia, especialmente naquele quarto com ele, Kate e as lindas princesas, suas filhas recém descobertas.
Rick recordou de tudo com satisfação. Era nítida a excelente educação que Kate dera para suas filhas, o que deve ter sido muito difícil para ela, pois, sozinha e tendo que trabalhar fora durante a maior parte do dia, sobrava pouco tempo para passar os ensinamentos para elas, mas o pouco tempo que restava, com certeza ela aproveitou ao máximo. Era perceptível também que as gêmeas a respeitavam e a amavam. Como também agora estava explicado o motivo pelo qual as meninas o reconheceram no parque. Óbvio que elas iriam reconhecê-lo, pois Kate enchera o quarto delas com fotos dele em vários períodos, desde o início do namoro com Kate. Ela até fizera montagens nas fotos, colocando imagens dele junto com as gêmeas, quando ambas tinham um e dois anos. E, apesar do modo brusco que Rick terminara o noivado com Kate, ela não deixou transparecer para as meninas a raiva, a mágoa e a dor que sentira por ter passado por todo aquele drama, muito pelo contrário, ela falou para as meninas somente coisas boas a seu respeito, pois era impressionante e emocionante o imenso amor que elas sentiam por ele. E, mesmo com toda a mágoa e dor que ela dissera sentir, dava para perceber que para evitar que elas se sentissem rejeitadas e abandonadas, Kate inventara a tal viagem que as meninas disseram que ele fizera. Também era impressionante como Kate, com todos os problemas enfrentados, ainda conseguia se controlar na frente das meninas, o tratando bem em todos os momentos naquele dia, tanto que até as incentivou a ouvir histórias contadas por ele.
Desde o momento em que se reencontraram no escritório dela naquela tarde, ele percebera que ainda a amava. Mesmo com toda a narrativa feita por ela acerca do que passara nestes seis anos, onde deixou transparecer muita mágoa e dor, ele já subira ao apartamento dela, consciente dos seus sentimentos por ela, o que inclui amor, paixão e desejo.
Então, depois de todas estas atitudes louváveis da parte de Kate, era impossível não continuar amando-a. Ela continuava a ser a mesma mulher doce, meiga, amorosa, forte e corajosa que ele amou desde o primeiro momento que a viu.
Contudo, apesar da forma admirável que Kate criara suas filhas; apesar de Kate ter se utilizado de todos os artifícios necessários para fazer com que as meninas o amassem mesmo ele não estando presente fisicamente na vida delas; apesar de Kate ter inventado uma viagem para ele para que as meninas não se sentissem rejeitadas e abandonadas; apesar de todo o amor, paixão e desejo que descobrira ainda sentir por ela e que percebia ser correspondido; apesar disto tudo, apenas um fato o deixava com uma pulga atrás da orelha. Somente um único fato o levava a ter uma dúvida imensa, carregada de muita dor: Porque Kate o traiu? Ele nem dera a ela o benefício da dúvida. Não permitira que ela sequer falasse, muito menos explicasse nada. Então, apesar de todo esse sofrimento que ela passou, depois de todas estas atitudes positivas de Kate para com ele em relação às filhas, apesar de ter sido expulsa da sua vida, ele agora duvidava: Será que Kate o traiu?
Com esta pergunta em mente, decidiu, mesmo com atraso de seis anos, investigar o que de fato acontecera, até porque, como sua própria mãe o advertiu, Kate o amava muito e não tinha o perfil daquele tipo de mulher que ele a acusara. E esta investigação começaria por pedir à própria Kate uma chance para conversarem sobre o motivo pelo qual o noivado fora rompido: o fatídico envelope e o seu desprezível conteúdo.
Richard decidira que se fosse comprovado que ele errara, fato que ele já acreditava, ele iria fazer o possível e o impossível para pedir para Kate perdoá-lo. Iria fazer o possível e o impossível para recuperar a confiança e o amor que ela um dia sentira por ele.
Sim, teria que tomar todas estas atitudes, pois sabia que para iniciar uma nova vida com ela, todos os erros cometidos no passado deveriam ser esclarecidos. Não poderiam iniciar uma nova vida, com dúvidas, mágoas e raivas. Portanto, após tudo ser esclarecido, iria tentar recuperar o tempo perdido. Iria tentar recuperar a mulher maravilhosa que deixara escapar, ou melhor dizendo, a mulher que ele próprio expulsara de sua vida.
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