Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
8 Rumo à Washington D.C.
Notas iniciais
Ainda em Nova York...
Richard saiu de sua sala para pegar o elevador. No caminho parou uns segundos em frente à mesa de sua Secretária, avisando — Sra. Rosenthal, cancele todos os meus compromissos desta tarde e os remarque. Faça o mesmo com aqueles que estavam agendados para amanhã. Avise para minha família que estou indo à Washington D.C. e que talvez não retorne hoje.
Mesmo sem precisar, Schirley anotou a informações e se despediu do chefe – Boa viagem, Sr. Rodgers.
Ele agradeceu, seguiu para o elevador e subiu ao heliporto que se localizava no topo do prédio onde estava instalada a parte administrativa da fábrica. Ao chegar, recebeu informações que eles já tinham autorização para levantar voo.
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Richard era, o que se poderia dizer, um belo exemplar da raça humana, que com seus 1,90 m de altura, exalava masculinidade, charme e poder. Seu cabelo era castanho claro, bem liso, e o mantinha sempre curto e com corte clássico. Como proprietário e Presidente da “RODGERS’s”, a conceituada grife de vestuário masculino, ele só se trajava com o que tinha de melhor no mundo da moda, mas sempre refletindo seu modo de viver, ou seja, gostava das roupas com modelagens e cores mais tradicionais. Ele não tinha um padrão fixo de se vestir para ir ao trabalho. Podia ir de calças de sarja, brim, gabardine, jeans escuros ou calça de alfaiataria, mas sempre com camisas sociais de mangas compridas, com blazer, mas quase nunca gravata, só a usando para sair à noite.
Durante o percurso até o aeroporto, ele estava refletindo “como esta manhã estava sendo agitada. Tivera duas reuniões com Antonella, a primeira bem cedo, e a outra há menos de meia hora e em ambas o nome de Kate fora mencionado, o que causou total rebuliço não só no meu dia, mas também no meu emocional. Não posso negar que a simples menção do nome dela mexeu comigo. Também não posso negar que nestes seis anos separados, houve momentos em que eu me pego pensando nela e nos momentos maravilhosos que passamos juntos. E estas lembranças, por mais que eu não queira, são sempre boas. Fora o dia em que o noivado foi rompido, nunca houve uma discussão séria entre nós. Houve, sim, momentos tensos, mas nada que não fosse resolvido rapidamente com carinho, conversas, abraços, beijos e uma boa noite ou tarde de sexo. Sim, sexo. Porque não reconhecer que fazíamos sexo? Nós nos amávamos e ‘fazíamos amor,’ mas era um ‘fazer amor’ incrível, com um sexo extraordinário, coisa que nunca tive com nenhuma outra mulher que conheci antes ou depois de Kate. Eu e Kate tínhamos uma química maravilhosa, que só no olhar ou no toque suave das mãos a corrente elétrica era acionada e, quando não estávamos em publico, num lugar reservado – não necessariamente num quarto – a coisa esquentava e, uma vez acesa a fogueira, para apagar era difícil, pois éramos incansáveis. Se tivesse que escolher um nome para ‘sexo perfeito’, o nome, com certeza, seria ‘Rick Rodgers & Kate Beckett’, pois, desde o início, quando decidimos ficar juntos, nunca houve inibição entre nós. Nós nos entregávamos plenamente um ao outro, sem reservas, sem bobagens, sem falso moralismo e ambos sabíamos onde mais gostávamos de receber e dar prazer e isto era compartilhado para que a explosão acontecesse.” Richard ficou excitado e sentiu seu corpo responder só pelo simples fato de pensar em fazer amor com Kate. Incrível que mesmo depois de seis anos ela ainda exercia esse poder nele. Apesar de estar sozinho no compartimento reservado para passageiros, aquele, com certeza não era o local que ele queria se resolver. Ele não o fez no próprio escritório, quanto mais ali. Pôs a mão sobre o volume que se formou na sua calça a fim de tentar amenizar a situação e pensou “Agora não! Deus do céu! Se já foi difícil para mim ficar ouvindo o nome de Kate e pensar nela lá no escritório, onde eu tinha privacidade, imagina aqui neste cubículo, com a presença do piloto e do copiloto. Tenho que me controlar.” Richard respirou fundo na tentativa de acalmar a si próprio e o ‘seu amigo’, seu ‘grande amigo’. Sorriu. Deu graças a Deus quando o piloto anunciou que estavam sobrevoando o Aeroporto e que estavam se preparando para pousar. Somente este aviso já foi suficiente para a excitação acabar.
Ao chegar ao aeroporto, Richard se dirigiu ao galpão onde seu jatinho já o esperava. Entrou, cumprimentou a tripulação e ficou aguardando o momento da decolagem. Assim que levantaram voo, Richard fez um almoço rápido. Em seguida tomou café expresso.
Já confortavelmente acomodado na poltrona do avião com destino à Washington D.C., Richard agradeceu ao serviço de Bordo excelente atendimento e pediu água. — Obrigado. — Estava gelada, mas mesmo assim pediu duas pedras de gelo. Ele havia recusado o whisky porque queria estar totalmente sóbrio e consciente das suas atitudes no momento em que reencontrasse Kate Beckett.
Ele estava ansioso. Já fizera a besteira de beber mais cedo, fato que nunca acontecia, porém a recordação de Kate o deixou atordoado e fez com que ele necessitasse da bebida, mas terminou por nem beber toda a dose; deixou-a quase intocada.
Reclinou totalmente a larga e confortável poltrona. Fechou os olhos. “não sou mais um garoto, sou adulto e tenho que ficar tranquilo. Eu terminei o noivado porque achei necessário", pensou. "Tenho que ter controle da situação.", pensou.
Teria 45 minutos de viagem, tempo suficiente para relaxar. Richard pegou a revista de bordo e passou a folheá-la, mas não conseguia captar nada que estava lendo, pois seu pensamento estava longe. Estava pensando nela. Pensava na linda Kate Beckett.
Havia muito tempo que não a via, ou mesmo sabia alguma coisa dela, para ser mais exato, seis anos. Não se permitira sequer pesquisar na internet qualquer assunto relacionado a ela. Com certeza ela não frequentava as mesmas rodas que ele, até porque ela se mudara para a capital, distante de Nova York, fato, aliás, que soubera somente pela manhã. Muita coisa acontecera em seis anos. Ele, por exemplo, ampliou a fábrica e multiplicou a rede de distribuição de sua marca, tanto no mercado nacional quanto no internacional, aumentando consideravelmente o número de franqueados, o que aumentou e muito o seu lucro liquido. Não mudou de residência. Ainda morava no mesmo loft, era imenso e muito confortável, não havendo necessidade de um maior. "E Kate?", pensou. "Será que estava casada? Será que já tinha filhos?” Este ponto doeu seu peito, como uma facada, pois quando eles eram noivos, viviam dizendo que assim que casassem, eles cessariam com os métodos contraceptivos e tentariam ter seus filhos. Era o sonho deles. Quando conheceu Kate, ele já tinha uma filha, Alexis, fruto do primeiro casamento dele. Esse seu relacionamento conjugal podia ser definido pelas palavras: 'relâmpago e desastroso'. Não estava namorando firme com Meredith e se casou com ela não só porque ela estava grávida, mas também, e principalmente, porque ele queria ser um pai presente na vida do seu filho, não importando se amava ou não a esposa. Não queria que o seu bebê passasse pelo que ele próprio passou: não conhecer o pai e crescer sem a presença ou carinho paterno. Por mais que Martha, sua mãe, desse amor, atenção e carinho, ele tinha o secreto desejo de um dia conhecê-lo e, quando criança, fantasiava que ele iria aparecer a qualquer momento, fato que nunca aconteceu, nunca recebera nem mesmo uma carta ou um bilhete, o que, à época, o deixara muito triste. Pelas circunstancias do seu casamento e pelo modo como eles viviam, o divórcio com Metrdith foi previsível e aconteceu quase imediatamente após o nascimento de Alexis e Rick exigiu na justiça a guarda definitiva da filha, tópico que não foi contestado pela esposa, aliás, ela adorou se ver livre de ter que trocar fraldas, ouvir choros, amamentar, perder noites e tomar conta da pequenina. Ela dissera, inclusive, que tinha que entrar em uma dieta rigorosa para perder o peso adquirido na gravidez pois queria retornar ao sua forma física impecável o mais rápido possível e amamentar não estava nos seus planos. Mas Rick dava tanto amor, colo, carinho e atenção para a garotinha, que Alexis, aparentemente, nem sentia falta da mãe, a quem via somente uma ou duas vezes por ano.
Kate aparecera na vida dele quando Alexis estava com oito meses e, mesmo sem experiência, porque nunca tivera contato com criança, não tinha sobrinhos e nem primos pequenos, ela se apaixonou imediatamente pela linda e doce ruivinha de olhos azuis, igual ao pai, e a tratava como se fosse sua própria filha e este amor era recíproco, pois Alexis a tinha como mãe. Mesmo Rick presente e afetuoso na vida da filha, tudo da pequena era com Kate, que fazia suas vontades e lhe dava colo. Então, se para ele, um adulto, o final do noivado fora traumático, para sua filha a perda da Kate foi terrível, pois a relação delas era intensa, se viam diariamente no loft, onde, a pedido dele, Kate passava a semana toda, indo para seu apartamento apenas para pegar roupas. Além disso, os dois faziam muitos programas familiares, sempre incluindo a bonequinha ruiva. Com o final do noivado, mesmo sofrendo muito, ele teve ainda que acalentar Alexis que chorava a falta de Kate, afinal de contas, foram quase quatro anos juntas. Alexis pedia para o pai telefonar para Kate, mas Rick sempre dava uma desculpa, a distraía com jogos, filmes e brincadeiras em geral.
Richard respirou fundo, fechou os olhos e pensou no dia em que terminara o noivado.
Há seis anos...
Era final de tarde de uma sexta-feira, Richard chegara mais cedo em casa porque ele e Kate iriam a uma festa. Ela ficara de passar no seu próprio apartamento para se arrumar e depois iria para o loft se encontrar com ele para irem juntos à tal festa.
Richard tinha o hábito de assim que chegava em casa, ia até a antiga cômoda de madeira que ficava ao lado da porta da rua e pegava as correspondências entregues naquele dia. Dentre elas, um envelope de tamanho médio se destacava e estava sem remetente. Apenas estava escrito “URGENTE” em letras grandes. Confirmou que o destinatário era ele mesmo. Deixou de lado as demais correspondências e ficou somente com o envelope misterioso. Curioso, rasgou a lateral do envelope, olhou para dentro com o objetivo de examinar seu conteúdo e logo viu que eram duas fotografias. Achou estranho, contudo, ao retirá-las do envelope, ficou chocado com o que viu: duas cenas que pensou que jamais veria. Um mesmo casal nas duas fotos, onde a mulher era Kate e o homem era seu ex-namorado, Josh. Em uma das fotos eles estavam rindo e caminhando de mãos dadas, e na outra, os dois estavam se beijando na boca. Ela e Josh se beijavam como se tivesse bastante intimidade. As mãos dela envolvendo o pescoço dele e as mãos dele estavam abraçando a cintura dela, totalmente entregues ao momento de paixão. Imediatamente uma queimação invadiu seu peito, seu pescoço, tamanho o pânico que estava sentindo. Seu coração ficou apertado dentro do peito. Dirigiu-se ao balcão e se serviu de uma dose generosa de whisky e a bebeu quase que de um gole só. A bebida ardeu, mas precisava dela. Ainda segurando as fotografias e o envelope, percebeu que ainda havia algo dentro dele. Retirou e deu de cara com um bilhete escrito com letras recortadas de revistas e jornais, onde estava escrito:
“Kate Beckett e Rick Rodgers, vocês me dão asco!
Kate, você está linda nestas fotografias, mas... Ops! Este não é o Richard...
Fim da linha...
Podem cancelar o casamento, pois o conto de fadas acabou.
Preparei dois envelopes, um para a noivinha linda e outro para o noivo traído.
Tanto as fotografias quanto o teor do texto, são idênticos.
Bom final de semana para os pombinhos, ou devia dizer, para os ex-pombinhos?”
Richard foi para o sofá, levando consigo o envelope, as fotografias, o bilhete, o copo e a garrafa de Whisky. Quando se sentou, serviu-se de mais uma dose dupla, bebendo-a imediatamente, colocando a garrafa ao seu lado no sofá. Estava muito emocionado e sofria muito. Segurando as fotos e olhando nitidamente para elas, seus olhos se encheram d’água e as lágrimas caiam. Com o coração estraçalhado, segurou o queixo com sua mão direita e não sabia nem o que pensar.

Richard estava sozinho em casa, pois sua mãe viajara com umas amigas e a Alexis fora dormir na casa de uma amiguinha e retornaria no dia seguinte, à tarde.
Ele leu e releu o bilhete dezenas de vezes e quanto às fotografias, ele não conseguiu olhá-las novamente. Não iria rasga-las somente porque mais tarde talvez quisesse olhar novamente.
Seu celular tocou, o retirou do bolso e viu que quem chamava era Kate. Fechou os olhos e deixou o telefone tocando. Não atendeu. Não queria falar com ela. Kate insistiu mais duas vezes e ele continuou sem atender.
Já estava na metade da garrafa quando a porta do loft foi aberta por Kate. Ela deixou seus pertences sobre uma poltrona e foi em direção a ele. Ela percebeu de imediato que ele estava alcoolizado. Com uma mão ele segurava o copo cheio de whisky e com a outra segurava a garrafa. Kate também observou que o envelope, as fotografias e o bilhete estavam sobre a mesa de centro em frente ao sofá, ou seja, ele acreditara no que viu nas fotos e no que leu no bilhete. Não percebera que as fotos eram fotomontagem.
Preocupada com a situação, Kate tentou tirar a garrafa de sua mão, mas ele, sem olhar para ela, reagiu grosseiramente – Não! Eu estou bebendo. Eu quero beber.
Kate decidiu não insistir. Sentou-se ao lado dele com o seu envelope nas mãos e falou – Amor, eu recebi este envelope e estou vendo que você também recebeu um idêntico ao meu e ambos possuem as mesmas fotografias, conforme está informado no bilhete. Você reparou que as imagens são fotomon...
Rick tomou fôlego e a interrompeu com raiva e, usando de ironia falou — Kate, eu reparei as fotos. Eu reparei tudo nas fotos. Eu reparei que você estava num passeio romântico com o Josh. Eu reparei que você estava beijando Josh. Eu reparei que você me traiu. Nas fotos só não diz há quanto tempo você vem fazendo isto. – ele a encarou com os olhos semicerrados, cheios de fúria.
Indignada, Kate falou — Rick, não acredito que você acreditou nestas fotografias, elas são fotom...
Richard a interrompeu – Não é questão de acreditar nas fotos, Kate. É questão de VER. Não tenho nem que pensar ou imaginar o que você estava fazendo com o Josh, porque já está nítido; é só olhar as fotos. – Rick torceu a boca e riu com deboche.
— Richard! Você não olhou que as fotos são...
Ele a interrompeu novamente – Eu olhei tudo Kate; eu olhei como seu rosto e o de Josh estão bem nítidos. Olhei tudo, Kate. Sabe qual é a próxima cena que eu quero olhar agora? – sobre o olhar atento e chocado de Kate, ele pegou a mão dela, foi ao dedo onde estava o anel de noivado e o retirou, jogando-o com desdém sobre a mesa em frente. Por ironia, a jóia caiu exatamente sobre o envelope, as fotos e o bilhete. Ele olhou para ela que estava atônita e com lágrimas descendo livres pelo seu rosto. Ele então repetiu — Sabe qual é a próxima cena que eu quero olhar agora? A próxima cena que eu quero ver é você saindo por aquela porta e nunca mais voltar. – ele já apresentava sinais de embriagues.
— Rick, você é esperto e muito observador. Você não pode fazer isto.
— Acho que nós não estamos falando a mesma língua Kate, porque com relação a ‘poder’ ou ‘não poder fazer’, é você que não ‘poderia fazer’ o que fez, e quanto a mim, eu posso, sim, te expulsar da minha vida. Posso. Claro que eu posso. E quanto a eu ser esperto e observador, você está certa, mas neste caso eu falhei, pois não fui esperto e observador o bastante para perceber quem era você. Você é que não tinha o direito de destruir o que construímos.
— Amor, você tem que me ouvir. Vamos pegar as fotos e olhar atentamente para elas. Vamos analisa-las. Eu tenho o direito de explicar.
— Explicar o que, Kate? As fotos não precisam de legenda muito menos de explicação. Elas são autoexplicativas. O bilhete serve apenas para ratificar as fotografias. Somente isso.
— Você vai preferir acreditar numa pessoa que você não conhece? Uma pessoa que nem quis se identificar? Você não vai acreditar em mim?
— Kate, é como eu falei, não é questão de acreditar, é questão de ver. Você entendeu, Kate? VER! — Ele frisou. — E a cena está nítida, não só pela forma, mas também pela situação.
— Rick... – Ela chorava e tentava pegar as mãos dele, sendo rechaçada.
— Kate, eu não quero ouvir mais nada. Eu não quero mais olhar para você. Eu não quero mais ouvir a sua voz. Eu não quero que você me toque, tampouco quero tocar em você. Eu estou com nojo de você. Nojo, entendeu? Portanto, saia desta casa e nunca mais volte.
— E onde está aquele amor que por milhões de vezes você disse e provou sentir por mim, Rick? – ela chorava. Estava assustada, porque ele estava irredutível.
— Logo você perguntando onde está o amor, Kate. Onde está? Você ainda pergunta? Simples, Kate. Você o matou. Você jogou fora uma vida repleta de amor e felicidade que eu poderia te dar. Você pisou e esmagou o meu amor, Kate. Satisfeita?
— Rick...
Ele a interrompeu novamente — Saia desta casa, eu já falei. Eu nunca mais quero olhara para sua cara.
— Ela colocou os cotovelos sobre suas próprias pernas e de cabeça baixa segurava a testa com as mãos e falava. — Ainda não acredito no que está acontecendo. Deve ser um pesadelo. – ela chorava.
— Kate, poupe suas lágrimas. Elas não vão me comover. – ele falava rude e sério.
— E a Alexis? eu sei que ela não está aqui, mas eu queria falar com ela. – ao falar no nome da garotinha, ela se emocionou mais – Eu quero me despedir, da minha garotinha. – Kate falou, emocionada.
— Nunca mais ouse falar no nome da minha filha, muito menos chegar perto dela e nem tente telefonar para falar com ela. E só para você lembrar, ela não é “sua garotinha”, ela é minha garotinha, ela é minha filha, entendeu, Kate?
— Rick...
— FORA, KATE, EU JÁ DISSE, FORA! – já falava alto.
— E minhas coisas que estão no closet? Eu vou arrumar...
— Segunda-feira minha mãe arruma e eu mando alguém entregar no seu apartamento. Não se preocupe, nada seu vai ficar aqui. Não quero nada que lembre você aqui na minha casa. NADA! E AGORA, KATE, FORA!
— Você não quer mesmo conversar sobre as fotos? Você não vê que elas são fotom...
Richard se levantou e ficou de frente para ela — KATE, FORA! CHEGA DE ARGUMENTOS INÚTEIS. CHEGA DE SUAS MENTIRAS. NÃO QUERO OUVIR MAIS NADA. VOCÊ NÃO VALE NADA! FORA!
Cambaleando, pelo choque que as palavras de Rick causaram nela, Kate se levantou com o seu envelope nas mãos. Pegou sua bolsa, abriu a porta, olhou novamente para Rick...
— FORA, KATE!
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Ela saiu do loft e foi direto para o seu apartamento, onde se jogou na sua cama de roupa e tudo. Fechou os olhos e rezou para que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo, um pesadelo terrível, o pior que já tivera. Quando abriu os olhos, reparou que nada tinha mudado. Aquilo tudo era a pura realidade. Soluçando, abraçada ao travesseiro, Kate resolveu dar um tempo para ele refletir sobre tudo que tinha dito para ela. Ele veria que fora injusto. Resolveu também que iria procurá-lo para mais uma tentativa, quem sabe, de cabeça fria, ele permitiria que ela analisasse a foto junto com ele e ela mostraria as imperfeições das fotomontagens.
Continua.....
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