Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
9 Kate passa mal
Notas iniciais
Em Washington D.C., na atualidade...
Kate consultou o relógio e observou que ainda era cedo. A ligação de Antonella fora logo no início do dia, portanto, ainda tinha muito tempo para estudar o assunto da reunião da tarde.
Abriu um armário e pegou os documentos que formariam o processo. Iria analisá-los e, por isso, os distribuiu cuidadosamente sobre sua mesa. Contudo sua concentração não estava boa naquela manhã devido a tal ligação telefônica de Nova York. Seus pensamentos foram para a tarde em que recebera a correspondência anônima. Kate destrancou uma gaveta e de lá tirou o maldito envelope que fora o motivo gerador do final do noivado. Desde o dia em que montou aquela sala e arrumou os armários, inclusive esta gaveta, nunca mais voltou a olhar o tal envelope.
Olhou as fotos e leu o bilhete, ainda achando um absurdo tudo o que se sucedeu e, sem perceber, viajou no tempo, exatos seis anos atrás em Nova York. Kate ficou neste devaneio por algum tempo, se lembrando de cada minuto daquele dia, desde a abertura do envelope até o momento em que estava no taxi, aflita, indo para o loft de Richard, a fim de impedir que ele fizesse uma interpretação equivocada das fotos e do bilhete...
Neste momento, foi despertada por um toque do telefone. Kate Atendeu. Era sua Secretária, Sra. Mercedes Kynooty, perguntando se Kate iria almoçar fora ou se era para pedir almoço por telefone.
Consultou o relógio e, espantada, verificou que faltava dez minutos para onze horas da manhã. Solicitou que a Secretária pedisse comida chinesa e avisou que iria almoçar no refeitório do escritório. Depois de resolver este assunto pertinente ao seu almoço, Kate guardou o envelope na mesma gaveta onde antes se encontrava, trancando-a e ao fazê-lo decidiu acabar de vez com este saudosismo com relação àquele episódio em Nova York e os dias tristes que se sucederam.
Antes mesmo de meio dia, Kate já tinha almoçado. Após o almoço retornou para sua sala, se dirigindo ao banheiro contíguo para fazer a higiene bucal e retocar o batom.
Apesar de ter passado por momentos difíceis, Kate ainda era uma jovem mulher muito bonita. Neste dia ela estava com um blazer preto de couro, sem gola e os cabelos cor de mel com reflexos dourados repartido no meio, soltos em cachos um pouco abaixo dos ombros.
Depois, de se deliciar com um café expresso preparado na sua cafeteira portátil, ela se jogou novamente no trabalho. Por mais que já estivesse a par daquele caso, tinha que analisar novamente os papéis porque precisava estar afiada para a reunião que teria no final da tarde com dois advogados do seu escritório, pois ambos ficariam encarregados de auxiliá-la no que fosse preciso. Preparou outro café, não só porque amava o sabor e o cheiro daquele líquido negro encorpado, mas também porque precisava estar esperta e não perder a atenção nos documentos e apontamentos. A ação seria muito difícil, contudo Kate amava desafios, até porque ele envolvia bilhões de dólares. Nem que desse o maior trabalho do mundo Kate queria ganhar aquele processo, utilizando-se de todos os meios de prova necessários para o regular andamento do caso. Para ela não havia limites e, estando rigorosamente dentro da lei, valia tudo. Não aceitava outro resultado, até porque, obviamente, queria receber os honorários finais, cujo valor se aproximaria de um milhão de dólares, o que seria muito bom para ela e para o nome do seu escritório. Todos os advogados do seu escritório sabiam do lema: “Para Kate Beckett, era ganhar ou ganhar.”. Quando conseguiu montar seu escritório, em menos de dois anos Kate já era conhecida pelos quatro cantos de Washington D.C. e a notícia da sua excelente capacidade profissional se espalhava pelo país, e, consequentemente, ficou muito bem financeiramente. Seu escritório era contratado para qualquer tipo de causa, pois lá havia advogados para qualquer especialidade: causas tributárias, cíveis, trabalhistas, família, e todas as outras. Pessoalmente, as áreas que Kate mais gostava de atuar eram Direito Empresarial e Direito Comercial, por serem mais instigantes.
O telefonema de Antonella transformou o emocional de Kate naquele dia. Ela se esforçava para se concentrar nos assuntos daquele caso, mas estava dispersa. Ao organizar por ordem cronológica todos os documentos, os dados e anotações fornecidos pelo cliente, Kate localizou um papel que chamou sua atenção. Era um texto em um papel tamanho ofício, cujas palavras eram formadas por letras coloridas, recortadas de revistas e de jornais, em diversos tamanhos e texturas. Kate o separou e, recostada na sua cadeira, com o papel nas mãos, olhava fixamente para as letras irregulares ali dispostas. Ao analisar a aparência e ler o seu conteúdo, mesmo depois da overdose de café, seu pensamento retornou, involuntariamente, ao pior dia da sua vida, que, se pudesse, o apagaria, mas isso seria impossível.
Quando há seis anos Kate recebera o famigerado envelope com as fotos dela e Richard com o rosto de Josh, resolvera ir imediatamente ao loft de Rick para estar lá no momento em que ele recebesse o bilhete e as fotomontagens, pois, assim, ela mostraria o envelope dela, conversariam a respeito, e, deste modo, evitaria que ele, sozinho, desenvolvesse uma versão equivocada da situação. Kate se lembrou de que, ainda no taxi, tentara telefonar várias vezes para Rick, mas a ligação chamava e ele não atendia, a deixando cair na caixa de voz, o que a deixou preocupada.
... Seis anos atrás...
Assim que descera do taxi, Kate subiu rapidamente e, utilizando-se de sua chave, entrou no loft, que sempre estava impecável, contudo a primeira coisa que lhe chamou atenção foi o blazer de Rick desleixadamente jogado numa poltrona, o que era um mau sinal, pois dava a entender que a bomba-relógio já fora jogada, ou seja, ele já recebera o envelope e estava enfurecido.
Mesmo cética, Kate respirou fundo e pensou “Deus! Por favor, nos ajude. Ajude Rick a ficar calmo. Faça com que ele não pense o pior.”
Kate largou sua bolsa numa poltrona, andou a passos rápidos ao encontro do noivo e deparou com uma cena terrível: ele estava sentado em um dos sofás, aparentemente embriagado, com olhos e nariz vermelhos, sinal de que esteve chorado, o cabelo desarrumado, indicando que ele passara a mão e os dedos várias vezes. Segurava um copo e uma garrafa de whisky pela metade e olhava fixamente para a mesa de centro, onde estavam dispostos o envelope, o bilhete e as duas fotografias. “O mal estava feito. Preciso reverter esta situação.”, pensou Kate.
A primeira atitude que Kate teve foi tentar, delicadamente, tirar o copo e a garrafa de whisky das mãos dele, mas ele estava muito nervoso e reagiu com rispidez – Não! Eu estou bebendo. Eu quero continuar a beber.
O que se seguiu foram cenas que ela jamais iria esquecer. Pareciam saídas de um filme de ação e de terror. Ela tentou com carinho falar com ele e explicar acerca do ‘golpe’ do envelope, mas ele, grosseiramente, não a deixava terminar qualquer explicação. Nem parecia o Rick que ela conhecia e que tanto amava. Ele estava transtornado. Repetidas vezes Kate tentou de todo jeito, explicar para ele que as fotografias eram fotomontagens, mas não obteve êxito; ela queria explicar que era ele próprio que estava com ela nas fotografias, mas que substituíram o rosto dele pelo rosto de Josh e que o bilhete fora escrito para despertar a raiva dele e, assim, fizesse com que ele não raciocinasse coerentemente. Mas ele não queria ouvi-la e debochava dela. A cada segundo que passava ele a humilhava, a ofendia, a caluniava, duvidava da sua honra e do seu amor por ele e, para culminar o episódio, ele terminou o relacionamento, retirando o anel de noivado do dedo dela, o jogando displicentemente sobre a mesa de centro e, por ironia, a joia caiu justamente sobre o maldito envelope e o seu conteúdo. Depois, como se já não bastasse toda a humilhação, ele a expulsou da sua casa e da sua vida, proibindo-a de manter contato com Alexis, o que a fez sofrer muito, pois a conhecera com oito meses de idade e a tinha como filha. Alexis era sua princesinha.
Abalada com o episódio, Kate nem sabe como, mas chegou ao seu apartamento e se jogou na cama. Passou o final de semana todo chorando, pensando em Rick. Sentia saudades dele, sentia saudades do toque e do beijo dele. Pegou os álbuns das fotos dos dois em vários passeios e viagens que fizeram, fotos de Alexis com ele, com ela e também sozinha, fotos deles dois juntos desde o início de namoro e fotos dele sozinho. Kate acariciava o rosto dele nas fotos, como se fossem de carne e osso. Mesmo sofrendo com tudo que escutara do próprio Rick no loft, ela resolvera dar um tempo para ele meditar sobre tudo que acontecera. Com certeza ele iria olhar novamente para as fotografias e descobriria que as mesmas não passavam de fotomontagens, então perceberia o equívoco que cometera com ela ao falar tantas injúrias e terminar o noivado. Ela tinha a esperança que ele enxergaria o próprio erro e a procuraria no seu apartamento, pediria desculpas e a pediria novamente em casamento. Ela pensava e chorava.
Kate passou o sábado e o domingo na cama, rodeada de fotos de Rick e atenta à porta. Mesmo arrasada com o acontecimento, tomou vários banhos, lavou os cabelos e ficava com camisetas e shortinhos lindos e confortáveis, na esperança dele chegar e a encontrar linda e cheirosa. No final da tarde de domingo, Kate estava cochilando no sofá, quando ouviu a campainha. Imediatamente se levantou e se olhou no espelho para ver se estava apresentável e se as lágrimas deixaram seu rosto muito inchado. Estava inchado, mas ele entenderia que ela estava triste e saberia o motivo. Com o coração na mão, correu e abriu a porta sem olhar pelo olho mágico, ficando decepcionada quando percebeu que não era Rick, e sim uma vizinha entregando-lhe, gentilmente, uma correspondência que fora entregue equivocadamente. Kate agradeceu, em seguida, se despediu e fechou a porta. Deixou a correspondência sobre o balcão da cozinha e se sentou no sofá com as pernas dobradas, pensando que fora precipitada, pois se pensasse melhor, saberia que não seria Rick, pois ele possuía chave do apartamento, portanto, não toraria a campainha.
A segunda-feira chegou e nem sequer um telefonema dele ou mensagem de texto. Kate resolveu, então, telefonar novamente para ele usando a desculpa que queria saber como ele estava, mas Rick não atendeu e a ligação caiu na caixa de voz. Tentou telefonar novamente, mas o mesmo se repetiu.
Os dias se passavam e Kate, apesar de ir para o escritório diariamente e fazer as audiências necessárias, estava cada vez mais sem ânimo para fazer as coisas. Ia ao trabalho como um robô. Desanimada, devido aos acontecimentos recentes e também pela saudade de Rick, Kate passou a se alimentar mal, pois não sentia fome e assim, pulava as refeições e quando o fazia, não comia o suficiente. Estava fraca. Também sentia saudades de Alexis e também de Martha que sempre fora muito amiga, falando para eles as coisas certas na hora certa. Por saber como Martha era ligada nos problemas da família, sempre preocupada com o filho, Kate estava sem entender porque, até aquele momento, ela não tinha aberto os olhos do filho para o que estava acontecendo. Com certeza Rick narrara os fatos para a mãe e Martha deve ter lhe comentado que aquela cena da fotografia não condizia com o perfil de Kate, aí, quem sabe assim, ele refletiria e olharia com outros olhos e com mais atenção às imagens recebidas com o envelope. Esta era a esperança dela. Porém, nada mudou e Kate continuava triste, seu coração apertava, principalmente quando olhava sua mão e via que o anel de noivado não se encontrava mais no seu dedo.
Após três semanas de sofrimento, Kate continuava fragilizada, sem ânimo e continuava se alimentando muito mal. Após terminar de fazer uma audiência, ela estava se despedindo da Juíza e dos outros advogados presentes quando sentiu a sala rodar. Tentou se segurar no braço do seu cliente, mas não adiantou, caiu desmaiada.
Quando abriu os olhos, identificou que estava em um ambiente hospitalar. Estava acompanhada de uma moça, que reconheceu ser funcionária do Cartório onde se realizou a audiência. A moça percebeu que Kate voltara a si, se levantou e ficou ao lado da cama.
— Dra. Beckett, você nos deu um susto. – a moça sorriu preocupada. Ainda bem que agora está bem.
Kate, meio sem graça e olhando ao redor na tentativa de identificar o local, indagou lentamente – Obrigada pelo apoio, mas que lugar é este? E onde estão minhas pastas e minha bolsa?
Com um olhar tranquilo, a moça respondeu – Seus pertences estão guardados naquele armário. – apontou — Estamos no Posto Médico daqui do Fórum. Assim que você desmaiou nós telefonamos, eles foram te pegar de maca e a trouxeram prá cá. – a moça fez uma pausa e disse — Um momento que eu vou chamar a médica para ela conversar com você. Eu vou te aguardar lá fora. – despediu-se.
Dentro de uns segundos, chegou uma médica que, sorrindo gentilmente, se dirigiu à Kate – Olá! E aí, vejo que está mais corada. Fico contente. Assim que você chegou, nós aferimos sua pressão, sua temperatura, seus batimentos cardíacos e fizemos o teste para medir o açúcar no seu sangue e foi constatado que estava tudo bem, exceto pela sua pressão que estava baixa. Não lhe aplicamos nenhum medicamento, pois não sabíamos se você era alérgica a algum deles, portanto, apenas hidratamos você.
A médica passou a fazer nova avaliação: pressão, temperatura, batimentos cardíacos e depois comentou – É como eu imaginava. Agora você está bem. As taxas melhoraram. Foi um episódio único. Contudo, apesar de você estar bem, você está pálida e abatida. Acho que tem alguém aqui que não deve estar se alimentando bem – a médica sorriu demonstrando simpatia – Acertei?
Kate sorriu encabulada – Acertou, Doutora, eu não estou me alimentando bem. Estou sem apetite e quando chego em casa só penso em dormir. Só consigo tomar banho e me deitar. As vezes, ao chegar em casa, eu me preparo para tomar banho, ligo a TV e deito no sofá somente para relaxar, mas aí o sono me pega e só acordo de manhã. Durmo feito uma pedra. Nunca tive tanto sono na vida.
— Huumm!!! Vejamos... O que é que você come no café da manhã e no almoço? – indagou a médica.
— Ultimamente, eu tenho andado muito estranha. Não consigo mais tomar café antes de sair de casa, pois pela manhã eu tenho acordado muito enjoada e as vezes até fico com ânsia de vômito. Depois que meu estômago se acalma eu vou trabalhar e no caminho sempre paro numa cafeteria e tomo um ‘Caffè latte com baunilha’ e não consigo comer mais nada. Ao meio dia também não consigo comer muita coisa, pois ando enjoando do cheiro de alguns alimentos. Então termino por comer pouco e às vezes, até este pouco eu vomito. Talvez isso seja porque eu tenho andado muito abalada com um episódio que aconteceu na minha família e isto me deixa desanimada. – Kate olhou para a médica e falou – Doutora, obrigada pela atenção. Estou liberada? Já posso ir?
— Só um minutinho, Dra.... – indagou.
— Beckett, Katherine Beckett.
Muito simpática, a médica comentou — Então, Dra. Beckett, pelo que te aconteceu hoje e pelo que você acabou de me relatar, eu quero te informar que todos estes eventos de ânsia de vômito, vômito, enjoo, muito sono e desmaio, são sintomas característicos de gravidez. – ela sorriu levemente e perguntou – Há alguma chance de você estar grávida?
Kate gelou, piscou os olhos demoradamente, respirou fundo, fez mentalmente uma rápida investigação do seu ciclo menstrual e disse – Sim. Tem chance. Mas será?... – falou baixo.
Delicadamente, a médica sugeriu — Então, Dra. Beckett, procure sua médica e faça uma consulta. — Ela sorriu e, simpática, continuou – Eu vou te contar uma coisa: Eu tenho quatro filhos, dois meninos e duas meninas e todas as vezes que ficava grávida, eu tive todos estes sintomas. – a médica sorriu. Mas cada organismo se comporta de uma forma, então, você pode ou não pode estar grávida. Pode ser também que seu organismo esteja reclamando devido a este episódio triste que aconteceu na sua família e estes sintomas também podem estar relacionados a tais fatos. O melhor a fazer é procurar sua médica que ela vai investigar. – sorriu – Então, querida, você está liberada.
Kate se sentou sem demonstrar que estava abalada com a perspectiva de gravidez. Agradeceu a médica e despediu-se. Na antessala do Setor Médico, reencontrou a funcionária que tinha estado com ela anteriormente. Caminhou até ela e aparentando estar melhor, falou. – Obrigada pela atenção e peço desculpas pelos transtornos que causei. – Kate sorriu embaraçada.
— Que nada, Dra. Beckett. Nem se preocupe com isso. Imagine! Nenhum de nós escolhe o momento para passar mal. Ainda bem que você estava em um local seguro onde foi socorrida imediatamente.
— É. É mesmo. Então, mais uma vez obrigada. – despediu-se.
Ambas saíram ao mesmo momento do Posto Médico. A funcionária retornou para o Cartório e Kate sentou-se em banco próximo e, reflexiva, telefonou para o consultório de sua médica e marcou consulta.
Em Washington D.C., na atualidade...
Em sua sala, mais uma vez Kate foi despertada do seu devaneio pelo telefone interno. Atendeu. Era a jovem Sra. Mercedes Kynooty, sua Secretária. – Dra. Beckett, desculpe-me por interromper seu estudo, mas estou precisando falar com a senhora.
Assim que Mercedes começou a falar ao telefone, um jovem senhor, alto, exalando vigor e poder, muito bonito e bem vestido chegou e parou em frente à sua mesa. Sorriu para ela como forma de cumprimento e, observando discretamente tudo ao redor, ficou aguardando, pacientemente, o final da ligação.
De sua sala Kate respondia à sua Secretária – Não tem problema, Sra. Kynooty. Tudo bem. O que você deseja.
Analisando o visitante, Mercedes continuava a falar com Kate – Preciso saber se está confirmada para o final da tarde a reunião com o Dr. Larry John Marlowe e o Dr. Samuel Terrew.
Kate respondeu — Telefone para eles e confirme para às 16 horas. Ah, outra coisa, não passe nenhuma ligação para mim, tampouco deixe ninguém entrar.
— Sim, senhora, eu telefonarei para eles e confirmarei a reunião para 16 horas. E fique tranquila, Dra. Beckett, não passarei nenhuma ligação nem deixarei ninguém incomodá-la.
— Obrigada, Sra. Kynoot. Você é um anjo.
A ligação foi encerrada e Mercedes, ainda sorrindo com o elogio da chefe, dirigiu-se ao visitante. – Boa tarde, senhor...
— Rodgers, Richard Alexander Rodgers. Boa tarde. – Richard sorriu, simpático, achando ótimo ter presenciado aquela conversa entre Kate e a Secretária. Não poderia ser melhor.
A jovem sorriu de volta e indagou ao visitante – Em que posso ajuda-lo?
— Preciso falar com a Dra. Katherine Beckett.
Gentil, porém formal, Mercedes torceu levemente a boca, que indicava negativa, demonstrando que não poderia ajuda-lo. Em seguida verbalizou – Sinto muito, Sr. Rodgers, mas a Dra. Beckett ordenou que não fosse interrompida por ninguém, seja pessoalmente, seja por ligação telefônica.
Richard insistiu – Diga a ela que é um assunto urgente.
— Sinto muito, Sr. Rodgers, mas ela está estudando e não quer ser interrompida. Se o senhor quiser, eu posso agendar uma visita e, se desejar, posso também anotar o assunto e passar prá ela.
— Não, obrigada. – sorriu – O que eu quero falar com ela tem que ser hoje. – dizendo isso, Richard, que já tinha identificado, por uma inscrição na porta, qual era a sala de Kate, dirigiu-se rapidamente prá lá e entrou, deixando a Secretária sem ação.
Kate ouviu a porta ser aberta, mas sem desviar os olhos dos documentos e com a entonação de voz gentil, demonstrando paciência, falou — Sra. Kynooty, o que é que você deseja agora. Estou ocupada, deixe para depois, está certo, querida?
— Não sou a Sra. Kynooty. – Richard falou firme, porém, ao olhar para Kate, sentiu uma emoção forte, uma queimação no peito, uma sensação de prazer ou ódio, não sabia identificar ao certo.
Ao ouvir aquela voz, Kate soube imediatamente de quem se tratava e sentiu um raio gelado atravessar seu peito e se transformar numa grande bola de fogo.
— Richard! – falou pasma, encarando o ex-noivo. Sua garganta travou. Não conseguiu falar mais nada.
Neste momento a Sra. Kynooty entra na sala com a fisionomia transtornada – Dra. Beckett, ele entrou por conta própria e eu não consegui evitar. Desculpe-me.
Em estado de choque, Kate inspirou profundamente e após soltar lentamente o ar, e olhando fixamente para os olhos de Richard, falou pausadamente – Sra. Kynooty, tenho certeza que este senhor errou de andar. Ele deve estar procurando outra pessoa. Por gentileza, acompanhe-o até o elevador.
Mercedes percebeu uma coisa diferente no ar, algo como uma corrente elétrica ligando os dois e uma guerra de olhares, mas como estava ali para cumprir a ordem da chefa, assim o fez. Com um gesto indicou a porta para Richard, dando espaço para ele passar por ela e sair da sala. Contudo, sem se mover ou se alterar, ele falou se dirigindo à ex-noiva, com um leve sorriso significando sarcasmo. – Não, Kate, eu não errei de andar, tampouco estou procurando outra pessoa e você sabe disto. Estou procurando é por você.
Ainda atônita, e sem desviar os olhos de Richard que, petulante, agora já estava confortavelmente sentado na poltrona à sua frente, Kate falou — Tudo bem, Sra. Kynooty. Pode ir.

Ao ouvir o som da porta se fechar, Richard sorriu sarcástico para Kate, dando a entender que vencera aquela etapa.
Continua...
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