Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
14 O relato
Notas iniciais
Ainda em Washington D.C....
Kate teve seus pensamentos interrompidos por Richard, ao cobrar dela uma decisão se ela ia ou não ia conversar com ele sobre dois assuntos: o nascimento de Bia e Annie e também se ela ia mudar de opinião e aceitar a proposta para intermediar e preparar a documentação de compra das ações da “NICE CLOTHES”, inclusive com aquela cláusula absurda, de ela ter que se casar com ele caso não tivesse êxito na compra das ações e para piorar as coisas, teria ainda a nova cláusula, tendo em vista que ele disse que iria reformular àquelas já existentes, pois descobrira que possuía duas filhas com ela.
Chateada, Kate fixou sua atenção em Richard, o fuzilando com os olhos, e ficou aliviada por não andar armada porque caso portasse uma arma, não saberia qual seria a sua reação num momento como este.
Apesar de também estar chateado, Rick aparentava segurança e percebia o olhar de raiva da ex-noiva, contudo, esperava calado.
Kate olhou novamente para Richard e, em seguida olhou para sua Secretária e para os dois Seguranças que naquele momento estavam próximos à porta. Não tendo alternativa no momento, Kate dirige sua atenção para os Seguranças – Obrigada por terem vindo, porém, não há mais necessidade. – depois se dirige à sua funcionária – Mercedes, por gentileza, cancele a reunião que estava marcada para hoje às 16 horas com o Dr. Marlowe e o Dr. Terrew, transferindo-a para a data mais próxima que você encontrar na minha agenda. Avise-os do cancelamento e da nova data. Por enquanto é só, obrigada. – sorriu, desanimada, e deu por terminada a conversa.
Mercedes saiu da sala de Kate, acompanhada dos dois Seguranças. Agradeceu e eles que seguiram retornaram ao posto.
Além de eficiente, Mercedes era muito discreta, contudo não deixou de perceber que o clima que sentira mais cedo na sala da Dra. Beckett não era nada em comparação ao clima que sentiu agora. Ela não tinha a mínima ideia quem era esse tal Sr. Richard Alexander Rodgers. A única coisa que sabia dele é que ele era muito charmoso e muito bonito, mas não sabia o que ele significa ou significou na vida de sua chefa. Contudo, pela fisionomia dos dois, a situação não estava nada boa, e a prova disto é que ela até cancelara aquela reunião tão importante. Isto é sinal de que o tempo está fechando lá dentro. Mercedes, fez um discreto muxoxo e achou melhor nem ficar mais pensando na vida particular da Dra. Beckett. Apesar de estar preocupada com sua chefa, que era uma pessoa maravilhosa, sentou-se à sua mesa, a fim de providenciar o que ela havia determinado.
Em sua sala, Beckett, se sentia acuada. Pensara em pedir a ele um tempo para pensar, porém, ela sabia que pedir “um tempo”, serviria apenas para adiar uma decisão que mais cedo ou mais tarde teria que ser tomada, afinal de contas, biologicamente falando, Rick era o pai da Bia e da Annie. Ela estava consciente que ao fazer tal imposição, ele apenas adiantara o que ela, com certeza, faria mais dia menos dia, pois, como pai, mesmo não sabendo da existência das crianças, ele tinha seus direitos.
A fim de ganhar tempo para pensar sobre estes assuntos, ela vai em direção à pequena cafeteira portátil para preparar um café expresso para ela. Gira o corpo em direção a Richard e pergunta – Você aceita café expresso ou prefere cappuccino?
— Expresso, por favor – ele responde – e sem açúcar – completou.
Kate põe as duas canecas no local específico na máquina, onde, simultaneamente, receberiam o líquido negro. Enquanto ela espera finalizar aquela etapa, vai ao frigobar e pega duas garrafinhas de água mineral gelada. Oferece uma a Rick e a outra ela fica para si, abre e bebe alguns goles. Kate executa mecanicamente estas tarefas, pois seu cérebro só estava pensando nas suas filhas e o que poderá fazer para poupá-las. Finalizado o preparo do café, entrega uma caneca a Richard e fica com a outra para si mesma.
Ela põe um cubinho de açúcar na sua caneca, mexe, e segue para sua mesa. Pronto. Não tinha mais como adiar aquela conversa.
— Então... – Richard lança um olhar indagador, imediatamente após ela se sentar.
Kate bebe um pouco do café, saboreia, continua segurando sua caneca e olha para ele, serena – Richard, eu não vou conseguir viver sem minhas filhas. Peço por tudo que há de mais sagrado, que você não tente tirá-las de mim — ela afastou-se do encosto, chegou bem pra frente, semicerrou os olhos e complementou, já perdendo o controle — caso contrário, eu viro uma onça. – parou, olhou para ele, voltou a se sentar normalmente e, amenizando o tom de voz, continuou — Beatrice e Annie são as pessoas mais importantes da minha vida.
Imediatamente após o comentário de Kate, Rick fala, meio rude — Junto com a Alexis, elas poderiam ser as mais importantes da minha vida também, só que você não me permitiu. – ele informou.
Ao ouvir tal afirmativa, ela deixa sua caneca sobre a mesa, olha para ele e, com voz baixa, porém ríspida, diz – Como é que você tem a petulância de dizer uma coisa desta? Você deveria ter vergonha de me cobrar qualquer explicação a este respeito... – ela é interrompida por Richard.
— Como assim eu sou petulante? E porque eu deveria ter vergonha de cobrar explicações sobre as minhas filhas? – Ele contrapõe.
— Richard, você fez várias perguntas e eu vou te dizer a resposta a todas elas.
Cínico, ele olha para ela e diz – Bem, para quem esperou seis anos para saber que você foi embora grávida de duas filhas minhas e as escondeu de mim... esperar mais alguns segundos não vai fazer diferença, Kate. Prossiga, estou esperando. – ele a olhava com raiva.
— Mas você é muito cara de pau mesmo, e ainda por cima se faz de vítima. – dá uma pausa – Pois eu vou te dizer, Richard e tudo o que eu vou te dizer agora, eu tentei te falar há seis anos, naquela mesma época em que você me humilhou e me colocou para fora da sua vida.
Ele tentou interrompê-la, mas, com o braço direito esticado e a mão espalmada na direção dele, ela fez sinal para ele não falar nada, o mandando aguardar.
Kate deixou o café de lado, pegou a garrafinha de água despejando um pouco no seu copo e bebeu alguns goles. Encheu o peito de ar, soltando-o lentamente pela boca e começou — Richard, você vai me escutar e não vai me interromper. – falou ríspida e, olhando nos olhos dele, ela começou a falar – Há seis anos você não quis ouvir minha explicação do fato que eu identifiquei acerca daqueles envelopes que recebemos, ambos com conteúdo idênticos: duas fotografias e um bilhete. Como você bem sabe, fui expulsa de sua vida. Você me expulsou. Não nego que naquele dia eu saí do loft parecendo que um caminhão havia passado por cima de mim. Também não nego que por saber que nossa relação era séria e digna, tudo aquilo parecia um pesadelo e pelo amor que sentíamos um pelo outro, eu ainda acreditei que você organizaria seus pensamentos e me procuraria para conversarmos. Mas nada disto aconteceu, portanto, em nome da intensidade dos nossos sentimentos, sim, Richard, eu tinha certeza que você me amava, então, em nome da intensidade dos nossos sentimentos, eu te telefonei várias vezes e deixei mensagem no seu celular e no seu e-mail, procurando saber como você estava, se você já estava mais calmo e se poderíamos conversar. Imagina! Olha como são as coisas... – ela fez uma pausa, mas continuou — Eu ainda me preocupava com você, a mesma pessoa que havia me desprezado, mas, como eu não queria perder você, eu tentei de todas as formas entrar em contato, mas o que eu recebi de você foi o silêncio. Um silêncio doloroso! Depois de duas semanas de tentativas frustradas para falar com você e de tentar salvar o nosso relacionamento, vi que eu não podia fazer mais nada. Então, joguei a toalha. Desisti. – ela fez um sinal com as mãos sinalizando que desistira — Eu, que ainda acreditava que você me procuraria, e não o fez, fiquei arrasada. Não tinha ânimo para fazer mais nada. Os dias passavam e eu tentava encontrar um motivo para continuar a trabalhar e a tocar minha vida. Eu estava tão desanimada, com tanta saudade de você, sentia muito a sua ausência, tão preocupada e triste com o final da nossa relação que não dei importância para minha própria saúde, nem mesmo me alimentava direito. Até que um dia desmaiei no Fórum. Fui levada ao Posto Médico de lá e a médica plantonista, anotando os sintomas que eu apresentava, deduziu que eu estava grávida e me orientou a procurar minha médica. Apavorada, segui o conselho e depois de exames clínicos foi confirmada a gravidez. Eu amo as minhas filhas, mas infelizmente, não posso dizer que o primeiro sentimento que tive ao saber da notícia foi de alegria, porque não foi. Eu fiquei apavorada! Fiquei literalmente a-pa-vo-ra-da! – frisou – Eu estava sozinha. O pai do meu bebê havia me desprezado. Então, mesmo assustada com a notícia, saí do consultório e a primeira atitude que eu tive foi de te procurar para contar que eu estava grávida. Nós havíamos passado mais de três anos intensos, lindos e maravilhosos, portanto, mesmo você tendo me humilhado, eu sabia que você tinha direito de saber que eu estava grávida, até porque aquele bebê era fruto de amor, um amor que eu pensava ser inabalável . Telefonei para você dezenas de vezes, deixei mensagem de voz na sua caixa postal e também mandei mensagens escritas para o seu celular e para o seu e-mail, todas elas avisando que eu precisava conversar com você porque eu estava grávida. Deixei bem claro sobre a gravidez. Enviei, por e-mail, copia do exame de gravidez com o resultado positivo. Sem sucesso. Cansada das negativas, decidi procura-lo pessoalmente no loft, mas qual foi a minha surpresa ao chegar lá o Porteiro que me conhecia há mais de três anos, impediu meu acesso ao prédio, informando que estava cumprindo ordens. Avisou que havia restrição para eu entrar no prédio. Então, além de constrangida e humilhada novamente, eu me senti mais uma vez perdida por não conseguir te avisar da minha gravidez. Depois de tentar por semanas, de todas as formas entrar em contato com você, percebi que você não queria a mim nem o bebê. Então, arrasada por saber que você recebera as mensagens sobre a gravidez e não queria saber do bebê, eu decidi sair de Nova York. Se você não queria mais ouvir a minha voz nem saber do bebê, quanto mais nos ver pessoalmente. E depois eu até pensei que, ao te avisar da gravidez, eu corri o risco de ser agredida moralmente por você, duvidando da paternidade do bebê, tendo em vista que o rosto de Josh estava estampado naquelas fotografias terríveis que nós recebemos, e que você acreditou que realmente era ele. A escolha foi sua. No escritório de advocacia de Nova York, onde eu trabalhava, fizeram minha indicação para um excelente escritório de advocacia localizado em Washington D.C. e, assim, com a cara e a coragem, vim prá cá. Como não sabia o que me esperava, decidi não mexer muito nas minhas economias ao escolher a moradia, pois teria despesas com a gravidez, além do que, eu estava sozinha. Eu não tinha ninguém por mim, pois não queria envolver meu pai neste meu sofrimento. Aluguei um minúsculo apartamento próximo ao escritório que, para minha alegria, aceitarem minha indicação e comecei a trabalhar. O ambiente de trabalho era ótimo e fui recebida muito bem, graças a Deus. A minha médica de Nova York me indicou uma médica obstetra daqui de Washington D.C. a quem procurei. Dra. Lanie Parish. Era uma médica, aproximadamente da minha idade, muito simpática, alegre e divertida. Ao saber que eu era sozinha, colocou a si própria e a sua família à minha disposição para o que eu precisasse. Nos intervalos das minhas consultas com ela, que se dava uma vez por mês, ela me ligava para saber como eu estava e, assim, ficamos amigas. Amigas inseparáveis. Ela me animava bastante e fez-me perceber que eu devia me alegrar porque, apesar dos pesares, apesar de eu ter sido abandonada, eu não estava doente, eu estava esbanjando saúde, estava grávida e iria ter nos braços um bebezinho, a melhor parte de mim, a quem eu daria um amor incomensurável e incondicional. – Neste momento, Kate não consegue segurar algumas lágrimas que teimavam em descer. Pegou uma caixa de lenços de papel que estavam na sua gaveta e, utilizando-se de um, tentava conter as lágrimas.

Tomando fôlego, Kate retomou à narrativa – Ainda é muito difícil falar acerca deste assunto. Quando falo sobre isto, meus pensamentos voltam muito facilmente àqueles momentos. Mas vou conseguir. – Kate passou o lenço de papel nos olhos e prosseguiu – Então, eu estava falando dos conselhos que a obstetra falou. Bem, ela me alertou sobre o fato de eu estar carregando o meu bebê dentro de mim, eu deveria me animar, pois ele precisava de mim, não só dos meus nutrientes, mas também das minhas energias positivas, então eu segui o conselho dela e comecei a ver o lado positivo da gravidez, passei a me animar com tudo que se relacionava a gravidez e ao bebê e passei transmitir para ele toda a minha alegria. Em nenhum momento durante a gravidez eu me desabafei com o bebê sobre ele ter sido rejeitado pelo pai, pois não queria que ele nascesse com esse trauma. Só pensava e só falava sobre coisas boas, coisas felizes, momentos alegres. Minha vida mudou. Até o céu eu achava mais bonito e o verde das plantas eu achava mais vivo. Ao invés de triste, desanimada e com medo, passei a ficar contente com a gravidez. Passei a ir teatro com esta minha amiga, cinema, passear em praças, ir a restaurantes e, em alguns finais de semana, acontecia de eu almoçar ou jantar na casa dela, com sua família. Ela é casada e tem dois filhos. No meu primeiro mês aqui em Washington D.C., depois de instalada no apartamento e já ambientada no trabalho, decidi que devia continuar te procurando para avisar da gravidez. Em todos os e-mails que eu te enviava, eu anexava os novos exames, para te deixar atualizado e ainda tinha esperança que você me procurasse e pelo menos se interessasse pelo bebê. A cada mês, os anexos aumentavam, pois eu reenviava todos os anexos anteriormente encaminhados. Contudo, o fracasso se repetia. Mas, não esmoreci, eu queria que meu bebê tivesse um pai, pelo menos para chamar de pai, um pai que pelo menos uma vez por semana, ou uma vez por mês, o colocasse no colo, o acarinhasse, o acalentasse, o beijasse e dissesse que o amava, para ele se sentir querido, importante e amado, não só por mim, a mãe, mas também pelo pai. – Kate fez nova pausa e tentava enxugar as lágrimas.
Bebeu mais água, pegou mais fôlego e retomou, piscando os olhos para evitar que as lágrimas caíssem — Era sagrado, todas as semanas eu tentava entrar em contato com você de todas as formas... e nada. Na décima quinta semana de gestação, descobri que era uma gravidez gemelar e que eram duas meninas. Por ser gemelar, era uma gravidez de alto risco, mas mesmo sabendo que eu estava sozinha, eu não desanimei nem fiquei amedrontada. Eu não seria a primeira nem seria a última mulher a enfrentar sozinha uma gravidez. Então, eu que já estava feliz, fiquei mais feliz ainda, mesmo sabendo que as despesas seriam duplicadas e coisa e tal, mas tudo bem. Deus iria me mostrar um caminho. Minha rotina de tentar te contactar continuava. Eu encaminhava para você cópia de todos os vídeos de ultrassonografia que eu fazia, cada laudo médico que eu recebia, encaminhei, inclusive, o áudio com os batimentos cardíacos das princesas. Mas... nada. O silêncio persistia e você sequer respondia as mensagens. – nova pausa para ela pegar fôlego.
Neste momento, ela percebeu que Richard estava emocionado com o relato. Continuou — Com a proximidade do parto, já estava muito difícil para eu continuar indo ao Fórum, até mesmo ao escritório, pois a barriga estava muito grande e muito pesada e, por vezes, eu até me desequilibrava por conta do peso que era todo para frente, então, tive que parar de trabalhar e, como o meu trabalho no escritório era na condição de autônoma, fiquei sem receber dinheiro, pois eu não tinha salário, eu recebia honorários dos processos nos quais eu havia atuado, onde parte do valor era meu e outra parte do escritório. Acontece que eu iria parar, mas os processos teriam que continuar. Tive, então, que passar meus processos para outra advogada, pois não poderia deixar meus clientes na mão, ou seja, nos processos onde teria que receber honorários finais, eu teria ainda que dividir a minha parte para a advogada que continuou. Eu teria que viver com as minhas economias antigas e o pouco dinheiro que eu havia poupado durante aqueles meses. – Kate fez uma nova pausa e foi ao frigobar pegar outra garrafinha de água mineral gelada.
Serviu-se da água e continuou — Como o meu apartamento só tinha um quarto, comprei dois berços bem pequenos e os instalei junto à minha cama. As roupinhas e as fraldas delas já estavam compradas, bem como todos os utensílios para bebês, tipo banheira, mamadeiras e outras coisas. O parto foi ótimo. As enfermeiras providenciaram fotografar as meninas no momento que nasceram. Encaminhei para você estas fotos, e cada foto que eu tirava delas, enviava também. Mesmo muito atarefada e confusa com as atividades de mãe de primeira viagem, eu arranjava um jeito de mandar para você todas as fotos que eu podia, mandei também os pezinhos delas carimbados... tão pequenininhos, mas tão lindos e tinha esperança de você ver e responder. Continuava telefonando também. Quando completou um ano da data em que você me expulsou da sua vida, eu resolvi que devia parar de me iludir. Eu devia cair na realidade de que você não iria procurar suas filhas, muito menos me procurar. Então os meses foram passando, voltei a trabalhar e elas iam crescendo e ficando espertas. Depois, economizando os valores recebidos à título de honorários que eu recebia, saí do escritório onde eu prestava serviço e aluguei uma pequena sala para eu exercer minhas atividades. As meninas iam crescendo cada dia mais lindas e sabidas. Foram para a escolinha, eu as estimulava bastante e elas sempre muito interessadas e muito inteligentes. E hoje eu estou aqui, neste escritório que eu montei, com muito esforço, muita luta, moro num apartamento maior e melhor localizado, as crianças estudam em uma das melhores escolas daqui de Washington D.C., posso dar não só segurança e conforto amoroso para elas, posso dar também segurança e conforto material, tudo porque quando chegava em casa todo final de tarde, cansada do dia de trabalho, eu as encontrava me esperando, e só de olhar, brincar e conversar com as minhas princesas as minhas baterias eram recarregadas. – Kate fez uma pausa e olhou para ele, que continuava emocionado, porém, calado.
Kate prosseguiu — Então, Sr. Richard Alexander Rodgers, depois de eu passar um ano inteiro te procurando para falar das nossas filhas, encaminhando tudo que dizia respeito a elas, não venha me dizer que eu escondi suas filhas de você. Muito pelo contrário, eu as expus até demais, mas não me arrependo de ter feito isto, pois tenho conhecimento que, como pai, mesmo sem querer ouvir nada relacionado a mim, você tinha direito de saber tudo sobre elas.
A esta altura, Richard, que prestou atenção ao relato de Kate, não perdendo uma só vírgula, estava visivelmente emocionado, sem saber o que pensar, muito menos o que falar. — Você mandou para mim desde o primeiro exame de gravidez e todos os detalhes, exames e fotos referente a elas, durante doze meses? — Rick perguntou com voz embargada.
Percebendo que ele estava atônito com tudo o que ouvira dela, Kate se levantou e foi ao armário e destrancou a porta onde ela guardava tudo sobre aquele período. Todo o material que estava guardado para o dia em que ela fosse procura-lo. Pegou cinco pastas grandes, tamanho ofício e as colocou delicadamente na sua mesa, em frente a cadeira onde Richard estava sentado, fazendo com que ele olhasse alternadamente das pastas para ela, com expressão de “o que significa isto?”.
Já sentada novamente na sua cadeira e aproveitando a deixa, Kate disse – Respondendo a pergunta que você não chegou a verbalizar Richard, – ela olhou para ele – eu sou advogada, portanto, trabalho com documentos, trabalho com provas. Tudo que se fala e tudo que se faz, nada existe se não houver provas, correto? Então, preparei estas cinco pastas grandes, onde estão encadernados, em ordem cronológica, todos os e-mail que eu te enviei referentes ao período da minha gravidez. Ao final, você vai ver todos os anexos referidos em cada um deles, tais como exames e qualquer documento que eu recebi relacionados ao bebê, que mais tarde eu descobri que se tratavam de duas meninas. Há também fotografias minhas desde que eu descobri que estava grávida, mostrando o crescimento da minha barriga, mês a mês. Como os anexos de áudio e vídeo não podiam estar em cópia de papel, providenciei encadernar um envelope contendo pen-drives e DVDs onde estão os arquivos de áudio e vídeo, de todas as ultrassonografias que eu fiz e os batimentos cardíacos. São três pastas de todo o período da gravidez e duas pastas após o parto, onde estão todas as fotos e vídeos das meninas até que completou um ano em que eu saí da sua vida. Um ano de tentativa da minha parte para te falar sobre a gravidez e sobre suas filhas. Um ano de silêncio de sua parte.
Kate para de falar, olha diretamente para ele, que estava com os olhos pregados nas folhas das pastas. Kate diz – E aí, Richard, respondi todas àquela perguntas, você está satisfeito, ou quer saber mais alguma coisa?
Continua...
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