Notas iniciais
Meninas e meninos, desculpem o atraso... Tive que enxugar o capitulo e deu muito trabalho. Espero que vocês gostem. Obrigada a todos que estão lendo, comentando, me animando aqui e nas redes sociais. Obrigada também a ManuCorrea e Karine Dias que favoritaram. Bjinhos a todos, viu??? Denise

Em Nova York...

Dentro do seu gabinete no Departamento Jurídico da “RODGERS’s”, Antonella estava atenta e analisava uns documentos quando recebeu uma ligação telefônica do Malcon. Ao ver que a ligação era do marido, ela atendeu e foi logo perguntando – Querido, alguma notícia de Richard? Ele telefonou para você?

Com uma voz divertida, Malcon disse – “Oi”, prá você também, meu amor. – Gracejou.

— Sr. Malcon Symens, eu estou falando sério – Antonella o repreendeu, também com entonação divertida, fingindo-se chateada e, em seguida, suavizando o tom de voz, completou toda doce – Meu amor, nós almoçamos juntos e conversamos durante toda a refeição, sabemos que estamos bem e... – Consultou o relógio e disse – E já está quase na hora de irmos embora...

Interrompendo-a, ele disse – Por isso mesmo, querida, já tem muito tempo que não nos vemos...

— Oh, meu Deus! Malcon – falou divertida – Já chega de blá, blá, blá, querido. – sorriu impaciente, mas falou delicada – Ok! Você ligou para mim. Então, diga logo o que você quer, mas antes mate a minha curiosidade e me fale, pelo amor de Deus, se o Richard telefonou para você.

— Eu digo,... mas só se você me prometer que...

— Maaaaalcon!!!!! – Antonela o interrompeu impaciente.

— Ok, ok, ok! Não precisa falar mais nada. Eta, que italiana feroz que eu fui arrumar... Você ganhou! – deu uma breve risada, contagiando-a – Nem posso mais tentar fazer charme com a minha esposa – fingiu-se chateado e sorriu mais um pouco.

— Em casa, Malcon, em casa você joga seu charme em cima de mim, me seduz, faz o que quiser... Hummm!! – fez um som de quem estava pensando — Quem sabe se agora você for bonzinho comigo, à noite você recebe um prêmio? Heim? – ela sorriu, deixando-o animado.

— Gostei da ideia. Mas me prometa que não vamos deixar o pequeno Charlie e a Susan dormirem na nossa cama, pelo amor de Deus! – ele ouviu o riso dela do outro lado da linha — Então vamos aos fatos. – sorriu, animado, fazendo-a sorrir também. – Para falar a verdade, Antonella,... — ele deu uma pequena pausa — eu estou te telefonando para saber se ‘você’ tem notícias do Richard, porque para mim ele não telefonou. E eu até que tentei telefonar para ele, mas a ligação caiu na caixa de voz.

— Haannn!? Como assim? Você não sabe de nada? – perguntou desaminada – Hey, tive uma ideia! Eu vou perguntar para a Sra. Rosenthal. Quem sabe ela está mais informada do que nós? – ela deu uma pausa e acrescentou – Te ligo já, já, para te dizer qualquer coisa, viu, ‘amorzinho’? – frisou a palavra amorzinho e sorriu.

Assim que encerrou a chamada telefônica, sem nem mesmo recolocar o fone no gancho, Antonella ligou para a Secretária de Richard.

— Presidência da “RODGERS’s”, em que posso ajudar? – A secretária atendeu mecanicamente.

— Olá, Schirley, sou eu, Antonella Symens. Boa tarde. – Antonella a cumprimentou e se identificou.

— Sim. Boa tarde, Dra. Symens. Em que posso lhe ser útil? – respondeu solícita.

— Schirley, eu estou querendo saber notícias do Sr. Rodgers... Ele telefonou para você? – Antonella perguntou.

— Sinto informar, Dra. Symens, mas o Sr. Rodgers não telefonou, tampouco mandou e-mail.

Pensativa, Antonella torceu a boca em sinal de desânimo, e falou – Obrigada, Schirley. – e aí a advogada completou — Se ele te telefonar, você pode, por favor, me avisar? – pediu. – Estou precisando muito falar com ele sobre projetos jurídicos que dependem da aprovação final dele. – Antonella disfarçou.

— Sim, senhora. Pode deixar, Dra. Symens, assim que o Sr. Rodgers telefonar eu transmito para ele o seu recado e depois aviso para a senhora.

— Obrigada, Schirley, você é um amor. – desligou o telefone e, em seguida, ligou para o marido a fim de deixa-lo à par da situação. Assim que ele atendeu, ela disse desanimada – Querido, más notícias! O Richard não telefonou para a Schirley. – finalizou.

— É, então voltamos à estaca zero. – Malcon disse desanimado. – Então acho que hoje não teremos mais notícias dele. Olhe, já está quase na hora de irmos para casa. Eu vou conferir aqui um relatório financeiro que chegou agora. Assim que eu concluir, eu passo aí para irmos juntos. – avisou.

— Ok, amor. Eu já estou terminando de fazer umas anotações referentes a uns documentos aqui. Beijos. Tchau.

A ligação foi encerrada.

Em Washington D.C....

Na sua sala, após ter relatado todos os fatos relacionados ao período pós-rompimento do noivado, também sobre sua gravidez, sua mudança para Washington D.C. e o nascimento das gêmeas, Beckett, ainda emocionada, analisava o comportamento de Richard que, nitidamente abalado, se encontrava admirando as pastas entregues por ela, contendo os e-mails, as fotocópias das imagens das ultrassonografias e as fotos.

Passados alguns minutos, Kate, ainda estava tensa, porém, não chorava mais. Pensativa, ela se levantou. Recolheu tanto a sua caneca quanto a de Richard, quase intocadas, e, em silêncio, colocou-as numa bandeja próxima à máquina de café expresso, pegando duas novas canecas e, em seguida, ativou o aparelho para o preparo de novo café. Juntamente com outra garrafinha de água mineral gelada, Kate depositou a caneca fumegante de Richard ao lado das grossas pastas e sentou-se na sua própria cadeira com o seu café e sua água. Serviu-se do líquido gelado e o bebeu, esvaziando o copo. Estava com sede. Em seguida, passou a apreciar o cheiro e o sabor do café, com pequenos goles, enquanto, ansiosa, aguardava um comentário de Richard sobre o conteúdo das pastas, como também acera do relato que ouvira.

Kate estava chateada por ter que passar por aquilo — por si e principalmente pelas suas filhas.

Aproximadamente após dez minutos de silêncio e só folheando as pastas, lendo os e-mails, olhando as fotografias e os exames, um Richard abatido e com os olhos vermelhos volta sua atenção para Kate e, com um tom de voz baixo, tomado pela emoção, comenta – É um dossiê, Kate... e está muito bem redigido e documentado.

— Huuummmm! Sabido, você, ehim! – ironizou e depois falou – Óbvio que é um dossiê, Richard, ou você pensa que eu não iria me resguardar? Ou você pensa que depois de todo sofrimento pelo qual você me fez passar, eu iria dar mole e arriscar perder minhas filhas. Sim, Richard, são minhas filhas, apesar de biologicamente também serem suas. As filhas que você, ao me manter afastada, terminou por afastá-las também de você. Este foi o seu castigo. – ela deu uma pausa – Pena que ao ser castigado, minhas filhas, inocentes, pegaram os respingos deste castigo e isto só faz aumentar minha raiva, minha mágoa e a minha dor.

Apesar de saber que Kate estava cheia de dor, Rodgers foi pego de surpresa naquele momento tão delicado com aquelas palavras carregadas de mágoas.

Preferindo não entrar na mesma sintonia de mágoa dela, Richard evitou falar sobre aquele assunto específico e disse – Você, por gentileza, poderia mandar tirar algumas fotocópias para mim de alguns exames de ultrassonografia e das fotos das meninas? – deu uma pequena pausa – Eu queria guardar. – ele olha rapidamente para Kate, retornando o olhar sonhador para as fotos – Não consigo escolher em qual das fotos Beatrice e Annie estão mais lindas. Elas são tão sorridentes. – Mesmo triste, Richard sorri levemente, orgulhoso das filhas – As duas são tão parecidas... são idênticas... – olha para algumas fotos das meninas e retorna a atenção para Kate – e ambas têm o sorriso lindo. O sorriso delas é igual ao seu, Kate.

Naquele exato momento, ela pouco se importava com o elogio. Com o objetivo de provocar uma dor e arrependimento nele, Kate afirmou – Você não precisa pedir cópia delas, pois eu encaminhei para você cada um destes e-mails que estão nestas pastas com seus respectivos anexos. E, com a intenção de te manter curioso e querer abri-los, eu nominei todos os “assuntos” dos e-mails, como “COMUNICADO ESPECIAL”. Então, é só acessá-los, Richard. Simples assim. Muito fácil. – ela concluiu.

Ao ouvir tal afirmação de Kate, ele abaixou as vistas para as fotos das pastas e comentou baixo – Eu apaguei todos os seus e-mails sem nem mesmo abri-los. Eu realmente lembro-me de ter visto que os assuntos eram todos iguais “COMUNICADO ESPECIAL”. Confesso que fiquei curioso, mas deletava antes de cair na tentação e abrir.

— Oh, que pena! – falou novamente irônica, percebendo que atingira o alvo. Causara dor nele. – Péssima opção, não foi, Sr. Richard Alexander Rodgers? – ela sorriu para ele com escárnio.

— Reconheço que foi uma péssima opção. – ele resolveu voltar ao assunto de pedir cópias, pois estava muito emocionado e arrependido de ter deletado os e-mails. — Mas... E... – hesitou – e... se você não se incomodar,... também gostaria de fotos suas... Pelo menos duas, Kate... – olhou-a com admiração – Você foi uma grávida linda, Kate. Aliás, você sempre foi linda, mas na gravidez seu sorriso ganhou um tom diferente. Em todas as fotos você está deslumbrante! – comentou com sinceridade.

Ao ouvir aqueles pedidos e os comentários como se nada de ruim houvesse acontecido nestes seis anos, como se aquela atitude dele não tivesse deixado marcas, Kate tomou fôlego e, mesmo com resquício de emoção, disse mordaz – Richard, apesar de ter certeza que você não merece, eu montei estas pastas especialmente para você. Estas pastas são suas. Eu as preparei para o dia em que você me desse a oportunidade de entrar em contato com você a fim de que eu pudesse falar das meninas, fato que nunca aconteceu. Tenho pastas idênticas.

Ele não conseguia disfarçar a alegria pela notícia de que aquelas pastas ficariam com ele — Obrigada. – Ele agradeceu, com sinceridade – eu percebi que há o vídeo, Kate.

— É uma pena que eu tivesse que recorrer a este expediente para informar a você sobre a minha gravidez e o nascimento das gêmeas. Você deve ter visto aí a indicação que tem um vídeo do parto, com as meninas chorando pela primeira vez e depois sendo colocadas nos meus braços – havia mágoa na voz de Kate – Richard, o que eu queria à época, era que você estivesse do meu lado, acompanhando e participando ativamente de cada passo da gravidez e que estivesse segurando minhas mãos, me dando forças no momento do parto e que fosse você, o PAI, a pessoa quem cortaria os cordões umbilicais e que, comigo, ouviria pela primeira vez os chorinhos das duas assim que nasceram e, com certeza, comentaríamos brincando quem chorava mais forte do que a outra ou quem mamava com mais voracidade.

Ele olhou com pesar para ela e disse, enfim, cabisbaixo – Sinto muito...

— Espero que você sinta mesmo, Richard. – Kate retrucou, magoada. – Mas não pense que, por eu estar te entregando estas pastas e por você estar me dizendo o seu “sinto muito”, está tudo esquecido e tudo resolvido, entendeu, Sr. Richard Alexander Rodgers? – Kate falou tensa – Nada está esquecido e tampouco resolvido. Até porque você está atrasado seis anos. E é uma pena que você não possa sentir nem um décimo da dor, do desamparo e da tristeza pelo qual eu passei.

— Poderemos conversar, Kate... – ele tentou falar, mas foi interrompido pela ex-noiva.

— Agora? Agora, você quer conversar, Richard?... Eu repito, Richard, você está atrasado seis anos. – falou amargurada.

— Kate, mas nós precisamos conversar...

— Sim, Você tem razão. Precisamos conversar, Richard. Mas antes de iniciar qualquer assunto – Kate se dirigiu ao armário onde as pastas estiveram guardadas, e pegou duas novas pastas, sendo estas de um modelo fino, apenas com poucas folhas de papal ofício, cada. Kate continuou – Estas duas pastas possuem conteúdo idêntico. Preciso que você assine este documento e a respectiva cópia. Apenas para te adiantar, este documento se trata de uma DECLARAÇÃO, onde você reconhece que somente nesta data foi possível receber estas pastas e tudo que está contido nelas, porque antes você estava inacessível à minha pessoa e não permitia minha presença na sua casa, estando inclusive proibida de me aproximar do seu apartamento ou no seu local de trabalho, até mesmo de qualquer membro da sua família, o que inclui Alexis e Martha. Você também reconhece que desde o dia em que você terminou nosso noivado, nunca atendeu nenhuma ligação telefônica minha ou respondeu qualquer mensagem eletrônica, seja via e-mail ou via telefone celular. Você pode ver que estão listados cada item destas cinco pastas. Você pode conferir. Não tenha pressas, pois, parafraseando você mesmo, apenas com pequenas alterações eu te digo “Para quem esperou seis anos para poder contar para você que eu fiquei grávida e tive duas filhas suas... esperar mais alguns segundos não vai fazer diferença.”. — apesar de o assunto ser muito delicado, ela sorriu cínica.

Richard a ouviu e ficou ainda mais triste. Em seguida, abriu a nova pasta que Kate acabara de lhe entregar e observou que o documento continha muitas páginas. Confirmou tratar-se de uma ‘declaração’, como ela própria havia falado, e após ler, verificou que o texto condizia com o que fora relatado por ela. Encontrava-se anexo a esta declaração um rol de itens, discriminados por ordem cronológica, e cada item tinha uma indicação do que se tratava, o número da pasta e da página onde estavam guardados. Rick dirigiu o olhar para Kate, pôs seus cotovelos sobre os braços da cadeira onde estava confortavelmente sentado, uniu as mãos entrelaçando seus dedos e comentou – Kate, eu insisto, precisamos conversar.

— Conversaremos, Richard, é só você assinar a declaração com a respectiva cópia e rubricar em todas as folhas. Fácil!

Kate sabia que, como um experiente homem de negócios, ele pediria um prazo para entrar em contato com seus advogados, a fim de receber orientação para saber se devia ou não assinar a declaração.

Qual não foi a surpresa de Kate quando ele passou a rubricar e assinar o documento e a cópia, ficando com uma via e entregando a outra para Kate, encarando-a com olhar calmo.

— Pronto! – ele falou.

— Sério? Você assinou sem nem mesmo consultar seu departamento jurídico de Nova York? – ela não conseguiu esconder o espanto.

— Não preciso deles para isto. Eu li o conteúdo e tudo o que tem aqui é verdade. Então, nada mais justo do que assinar. – ele concluiu. – E agora, Kate, nós podemos conversar? – ele readquiriu sua altivez – Precisamos conversar não só sobre as nossas filhas, mas também sobre a proposta que eu te fiz, sobre você intermediar a compra das ações da “NICE CLOTHES”.

—Oh, meu Deus! – ela demonstrou claramente que estava indignada — Não acredito que você ainda insiste nesta proposta ridícula, Richard. Mas, eu não estou me importando com o que você ou a sua idolatrada empresa pensa ou deixa de pensar. Mas independente dos seus motivos, Richard, se você e a sua idolatrada empresa querem ou não continuar com esta palhaçada da compra das ações, o que você parece não entender é que EU não quero nem tenho nenhum interesse em advogar ou intermediar qualquer transação comercial para você. Você entendeu ou quer que eu repita. Vou repetir, Richard: EU não quero nem tenho nenhum interesse em advogar ou intermediar qualquer transação comercial para você. Entendeu agora? Quero também te informar um fato, que com certeza não passou despercebido de você: existem milhões de advogados em Nova York que ficariam contentes em trabalhar para você, inclusive os da sua própria empresa. Portanto, me esqueça! Eu não vou advogar para você e o meu escritório está fora do seu alcance.

Richard pensou e rapidamente disse — Então, se você pensa assim, Kate, eu vou suspender temporariamente este meu interesse na compra das ações da “NICE CLOTHES”, porque o meu maior interesse agora é conhecer minhas filhas. Eu quero vê-las hoje.

— Ops! Rá, rá, rá! – ela foi irônica e fez o som de uma risada – Então tá! Então você resolveu que quer vê-las hoje. – ela levantou as sobrancelhas, como quem acha ridícula aquela decisão dele. – Então é assim... Você chega, fica sabendo que temos duas filhas e aí, decide, por conta própria, que vai vê-las hoje, como se tudo estivesse resolvido e esquecido, não é isso? – Kate falou tensa ainda usando de ironia.

Kate não deu tempo do Richard responder – Não é assim que a banda toca, Richard. Eu vou repetir, porque parece que você não escutou e, se escutou, não entendeu: “Você está atrasado seis anos”. Seis anos. Seis longos anos.

— Kate... – ele tentou falar, mas foi interrompido por ela.

— Você pensa o que, Richard? Que elas são desprovidas de emoções e sentimentos? Que elas não tomariam um choque ao te ver, de um momento para o outro? Você repare que eu nem estou me incluindo nestas observações, pois as minhas filhas são muito mais importantes para mim. Por mais que sua presença e estes assuntos tenham me abalado, eu sou adulta e consigo superar. Posso até demorar, mas supero. Mas Beatrice e Annie são duas crianças de cinco anos. São espertas, inteligentes e maduras para muitos assuntos, mas ingênuas e inocentes para outros, como, aliás, qualquer criança da idade delas. Elas podem até me surpreender, claro, mas não posso contar com a exceção. Eu trabalho com a regra.

Ouvindo-a com atenção, Richard pergunta — Então, de quanto tempo você precisa, Kate?

— Não sei. Eu terei que conversar com elas e sentir a receptividade. – ela respondeu.

— Então, eu aceito. Vou esperar – consultou o relógio de pulso – já passa um pouco das 17 horas. Eu não retornarei hoje para Nova York e deixei ordens para meus compromissos de amanhã serem remarcados. Ou seja, passarei a sexta-feira e o final de semana aqui em Washington D.C.. Aguardarei seu contato. O número do meu telefone celular ainda é o mesmo. Você ainda o tem? – ela fez que sim com a cabeça – Então...

Richard foi interrompido pelo som do telefone celular de Kate, que tocava. Ela viu o número originador da chamada, pediu licença – Com licença, tenho que atender. – levantou-se e se dirigiu ao fundo da sala e falava baixo, quase sussurrando.

— Beth, algum problema com as meninas? – Kate perguntou preocupada.

— Não, Dra. Beckett. É que elas estão me pedindo para ir ao parque da praça que fica aqui próximo de casa.

— Diga a elas para me esperarem, Beth. Eu já estou indo prá casa. – Kate argumentou.

— Eu já falei isto à elas, Dra. Beckett, mas elas estão inflexíveis.

— Jesus! Desde pequenas, elas são inflexíveis. Quando elas colocam uma ideia na cabeça, é difícil convencê-las do contrário. Não sei a quem puxaram.

Apesar de estar falando baixo, quase cochichando, Rick ouvia cada palavra dita pela ex-noiva, e não pode deixar de se divertir ao ouvir a última colocação dela. Ele riu para si e pensou “quer dizer que elas são inflexíveis, Kate? Então é mais sério do que eu imaginava, porque nos dois somos inflexíveis.” pensou e sorriu novamente. Ficou quieto, pois ouviu Kate prosseguir a conversa.

— Então, tá, Beth. – Kate continuou a falar bem baixinho com Beth, informando o nome da praça onde ela deveria levar as filhas — Leve-as que eu as pegarei quando sair daqui. Sei que nem precisa falar, mas como eu sou muito preocupada com a esperteza delas, tenho que dizer para você prestar bastante atenção nelas, pelo amor de Deus, pois, apesar de serem duas, elas valem por quatro... aliás, você as conhece bem, né, querida?

— Entendi, Dra. Beckett. – a moça riu.

Despediram-se.

Kate retornou à sua mesa e, encarando Richard, falou. – Desculpe-me a interrupção, mas foi uma ligação importante. Você estava dizendo...

— Eu estava te perguntando se você ainda possui o número do meu telefone celular.

— Eu tenho, mas para evitar equívocos, vou conferir — ela consultou a agenda do seu aparelho, localizou o nome dele, repetiu o número que estava lá, e ele confirmou que era aquele. Em seguida comentou para tentar mudar o rumo do assunto — Hoje em dia os aparelhos novos são ótimos e nos ajudam bastante, pois trocamos de aparelho e conseguimos transferir todos os dados do aparelho antigo, sem que haja necessidade de copiar nome por nome e dado por dado.

— É este. E o seu número ainda é o mesmo, Kate?...

— Sim.

— Você poderia confirmar o seu número, Kate?

Ela o olhou meio de lado, em dúvida, mas informou.

Após ele pesquisar no seu aparelho o número do telefone celular de Kate, sem nem mesmo precisar ser posto para fora do escritório, ele se levantou, deu a volta na mesa dela, parou ao lado de Kate que já se encontrava de pé. Olharam bem nos olhos um do outro e, apesar de todo o problema pelo qual estavam passando, se despediram. Rick estendeu a mão direita em direção a Kate para cumprimento formal. Ela olhou alternadamente para ele e para a mão dele e, meio sem graça, também estendeu a mão direita e aceitou o cumprimento. Ao apertarem as mãos, ambos sentiram que uma corrente elétrica foi acionada. O coração de Kate, que até bem poucos segundos estava menos tenso, voltou a bater descompassado e o mesmo acontecia com Richard. Apesar de demonstrar estar sob controle, só o simples fato de tocá-la, fazia com que seu coração acelerasse. Um aperto de mão normal durava somente alguns milésimos de segundos, mas aquele ali, onde Rick, já com as duas mãos, segurava a mão dela e acariciava com o polegar o dorso da mão de Kate, já durava uma eternidade. Ambos se olhavam e o olhar dizia mil coisas. Percebendo a enrascada na qual estava se metendo, Kate, sem graça, desviou os olhos e retirou sua mão da mão dele, mas não conseguiu falar nada.

Esperto, experiente, principalmente no que dizia respeito aos sentimentos e ao comportamento da ex-noiva, pelo menos a Kate de seis anos atrás, Richard a olhou apaixonado e falou lentamente – Kate, então, eu vou aguardar seu contato. – Impetuoso e inesperadamente, ele colocou uma mecha de cabelo de Kate por detrás da orelha, assustando-a.

— Não, Richard. Por favor, não me toque. – falou e deu um passo para trás.

— Kate, apesar de estarmos passando por toda esta situação com relação às nossas filhas, não podemos deixar de perceber que ainda existe uma química muito forte entre nós...

— Richard, pare, por favor... Kate o interrompeu tensa, sendo também interrompida por ele.

Ele continuou – Não uma química, pura e simplesmente, mas ainda existem sentimentos. – Richard argumentou lenta e pausadamente.

— Richard, bote na sua cabeça que minhas filhas são minhas prioridades. Nada nem ninguém vêm antes delas. Sem chance. – Ela foi direta.

Contudo, sem dar ouvidos ao que a ex-noiva disse, Rick, muito ágil, cobre o espaço que os separava e a beija selvagemente, sem nem mesmo dar chance dela se afastar, pois a abraçou forte. Com uma mão, segurava os cabelos e a nuca dela como se estivesse forçando-a contra a sua própria cabeça e com a outra mão a pegava intensamente pela cintura, trazendo-a para ficar colada a ele.

Com os sentimentos e as emoções agitadas, Kate, pega de surpresa tenta afastá-lo e se soltar dos braços dele, mas sem êxito, pois, depois dele lhe acariciar os lábios com a ponta da língua, lhe dar mordiscadas na orelha e pescoço, ela não resiste e de ponta dos pés, corresponde aos beijos avidamente, acariciando-o no rosto, nos cabelos e por fim, passando os braços em volta do pescoço de Richard. Ele apimentou o beijo, provocando-a com sua língua, duelando, reacendendo sensações que ambos, erroneamente, pensavam adormecidas. Após um instante, ele afastou alguns milímetros dela e deu vários selinhos, mordiscou o lábio inferior dela e retornaram ao beijo profundo, agora não mais violento, apenas apaixonado.

Após alguns instantes, Richard interrompe o beijo, olha apaixonado para Kate e ousado, acaricia a face direita dela, que ainda se encontrava de olhos fechados. Languidamente ele falou – Kate, então, eu vou aguardar seu contato. – momento em que ela despertou e, nervosa, o empurrou para longe.

— Richard, nunca mais faça isto! – disse com a respiração irregular.

— Kate, eu apenas dei o primeiro passo para este beijo fantástico, todos os outros passos, nós demos em conjunto. Acredite! Ainda somos excelentes juntos. – falou cínico. – e olhe que estamos vestidos...

Ela levantou e embalou o braço direito que, rapidamente, ia com a mão espalmada em direção ao rosto dele, mas foi parada na metade do caminho por ele, que segurou fortemente seu pulso e disse – Kate, porque se enganar?

Continua...

Notas finais
Continuo aflita!!!! Comentem, please.... Bjinhos, tá??? Denise