Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
96 O parto
Notas iniciais
"Confiar em Deus é a atitude mais acertada
que um ser humano pode ter
Isto porque essa confiança nos dá segurança,
alegria e força para enfrentar qualquer desafio
que esteja na nossa frente.
Deus é fiel e bom, e nunca desampara
nem abandona aqueles que confiam n'Ele!"
Citação de vários blogs religiosos
38 semanas de gestação.
Kate não sentira mais dores, apenas indisposições ocasionadas pelo tamanho e pelo peso da barriga, mas nada que não pudesse suportar. Os garotinhos estavam agarradinhos e, por falta de espaço, pressionavam não só a bexiga, que a levava inúmeras vezes ao sanitário, mas também apertavam outros órgãos que por vezes causavam apenas incômodos momentâneos, porém na semana anterior, a dor foi muito aguda, tanto que fora levada ao hospital. No entanto, Lanie tranquilizara o casal ao exibir os resultados dos exames onde mostrava que tudo ia bem, apenas que os seus filhotes procuravam acomodação e acharam os órgãos da mamãe muito confortáveis, fato que ocasionaram as dores.
Nos últimos dois meses, principalmente no último, dormir era uma tarefa complicada para Kate, pois era difícil encontrar uma posição confortável por conta do grande tamanho da barriga. Ela sentia esta dificuldade mesmo tendo engordado só o necessário para a saúde e bem estar dos bebês. Contudo, quando ela encontrava uma posição que a satisfazia, ela ficava muito contente porque conseguia dormir pelo menos um pouco e foi o que aconteceu no início daquela noite, só que o sono fora interrompido muitas vezes e isto a deixou cansada.
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No início da semana Kate dissera ao marido que ela entenderia se ele quisesse pernoitar no quarto de hóspedes para conseguir dormir a noite inteira, sem interrupções, pois ela sabia que o balançar dela na cama às vezes o acordava.
— Hey, você por acaso fez estes bebês sozinha, moça? – ele brincou.
— Não é isso, amor, é que eu fico constrangida porque eu posso recuperar o sono durante o dia, pois não estou mais indo trabalhar, mas você, Rick, tem que trabalhar o dia todo.
— Querida, fique tranquila. Completamente fora de cogitação eu passar a noite longe de você.
E assim a semana passou.
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Como o parto poderia ser a partir daquela semana, Richard já havia providenciado junto à Diretoria da fábrica, seu afastamento por um mês, porque queria ficar cada segundo com sua mulher. Não a deixaria sozinha, por nada. Ela merecia que ele desse todo o apoio e carinho possível.
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Apesar da ansiedade por saber que o parto estava próximo e de Kate ter dormido pouco, o amanhecer do casal Richard & Katherine Rodgers sempre se dava tranquilo, pois, apesar de tudo, eles estavam felizes porque em breve conheceriam seus filhotinhos.
Pela manhã, quando Rick despertou, já encontrou a esposa acordada, recostada sobre alguns travesseiros na cabeceira da cama.
— Oi, amor! Bom dia! Como você passou a noite. Eu dormi feito um pedra e nem percebi se você se mexeu.
Rick se recostou ao lado dela e a puxou para si. Assim que foi abraçada pelo marido, Kate se acomodou no peito dele e se queixou sobre a noite mal dormida e também sobre incômodos – Querido, estou cansada porque quase não consegui dormir direito esta noite. Não encontrava posição confortável, amor. E tem mais ou menos meia hora que estou sentindo umas coisas estranhas na parte baixa da barriga. – ela passava a mão pela região que a incomodava.
— Igual a semana passada, Kate?
— Mais ou menos. – Kate se sentou e avisou – Eu preciso ir ao sanitário, amor... – ela dá um risinho e ela própria brinca – Prá variar, né... Minha vida agora é ir ao sanitário
— Faz parte, amor. Logo eles estarão aqui conosco.
Assim que Kate pisa no banheiro, antes mesmo de sentar no vaso sanitário, ela sente o pijama molhar e escorrer pelas pernas, mas não consegue segurar. No mesmo instante ela percebeu que aquilo estava estranho. Ela olhou para o líquido no chão e percebeu que era sem cor e tinha um cheiro forte, mas não era de urina... Imediatamente chamou o marido – Rick!... Rick!... Rick!
Percebendo que o chamado era aflito, ele chegou em segundos e presenciou a cena – Hey!
— A bolsa estourou, amor. Liga prá Lanie. – ele já ia saindo quando ela o chama novamente – Mas antes abre aquele armário ali e joga uma toalha sobre o líquido e tenta secar o chão, amor, para nenhum de nós escorregar e cair... Iria ser pior.
Após fazer o que a mulher mandou, ele vai telefonar para Lanie, mas retorna com o celular na mão – ela quer falar com você, Kate.
Kate queria tomar banho. Ela já ia começar a tirar a roupa quando pegou o telefone e cumprimenta Lannie – Hey, amiga, meus garotinhos estão avisando que querem nascer... – ela sorriu ao falar com a médica.
— Tô sabendo... Seu Bonitão me avisou. Mas me diga aí o que é que você está sentindo... Dor? Incômodo?...
...
...
...
Sob o olhar atento e preocupado de Richard, elas conversaram por algum tempo sobre o episódio ocorrido, os sintomas que Kate estava sentindo e ainda sobre as providência a tomar.
Ao terminar, Kate pôs o telefone sob o banco e começou a tirar a roupa.
— Hey, amor... O que a Lanie falou. Você pode tomar banho? Eles não vão sair?
— Eu posso tomar banho, meu amor. E eles não vão nascer neste momento, querido. Vem aqui me ajudar, babe.... – enquanto ele a ajudava ela ia explicando tudo o que a obstetra falara.
— Mas você está bem? Está sentindo dor?
— Estou bem! Além daquele incômodo que eu te falei ainda agora, não estou sentindo dor.
Apesar de tensos com a nova situação, estavam felizes porque estava tudo bem e ela não sentia dor.
...
...
...
Lanie mandou que ela fosse ao hospital. Ela até gostou disto ter acontecido naquele horário porque as crianças estariam na escola na hora do nascimento dos trigêmeos. Isso se os garotinhos cooperassem e quisessem nascer logo.
— Rick, que tal você me ajudar no meu último banho da minha vida como grávida? – Kate chamou o marido.
Ele a provocou – último banho da sua vida como grávida? Sério, Kate?
— Eu vou fingir que nem ouvi esta sua pergunta... este seu comentário, ou melhor, vou considerar como uma piada, ok? – no entanto, segundos depois ela indagou – Sério, Richard!? Já temos seis filhos! Primeiro a Alexis era filha única... Fiquei grávida: dois bebês, totalizando, três filhas, ou seja, um número mais do que o ideal para os dias de hoje, principalmente para uma mãe que trabalha fora e tem tantas atividades como eu... Ok! Fiquei grávida novamente: três bebês, totalizando: seis filhos. Muito? Sim. Mas Deus mandou, então eu não só aceitei como amei, aliás, amamos. Tudo bem que nenhuma das vezes eu programei... Simplesmente aconteceu, mas mesmo assim, você acha que eu vou ser louca de vacilar e correr o risco de engravidar novamente?
Richard a escutava atento.
— Rick, a partir de agora para fazermos amor você tem que colocar dois preservativos – ela riu – ou então eu faço a laqueadura ou você faz vasectomia, querido. Que situação! Para sairmos juntos, não podemos ir nem no meu carro nem no seu e olha que ambos são grandes e espaçosos. Você tem que comprar um carro confortável que caiba toda sua família: sua mulher e seus seis filhos. Pode!? – ela riu — Temos que comprar um micro-ônibus para sairmos nós dois com nossos seis filhos se quisermos levar as babás... Então, já pensou se eu ficar grávida novamente? Melhor você comprar logo um ônibus para passearmos e um hotel para morarmos... Que tal? — Kate completou bem humorada.
— Uaaauuwww! Estressou, não foi? – ele riu e a abraçou. – Calma, meu amor. Tudo vai dar certo. O seu parto vai ser maravilhoso, nossos bebês vão nascer maravilhosos. Você é maravilhosa. O nosso dia está e vai continuar sendo maravilhoso. – ele deu um monte de beijinhos no rosto e nos cabelos dela. E você não vai engravidar novamente.
— Ah, amor, desculpa. Mas eu estou tensa mesmo... Por mais que eu saiba que está tudo bem, que eu estou bem, que a minha gravidez não teve nenhum problema e coisa e tal, eu fico com medo porque está chegando a hora... Centro cirúrgico, anestesia. — ela choramingou — Eu fico pensando nas minhas filhas, em você, nos bebezinhos, em mim mesma que eu não quero ter nenhum problema...
— Kate, não vai acontecer nada de ruim com você e com os nossos bebês. Meu amorzinho, tente ao máximo ficar tranquila para sua pressão arterial não subir, por favor. – ele a afastou um pouco, pegou suas mãos, uniu as duas e as beijou. – Vai ser um parto perfeito, você vai ver. Você quer um parto natural humanizado... E se não for... Tudo bem... Você já fez outra cesariana e sabe o que acontece. Lembra que a Lanie recapitulou com você e informou para mim que eu não sabia? Corrija-me se eu estiver errado, ela disse que se for normal, vai ser, como o nome já diz, “normal”...
— Menos, Rick, menos... — ela torceu a boca e revirou os olhois — Haja dor...
— Mas a Lanie disse que passa rápido... Vamos confiar nela...
— Ainda mais que vai ser em mim e não em você, né? – mais uma vez ela torceu a boca e o olhou de lado, achando garça da expressão de dor que ele fez, mas logo ele falou sério.
— Se você pudesse transferir a dor para mim, querida, eu não me incomodaria só para você não sofrer.
— Oh, querido, me desculpe. Eu estou tensa, né.
— Amor, nem se preocupe. Tudo bem, apesar de não sentir a sua dor, eu te entendo. Acredite. Bem, a Lanie disse que se você tomar anestésico, você não vai ficar desacordada, mas não vai sentir nenhuma dor, e que vai ver os nossos filhinhos assim que eles nascerem e que você deverá ter alta no domingo pela manhã, juntamente com nossos filhotinhos.
— Eu sei, amor. Eu lembro... – Adorando ser acarinhada por ele, ela comentou – Ainda bem que você pode ficar aqui comigo. Graças a Deus!
— Não perderia este momento por nada. Você sabe que hoje eu vou ficar o dia todo com você, não sabe? Já telefonei para o meu escritório. Deixei ordem na fábrica e no escritório para ninguém telefonar ou mandar mensagem para mim. Hoje eu estou somente para você, amor – ele brincou para tentar distraí-la.
Richard a colocou sentada no banco de madeira do banheiro, ficando de frente a ela. Ele abaixou na direção da barriga e passou a acaricia-la e beijá-la e a conversar com os bebês – Hey, filhos, hoje o papai e a mamãe vão conhecer vocês. Eu e sua mãe nem conhecemos vocês, mas já amamos. Vocês vão conhecer a mamãe. Ela é a mulher mais linda do mundo. Ela também é forte, inteligente, guerreira, divertida, carinhosa. Vocês também vão conhecer suas irmãs, elas são lindas, simpáticas, carinhosas, espertas e vão ensinar muitas coisas a vocês, até traquinagens, que eu imagino... Sua vó Martha, é um pouco doidinha, mas é muito inteligente, carinhosa e esperta e sabe dar conselhos como ninguém. Não existe pessoa melhor para dar conselhos. Seu avô é muito observador e caladão, na dele, e é uma pessoa boa e amorosa. Ou seja... Caras, vocês terão uma família maravilhosa.
— Filhinhos, e vocês terão o pai mais maravilhoso do mundo, ok? – Kate acariciou sua própria barriga e puxou o marido par dar um beijo. – Querido, você é incrível!
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Kate estava pronta. Como eram trigêmeos, então a bagagem para o hospital era grande. Uma maleta dela e ao invés de fazer uma maleta para cada bebê, optou por uma maior para os três bebês. Ela também mandara Rick preparar uma maleta para ele porque disse que não queria que ele saísse de lá nenhum minuto. Tudo já estava guardado no carro desde cedo para que as meninas não vissem. Às nove horas, como de costume, Kate se despediu das meninas porque elas estavam indo para a escola. Ela e Rick decidiram não contar nada para não causar ansiedade nelas. Jim e Martha levariam as meninas ao hospital para conhecer os bebês somente na manhã de sábado.
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Chegada a hora do parto...
Estavam no hospital. As contrações estavam cada vez mais próximas uma da outra e às quinze horas Richard se paramentou com as vestimentas específicas para acompanhar Kate à sala de parto. Ele ficou ao lado dela, dando apoio e carinho o tempo todo. Conforme sonhavam, o parto foi natural. Lanie o convidou para cortar os cordões umbilicais e ele não conteve a emoção no momento em que ouviu o chorinho do primeiro bebê. A cada bebê que ele via a emoção aumentava.
Lanie pôs os três bebês sobre o peito de Kate e os cobriu por causa da baixa temperatura do centro cirúrgico.
— Pronto, amiga, eu quero te apresentar seus bebês. Richard, sua família é linda. Amigos, eles são perfeitos, perfeitos, perfeitos. Parabéns ao papai e à mamãe!
Kate tinha mangueirinha de soro presa com esparadrapo no dorso da mão esquerda, mas mesmo assim, muito emocionada, ela pôs suas mãos sobre seus filhos e entre lágrimas falou baixinho – Hei, filhinhos, eu sou a mamãe. Eu estava morrendo de vontade de conhecer vocês... Ver a carinha de vocês.
Não menos emocionado e também com lágrimas escorrendo pelo rosto, Richard sussurrou – Rapazes, eu sou o papai de vocês. – as lágrimas aumentaram e a garganta dele travou.
Chorando, ele encostou seus lábios nos lábios de Kate que também chorava. Um encostar de lábios, rápido e emocionado. — Obrigada por você existir, Kate. Obrigada por ter me dado mais estes presentes, amor.
— Eles são lindos, Rick.
— Sim, amor. São.
Kate fazia carinhos nos corpinhos dos bebês. Levantou um pouco o lençol e ficou conferindo as mãozinhas, os dedinhos, os bracinhos, as perninhas, os pezinhos, os rostinhos, as orelhas, o nariz de cada um, as boquinhas. – Eles são perfeitos, amor.
Naquele momento, a pediatra neonatologista chegou ao lado de Kate e com delicadeza avisou – Mamãe, com licença, eu tenho que levar estes mocinhos para fazer a higiene deles e continuar com as consultas e exames rotineiros.
Demorou alguns minutos e Rick foi ver se os bebês estavam realmente bem e assim que chegou viu seus três molequinhos todos limpinhos e já com fraldinhas. Rick pode constatar que em cada um deles havia uma pulseirinha de identificação, contendo o nome de Kate e o respectivo horário de nascimento. Os três estavam sendo empacotados com pequenos lençóis apropriados para isto, deixando apenas os rostinhos de fora.
Ele retornou para junto da mulher e falou o que viu, mas Kate fez um pedido — Amor, vá com eles e não saia do lado deles por nada. – Kate pediu. — Por nada neste mundo.
— Pode deixar, amorzinho, fique tranquila que eu não vou desgrudar os olhos deles.
Richard mal terminou de falar e percebeu que Kate fechou os olhos de modo estranho, como se estivesse desmaiado, a cor fugiu da sua face, que pendeu para o lado direito.
Para confirmar sua impressão, o monitor que indicava os sinais vitais de Kate, começa apitar e, em questão de segundos, o corre-core na sala de parto é de enlouquecer e Lanie se dirige ao amigo – Richard, saia daqui agora, vá ver seus filhos. Eles estão ótimos e vão para o berçário. Precisamos de espaço para agir rápido. A Kate precisa ser atendida com urgência.
A equipe já se ocupava de Kate.
Aflito ele pergunta — Lanie, o que houve? – a médica já saíra de perto dele e estava, junto com outros médicos, enfermeiros, instrumentistas numa corrida contra o tempo para salvar sua amiga.
Ele olhou para Kate e ela estava sem cor e o monitor continuava apitando e os sinais vitais reduzindo muito rapidamente.
Ele grita desesperado e tenta chegar perto da esposa – KATE! KATE! KATE! – Muito rapidamente, ele é retirado à força da sala.
Ele foi retirado do centro cirúrgico a tempo de ver sua mulher tendo os primeiros atendimentos de emergência.
Assim que ele é expulso da sala, ele encontra sua mãe e ela percebe imediatamente que havia algo errado.
— Richard! O que houve, filho?
Sem ação, ele se dirige para Martha — Mamãe, vá ver seus netos e não saia do lado deles.
— Richard, o que...
— Mamãe, vá, por favor... – ele desaba sobre o sofá da sala de espera e põe as mãos no rosto e começa a chorar.
— Filho, fala comigo...
Chorando, ele explica de forma desconexa – Mamãe, a Kate... O aparelho está apitando... Os sinais vitais estão diminuindo... Ela está sem cor...
— Richard, você precisa ser otimista! Tem que ter pensamento positivo e ser forte, por você, pela Katherine e pelos seus seis filhos.
Chorando, ele olha desolado para a mãe – Mamãe, Kate me pediu para eu não sair de perto deles por nada neste mundo... Mas eu não consigo, mãe. Agora eu não consigo... Ela está aí dentro... Minha mulher... O amor da minha vida, mãe... Eu não posso. – ele continuava chorando.
— Filho, vá ver seus filhos. Atenda ao pedido de sua mulher. Ela está nas mãos de excelentes médicos, inclusive sua comadre, e os seus bebês acabaram de chegar ao mundo e precisam sentir seu cheiro, sua presença, sua força. Quando os médicos te procurarem para falar que a Katherine está ótima, eles saberão que você estará com os seus bebês. Então, Richard, atenda ao pedido de sua mulher. Vá ficar com seus bebês e tente não passar aflição para eles. Eles são recém-nascidos, mas percebem tudo.
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Richard estava com os bebês e eles estavam fortes, saudáveis e nem pareciam prematuros. Ele já havia carregado e conversado com os três e repetido as boas vindas que ele e Kate tinham dado. Para cada um que ele carregava, ele falava a mesma coisa – Bem vindo, filhão. O papai e a mamãe estavam ansiosos para conhecer você. O papai e a mamãe amam você. – ele repetia isto várias vezes para os três bebês.
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Ele saiu do berçário e se dirigiu à central de enfermagem do andar onde Kate estava, deixando Martha com os pequenos – Por favor, eu queria informações sobre minha esposa... Katherine Rodgers... Ela passou mal após o parto.
Após consultar no prontuário digital, a enfermeira informou — Senhor, a cirurgia de emergência terminou e sua esposa está na UTI obstétrica.
Informado sobre a localização da UTI obstétrica, Richard se dirigiu prá lá.
Havia uma recepção exclusiva e Richard fez a mesma pergunta que fizera no outro setor – Por favor, eu queria informações sobre minha esposa... Katherine Rodgers... Ela passou mal após o parto.
Após consultar o prontuário virtual a enfermeira explicou — Senhor, a paciente acabou de chegar do centro cirúrgico e está sendo instalada aqui na UTI. Os médicos estão conferindo os seus sinais vitais, aferindo os aparelhos e administrando os medicamentos. Estamos a espera de uma informação mais precisa.
Richard estava sem ação. Sua feição estava triste e a enfermeira percebeu isto e avisou – Senhor, pela minha longa experiência de UTI, eu posso lhe adiantar que não teremos novas informações esta noite. Como a paciente saiu do centro cirúrgico e está em recuperação e avaliação aqui na UTI, somente amanhã pela manhã teremos informações precisas.
Richard ficara sem ação.
Neste momento Martha chega ao lado dele e pega carinhosamente no seu braço, para confortá-lo. A enfermeira continuou – Senhor, sem querer me intrometer na sua vida, mas falando apenas como uma profissional da saúde que já viveu muito e já viu de tudo, eu o aconselho a ir para casa e descansar, porque se o senhor estiver cansado e esgotado, não vai conseguir dar o apoio que sua esposa vai precisar assim que receber alta.
— Ela vai se recuperar... – ele afirmou.
— É para isto que estamos aqui, filho – a mulher mais velha se dirigiu a ele com afeição e respeito.
— Obrigada, senhora. Obrigada pela atenção e pelo apoio. – Richard agradeceu. – Mas vou ficar... Até porque eu quero falar com a médica da minha esposa... A Dra. Lanie Parish Esposito... Será que ela está aí dentro?
— Eu vou averiguar.
Após um instante, a jovem senhora retornou sorridente. – Senhor, a Dra. Lanie Esposito está vindo falar com o senhor.
Um sorriso de esperança brotou no rosto de Richard. – Obrigada, senhora. Muito obrigada.
Após uns minutos, com a fisionomia bastante cansada, Lanie chega ao lado dele e de Martha e os convida a sentar no conjunto de poltronas da sala de espera da UTI e passa a relatar o que acontecera e também sobre o atual estado de saúde de Kate, informando que a cirurgia fora um sucesso e que ela estava se recuperando e que agora ela estava sob os cuidados dos médicos intensivistas e que aquela UTI era a melhor de Washington, D.C., equipada com os melhores aparelhos e os melhores médicos do país.
— Lanie, não me esconda nada, por favor... Qual o real estado de saúde da minha mulher?
Pega de surpresa com aquela pergunta, Lanie respira fundo, torce a boca e fala – Meu amigo, o estado de saúde de sua mulher é delicado. A cirurgia foi um sucesso, principalmente porque ela resistiu. Ela resistiu porque é forte e sabe que você está esperando por ela... Você e seus filhos. A todo instante durante a cirurgia, mesmo tendo conhecimento de que ela estava sedada, eu falava com a Kate que você estava esperando por ela aqui fora. Falei que seus três pimpolhos nasceram perfeitos e que precisavam dela. Eu falava o nome de Alexis, Annie e Bia o tempo todo, dizendo que as meninas estavam com saudade dela e, que igual aos meninos, elas também precisavam da mamãe deles. Eu falava também sobre Jim, sobre Martha. — Lanie olhou amorosa para os amigos — Enfim, gente, eu falava o tempo todo nos nomes de vocês. Quando eu silenciava, os sinais vitais dela diminuíam, então eu não calei a boca. Enquanto todos nós lá dentro do centro cirúrgico fazíamos o impossível para mantê-la viva, eu não calei a boca um minuto, pois os nomes de vocês eram tão eficazes quanto os medicamentos e os procedimentos cirúrgicos. Podem acreditar.
Emocionado, Richard abraça a amiga – Obrigada, Lanie.
— Não precisa me agradecer, Bonitão – ela deu um sorriso cansado, tentando ao máximo encorajá-lo – Ela é minha amiga e eu também a amo e quero tê-la comigo por muitos e muitos anos ainda.
— Se Deus quiser – Martha aquiesceu.
— Então, amigo, como estão os garotões?
— Estão lindos e saudáveis. Eu já os carreguei e já os mimei. Só que lá tem horário e já encerrou. Como os garotos foram prematuros, vão ficar em observação, mas nada que preocupe. A médica me garantiu que eles estão ótimos e vão ficar em observação somente porque é regra do hospital e também porque eles precisam se alimentar, já que a mãe está passando por estes problemas. E aqui no hospital, a alimentação do recém-nascido é mais intensa.
— Muito bem, papai. Fez a lição direitinho. – Lanie brincou para ver se o clima melhorava.
— Eles são lindos, Lanie, você precisa ver... Eles são enormes e espertos. Já abriram os olhos, acredita?
...
...
...
Conversaram por mais algum tempo sobre os bebês até que Lanie se levantou para se despedir, momento em que Richard, ainda sentado, anunciou que ia passar a noite ali.
— Eu não saio daqui sem a Kate por nada neste mundo. Eu só vou sair daqui quando eu puder levar minha mulher e meus filhos.
Ao ouvir a informação do amigo Lanie volta a se sentar e o aconselha – Meu compadre, este momento em que a Kate vai passar aqui na UTI não é tão rápido quanto você está pensando, amigo. Não posso nem devo fazer uma previsão porque depende de muitos fatores.
Rick e Martha ouviram a informação da médica, quando Rick olha para a mãe, como quem pede socorro.
Percebendo a angústia do filho, mas sabendo que a medica estava certa, Martha propõe – Vamos, querido. Vai demorar muito. Vamos pra casa porque sua mulher está em boas mãos. Tanto a Katherine quanto seus filhos.
Rick olhou tenso e, angustiado, olhou para todos ao redor de si e informou — Quanto tempo representa este "demorar muito"?
— Richard, eu... – Lanie tentou falar, mas foi interrompida pelo amigo.
Sem esperar resposta, ele mesmo informa – Gente, eu esperei a vida toda por esta mulher. Os seis anos que vivemos separados, então..., eu vivi um inferno. Portanto, este "demorar muito" não vai ser nada...
Martha e Lanie trocam olhares cúmplices, quando a médica volta a aconselhá-lo – Richard, preste atenção, meu querido. Eu sei que você ama a Kate. Todos sabem disto. Você quer ficar aqui sem descansar, sem dormir, se alimentando à base de lanche ou mesmo com um rápido almoço e jantar no restaurante deste hospital. Isto não vai apressar a recuperação da sua mulher. Você ficando aqui vai abalar negativamente a sua saúde e corre o risco de também ter que ficar internado. Você não quer isto que eu sei. Se você ficar aqui o tempo todo, vai ficar debilitado, fraco e não vai ter condições de cuidar de sua mulher quando ela sair do hospital, muito menos dos seus bebês. E lembre-se que você tem em casa três filhas espertas que, com certeza, estão sentindo a falta da mãe. Você não quer que elas também sintam a sua falta, não é?
Vencido, Richard torce a boca e murmura triste – Você está certa Lanie. Mas me prometa que vai me manter informado sobre o estado de saúde dela. Me prometa também que não tem nenhum perigo de eu deixar meus fihos sozinhos no berçário. – emocionado, ele confidencia – Segundos antes de desmaiar, a Kate me pediu para eu não sair de perto deles por nada neste mundo. Ela está com medo de roubarem ou trocarem os nossos bebês.
— Amigo, pode ficar tranquilo que este hospital é o melhor do país não só com relação ao corpo médico e aos aparelhos. Ele também é excelência em questão de segurança.
Convencido de que sua mulher e seus filhos estavam em boas mãos, Richard se despede da amiga e vai para casa com sua mãe.
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Quando Richard chega em casa já encontrou as filhas dormindo. Ele toma banho e após muito pelejar e chorar, consegue dormir.
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Martha acorda com um pequeno barulho. Consulta o relógio no criado mudo. Três horas da manhã.
Ela conclui que devia ser seu filho acordado preocupado com a esposa.
Martha vai ao encontro dele e o encontra sentado no sofá, com a aparência triste e cansada.
Senta-se ao lado dele, afaga seu rosto e o consola – Filho, a Katherine vai ficar boa e logo ela vai estar aqui, forte, linda e saudável. Talvez ela precise muito de você assim que ela tiver alta, então você tem que dormir e se alimentar. Já pensou se você também tombar? Eu posso cuidar da Katherine, que eu amo como filha, mas eu tenho certeza que ela vai preferir o Bonitão cuidando dela. – Martha riu para animá-lo – Ela vai aceitar minha ajuda que eu sei. Mas é você que vai ficar direto com ela.
— Você está certa, mãe.
— Eu sempre estou certa. – ela riu e deu um beijo estalado na face do fiho.
Martha se levantou e estendeu suas mãos convidando Richard a se levantar.
— Vamos, criança. Força! Ânimo!
Martha foi à cozinha e muito rapidamente trouxe um copo de leite e o entregou ao filho – Você sempre vai ser o meu garotinho. Então, criança, beba seu leite e vá dormir.
Após beber o leite, Richard depositou o copo numa bancada próxima e abraçou a mãe – Obrigado, mamãe. Você é incrível.
— Eu sei. — (sorriu) — Anda! Já prá cama, garoto.
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No dia seguinte, Richard chega ao hospital uma hora antes do horário da visita da UTI obstétrica, com a ideia de antes ficar com seus filhos, só que o horário era o mesmo para todas as Unidades de Terapia Intensiva. Então decidiu passar o tempo na sala de espera, não sem antes pedir informações na recepção da UTI onde Kate estava.
Muito educadamente, a enfermeira plantonista informa — Senhor, eu sinto muito não poder te fornecer, neste momento, novas notícias sobre o estado de saúde da sua esposa, mas se o senhor quiser aguardar ali, eu posso te chamar assim que houver atualização no prontuário dela. – a gentil senhora apontou para uma sala de espera anexa à UTI. – Além de poltronas, também tem máquina de café e frigobar com água mineral.
Richard agradeceu e se dirigiu para o local indicado pela enfermeira. Serviu-se de uma garrafinha de água mineral gelada e se acomodou em uma poltrona acolchoada e confortável com braços largos, próxima a parede onde tinha um imenso painel do nascer do sol sobre uma paisagem paradisíaca: um imenso jardim florido e ao fundo do jardim se via um mar azul, dando a impressão de infinito.
Sem que ele percebesse, uma senhora com idade próxima a de sua mãe, se senta na poltrona ao lado da dele e, como muitas pessoas idosas de bem com a vida, começa a conversar.
— Linda esta cena, não é?
Pego de surpresa, Richard olha para a idosa – Hããnnhh!!
A simpática senhora deu um sorriso amoroso para ele e repetiu — eu falei.... Linda esta cena, não é? – a mulher idosa apontava para o painel.
Ela era semelhante a sua mãe, só que os cabelos eram completamente brancos, enquanto os de sua mãe, igualmente arrumados e muito bem penteados, eram ruivos. Ela também era elegante, e se vestia de modo impecável e tinha uma voz aveludada e parecia ser muito simpática.
Meio desconcertado, pois não estava querendo conversar, Richard tenta encerrar a conversa — Ah, sim. Lindo!
Mas não era esta a intenção da gentil senhora.
— Percebi que você também chegou cedo, aliás, muito cedo. Eu sou assim também, ainda mais que estou contente porque eu vim buscar minha filha. Minha filha caçula.
Procurando ser cortês com ela, Richard perguntou – Sua filha também passou por problemas sérios?
— Ah, não! – sorriu – Ontem à tarde ela passou por uma cirurgia programada. Nada grave. Uma besteirinha. Bobagem mesmo. Um quase nada.
Ela era muito tranquila, Richard deduziu, e ele até conseguiu sorrir diante do otimismo dela.
— Mas, então, porque ela veio para a UTI?
— É procedimento padrão. – a idosa passou a sussurrar – Este hospital é assim, só liberam o paciente depois que ele estiver realmente perfeito. A recuperação é aqui e não em casa... – voltando a falar num tom de voz normal, ela acrescenta – Mais ou menos isto. Mas não estou reclamando, aliás, acho ótimo, porque eles respeitam o ser humano. Para eles, o paciente não é mais um paciente, são vistos como um ser humano que deve ficar curado.
— Ah, sim... Entendi. — ele procurava falar o mínimo possível pois não queria se estender. Queria ficar quieto e sozinho aguardando o momento em que saberia notícias de Kate.
— Esta minha filha que eu estou falando, ela tem três filhos adolescentes e o marido dela está em viagem à trabalho, então eu estou aqui para busca-la. E você, meu jovem, o que o trás aqui? Aliás, quem é que te trouxe aqui? – ela mesma riu com a sua pergunta invasiva.
Mais à vontade, percebendo que aquela senhora era realmente igual a sua mãe e não tinha maldade ou malícia nas suas perguntas, resolveu conversar com ela, até porque, estavam ali e precisavam matar o tempo e nada como uma conversa agradável com uma pessoa positiva e simpática.
— Estou aqui esperando por notícias de Kate, minha esposa... – Rick passou a narrar o que havia acontecido com Kate, desde sua chegada com dores do parto, o momento do parto e o evento que a levou àquele quadro em que se encontrava.
...
...
...
A idosa ouviu atentamente o relato de Richard Rodgers.
— Mas não fique apreensivo, filho, tenha sempre em mente pensamentos positivos...
Ele a interrompe – Minha mãe fala a mesma coisa.
— Ah, nós idosos, que já assistimos mais da metade do filme (sorriu), vemos que o melhor a fazer é pensar sempre no melhor.
Richard aprecia a idosa e gosta das palavras dela.
— À propósito, meu rapaz, meu nome é Mariah Novack e o seu?
— Eu sou Richard Rodgers.
Ela indaga – Mas me conte, Richard... Vou te chamar pelo primeiro nome porque você é um garoto, ok, filho? E um garoto bonitão! – ela sorriu com a intenção de animá-lo. — Sua mulher tem sorte, pois além de bonitão, você me parece apaixonado. – Rick sorriu diante do “Bonitão”, pois era assim que ele mesmo se auto intitulava quando queria zoar e Kate também brincava com ele. – Então me conte, Richard, esta foi a primeira gravidez dela?
— Ah, não. Nós dois temos seis filhos...
A Sra. Novack o interrompeu? – Sério? Hoje em dia isto é tão difícil!
— Pois é, mas foi por acaso... Destes seis filhos, a mais velha é minha do meu primeiro casamento, mas que a Kate cuida dela como se fosse sua própria filha, desde que era um bebê, porque eu me separei muito cedo. Depois ela engravidou de gêmeas e agora de trigêmeos...
— Hummmm!!! Você é uma máquina! E ela também... Vejo que vocês levaram a sério a ordem das Escrituras, de “crescei, multiplicai-vos e enchei a terra”... Vocês vão continuar esta tarefa de povoar o mundo ou...
Ela mesma ri da sua brincadeira e o leva a rir também.
Richard percebe que a melhor coisa que fizera foi ter aberto a guarda e aceitara conversar com a Sra. Mariah Novack, pois ela além de otimista, era inteligente, extrovertida, espirituosa e muito simpática.
— Ah, não! Já tínhamos decido fechar a fábrica – ele mesmo conseguiu brincar – Agora, então, depois deste episódio...
— Bom rapaz! Esperto! Sabe que eu fiquei com vontade de conhecer sua esposa?
— Não seja por isto – Rick deu uma risadinha e procurou no bolso do paletó o seu aparelho celular – Já que ela ainda está lá dentro, que tal a senhora conhece-la por fotografia?
— Que marido apaixonado! Você tem fotografias de sua esposa na carteira?
— Digamos que eu seja um pouco mais moderno e utilizo ferramentas eletrônicas.
Assim que viu o celular, ela concluiu – Hummm! Meus filhos e meus netos também possuem. Eu até tenho, mas uso apenas para telefonar.
Ambos riram.
Rick acessou a galeria de fotos do aparelho e mostrou as fotos, uma a uma.
Assim que a Sra. Mariah Novack viu a primeira foto, comentou – Que mulher linda! Estou impressionada. Os filhos de vocês devem ser lindos. Sua esposa é modelo fotográfico?
Feliz diante do elogio que a Sra. Novack fez de Kate, ele sorriu todo bobo e respondeu – Ela, realmente, é linda... Digamos que seja a mulher mais linda do mundo. E não, ela não é modelo fotográfico, Ela é advogada. Uma excelente advogada, diga-se de passagem. Ela é brilhante!
— Taí, por isto que o casamento de vocês dá certo. Porque você não somente tem paixão por ela. Você a ama, a aprecia e a respeita como profissional. Que lindo. Parabéns! Você é um homem perfeito, não somente porque é bonitão – ela pisca prá ele -, mas também porque é um homem de caráter. Gostei de você.
Animados com a conversa, ela pede – Me mostre mais fotos desta moça linda.
Então ele vai mostrando uma a uma e fazendo comentários quando ela pergunta alguma coisa.
Esta agora foi no dia do nosso casamento civil.
— Hummmm! Ela é verdadeiramente bela e você um espetáculo! Vocês são lindos.
— Ah, obrigada, Sra. Novack. A senhora é muito gentil.
— Mas, eu entendi bem, ou você falou “casamento civil”?
— Sim. Casamento civil.
— Você tem a foto do casamento religioso ou...
Percebeu que aquela senhora era conservadora e muito religiosa, então, meio constrangido ele disse – É... Nós ainda não somos casados no religioso, mas estamos providenciando isto. Eu até já implorei para a Kate, mas ela disse que só quando os meninos estiverem maiorzinhos. Ela disse que não queria casar com barrigão e nem quando estivesse cheinha após o parto. E também porque com três bebês em casa ela não ia ter tempo de organizar e até mesmo pensar em festa de casamento.
— Ah, sim, entendi, filho. Apesar de eu entender os argumentos dela, eu não concordo. Porém, já que você quer e ela apenas pediu para esperar um pouco, então, né... Quem sabe daqui há um ano vocês estarão entrando na igreja? – a Sra. Novack estava sorrindo verdadeiramente feliz só em pensar no casamento deles. – Um amor assim como o de vocês já provou que é abençoado por Deus, mas não custa nada ratificar isto, né? – voltou a sorrir.
— Sim, com certeza. Se Deus quiser a Kate vai se recuperar e quando os meninos estiverem maiorzinhos, nós casamos na igreja.
...
...
...
Ele gostou mundo daquela simpática senhora, se empolgou e voltou a falar sobre Kate a mostrar várias fotos do casal e o tempo vai passando.
— Taí, gostei de você. Muito simpático, educado, gentil e apaixonado pela sua mulher e pela sua família. Me conte como foi que vocês se conheceram. – ela consultou o relógio – Temos muito tempo, meu rapaz e eu adoro ouvir história de amor... Talvez porque eu tenha uma maravilhosa.
— Seu marido...
— Ele está em casa. Ele é lindo, aliás, o homem mais lindo do mundo e eu o amo muito. Nós nos amamos e somos casados há cinquenta anos. Vivemos um conto de fadas na vida real. Eu sempre falo, histórias de amor existem, os jovens precisam apenas ter paciência e saber esperar. E quando aparecer, têm que saber identificar e conservar.
— A senhora é uma mulher sábia. Minha mãe é igualzinha a senhora. Ela me dá conselhos excelentes!
— Muito bem, garoto. Mais pontos positivos para você por amar, respeitar e reconhecer o valor de sua mãe. Então, me conte como vocês se conheceram.
À vontade com aquela senhora fofa, ele começou a narrar de forma bem reduzida para não ficar uma conversa enfadonha.
— Bem, vou tentara reduzir.
— Não, pode me contar tudo, nos detalhes... – ela estava sorrindo.
— Outro dia, quem sabe, porque hoje temos pouco tempo.
A idosa torceu a boca de forma muito engraçada ao ter seu pedido negado, mas logo depois assentiu, então Richard continuou.
— Primeiramente devo te dizer que eu tenho uma fábrica de roupas masculinas. Hoje eu moro aqui em Washington, D.C., mas naquela época eu morava e trabalhava em Nova York e no escritório central temos muitos departamentos, inclusive o jurídico. Um certo dia eu entrei neste departamento jurídico e me deparei com ela. Uma moça linda, cabelos curtinhos. Isto tem mais de doze anos. Uma jovem advogada em início de carreira.
Ele para a narrativa e procura no celular fotos de Kate daquela época e ao encontrar mostra para a Sra. Mariah Novack.
Ele explicava o motivo da Kate estar no departamento jurídico da sua fábrica. — Ela estava ali porque uma das funcionárias do setor, a Maria, havia esquecido um livro no Fórum e a Kate havia encontrado e lido o nome do dono. Conhecidos em comum disseram o telefone da Maria e Kate se propusera entregar pessoalmente. Foi isso. Bem, quando eu a vi, parece brincadeira, mas é verdade, eu me apaixonei a primeira vista. Com muita discrição, consegui não só o nome dela como também o endereço do escritório onde ela trabalhava. Continuei a investigar, então tive a triste notícia: ela tinha namorado, o Josh.
— Oh! – Mariah se sensibilizou.
— Mas eu não me dei por vencido, pois eu a queria prá mim. Eu só pensava nela. Eu nem tinha mais vontade de sair com outras mulheres. Eu só queria ela.
— Que lindo! – a simpática senhora comentou.
— Pois é, eu tinha um departamento jurídico completo e não via jeito de tê-la como advogada. Não sabia o que fazer... Então eu conversei com o Diretor Jurídico, na época um grande amigo meu, o John, e disse que precisava me aproximar daquela moça. Então eu tive uma ideia. Mesmo sem necessidade, nós contrataríamos um escritório de advocacia para dar apoio ao nosso departamento jurídico. Um advogado bastava e não queríamos vínculo empregatício. Bastava o contrato com o escritório. Bingo! O escritório dela aceitou na hora, pois ficaram felizes por serem contratados por uma empresa de grande porte. O próprio John tratou de fazer o contrato, mas, atendendo ao meu pedido, ele fez uma exigência: A única advogada que pegaria os nossos casos seria a Dra. Katherine Beckett... Ela, a minha Kate – Richard deu um sorriso maroto.
— Huuuummm! Estou vendo que você é decidido.
— Ah, sou sim... Eu não a deixaria escapar. Ia ficar colado. Mesmo sem nenhuma necessidade, eu passei a frequentar quinzenalmente o escritório dela para conversar com o advogado chefe. Não éramos amigos, até porque, com exceção da sua dedicação ao trabalho e sua integridade e honestidade, não tínhamos nada em comum. Ele era um homem muito inteligente, e mantinha o escritório funcionando muito bem. Quando eu ia lá, eu tomava café, conversava, contava caso e com o tempo passei a parar na mesa dela para conversar sobre os casos da minha empresa que ela pegava. Ela sempre muito simpática e eu só observando. Depois que nós já conversávamos com mais fluência e até brincávamos sobre certos assuntos, eu resolvi atacar... De leve e com elegância, mas ataquei.
— O que você fez?
— Utilizando um mensageiro de minha inteira confiança, eu mandava para ela uma dúzia de rosas vermelhas, com cartão, para ser entregue no escritório dela. Eu não escrevia muito, mas escrevia de próprio punho “Para Kate, do seu admirador, nada secreto.”, “Para Kate, minha futura esposa.”, “Kate, estou a sua espera, mas não demore”. Eu assinava todos os cartões. Quando eu parava na mesa dela para conversarmos sobre os processos, ela nunca comentava comigo sobre as flores que eu mandava. Muitas vezes eu ia ao escritório dois dias depois que eu mandava as rosas e eu encontrava o vaso com as tais rosas vermelhas na bancada ao lado da mesa dela. Isto já era um bom sinal, não é, Sra. Novack?
— Ah, sim. Com certeza. Se ela se sentisse ofendida ou não gostasse, ela jogaria fora. Mas não, ela arranjou logo um vaso para colocar bem perto da sua mesa. Mas o importante é que você não mandava cartões com palavras fortes, ofensivas, pesadas que a destratasse. E mulher gosta de galanteio. Ponto prá você, garoto.
— É. Eu sou da mesma o opinião. Ela frequentava a minha fábrica para entregar, pessoalmente os relatórios referentes aos casos que ela pegava e eu sabia, antecipadamente, os dias em que ela ia e eu, claro, dava um jeito de estar lá, só para ter a desculpa de encontra-la. Apesar de eu continuar a mandar as rosas com os cartões com palavras leves, bonitas, simples e sem cunho erótico ou coisas do tipo e sempre assinar, eu nunca me dirigi a ela de forma ousada. Aliás, nem mesmo dizia pessoalmente as palavras que eu escrevia no cartão. Eu esperava um sinal dela. Uma das coisas que me atraiu nela, é que em nenhum momento ela foi debochada, muito menos interesseira ou mentirosa. Apesar de conversarmos sobre os processos e também sobre outros assuntos do cotidiano, ela era muito polida, educada e, deste jeito, com muita discrição, ela colocava uma barreira entre nós e me rejeitava. Porém, eu nunca ocultei o meu interesse por ela. Sempre deixei isto muito claro para ela, não por palavras, mas por ações e, claro, pelos cartões românticos e galanteadores. Eu tinha curiosidade para saber se as pessoas do escritório dela sabiam quem mandava as rosas para ela, então, uma certa vez eu percebi um minúsculo espaço, então eu perguntei a ela o que os colegas do escritórios falavam sobre as rosas que eu mandava para ela. Então, ela deixou escapar que ninguém no escritório sabia que as rosas eram mandadas por mim. Aliás, ela dizia que não comentava sobre sua vida pessoal no trabalho. Ela não misturava as coisas. Então nenhum de nós colocava no jornal, nem isto era assunto dos elevadores ou corredores da minha empresa ou do escritório dela. Nós dois éramos discretos e isto era mais um fator que me atraia nela e talvez esta minha característica também tenha chamado a atenção dela. A minha discrição e elegância ao falar e ao escrever os cartões. Só sei que mesmo trabalhando muito, sem deixar de lado minhas atividades, eu nunca deixava de enviar por meio do mesmo mensageiro, o buque com doze rosas vermelhas e sempre dava um jeito de aparecer ao departamento jurídico ou ao escritório dela para vê-la e marcar minha presença. Em muitas destas vezes, quando havia oportunidade, eu perguntava se ela estava recebendo as rosas. Após confirmar o recebimento, sempre com um olhar reprovador, mas com voz baixa e com discrição, ela pedia para eu parar de mandar as tais rosas porque ela tinha namorado e eu sempre respondia, no mesmo tom, que aquele namoro dela não ia dar certo. Que ela estava perdendo tempo com aquele rapaz porque eu era o homem certo para ela e que ela ia se casar comigo. Ela ficava ruborizada, mas eu sentia que, no fundo, ela gostava. Certa vez eu deixei de ir ao escritório dela por duas semanas. Na semana seguinte quando eu apareci, ela até tentou, mas não conseguiu disfarçar o contentamento ao me ver, então, propositalmente, eu passei a espaçar mais minhas visitas para ver se surtia o efeito que eu esperava. E acertei em cheio.
Enquanto Richard narrava o fato, ele lembrava da fisionomia de Kate naqueles dias, sendo que a cada vez o sorriso era menos disfarçado.
foto de Kate
foto de Kate
foto de Kate
foto de Kate
foto de Kate
foto de Kate
— Claro que ela gostava. – a Sra. Novack afirmava — Ela até podia gostar do namorado, coisa que eu duvido, porque se gostasse mesmo, o lixo seria o endereço certo para as rosas e não a bancada ao lado da mesa dela – risos — Mas qual a mulher que não gostaria de receber rosas de um homem gentil, galã, cortês, educado, inteligente e bonitão?
Richard se divertia muito com aquela senhora fofa e percebeu que fora Deus que a colocara ali para distraí-lo e fazê-lo rir, ainda mais falando sobre Kate, que era o amor da sua vida.
Ele continuou a narrativa — Eu continuava mandando as rosas com os cartões. “Para Kate, a advogada mais linda e inteligente de Nova York”, “Kate, seus olhos são lindos, mas eu quero vê-los mais de perto”, “Kate, eu não estou empolgado, eu estou apaixonado”, “Não tenha medo de mim, o único risco que você corre comigo é de ser a mulher mais amada do mundo e isto, eu garanto, eu vou ficar honrado em fazer” e muitos e muitos cartões. Com o passar do tempo eu alternava os cartões. Ora eu mandava cartões com as palavras gentis e alegres e ora eu mandava cartões convidando-a para jantar “Kate, quer jantar comigo hoje” e deixava o número do meu telefone. No cartão onde eu a convidava para jantar, eu também escrevia no rodapé, “Se não se sentir confortável para telefonar, é só mandar uma das rosas prá mim pelo mensageiro do buquê que eu interpretarei como um “sim” e passo na sua casa para te pegar às dezenove horas. Não se preocupe em me fornecer seu endereço porque, com muita discrição, eu descubro onde você mora.”.
A Sra. Novack estava empolgada com a narrativa de Richard — Meu Deus! Estou adorando sua história de amor.
— Realmente, é uma linda história de amor, Sra. Novack. Então, como eu estava falando, eu continuei a enviar as rosas com convites para o jantar. Minha persistência e elegância deram resultado. Um dia ela começou a realmente me notar não mais como o empresário para o qual ela prestava consultoria jurídica. Ela começou a me notar como homem.
A idosa não perdia uma só palavra de Richard e ele continuava a narrar sua história de amor.
— Então, foi neste momento que ela reconheceu que não gostava tanto assim do namorado. Para minha alegria, ela terminara com ele, mas não comentou nada comigo. Sempre reservada. Só que, obviamente, eu fiquei sabendo. Pacientemente, eu continuei a mandar as rosas, só que agora eu reuni, com classe, todos os tipos de dizeres em um cartão só. Eu usava palavras doces, divertidas e a elogiava, e, ao final eu a convidava para jantar e colocava meu telefone e sempre no final do cartão eu escrevia a mesma coisa: “Se não se sentir confortável para telefonar, é só mandar uma das rosas prá mim pelo mensageiro do buquê que eu interpretarei como um “sim” e passo na sua casa para te pegar às dezenove horas. Não se preocupe em me fornecer seu endereço porque, com muita discrição, eu descubro onde você mora.”, até que um belo dia o mensageiro foi até minha sala e me entregou uma rosa vermelha.
— Uaaauuuwww! Que lindo! – A Sra. Novak se comportava como se estivesse assistindo a um filme romântico.
— Uma qualidade que eu sempre gostei nela foi a sua ousadia. Até hoje ela não é mulher de meias palavras ou de meias atitudes... E isto, Sra. Novack, me dá uma dor de cabeça às vezes... – ele reclamou em tom de brincadeira — Eita mulher de personalidade forte... Mas eu adoro! (ambos riram).
Mais uma vez, Rick pensava em Kate naqueles dias.
— Até que um dia o mensageiro retornou com uma rosa.
A idosa ficou admirada com o fato e sorriu.
— Que maravilha!
— A senhora não vai acreditar. Neste dia em que ela me mandou a rosa, ela também devolveu o cartão onde eu a convidava para jatar.
Assim que o mensageiro saiu da minha sala, eu li o cartão e comecei a rir sozinho. Amei a atitude forte dela. Sra. Novack, a Kate devolveu o mesmo cartão e abaixo do meu convite tinha uma observação entre aspas com uma setinha... "Vire ->". Ao virar eu eu me deparei com algo que ela escrevera, também de próprio punho: “Para o caso de você não conseguir descobrir...” e em seguida, Sra. Novack, ele escreveu o endereço dela e o número do telefone celular. E por fim, acrescentou “Estarei esperando.”.
Ao terminar a narrativa, Richard sorriu. — Que tal, Sra. Novack?
— Você não vai parar agora, né, Richard? – ela consultou o relógio – Ainda temos tempo. Vamos ficar aqui falando de coisas boas, alegres, saudáveis, enquanto minha filha e sua mulher estão sendo preparadas para sair...
— Ah, quem dera a Kate pudesse sair da UTI hoje.
— Richard, tudo é possível, basta acreditar. A minha filha já vai sair hoje, está certo, mas quem sabe sua esposa também não recebe alta da UTI, eihm?
— Eu não teria nunca como agradecer a Deus se isto acontecesse.
— Pensamento positivo, filho. Pensamento positivo. Vai, continua sua história que eu estou adorando. Melhor do que qualquer livro de romance. Quero saber se teve mesmo o jantar ou ela te enrolou.
— Deus do céu! – ele sorrio todo contente – Não, sra. Mariah Novack, ela não me enrolou e eu nunca vou esquecer este nosso primeiro jantar... Uaaauuwww!!! E ela estava linda. Ela usava um vestido curto vermelho de um ombro só. Na época o cabelo dela era na altura do ombro, um pouco mais curto, talvez. Ela colocou o fanjão para o lado e fez uns cachos no restante do cabelo, que emolduraram seu belíssimo rosto. Até hoje eu não sei bem o que as mulheres fazem com os cabelos, mas só sei dizer uma coisa: ela estava deslumbrante. Linda!
— Nem prá você ter uma foto...
Instigado, ele reagiu todo contente – Pois fique a senhora sabendo que eu tenho sim uma foto. Mas a senhora tem apenas que ter paciência porque vou procurar no meu arquivo pessoal da internet.
— Como é isto? Arquivo na internet?
— Depois seu te explico... Peraê...
...
...
Em menos de um minuto ele localizou a foto e mostrou para a Sra. Mariah Novack.
— Eu encontrei estas fotos no site do restaurante. Diga aí se ela não estava realmente linda...
— Você tem razão. Linda mesmo. Vocês começaram a namorar neste mesmo dia?
— Não. – ele fez bico – A moça me maltratou muito tempo. Depois desse jantar, tivemos outros encontros onde passamos a nos conhecer até o bendito dia em que finalmente, começamos a namorar.
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Tanto Richard quando a Sra. Mariah Novack estavam envolvidos com a história. Ele por narrar e ela por ouvir. E ela estava muito feliz porque ele narrava com uma empolgação contagiante.
Apesar de amar muito ouvir a história de amor, a Sra. Novack, muito secretamente, puxou conversa com Richard unicamente porque sentiu que ele estava muito triste com a esposa enferma e, por isso, ela viu a necessidade de criar um assunto para deixa-lo feliz e assim, o tempo passaria que nem notariam.
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Richard narrara o dia em que ele conheceu o pai de Kate, Jim, e o dia em que Kate conhecera sua mãe, Martha, e o dia que houve um jantar para Jim e Martha se conhecerem.
...
...
— E a primeira festa que vocês foram como namorados? Você se lembra?
— Claro que eu lembro. – ele riu feliz — Na primeira festa black tie que eu a levei, nós estávamos namorando há dois meses. Ela estava deslumbrante. Linda! Ela também foi de vermelho. Aliás, eu que a presenteei. Como eu deduzi que ela não tinha condições de comprar um vestido para a tal festa, eu, de modo sutil, disse que queria dar um presente para ela. Ela disse que não poderia aceitar, mas minha mãe insistiu, falou com ela para não se preocupar que eu apenas queria fazer um agrado. Então, mais uma vez minha mãe conseguia me ajudar. Aliás, nos ajudar. Minha mãe a levou para as compras e eu quase morri quando a vi no dia da festa. Era um vestido longo ‘tomara que caia’, com decote todo forrado de renda cor de cobre, cheio de bordado... – a senhora idosa ria diante da discrição dele – Hummm! Deu pra perceber que não entendo nada de roupa de mulher, né? – ele riu — Minha mãe ter ido às compras com ela foi ótimo e a partir daquele dia uma virou tiete da outra e até hoje é assim e eu adoro isso. Nesta festa eu a apresentei aos meus amigos, como minha namorada.
Mais uma vez ele buscou na internet fotos da festa que os fotógrafos do evento tiraram.
fotos do casal
Fotos do casal
Fotos de casal
Nosso relacionamento era romântico, harmonioso e nos divertíamos muito com nossas brincadeiras. Até hoje é assim... Lógico que às vezes temos umas briguinhas... Mas tudo se resolve rápido... Ela é incrível tem uma alegria infinita... Seu sorriso é contagiante...
Enquanto prosseguia com a narrativa, Richard continuava a se lembrar de Kate.
Fotos do casal
Fotos do casal
Fotos do casal
Ele continuava a narrativa sob os olhos atentos da Sra. Novack — Fechando os olhos agora, aliás, mesmo de olhos abertos, sou capaz de me lembrar de milhões de momentos dela. Sempre linda, inteligente, gentil, carinhosa, espirituosa, sorridente. Uma companheira incrível.
De repente, um olhar triste apareceu no rosto dele e isto chamou a atenção dela – Hey, garoto, que olhar triste foi este?
Neste momento, Richard contou de forma muito reduzida o período onde ele rompera o noivado nas vésperas do casamento por conta de mentira de terceiros, mas finalizara com o evento da semana anterior, onde o mistério foi desvendado, quando descobriram que Josh fora o autor das fotos e do maldito bilhete.
Contou também que durante o rompimento, ela descobrira a gravidez e por conta disto se sentiu forte para estudar mais e, assim, construiu um maravilhoso escritório de advocacia, ficou muito bem financeiramente e criou as filhas de uma forma espetacular, com todo o conforto que ele próprio daria.
Contou que ambos sofreram muito com a separação e contou também da coincidência que os reaproximaram e que, depois de muito relutar, ela aceitou se casar com ele e que hoje, apesar dela estar enferma, ele era o homem mais feliz da face da terra por ter Kate como esposa e mãe de seus seis filhos, e que confiava na sua recuperação.
Ele contou também muitas das centenas de vezes em que brindaram suas conquistas como casal, como profissionais ou mesmo ocasiões corriqueiras onde conversavam e bebiam vinho e que nesses momentos ela e ele eram só sorrisos.
De repente Richard caiu em si — Sra. Novack, eu conheço a senhora há menos de uma hora, mas me sinto à vontade para falar sobre coisas que nunca contei a ninguém, pois sou muito reservado. Acho que a senhora é uma bruxa fofa ou um anjo que caiu do céu para me animar neste momento tão tenso pelo qual estou passando – ela riu diante do modo divertido que Rick falara – Já que comecei, vou terminar. Olha, a química que existe entre eu e a Kate é inigualável. Rola uma eletricidade formidável entre nós e nossos olhares falam mais que milhões de palavras. Nós nos compreendemos só de olhar um para o outro... As vezes não dá assim tão certo, dá até muito errado – ele riu – mas a maioria das vezes é fantástico! Essa nossa química e nossos olhares só não são bem vindos quando jogamos pôquer, porque fica difícil blefar... – ele riu — mas mesmo assim eu ganho a maioria das vezes... – ele falou sem modéstia, fazendo-a rir.
— Por fim, Sra. Mariah Novack, posso te afirmar que além dos nossos seis filhos, o que me dá mais forças para suportar este momento difícil, é o nosso amor que é infinito. Eu tenho certeza que isto é que me fortalece.
Ele falava isto e recordava de momentos íntimos e românticos que vivenciara com Kate.
A Sra. Novack ria muito quando Richard estava narrando as travessuras das gêmeas quando uma enfermeira entra na sala de espera e, muito delicada, pergunta – O Senhor é o marido da Sra. Katherine Rodgers?
Ele fica tenso, se levanta e, aflito, confirma e em seguida pergunta – Sim, eu sou o marido dela. O que houve com ela?
Sem responder a Richard, a enfermeira se dirige para a Sra. Mariah Novack – E a senhora é a Sra. Novack, mãe da Sra. Ana Novack Jordan?
Muito sorridente e leve, ela responde – Sim, minha jovem. Pela sua cara feliz, tenho certeza que minha filha já pode ir embora. Ela já recebeu alta?
A enfermeira se dirigiu aos dois – Tenho excelentes notícias para vocês dois. A Sra. Rodgers já foi transferida para um quarto individual e está maravilhosa. Está perfeita. Parece que nunca passou mal. Parece que nunca esteve em uma UTI. Ela apenas não vai para casa e sim para um quarto individual por regra do hospital, mas sua esposa nunca esteve tão bem na vida. Pode acreditar, ela nem parece que passou por uma cirurgia. Acho que foi um milagre. Em todos esses anos que eu estou aqui, nunca vi uma recuperação tão imediata. E sua filha, Sra. Novack já recebeu alta e, obviamente, está ótima também.
Contente como uma criança que ganhou sua primeira bicicleta, Richard dá um abraço apertado na Sra. Mariah Novack e quase a carrega de tão feliz. – Eu tenho a certeza que a senhora é um anjo que Deus mandou para me acalmar... Acho que se eu não a tivesse encontrado eu teria um infarto de tão aflito que eu estava. Obrigada por fazer desta hora um momento feliz. Obrigada por me fazer falar sobre um assunto que eu amo: minha esposa.
— Oh, garoto! Eu que agradeço por me contar sua linda história de amor e tenho certeza que vocês serão eternamente felizes como eu e o meu marido somos. Hey, mas vamos deixar de papo porque existem duas pessoas nos esperando, não é?
Richard e a Sra. Novack se despediram e cada um tomou um rumo diferente. Ela para a UTI a fim de buscar sua filha que tivera alta e ele, para o quarto individual para onde Kate fora transferida.
No caminho, Richard passa na floricultura do hospital e compra um enorme arranjo de flores.
O coração de Rick batia acelerado e parecia que iria sair pela boca, tendo em vista o nervoso e a ansiedade que estava em ver Kate.
Assim que chegou ao quarto onde estava o amor da sua vida, a mulher que era a mãe de suas filhas e que também acabara de ter seus bebês, ele ficou paralisado ao olhar para Kate. Ela estava linda e se ele não tivesse visto com seus próprios olhos o momento em que ela passara mal, ele não acreditaria. Aquela mulher à sua frente não parecia nunca que se submetera a uma cirurgia de emergência. Incrível o poder de Deus operar milagres. Inacreditável também a capacidade que aquela mulher tinha de renascer. Finas mangueirinhas de soro estavam meio que espetadas no seu braço, mas nada tirava a leveza do olhar e do sorriso que faziam parte dela. Ela estava linda e sorridente, muito longe do que ele imaginava que ela estaria.

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