Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
97 O grande encontro
Notas iniciais
Richard ainda estava em transe ao se deparar com sua amada e linda esposa. Ele ficou como uma estátua ao pé da cama. Segurava o vaso com as flores que ainda não entregara. De repente, ele ouve bem distante a voz dela, num tom suave, contudo, insistente.
— Rick... Rick... Rick...
Ele sai do transe e percebe que ala o chamava.
— Ãããnnhh!!!... – ele despertou e a olhou como se não estivesse acreditando no que via.
— Babe! – ela o fitava sem entender o que estava acontecendo e ao perceber que ele despertara, indagou – Tudo bem? Você está me olhando de um modo estranho...
Ainda um pouco tenso, mas agora com um imenso sorriso nos olhos e nos lábios, ele justificou – É que, apesar de querer muito e pedir muito a Deus pelo seu restabelecimento, eu pensava que tão cedo voltaria a te ver. E fico mais admirado ainda ao te ver assim, tão linda, tão perfeita, corada e tão saudável. Acho até que eu é que estou com a aparência abatida devido a noite mal dormida.
Kate o olhava apaixonada, com um sorriso meio preso no canto direito dos lábios. Seus olhos transmitiam amor. Ela brincou e tentou fazer com que ele relaxasse – Hey, o senhor meu marido Bonitão e gostosão, pode, por favor, se desgrudar aí do pé da cama e chegar bem pertinho de mim? E, se não for pedir muito, o senhor também poderia me dar pelo menos um beijinho? – ela falou brincando. – eu estou morrendo de saudade de você, Babe.
Ao ouvi-la, Rick ficou meio desnorteado e isto a fez rir.
Mas muito rapidamente ele ‘se encontrou’. Colocou o vaso com as flores na bancada próxima à cama.
Ao olhar as flores, ela comentou – São lindas, Rick.
Ele deu passos largos e parou exatamente ao lado dela e tomou-lhe a mão que estava sem as mangueirinhas do soro e a levou aos lábios.
— Querida! Nem estou acreditando que você está aqui. Só Deus sabe o medo que...
— Amorzinho... Psssiii!!!! — Com doçura, Kate o interrompeu, pediu silêncio e o olhou com tanto amor que ele ficou emocionado, então ela falou – Eu queria te pedir uma coisa.
Rick a olhou com carinho e acariciou a mão dela, demonstrando, assim, interesse no que ela queria falar, então aguardou.
— Eu queria te pedir para ficar sem tocar neste assunto, por favor? Pelo menos por um tempo. Eu me lembro da cada segundo e de todo mal estar que senti logo após o nascimento dos meninos, quando eu estava falando com você antes de desmaiar. Também me lembro de tudo que aconteceu enquanto eu estava na UTI. Apesar de não ter forças para abrir os olhos e também não conseguir me comunicar, eu ouvia tudo o que os médicos diziam. Lembro bem que eles diziam que eu havia perdido muito sangue e que já tinham feito de tudo e que não tinham mais nada a fazer e que eu talvez não sobrevivesse. Então, Rick, foram momentos terríveis, onde eu só me lembrava das coisas que você me falava sobre acreditar nos poderes divinos, acreditar em fantasias e, principalmente, acreditar em Deus. Eu só pensava em você, babe e pedia forças para poder conseguir conversar com Deus. – ela começou a chorar e ele se sentou na cama e a trouxe para seu peito e afagava seus cabelos — Eu pedi a Ele para me deixar viver. Pedi para Ele me dar saúde para eu poder ver meus filhos crescerem, Alexis, Annie, Bia, Arthur, Bernardo e Bryan, pedia também por você. Rick, eu implorei para ele me deixar viver porque eu ainda tinha muito amor para dar para você e para as crianças e também tinha muito amor para receber. Eu pedi mais tempo para eu estar com minha família. Então, Rick, eu acredito que eu estar aqui é um milagre de Deus. Não entendo disto, mas juro que assim que eu tiver alta eu vou me inteirar sobre este assunto e queria muito que você me ajudasse porque você é a pessoa mais certa para isto. Enquanto eu sou meio cética, você é o oposto. Portanto, querido, eu necessito que você me entenda e me atenda e não me pergunte mais nada ou mesmo comente sobre o tempo em que fiquei no centro cirúrgico e na UTI. Não quero, inclusive, nem mesmo comentários sobre o que eu tive e o que me levou a isso. Ainda não estou preparada, pois isto ainda me emociona muito e eu preciso estar bem para cuidar dos nossos seis filhos e neste momento, em particular, amamentar nossos três filhotinhos. Deixe-me ficar mais forte para suportar falar sobre isto sem me emocionar. Mas o motivo principal que eu quero manter isto no esquecimento, Rick, é que eu não quero que nenhum acontecimento tire o brilho do nascimento dos meninos, você me entende? A chegada deles é o fato mais importante neste momento e não quero que o problema pós parto e a minha cirurgia se sobreponha ao nascimento deles.
Rick ainda a tinha nos braços, fazia carinhos e beijava o topo da sua cabeça. – Kate, eu te entendo, amor. Fique tranquila que só vou falar disto quando você quiser, ok? E também vou pedir a minha mãe e ao seu pai para não tocarem no assunto. Deixe comigo. Mas só vou perguntar uma coisinha...
Ela riu de leve – Diga, amor...
— Você falou em amamentar... Você fez uma cirurgia e ficou na UTI... Será que você vai poder amamentar mesmo depois de todos estes medicamentos que foram administrados em você?
— Eu já perguntei isto e os médicos disseram que sim.
Esta notícia era maravilhosa e ele ficou contente.
Ela ficou ainda nos braços dele, recebendo carinho.
Eles continuaram assim por alguns minutos.
Ali havia muito amor, carinho, respeito e confiança.
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Passado aquele momento de grande emoção, algum tempo depois, Richard já havia se retirado porque fora ver os trigêmeos.
Kate estava confortavelmente instalada na cama hospitalar na companhia da sogra.
Consciente de que não deveria tocar no assunto cirurgia e UTI, Martha a animava. – Querida, seus bebês são enormes, filha. Você é uma guerreira! – A sogra fazia carinho nos cabelos da nora – Você carregou estes três bebês por todos estes meses e em nenhum momento eu vi você reclamar do peso e do incômodo que deve ter sido acomodar três coisinhas lindas. Nem mesmo depois de ter passado este sufoco, você não se queixa.
— Ah, Martha, é melhor esquecer, não é? – Kate sorriu. – O importante é que eu estou bem, meus filhos estão bem, graças a Deus.
— Meu filho é um homem de sorte, muita sorte mesmo, não só por ter te encontrado, mas por você tê-lo perdoado.
— Martha, eu amo o seu filho. – ela estava feliz — Amo muito mesmo e isto é mais forte do que eu podia imaginar e nosso destino era ficarmos juntos.
— Juntos e ajudando a povoar este planeta – Martha riu toda contente.
— Você já os viu, Martha? – Kate estava curiosa.
— Clalro, querida. E eles são lindos! Eu os vi assim que eles chegaram ao berçário.
— E o Rick? Rick ficou com eles como eu pedi?
— Tá lá, grudado. Depois de ver você saudável, linda e feliz, ele não larga aqueles meninos – a idosa sorriu — Como eu vi que meu filho não desgrudava os olhos dos filhotes, eu corri para te ver e ficar contigo.
— Obrigada, Martha. Você é uma querida e eu te amo, eu já te disse, né?
A sogra afagou os cabelos da moça e deu um beijo na testa dela. – Eu também te amo, filha. Você não foi só um presente para o Rick, foi um presente para mim também.
Ambas emocionadas, aguardavam os bebês.
— Martha, meu pai não veio de Nova York com você? Onde ele está? Ele havia me dito que vinha com você.
— Querida, seu pai estava fora do país em uma viagem de negócios e não conseguiu passagem, mas ele pegará o voo de hoje à noite. Amanhã você o verá porque ele e eu traremos nossas netas para conhecer os irmãos.
— As meninas ainda não conheceram os irmãos?
— Não querida. Não havia clima para trazê-las ao hospital.
— Elas estão bem? Elas souberam pelo que passei?
— Elas estão ótimas e não souberam de nada. Perguntaram por você, choramingaram, mas consegui disfarçar.
— Que ótimo, Martha, obrigada. Eu vou te pedir uma coisa e vou pedir também para o meu pai.
— O que é, filha?
— Ei já falei com o Rick. Mas vou pedir a você e ao meu pai também. Vamos tentar esquecer este episódio que aconteceu comigo. Não vamos deixar que nada ofusque o nascimento dos meus filhos.
— O Richard me falou rapidamente sobre isso, querida.
— Então, o que é que você acha, eihm?
— Eu acho que você não existe, querida. Você é incrível!
— Ah, não, Martha, eu não sou incrível. Eu sou “mãe” e você sabe do que eu estou falando. – Kate pegou a mão da sogra e levou aos lábios, beijando-a. — Você é uma excelente mãe.
— Você quer me fazer chorar e borrar minha maquiagem, é ciança? – Martha brincou para alegrar o ambiente.
Voltaram a falar sobre os pequenos e Kate perguntou — E os bebês? Eles estão demorando, né, Martha?
A sogra percebia a ansiedade da nora.
Kate mal terminara de falar, a porta foi aberta e entraram duas enfermeiras e Richard, cada um carregando um bebê.
Antes das enfermeiras saírem, elas deram algumas orientações para o casal. Assim que elas foram embora, Kate, tentando conter a emoção, mas sem conseguir, pediu ao marido — Rick, traz eles prá mim, por favor.
Ela olhava emocionada para os filhos.
Kate e Richard se olharam e, simultaneamente, falaram – Vamos ver os nomes dos bebês?
Ambos riram, acompanhados de Martha que falou – Como vocês conseguem isto, eihm?
— Não sei, mamãe. Acho que é porque pensamos as mesmas coisas... – ele mesmo ria com a coincidência.
— Rick, vamos ver as pulseirinhas deles e conferir os horários em que cada um nasceu. – Kate sugeriu.
— O que é que você acha em por os nomes neles de acordo com as idades das meninas e a ordem dos nascimentos deles? Quem nasceu primeiro, colocamos o nome de Arthur, porque foi o nome que a Lex escolheu... Assim...
— Sim, o que é que você acha?
— Eu estava pensando em propor isto mesmo para você.
— Huuummm! Eu fico espantada, viu! – Martha continuava sorridente.
Depois de conferidas todas as pulseirinhas, Rick carregou o que nascera primeiro – Hey, rapaz, você é o Arthur e seu nome foi escolhido por sua irmã mais velha, a Alexis. – Rick escreveu o nome do garoto na pulseira. Depois pegou o outro garotinho – E você é o Bernardo. Um garotão! Seu nome quem escolheu foi sua irmãzinha, Annie – Rick repetiu o procedimento de escrever o nome do bebê na sua pulseirinha. Pegou, então, o último bebê – Cara, se você puxar a peraltice de Bia, estamos ferrados! Ela que escolheu seu nome. Você é o Bryan.
— Hey, Arthur, Bernardo e Bryan, eu sou a mamãe e eu já sou louquinha por cada um de vocês. – ela olhou para o marido – Eles são lindos, né, amor? E eles se parecem com quem, comigo ou com você?
— Amor da minha vida, eles são lindos mesmo, mas ainda não consigo identificar nenhum traço seu ou meu neles... – ele franziu o nariz e a testa – Eles mal acabaram de nascer, querida. Dê um tempinho...
— Tá, ok! Mas você que esteve com eles esse tempo todo, amor, você viu alguma diferença neles?
— Não percebi nada ainda. – Rick respondeu.
— Como vamos identifica-los para saber quem é quem?
Martha se adiantou – Queridos, eu estava dando uma olhada rápida neles e não vi nada diferente, até agora. Portanto... Posso dar um conselho?
— Desde quando você pergunta se pode dar conselho, mamãe?
— Richard! – Kate o repreendeu de leve e de forma carinhosa, acrescentou – Amor, sua mãe quer ajudar.
— Eu sei, estou brincando. – Ele deu um abraço apertado na mãe.
— Huummm! Ai, ai! Então, como eu ia dizendo, acho melhor estas pulseirinhas permanecerem por mais tempo nos pulsos deles e vocês podem substituí-las por outras, também confortáveis, até vocês conseguirem distinguir um do outro.
— Martha, adorei sua ideia! Maravilhoso! – Kate sorriu para a sogra. – Você pode se incumbir de providenciar estas tais pulseiras confortáveis com os nomes dos meninos, Martha?
— Ah, eu adoro poder ajudara vocês! – Martha estava verdadeiramente feliz – Vou providenciar algo simples, discreto e confortável.
— Mamãe, eu ouvi você dizendo que ia providenciar algo “discreto”? Foi isto mesmo que eu ouvi? Quem é você e o que você fez com a minha mãe? — ele pilheriou.
— Richard! De novo? – Kate ralhou.
— Pode deixar, Katherine. Pode deixar... – Martha se fez de magoada – Se você fosse menor eu te dava umas palmadas e te deixava de castigo, filho. – Martha falou de forma enérgica, fingindo-se chateada.
Bastou ela falar isto para os três rirem.
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A partir daquela tarde, a rotina de Kate mudaria drasticamente. Se com duas bebezinhas, Annie e Bia, ela já se via louca, imagina agora com três.
Ela não conseguiu dormir direito à noite porque eles choramingaram e também queriam mamar a todo o momento.
Às sete horas da manhã do sábado os bebês estavam dormindo. Kate, ajudada pelo marido, tomou um banho. Lavou a cabeça e ficou cheirosa para esperar as filhas. Estava com uma camisola discreta e linda e um roupão maravilhoso. Sentada na cama, ela fez uma maquiagem leve. Queria ficar linda para as filhas.
Ao vê-la se maquiando, Rick indagou – Querida, você está linda! Não precisa de maquiagem.
— Você me ama, eu já sei – ela brincou -, mas eu já me olhei no espelho e vi que estou com a aparência cansada. Meus olhos estão abatidos, então eu quero disfarçar um pouquinho. – Kate terminou a maquiagem e guardou os produtos na bolsinha específica — As meninas são observadoras, querido, e não quero que elas fiquem preocupadas pensando que eu estou sofrendo ou qualquer coisa do tipo. — Ela entregou a bolsinha de maquiagem para ele guardar no armário — Você é um fofo!
— E bonitão, também! – Richard acrescentou com seu jeito tão alegre de ser e a esposa riu.
— Tá! Você é o meu Bonitão! Todo meu!
— Completamente seu – Kate queria ir para a poltrona de amamentação e com ajuda do marido, ela desceu da cama. Neste momento ele a abraçou — E você é completamente minha – ele a beijou ternamente. Mal tinha começado o beijo, um dos bebês recomeça a choramingar, então, torcendo a boca de forma marota ao ouvir o chorinho do filho, ele complementou – Quer dizer, você não é tão completamente minha... Tem mais três garotões na jogada.
— Seu bobo! – ela ria – Eu vou sentar na poltrona. Quem é quem tá chorando? Vá ali, amor, e pega este chorão lindo que eu vou amamenta-lo.
Ao chegar ao lado do bebê que chorava, ele consultou a pulseirinha e falou – É o Bryan.
Enquanto Bryan era amamentado, o marido a olhava extasiado, completamente com cara de bobo. Bobo de amor pela mulher e pelos filhos.
Prestando atenção ao seu bebê e ao seu marido, ela comentou bem baixinho para não assustar o Bryan – Sabia que mesmo com cara de bobo você é o marido mais lindo do mundo? Aliás, corrigindo: É por você ficar assim todo bobo de amor que você é o marido mais lindo do mundo.
Sorriram felizes.
Assim que o Bryan terminou de mamar, Arthur acordou e ficou se remexendo no bercinho... Ele queria mamar. Quando ela estava amamentando o Arthur, a porta do quarto se abriu e entrou seu pai, sua sogra e suas três filhas.
— Mamãe! Papai! As três meninas cumprimentaram os pais e correram para ver os bebês, no entanto, a avó as segurou rapidamente.
Pedindo para as crianças fazerem silêncio para não assustar os bebês, Marta orientou que as meninas tinham que lavar as mãos antes de tocar nos irmãos — Queridas, eu sei que vocês saíram do banho agora, mas mesmo assim, vamos ao sanitário lavar as mãos?
— Porque, vovó? Eu não peguei em nada sujo. – Bia argumentou.
— Eu sei, mas temos que lavar as mãos para encostar nos seus irmãozinhos.
Após lavarem as mãos e espalhar uma gotinha de álcool gel, as meninas foram ver o Bryan e o Bernardo nos seus respectivos bercinhos e depois viram o Arthur mamando.
Annie fez uma expressão engraçada. Franziu o nariz e a boca – Mamãe, eles são muito pequenos.
— Eles são do tamanho de minhas bonecas, só que são melhores do que elas porque eles se mechem sozinhos. A gente pode brincar com eles agora? – Bia foi para o sofá e com muita naturalidade, pediu — Bote eles aqui no sofá, papai.
Achando divertido o pedido da filha, Rick explicou – Eles ainda não podem brincar com vocês, querida...
— Eles não gostam de nós, papai? – Annie estava sentida.
— Não é isso, querida. É porque eles ainda não sabem o que é brincar. Eles ainda não aprenderam.
— Nós ensinamos a eles, papai, né, Annie?
— É – Annie respondeu.
Alexis chamou as duas irmãs e explicou — Annie e Bia, eles ainda não sabem brincar porque eles são muito pequenininhos e não conseguem fazer nada sozinhos. Eles precisam da mamãe para fazer tudo, né, mãe?
Contente com a intervenção e a inteligência da Alexis, Kate confirmou – Sim, querida. Muito bem, você está certa.
As meninas agora já queriam saber de outra coisa – Mamãe, porque você colocou este bebê mordendo seu peito? – Bia estava curiosa para saber o que o bebe estava fazendo ali.
Cautelosa, Kate esclarecia- Ele não está mordendo, meu anjinho. Aliás, ele nem tem dentes. Ele está tomando leite...
— Leite? Leite no peito? Sem caneca? Eu, eihn, nunca vi isso! – Annie torceu a boca porque achou estranho.
Martha chamou as gêmeas – Bia e Annie, vocês lembram que a mãe de vocês estava com a barriga enorme? – as duas garotinhas balançaram a cabeça de forma afirmativa. — Vocês também sabem que estes bebês estavam na barriga da mamãe – mais uma vez elas sinalizaram que “sim” – Quando elas saíram da barriga da mamãe, a barriga ficou vazia, mas o peito dela se encheu de leite...
Bia interrompeu – Eu não quero tomar este leite...
— Não, querida, o leite que está no peito da mamãe é um leite forte e que protege os bebês para não pegarem nenhuma doença, mas o leite só serve para os bebês.
— Deixa eu ver, mamãe. – Annie pediu.
— Daqui a pouco, filha, deixe ele terminar de se alimentar. Se eu interromper talvez ele não retorne.
Apesar de recém-nascido, os lábios do bebê faziam a sucção com agilidade e isto não passou despercebido pelas meninas.
— Ele está com fome, né, mamãe?
— É filha, ele é guloso e está sugando forte – a moça olhou para a sogra e demonstrou que sentia dor – Muito forte... Martha, a coisa tá danada, viu? Os três aprenderam a mamar com facilidade e... Nossa Senhora!
— Oh, Katherine! É como eu te disse mais cedo, você é uma guerreira, querida. E Deus fez a coisa certinha... Veja se um homem aguentaria isso? Carregar bebês no ventre, parir e depois amamentar... Heim? Ainda mais com três ao mesmo tempo... Larga um vem o outro e assim, sucessivamente... Parabéns, Katherine...
Richard olhava para a mãe e, espiritoso, avisou — Mamãe, caso você não se lembre, eu estou aqui... – ele se queixou porque Martha dizia que as mulheres eram mais guerreiras do que os homens. Mas Kate e Martha acham divertido ele se queixar.
As meninas prestavam atenção a tudo que se passava.
— Mamãe, você está com cara de quem está com dor. — Bia olhava a mãe meio de lado e franzia a testa.
Arthur se cansou de mamar e adormeceu no peito da mãe — Estou ótima, filha! A mamãe está bem. – Kate disfarçava o incomodo no seio. — Olha, meninas, este é o Arthur. Meus amores, ele dormiu... pssssiiii – pede silêncio e o retira, colocando a cabeça do garotinho nos seus ombros e nesta manobra as meninas não perdem um detalhe.
— Bia, ele não tem dentes mesmo. Ué!! Eta!!! – de olhos arregalados, Annie dá a notícia para a irmã.
— Eu já vi que não vou gostar muito destes bebês... – Bia falou e antes mesmo de qualquer adulto perguntar o motivo, ela justifica – São muito sem graça... Eles não sabem brincar, dormem o tempo todo, não tomam leite na caneca, não têm dente, não têm cabelo... Daqui a pouco aparecem mais coisas... Muito chato isto... Sem graça... Sem graça mesmo.
— Mas aos pouquinhos eles vão ter dentes e cabelos e também aprender a fazer tudo isto, meninas – Richard explicava e logo depois pegou o Arthur dos braços de Kate – Vou fazê-lo arrotar, querida.
Assim que seus braços ficaram vazios, Kate chamou as filhas — Hey, venham ver o leite saindo do peito da mamãe – Kate pegou uma fralda de tecido e pôs bem próxima ao seio, apertou um pouco e as meninas viram o seio espirrar leite.
— Este leite é gostoso, mamãe? – Annie quis saber.
— Quer experimentar? – Kate ofereceu.
— Eu vou ter que colocar a boca no seu peito, mamãe?
— Huuummm!!! – Kate pensou um pouco para ver como negaria aquela pergunta sem parecer que elas estavam sendo excluídas – Não, queridas, somente bebezinhos bebem o leite no peito da mamãe. Você já é grande, quase uma mocinha e toma o seu leite na caneca.
— É, eu sou grande, eu já tenho seis anos. – Annie gostou do que a mãe falara. — Então como vou saber o gosto?
— Põe o dedo aqui pertinho do seio da mamãe...
Assim que o leite espirrou no dedo de Annie, ela o levou à boca e sentiu o gosto, a garota fez uma careta – Eca! O gosto é ruim... Você quer experimentar também, Bia?
Esperta, a garota se safa — Eu não... Você já falou que é ruim... Eu acredito, pode deixar.
— E você, Lex? – Annie quis saber.
— Eu também não, obrigada. Prefiro o meu leite na caneca com achocolatado.
Demorou um pouquinho, Richard anuncia – Ops! Kate, o garotão aqui já sujou a fralda...
— Martha, você pode trazer o Bernardo para eu dar de mamar, por favor. – enquanto a sogra levantava para pegar o netinho, Kate avisou ao marido – Querido, você troca a fralda dele?
— Ah, sim... Troco sim...
Enquanto Kate ajeitava Bernardo no peito, Richard ajeitava o Arthur no trocador, com tudo à mão: fralda, lencinhos higiênicos umedecidos, pomada para prevenir assaduras e uma nova roupinha.
As meninas que estavam grudadas na mãe vendo o Bernardo mamar, correram para ver o pai cuidar do Arthur. Assim que a fralda suja é retirada, as três, ao mesmo tempo, fazem careta e saem de perto.
— Eca!
— Que nojo!
— Que porcaria!
Espirituosa, Bia falou – Eu bem que disse que tinha mais coisa para eu achar esses bebês chatos... Eles fazem cocô. Eca!
— Mas vocês também fazem, Bia! – Richard argumentou.
— Sim, mas eu não faço na roupa, papai. – a garota explicou.
— Mas ele não sabe fazer em outro lugar, porque ele é muito pequenininho.
— Não papai, já chega. Eu não gostei mesmo destes bebês.
Diante da resposta da filha, Richard olhou para Kate e recebeu dela um discreto olhar para ele deixar prá lá e não discutir com a filha, senão iria piorar as coisas.
E assim as meninas ficavam de lá prá ca, olhando os bebês e sempre achando algo que elas não gostavam e a lista ia crescendo.
Os adultos não discutiam, apenas ouviam e faziam breves comentários neutros.
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Jim ficou contente ao conhecer os netinhos e ver que sua filha estava bem. – Querida, que bom que os bebês não precisaram de cuidados hospitalares ao nascerem.
— Foi mesmo, papai. Graças a Deus.
— A Kate teve uma gravidez maravilhosa, Jim – Richard explicava ao sogro e fez tudo de acordo com o que a Lanie mandava. Não saiu da linha uma única vez. Ela nem engordou, continua gata! O peso que ela ganhou foi o dos bebês e do líquido amniótico e um pouquinho mais de leve.
— Mas é bobo este meu marido. – Kate ria.
— Eu sei que minha filha é linda e continua linda mesmo um dia após o parto, mas eu diria que o Richard está é apaixonado! – corrigiu Jim.
— Já eu diria que ele é apaixonado e bobo, mas que apesar de ser teimoso, não é nem exagerado nem mentiroso. – Martha opinou — A Katherine está mesmo muito linda!
— Mas é puxa saco da nora, nunca vi um negócio desse... – Rick provocou a mãe.
— Meus queridos, eu acho que vocês já perceberam que eu estou aqui, não é? – e olhando para o marido – E se eu engordar depois do parto, eihm, Bonitão? É, fique você sabendo, babe, que eu vou ter que me alimentar bastante para ficar fortinha para dar de mamar para estes três bezerrinhos...
— Kate, você vai sempre ser a minha gata.
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Jim, Martha e as crianças tinha chegado há aproximadamente trinta minutos. Enquanto os adultos conversavam e conferiam os bebês, as gêmeas e a Alexis, depois que ‘viram’, ‘ouviram’ e ‘souberam’ de tudo que queriam, iam de lá prá cá e não ficavam quietas um minuto. Estavam impacientes e a mãe percebera isto.
Kate amamentava o Bryan.

— Martha, as meninas já estão impacientes... – Kate segredou para a sogra.
— É, eu vi, Katherine. – Martha confirmou o que a nora dissera — Elas já estão ansiosas para ir embora...
Mesmo sem ouvirem ou perceberem a conversa da mãe com a avó, Annie chega perto de Kate, sobe no seu colo e espreme o Bryan no colo da mãe e se queixa, toda meiga — Mamãe, porque você e o papai não dormiram lá em casa hoje? Eu acordei e fui para cama de vocês e não encontrei ninguém. – A garotinha recostou no colo da mãe e ficou no dengo – Eu chorei, mamãe.
— Eu também. – Bia também subiu no colo da mãe.
Temendo que Bryan se machucasse por conta das meninas se amontoarem no seu colo sobre o bebê, Kate olha para o marido pedindo socorro e fala por códigos – Rick... Você ainda aguenta estas meninas, amor, ou elas estão muito pesadas?
Imediatamente o pai pega as meninas e as põe no seu próprio colo – Claro que eu aguento, amor, eu sou forte! – brincou e chamou as meninas — Venham cá, lindinhas do papai. Fiquem comigo porque eu estou com saudades de vocês.
— Vocês nem avisaram que iam viajar ou qualquer coisa... – Alexis, apesar de grandinha, também se queixou.
Bia olhou bem para os olhos do pai. – Porque, papai?
Kate e Rick se entreolhavam.
Richard respondeu – Queridas, a mamãe precisava tomar remédios que somente o médico daqui pode dar... O remédio só tem aqui.
— A mamãe está doente? – Bia arregalou os olhos assustada.
— Não! Meus amores, eu não estou doente. É que a mamãe tem que tomar remédio para ficar forte igual ao papai e estes remédios só podem ser tomados aqui no hospital. E a mamãe e o papai tiveram que dormir aqui no hospital porque seus irmãozinhos estavam aqui e...
— Vocês agora só falam nestes bebês... É bebê ‘isso’, é bebê ‘aquilo’, é o bebê ‘prá lá’, bebê ‘prá cá’... Vocês agora gostam mais dos bebês do que da gente, é? – Bia agora estava chateada e falava com mágoa. — E eles são horríveis! Horríveis mesmo! Vocês preferiram dormir com eles do que dormir com a gente? Vocês não amam mais a gente?
Annie começou a chorar. – Eu não quero mais os bebês. Eles podem ficar aqui no hospital. Lá em casa eles não entram.
— É. É melhor eles nem iram lá prá casa mesmo porque eu não gosto mais deles. Não gosto! Não gosto! Não gosto! – Bia foi enfática.
Quando Kate e Richard pensavam em algo para reverter a situação, Alexis os salvam. A garota crescida se encosta na Kate e com delicadeza fala com as gêmeas — Bia e Annie, eu também senti muito a falta do papai e da mamãe lá em casa. Acho que eu não gostaria de dividir o meu pai e a minha mãe com mais ninguém, mas nós não podemos abandoná-los porque eles são nossos irmãozinhos e eles precisam de nós. O papai e a mamãe tiveram que ficar com eles, porque eles são muito pequenos e não sabem fazer nada sozinhos. Vocês viram eles? Olha pra eles. – a ruivinha apontou para os pequeninos – E nós somos grandes. Eu até fiquei assustada e triste quando não encontrei a mamãe e o papai lá em casa, mas a vovó e o vovô dormiram com a gente lá no apartamento, lembra? Nós não ficamos sozinhas.
Kate acaricia as madeixas ruivas da garota e a elogia – Muito bem, filha. É isso mesmo. Kate se dirige para as gêmeas — Annie e Bia, queridas, sua irmã falou tudo certinho. A mamãe ama vocês do tamanho do mundo e o papai também. Nunca vamos deixar de amá-las. Nunca. E os bebês são tão pequenininhos e precisam muito de mim, do seu pai, da sua avó, do seu avô e também precisam muito de vocês porque vocês são grandes e vão ensinar a eles um monte de coisas, inclusive a falar e brincar.
— Então vocês vão dormir com a gente hoje? – Annie pergunta.
— Não, querida. Apesar de amar muito vocês três, a mamãe vai dormir novamente no hospital. – Kate explica – O médico precisa dar mais remédio para a mamãe...
— Tá doendo, mamãe?
— Não, filha, mas preciso ficar aqui e tomar os remédios que o medico vai trazer, assim eu vou ficar logo boa e voltar prá casa para ficar com vocês, o que é que vocês acham? E enquanto eu e o seu pai não voltamos, vocês podem brincar de “Fazer Teatro” com a vovó, podem sair para tomar sorvete com o vovô...
— Ótima ideia, Katherine. – Martha concordou com a nora.
E, assim, as meninas pararam com o choro e se animaram para a diversão com o vovô e com a vovó.
Continua...
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