Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
70 Negócios e reuniões
Notas iniciais
Anteiormente...
Sobre a negociação entre “NICE CLOTHES” e a “RODGERES’s”...
Visto que a italiana apoiara a decisão de Kate, quanto a investigar a outra fábrica, e diante o grau de aproximação e intimidade que a moça mantinha tanto com ela quanto com Rick, Antonella adiantou logo que não iria a tal reunião pelos motivos já explicados anteriormente, ou seja, ela já era uma figura mal vista por lá porque por muito tempo e por insistência de Richard, ela movera céus e terra para tentar tirá-los dali e isto, obviamente, os irritou profundamente.
Diante dos acontecimentos em que Antonella estivera envolvida, a própria Kate tentaria agendar uma reunião com a “NICE CLOTHES”, pois, para evitar fracasso na negociação, somente ela trataria do assunto com eles.
Em combinação com Rick, ela iria sozinha à tal reunião. Ela omitiria o seu envolvimento com a “RODGERES’s” quando do agendamento da reunião e, obviamente, a sua condição de noiva do proprietário, porque, assim, tinha certeza que a conversa iria fluir com mais tranquilidade, sem a nuvem turva de desconfiança por parte deles. Kate somente revelaria seu envolvimento com a “RODGERES’s”, pessoalmente, no momento certo durante a reunião... ou, quem sabe, num segundo ou terceiro encontro.
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Após ter encerrada a ligação telefônica com Richard, Kate se recostou preguiçosamente na sua cadeira e sorriu ao refletir acerca da parte da conversa que tiveram.
A cara de Richard foi hilária quando ele lembrou – Pena que não fomos adiante com aquela aposta...
— Que aposta, amor? – Kate indagara.
— Aquela que eu propus pra você no dia em que eu fui ao seu escritório, lembra?...
— Aquele dia em que você invadiu meu escritório, igual a um tornado, e que eu tive que chamar os Seguranças. – ela riu divertida com a expressão dele.
— Ops! Nem me fale. – ele engoliu em seco e arregalou os olhos demonstrando que passara por maus momentos. – Mas eu sou muito esperto... Eu tive sorte de ter achado uma saída rapidinho... – ele fez uma cara de sapeca, deu uma pausa e recebeu um olhar desconfiado dela.
— Mas avive aí a minha memória, amor... Tantas coisas aconteceram naquele dia..., inclusive o medo que eu tive de perder minhas filhas... — ela se recosta na cadeira e põe as mãos cruzadas sobre os olhos como se realmente quisesse esquecer daquela parte do episódio. Ainda com as mãos no olhos, ela comentou – Ai meu Deus! Nem gosto de lembrar desta parte. Acho que eu morreria se eu perdesse minhas filhas. Só de lembrar meu coração aperta...

Tenso, Richard olhou o estado em que ele ficara e preocupou-se – Tá, meu amor, então vamos mudar de assunto... Desculpe... Não fique assim, amorzinho, você nunca vai ter que se separar das nossas filhas. Nunca. — ele fez um bico indicando que estava com raiva dele próprio por ter tocado naquele assunto — Não queria fazer você se lembrar disto... – Richard tentou pedir desculpas.
— Não, babe, tudo vem... Pode falar. — Kate retornou a sua posição original, sentando-se normalmente, tentou sorrir e se esquecer do ocorrido, até porque, tudo tinha se resolvido. Em seguida esforçou-se para relaxar e brincar — Refresque aí minha memória...
Richard ainda estava preocupado com ela — Eu queria estar aí com você agora, babe...
Sensibilizada com o carinho dele, ela torceu a boca indicando que estava emocionada — Eu também... Queria muito que você estivesse aqui comigo... Muito mesmo — respirando fundo para não chorar, retornou para o assunto — Tudo bem... Tudo bem, amor... — ele a olhou duvidando do que ela estava falando, mas ela tentou convencê-lo — Estou sendo franca, Rick... Quer dizer... Não estou totalmente bem, mas eu vou ficar daqui a pouquinho... — sorriu — Pode ter certeza. Mas diga aí, avive minha memória. O que foi que você me propôs naquele dia conturbado? Que aposta foi esta? — ela sorriu de verdade e franziu a testa indicando que estava tentando se lembrar da tal proposta e também da aposta.
— Ok. Mas a aposta que eu te falei, foi quando estávamos em pé de guerra e eu queria te contratar para interceder na compra de cotas da “NICE CLOTHES” e você riu de mim... lembra? – ele sorriu – Eu lembro que eu te falei que se você conseguisse concluir a compra das ações, além dos seus honorários advocatícios você receberia 5% do lucro líquido da “RODGERES’s”, mas se ao final do prazo estabelecido de 60 dias você não conseguisse finalizar a negociação considerada por você “fácil, muito fácil”, você teria que se casar comigo. – Richard conclui com a cara mais safada que ele podia ter.
Reforçando a cara de desconfiada, mas agora mais divertida, Kate indagou – É, eu lembro. Foi bem tenso... Mas bem que teria sido divertido... – mudando de expressão, de divertida para séria – Hey, babe, mas se eu conseguisse fazer a compra? Como é que.... Você não iria se casar comigo....
— Moça, eu me casaria com você de qualquer jeito. Eu te caçaria no meio do mato, no meio de uma floresta, na lua, mas você se casaria comigo. – ele riu diante da cara de felicidade dela — Tudo aquilo, por mais que eu quisesse as cotas da “NICE CLOTHES”, como alias, eu ainda quero, todo foi puro disfarce. Acho que eu não tinha mais o que pensar ou o que falar para ficar ligado a você. Eu tinha que continuar mantendo contato, não importava como ou o quanto de dinheiro eu teria que arriscar. Nada me importava. Nada mesmo. O que eu não poderia arriscar era perder você de vista novamente. Não depois de ter ficado seis anos sem você.
— Ai, que lindo, amor! Jura? – Kate se derreteu toda.
— Você ainda tem dúvida?
Sorridente e feliz, Kate se empertigou e se viu obrigada a terminar seus devaneios, pois sabia que tinha muito que fazer.
Vencida a tarefa da pesquisa com relação a documentação do apartamento duplex. Ela atenderia à vontade do noivo e partiria agora para a negociação de compra e venda do maravilhoso imóvel.
Kate estava nas nuvens. Estava feliz da vida porque, finalmente, iria morar junto com Richard e Alexis, formando, assim, uma verdadeira família. Os dois iriam dormir e acordar juntos, para sempre, na mesma casa com a Alexis, a Bia e a Anie e dali a alguns meses, com os três garotinhos e nada nem ninguém atrapalharia desta vez. Tal pensamento a deixou arrepiada. – “Deus nos livre disto!” – pensou. – “Nada nem ninguém irá nos separar.”
A excelente notícia que Rick dera, a deixara feliz, porém muito ansiosa. Kate pegou uma garrafinha de água gelada. Precisava dela para matar a sede e também para acalmar seus ânimos, pois este ultimo pensamento a deixara tensa. Mas não deixaria nada nem ninguém tirar sua felicidade.
Procurando voltar ao trabalho, Kate acessou sua Agenda de Compromissos e decidiu otimizar as poucas horas que tinha antes do final do expediente. Faria as ligações telefônicas necessárias para tratar dos assuntos do dia: o apartamento e a “NICE CLOTHES”. Tentaria ser sucinta nas conversas.
Apesar de ter uma secretária muito competente, ela própria queria fazer tais ligações, até porque, eram assuntos particulares e, por mais que a Sra. Mercedes Kynooty fosse eficiente, etc, e tal, Kate não gostava de expor sua vida pessoal. O máximo que tinha feito foi apresentar o Richard a ela, como seu noivo, e autorizar sua entrada no escritório, mesmo que ela não estivesse presente, ou seja, Richard tinha livre acesso a qualquer área do seu escritório, inclusive na sua sala, até mesmo quando ela não estivesse presente.
Mais uma vez, se utilizaria dos serviços dos mesmos colaboradores, o estagiário de Direito do seu escritório e o Despachante para tratar dos assuntos pertinentes ao apartamento. Com simples ligações telefônicas, comunicou aos dois o que teriam que fazer e ambos se comprometeram a, juntos, finalizar a transação comercial dentro do menor prazo possível. Ao final da conversa, Kate forneceu o número do telefone pessoal do noivo, explicando ainda que dali em diante todo e qualquer assunto, inclusive financeiro, deveria ser tratado com Richard.
Terminava ali, sua participação na compra do apartamento. Ela iria se envolver com o apartamento somente depois da assinatura do contrato, quando participaria ativamente nos projetos dos arquitetos e decoradores, informando seus desejos e suas opiniões.
Pensando nisto, tinha que confirmar a contratação do escritório de arquitetura e decoração. Teclou o número do telefone pessoal do arquiteto de sua preferência, aquele que reformara e decorara tanto seu apartamento quanto seu escritório e renovou o convite para, junto com os decoradores do mesmo escritório, fazer um magnifico projeto de reforma e decoração do novo apartamento, o que foi aceito de pronto.
Além deste arquiteto ter sua capacidade reconhecida internacionalmente, possuir prêmios e títulos recebidos nos quatro cantos do mundo e, obviamente, ser muito profissional, ele se tornara seu amigo pessoal. Era um cara muito alegre, sorridente, descontraído, espontâneo e de bem com a vida, o que tornava o papo leve e divertido. Após alguns minutos de conversa solta, marcaram uma visita ao novo apartamento, onde ele levaria sua equipe para fazer um reconhecimento de área e as medições necessárias para o início do projeto.
Ao finalizar a ligação telefônica, consultando o relógio, Kate verificou que ainda havia tempo de sobra para telefonar para a “NICE CLOTHES” e, quem sabe, conseguir agendar uma reunião. Queria concluir aquilo o mais rápido possível.
Quase não acreditou quando a Secretária, que se identificou como Guadalupe Ramires, comunicou que havia um horário disponível no dia seguinte às oito horas da manhã. Apesar de já ter em mente seus compromissos para o dia seguinte, deu uma rápida consultada na sua agenda e confirmou o que já sabia. Na manhã do dia seguinte teria uma audiência de um processo muito importante. Diante de tal constatação, Kate tentou ajustar um melhor dia, junto à Secretária da “NICE CLOTHES”. — Sra. Guadalupe Ramires, se não puder ser amanhã... Porque está muito em cima, qual a data mais próxima para eu poder me reunir com a Sra. Kelly Wilker?
Um breve silêncio se fez. Kate ouvia apenas o som do teclado do computador, visto que a moça deveria estar consultando a agenda de compromissos da sua chefe.
Em alguns segundos, a Sra. Guadalupe Ramires explicou — Se não for amanhã, Dra. Beckett, a próxima data disponível será daqui a um mês.
Mais uma vez Kate gelou. Queria logo acabar com aquela cisma do Richard. Tinha logo que ser decidido se a “NICE CLOTHES” iria ou não vender cotas da sociedade para a “RODGERES’s”, além do que, Kate não queria que tal assunto fosse empurrado tão pra frente, pois teria que ter tempo livre para organizar seu casamento e ficar colada na reforma e decoração do novo apartamento. Mas também tinha a sua audiência no dia seguinte. Ao mesmo tempo que queria ir à reunião, Kate também queria ira à sua audiência. Era uma causa delicada e tinha se comprometido com o cliente, portanto, não queria passar aquela audiência para outro advogado do escritório. Sem pensar duas vezes, decidiu por aceitar a reunião para a manhã seguinte, afinal de contas todos os advogados do seu escritório eram capazes e tinha plena confiança neles.
Assim que desligou o telefone, Beckett pediu a Sra. Kynooty que localizasse dois advogados do seu escritório, o Dr. Larry John Marlowe e o Dr. Samuel Terrew. Forneceu os nomes e em menos de quarenta e cinco minutos os dois saíram da sala da chefe, com todos os dados e anotações necessárias para a substituírem no processo. Assim, Kate voaria tranquila para Nova York.
Como não podia deixar de ser, Kate desembarcara belíssima na sexta-feira no aeroporto. Ela acordou muito cedo para viajar e quase não tivera tempo para se arrumar e se maquiar, mesmo assim, o fizera com perfeição.
Não pedira a Richard para busca-la no JFK, pois achava mais prático pegar um taxi e ir direto ao escritório central da “NICE CLOTHES” e assim o fez, chegando lá com dez minutos de antecedência. Assim que pôs os pés na parte administrativa da fábrica, de cara já ficou impressionada, pois o local era ricamente decorado com o que tinha de mais moderno, e, com certeza, era fruto de um estudo elaborado por arquitetos e decoradores de peso.
Ao se apresentar à Secretária, esta lhe ofereceu um café. Kate optou por um café puro, extra-forte. Não era o seu favorito, mas naquela ocasião, era indispensável, pois tivera que acordar muito cedo para pegar o voo e estar ali antes do horário marcado.
Na condição em que se encontrava, Kate tinha que estar atenta a tudo e a todos, nos mínimos detalhes e até aquele momento, só encontrara pontos positivos e, assim, fazia suas anotações mentais. Conforme ela já observara, o espaço físico era bonito e imponente e estava em harmonia com o fardamento e a apresentação pessoal dos funcionários da administração e tais fatos só serviam para somar a excelente impressão que tivera ao analisar os números e a situação jurídica e administrativa retratada nos documentos e relatórios estudados.
Desde o primeiro momento, Kate ficara sabendo que a reunião seria com Kelly Wilker. Richard havia lhe dito que não a conhecia, pois nunca coincidiu de irem ao mesmo evento de moda, tampouco havia aproximação, sequer camaradagem que justificasse visitas recíprocas, ainda mais depois dele encasquetar que queria expulsar a empresa dela daquele parque industrial. Antonella também não a conhecia. Soubera informar apenas que Kelly nunca aparecia em revistas do mundo da moda, tampouco em colunas sociais. É como se ela não existisse. Talvez fosse uma pessoa que não gostasse de badalação... Era uma mulher isolada; talvez ficara assim, reservada, depois de ter ficado viúva. Não sabiam de mais nada sobre ela, pois, no tal Contrato Social não informava a data do seu nascimento. Informava apenas números dos seus documentos pessoais, endereço e o seu estado civil, viúva, e que era a proprietária do estabelecimento. Todavia, com tais características de comportamento, Kate e Antonella suspeitavam tratar-se de uma senhora idosa. Por mera curiosidade, Kate pesquisara o nome dela em sites de busca para ver se havia alguma fotografia, mas não obtivera sucesso. Depois disto, aquietou-se. Esperaria para conhecer a Sra. Kelly Wilker no momento da reunião.
Distraída com tais pensamentos, Kate quase não percebeu que fora chamada pela linda, charmosa e jovem Secretária corpulenta.
Ao se levantar, Kate consultou discretamente o relógio e, mais uma vez elogiou a precisão e o comprometimento da Sra. Wilker, pois exatamente às oito horas Kate foi convidada a entrar para o seu escritório. Ou seja, até agora tudo levava a crer que a empresa, ou cotas dela, seria uma excelente aquisição para a “RODGERES’s”.
A Secretária a encaminhou até a porta da sala de sua chefe, abriu-a e deu passagem à Kate, retirando-se em seguida.
Se Kate já ficara impressionada com os relatórios, os números, a documentação e, por fim, a aparência e a apresentação dos ambientes e dos funcionários da “NICE CLOTHES”, ficara ainda mais abismada ao se deparar com Kelly Wilker.
Com olhar neutro e sendo o mais discreta que podia, Kate pensa... Nos mais de dez anos do exercício da advocacia, ela estava acostumada a lidar com todo tipo de pessoa, homem, mulher ou homossexuais, de todas as raças, crenças, classes sociais e intelectuais... com ou sem deficiência física aparente, jovem ou idosa, gorda ou magra, alta ou baixa, feia ou bonita, mas esta, mulher, particularmente, a deixou boquiaberta...

Continua...
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