Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
46 Lanie, uma verdadeira amiga
Notas iniciais
EM WASHINGTON, D.C.
As imagens sobre os problemas no avião da Delta Air Line, em Nova York, passavam pela tela da TV. A emissora não passava outras matérias, nem mesmo intervalo publicitário, pois estava focada exclusivamente em transmitir aquele acontecimento, e com certeza, era observada pelo mundo todo, inclusive por Esposito, Lanie e Kate, sendo que esta última, continuava em transe, displicentemente sentada em uma das poltronas do Home Theater, e olhava para as cenas da TV, mas, a todo momento, também passava os olhos no ipad na esperança da comunicação com Richard ser restabelecida.
Javier estava com sua atenção inteiramente voltada para a TV, assistindo a todos os detalhes do evento que se desenrolava no céu de Nova York, nas proximidades do aeroporto JFK. Quase nem piscava. Contudo, de vez em quando dirigia olhares na direção da sua esposa, que solícita e amável, estava ao lado de Kate, sua melhor amiga a quem considerava uma irmã.
O avião era o centro das atenções. A todo momento um dos repórteres anunciava que havia câmaras espalhadas em várias regiões de Nova York, nas proximidades do aeroporto JFK a fim de capturar as melhores imagens, blá, blá, blá... falando, inclusive que equipes de socorro do aeroporto e que também dezenas de ambulâncias com médicos, paramédicos e enfermeiros já estavam a postos nos locais previamente estabelecidos, bem como possantes caminhões de bombeiros, para o caso de serem necessários. Ao lado também se viam vários ônibus tradicionais que diariamente eram usados levar passageiros quando do embarque ou desembarque, etc, etc, etc..... A aeronave continuava sobrevoando Nova York e a cada momento a imagem era trocada por uma similar, capturada de outro ângulo, mas o avião sempre estava no foco das câmaras. O jornalista continuava repetindo as mesmas coisas, como os nome do piloto e do copiloto e quanto tempo de voo eles tinham, a quantidade de horas de voo daquela aeronave, a quantidade de passageiros, o tempo de existência da empresa aérea, os nomes dos garotos cantores, etc, etc, etc...
... De repente o avião se aproxima do aeroporto. O avião vai se aproximando do solo. A cada centímetro de aproximação o coração de todos, principalmente o de Kate, parecia que ia sair pela boca, face a angústia que passava.
Sentada ao lado da Kate na larga e confortável poltrona do Home Theater, vigilante, Lanie percebera que a aflição da amiga beirava a um colapso e a qualquer momento ela poderia desmaiar, portanto, na tentativa de melhor amparar sua amiga, a fez encostar na larga poltrona e passou a segurar seu braço, transmitindo força e segurança.
A cada centímetro que o avião se aproximava do aeroporto, a tensão aumentava e, para surpresa de todos, a aeronave, mesmo com problemas, não se sabia aonde, mesmo com toda dificuldade encontrada face ao defeito apontado, consegue, de forma precária, aterrizar na própria pista do aeroporto, saindo pela lateral, indo parar numa parte verde com plantas próprias para ajudar a brecar e também a sustentar a aeronave, impedindo que a mesma deslisasse com facilidade.
Imediatamente após ser constatado que o avião havia parado completamente, as equipes de socorro são liberadas e invadem a pista indo na direção da aeronave que, naquele momento já estavam com as portas abertas e, ao invés de escadas, o que se vê são as conhecidas esteiras infláveis em forma de escorregador e, em questão de segundos as imagens que se seguem são emocionantes: São crianças e jovens descendo com ajuda dos profissionais da área.
Assim que Kate consegue visualizar Alexis descendo pelo escorregador, identificando-a pelos longos cabelos ruivos, Kate se levanta num salto e grita — ALEXIS! Meu Deus! Alexis! — Ela vira para o lado e abraça Lanie — Graças a Deus, amiga. Graças a Deus minha menina está bem! — Kate fala aliviada e visivelmente contente com a cena que vê.
Além deste tipo de socorro, também se viam os carros de bombeiros que se aproximava das turbinas da aeronave e disparava jatos de espuma sobre elas, de modo a esfriar com mais rapidez e evitar uma tragédia. O socorro à aeronave era feito paralelamente ao socorro dos passageiros.
Prosseguindo-se com o socorro aos passageiros, as mulheres e homens começaram a escorregar e todos não portavam nada nas mãos; nenhum objeto, bolsa ou bagagem. O que se via era que as vezes, alguns adultos desciam com bebês nos braços. Ao chegarem ao solo os passageiros se abraçavam, mas sob o comando dos socorristas, são encaminhados para os ônibus ou ambulâncias, a depender do estado em que cada um se encontrava. A olhos nus, dava para perceber que hão havia feridos. Então, o socorro médico que teriam, seriam de aferição de pressão ou algo semelhante.
Em seguida, Kate, ainda aflita e parada à frente da TV continua apreciando os passageiros adultos descerem. Tudo era muito rápido. Por fim, localiza todos que ela queria ver, um a um e a cada rosto que via, ela vibrava — MARTHA! PAPAI! RICK! Meu Deus! Obigada Meu Deus!
Kate olhava na tela as pessoas que ela amava e, sem perceber, começa a chorar. O choro é de emoção e de alegria. Um choro que fora reprimido. Assim que os vê entrando no ônibus e não na ambulância, a alegria se completa e ela, com o coração acelerado e aliviada, porém desperta, desaba em uma das poltronas e apoia os cotovelos sobre as pernas, apoiando a testa entre as mãos.
Javier continua assistindo à TV, mas também prestava atenção à esposa e à amiga.
Também emocionada, Lanie não diz uma só palavra. Apenas observa.
De repente, Kate levanta o rosto e fala — Espo, será que devemos pedir para o Malcon ir ao Aeroporto dar um apoio ao Rick? Não deve ter taxi para todos.
Racional, Javier não concorda com a a amiga — Não, Kate. Não acho que vai dar certo...
— Porque? — ela o interrompe porque fica sem entender...
— Neste momento, Kate, o aeroporto deve estar cheio de repórteres com suas equipes de TV e aparelhagens, além das pessoas que já estavam lá para esperar seus amigos e familiares e, claro, dezenas de curiosos que adoram ver catástrofes. Então, por isso, creio ser complicada a ida do Malcon ao aeroporto, pois mesmo que ele fosse, seria quase impossível encontrar o Rodgers com a família.
— Mas... — Kate está pensativa...
Moderado, Javier tenta acalmá-la — Kate, fique tranquila, se o Rodgers entender que precisa de ajuda, ele, com certeza, irá telefonar para o Malcon e vai dar um ponto de referência para ser localizado. O Rodgers é diligente e não vai ser este evento que vai tirar sua esperteza, sua inteligência, garota. Vá por mim. Acredite! Meu amigo é perspicaz.
Pensativa, Kate comenta — Eu vi que ele desceu sem o ipad...
— É, eu vi. — Javier concorda — Todos na aeronave devem ter sido orientados a guardar seus pertences. Mas ele deve estar com o telefone celular no bolso da jaqueta. Kate, pode até parecer que eu não estou me importando com eles, mas não é verdade, amiga. Eu sei que eles estão bem. Eu sei que o Rodgers sabe se safar de situações difíceis, mesmo que ele seja um dos passageiros. E nós mesmos o vimos... Ele está bem. Todos estão bem. Óbvio que estão assustados com a situação que passaram, é natural, mas estão com a saúde perfeita. E se por um acaso, o Richard estiver sem telefone celular, com certeza ele vai procurara uma solução, pois, o conhecendo como o conheço, ele não se intimida por nada.
— É, Javi. É verdade. — Exausta, Kate concorda e se recosta novamente na poltrona.
Nisto, Lanie se dirige à ela — Amiga, que tal nós descermos? Vem... Eu vou fazer um chá de camomila ou erva-cidreira. Vai ajudar você a relaxar... Aliás vai ajudar nós duas. Eu também vou beber, querida. Meu coração também está acelerado. — sorriu leve para descontrair o ambiente.
Kate se levanta e acompanha a amiga.
Lanie olha para o marido e este pisca o olho em sinal de que aprovara a ideia dela de fazer chá-calmante para Kate.
Ao chegarem à cozinha, Lanie dá uma segunda opinião — Querida, se você preferir podemos também usar alface ao invés de camomila ou cidreira. Basta deixar os talos das alfaces entre cinco a dez minutos em infusão na água, coar e beber. É tiro e queda para o combate a ansiedade e vai ajudar você a dormir bem.
— Amiga, vamos na camomila mesmo...
Lanie vai para uma terceira opinião — Mas se você quiser relaxar mais facilmente e dormir a noite toda, sem perigo de ter pesadelos ou de acordar no meio da noite, assustada com o incidente, eu posso te dar um remedinho calmante, para abaixar o nível de estresse e ansiedade. Nada forte. Um bem fraquinho que fará efeito apenas para te relaxar e te fazer dormir melhor.
Pensativa, Kate olha para Lanie e pensa na terceira opção, depois fala — Não, amiga. Prefiro a camomila, porque se eu tomar este calmante, mesmo que fraquinho, corro o risco de não acordar se as meninas me chamarem ou mesmo se o Rick tentar telefonar para mim.
Convencida que a amiga ia querer apenas o chá de camomila, Lanie ferve a água e deixa a erva em infusão por alguns minutos. Em seguida preparou duas xícaras e, juntas, apreciaram a bebida. Kate tomou duas xícaras do precioso chá.

Após beberem o chá, Lanie pergunta — Kate, você quer que eu fique esta noite aqui com você?
— Não, Lanie. Não será necessário, obrigada — sentindo-se grata, Kate sorriu para amiga. — Eu estou bem. Acredite. Sua presença aqui foi de grande importância. Obrigada. — Kate se levanta, vai até a amiga e a abraça. — Obrigada mesmo — reforçou o agradecimento.
— Eu e o Javi sabemos que você não gosta de assistir TV, mas mesmo assim, ficamos preocupados de você ficar sabendo da notícia pela metade e ficar pensando no pior, antes mesmo de se inteirar do fato. Por isto, estamos aqui.
— Mais uma vez obrigada, querida. Vocês dois são meus amigos mesmo. De verdade!
Após trocarem um novo abraço, Lanie anunciou — Então, querida, eu já vou. Vou pegar minhas crias na casa da minha vizinha. — Lanie olha para Kate e, com carinho a ameaça — Mas garota, você tem que me prometer que não vai aprontar nenhuma travessura... Você tem que me prometer que não vai sair daqui. Veja bem, me prometa que você vai deitar e tentar dormir. E também que não vai tentar ligar para o Richard, porque, a esta hora, ele deve estar atolado de atribuições. É, amiga, diligente como o Javier disse que ele é, o Rchard deve ter deixado a Alexis com Martha e com seu pai e foi procurar notícias sobre as bagagens.
— Eu prometo, Lanie. Eu prometo.
Lanie a olhou como se olha para uma criança tristinha e falou suavemente — Querida, você agora vai dormir. Assim que puder ele vai te telefonar. Tenho certeza. Mas acho que ele vai fazer isto somente amanhã. — Lanie olha para Kate e a vê pensativa, como se estivesse confabulando alguma coisa, então avisa — Kate, Kate... Espero que você não esteja tramando nada para fazer na minha ausência...
— Não! Não! Não mesmo, amiga, pode ficar tranquila. Pode confiar. Eu vou subir, dar uma conferida nas meninas e depois vou deitar e tentar dormir. Eu juro! — ela falou esta última frase inclinando a cabeça para o lado e dando um leve sorriso, pois achou fofa a preocupação de Lanie.
— Hummm! Acho bom! — faz cara de feroz, mas depois sorri.
— Pode confiar, Lanie — Kate conseguiu sorrir com o jeito todo descontraído da amiga.
— Acho bom mesmo. E nem pense em ir para Nova York. Kate, você já os viu... Está tudo bem. Eles têm agora é que tentar restaurar o equilíbrio emocional que foi avariado por este episódio. Mas isto será aos poucos... E nós todos temos que dar graças a Deus que eles estão bem fisicamente.
— Verdade, Lanie. Verdade. E pode confiar que eu não vou para Nova York. — Kate concordou com a amiga.
— Bem, já que minha amiga está mais tranquila e convencida de que não deve fazer nada diferente ou mesmo ir para Nova York — lançou um olhar ameaçador e divertido para Kate — Eu vou pegar meu maridinho e ir prá casa lamber minhas crias.
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Após a saída dos amigos, Kate faz o que se propôs. Vai ao quarto das filhas e confere se elas estão dormindo direitinho.
Apaixonada pelas filhas, dois presentes de Deus, Kate vai ao lado das camas da Annie e da Bia, se abaixa, faz carinhos nos cabelos das suas princesas e dá um beijo na testa de cada uma, ajeitando os seus respectivos edredons.
Levanta-se e se prepara para sair do quarto, quando se vira e dá mais uma olhada, então, sorri ao ter uma ideia.
Pega o seu iphone, enquadra as filhas e as fotografa. Uma foto da Bia e outra da Annie e as envia para Rick, por meio do WhatsAPP, e abaixo de cada uma das fotos, coloca as legendas.
Na primeira foto, Kate registra: "Rick, amor da minha vida, hoje eu experimentei momentos terríveis em frente à TV, mas graças a Deus tudo não passou de um pesadelo. Tudo já passou. Eu te amo.".
E na outra foto, ela escreve: "Rick, eu te amo. Obrigada por ter me dado duas filhas maravilhosas, aliás, três, porque Alexis está aí com você. Durma bem. Boa noite. Continuo te esperando. Sempre.".
Em seguida vai para seu próprio quarto se deitar, mas decide que antes vai tomar um banho quente, ideal para ajudar a relaxar.
Após tomar banho e com um leve pijaminha de listras pretas e cinzas, Kate se enfia sob o fofo edredom. Fecha os olhos, mas tudo que vê são as cenas do avião voando e depois aterrissando e por fim, Rick, Alexis, seu pai e Martha escorregando na esteira inflável.
Percebendo que não iria conciliar o sono facilmente, ela pega um livro no seu criado mudo, mas após tentar ler, constatou que não estava captando nada do que lia, pois tinha que repetir pedaços do texto duas ou três vezes. Devolveu o livro ao local de origem. Fechou os olhos, pegou o travesseiro que fora usado por Rick e, sentindo seu cheiro, o abraçou e começou a conversar com Deus e a agradecer pelas vidas salvas no avião, agradeceu também pela sua vida e por sua saúde e também de seus familiares e amigos, agradeceu pelas filhas que tinha e pelos momentos felizes que lhe foram proporcionados dede a última quinta-feira.
Lentamente, sorrindo, ela foi lembrando e enumerando todos os momentos de diversão em família que tiveram nestes quatro últimos dias, as emoções e brincadeiras que compartilharam e aproveitou aquele momento de paz para pedir a Deus que tudo isto não acabasse. Que tudo isto fose apenas o começo de uma felicidade infinita, não só por ela ou por Rick, mas também e principalmente pelas três filhas que eram as pessoas que os dois mais amavam.
E, com estes pensamentos dominando sua mente, Kate concilia o sono.
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