Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
17 Encontro na praça
Notas iniciais
Vinte minutos antes, no escritório de Kate...
Assim que Richard saiu do seu escritório, Kate analisou e viu que não tinha tempo a perder. Iria à Praça se encontrar com as filhas e as levaria para tomar o sorvete que elas amavam e depois iriam para casa, pois teriam que conversar sobre o papai delas. O papai que elas tanto amavam, mesmo sem nunca terem visto pessoalmente. Seria a primeira vez que Richard e as gêmeas, ficariam frente a frente.
Kate teria que estar equilibrada para passar tranquilidade para as filhas. Ela contava com a ajuda divina para saber abordar o assunto com serenidade a fim de evitar que Bia e Annie ficassem ansiosas para o encontro com o pai, caso contrário, elas não conseguiriam dormir. Kate não sairia do quarto das filhas antes delas conciliarem o sono e com certeza, sabia que todas precisariam de uma boa noite de sono para um possível encontro.
Kate já queria ir embora para ver as filhas, porém, antes de sair, teria que organizar os seus pensamentos, pois o reencontro com Rick fez com que ela ficasse muito tensa. Continuava tensa, ainda mais depois de terem se beijado, se abraçado e se acariciado com tanta paixão. Só de pensar ficava louca de desejo. Kate se serviu de um copo d’água para tentar esfriar os ânimos, sem sucesso.
Seis anos longe dele, sem vê-lo, sem tocá-lo, sem abraçá-lo, sem beijá-lo. Talvez isto tenha sido o motivo pelo qual perdera o controle Mas também não podia esquecer que esses mesmos seis anos foram de muita dor. Uma mistura de dores. A dor causada pelo final do noivado e tudo que envolveu o rompimento e a dor da saudade, a dor da perda do homem que fora o amor da sua vida. Na verdade, uma completa contradição se embaralhava dentro da sua cabeça. E esta mistura de dores apertava seu coração de forma tão intensa que até lhe faltava o ar. Kate sentia inúmeras vezes uma fisgada aguda que muitas vezes pensava que ia morrer e graças ao apoio constante que recebera de sua grande amiga Lanie, antes e depois do nascimento de suas filhas, conseguira superar o trauma. Contudo, hoje, só em vê-lo, tocá-lo, acaricia-lo, beijá-lo, sentir novamente o cheiro e o gosto dele, descobriu que a superação foi pura ilusão. Toda a paixão veio à tona.
Kate recostou-se na cadeira e sua mente voou para o loft de Rick em Nova York.
Pensamentos de Kate... um pouco mais de seis anos atrás...
A pequena Alexis tinha viajado com Martha para passar o final de semana na casa de praia de uns amigos da avó. Estes amigos tinham netos com idades próximas a da linda ruivinha, o que era ideal para as brincadeiras. Então, sozinhos, Rick e Kate estavam confortavelmente recostados na cama da suíte, sobre muitos travesseiros e almofadas, assistindo a um filme escolhido por ele, mas que era do gosto dos dois.
Como sempre acontecia, Kate e Rick, animados, decidiam no par ou ímpar quem ia escolher o filme. Sempre faziam isso e sempre dava certo.
Durante a exibição do filme Kate chamou pelo noivo – Rick... – ela usou uma voz característica de quem já não tinha mais interesse em assistir ao vídeo.
— Hum! – Rick a apertou mais entre seus braços, e beijou seu pescoço – Diga, amor – ele atendeu ao chamado dela, mas não desgrudava os olhos da tela.
— Amor... – Kate usou o mesmo tom dengoso, se afastando um pouco e ficou de frente para ele, fazendo carinhos sensuais no seu rosto com a ponta do dedo indicador.
— Sim, Kate – ele falou dando um selinho nela, mas sem desviar um segundo sequer sua atenção do filme. De repente ele exclamou – Eta! –,comentando uma cena do filme – Nossa Senhora! O tiro foi certeiro... Isto que é pontaria. – falou todo animado, igual criança — Agora só falta encontrar o chefe da quadrilha. Mas vai ser fácil, porque o FBI, com certeza, vai fazer com que aquele careca que já foi capturado e está ferido, confesse o crime e informe o local do esconderijo, em troca da redução do tempo que ficará no presídio.
— Amorzinho... – insistia Kate, tentando desviar a atenção dele do filme. Agora ela já dava pequenos beijinhos no pescoço dele, e mordiscava sua orelha, além de fazer carinhos por baixo da camisa do pijama.
Totalmente hipnotizado pelo filme, Rick, ainda sem tirar os olhos do filme, responde – Hum... O que é? – indagou sem nem mesmo olhar para ela – O que é que você quer, amor?
A esta altura, Kate já um pouco chateada pelo descaso do noivo, afasta-se totalmente dele, ficando ajoelhada na cama, em frente a ele – Sério, Rick! Você acha mesmo que eu tenho que usar palavras para te informar o que eu quero? – falou com uma voz nada amigável.
Espantado com o desabafo, Rick levantou as sobrancelhas e olhou para sua noiva, momento em que notou que ela não estava somente irritada, ela também estava linda. Imediatamente ele pegou o controle remoto da TV e desligou o aparelho. Olhou safado para ela e pegando-a de surpresa, a trouxe novamente para os seus braços, girando o corpo, ficando por cima dela e deu um monte de selinhos e depois disse com voz rouca, entre um selinho e outro – Amor, só para sua informação, você é linda, mas quando fica brabinha assim, fica mais linda ainda. – ele sorriu. – Olhe, querida, eu bem que queria que você falasse o que você quer, amor, mas juro que não vou ficar chateado se você ‘me mostrar’ ao ‘invés de falar’. – ele caçoou dela.
— Tarde demais – Kate tentou imprimir um tom de revolta. Ela se fez de chateada e tentou se soltar dos braços dele – eu vou dormir. — comunicou.
Sem usar força, ele não permitiu que Kate saísse dos seus braços, e percebendo que ela não havia falado o que realmente queria, Rick a provocou novamente – Então, tá, amor, vamos dormir — ela o olhou de lado, mas ele continuou a falar –, mas antes me deixe fazer uma massagem em você para aliviar tensão e você dormir mais facilmente – ele ainda falava entre selinhos e mordiscadas nos lábios, queixo e orelha dela e acariciando seu rosto e seus cabelos.
Já dengosa, mas ainda fingindo-se de triste ela insistiu – Eu fiquei magoada com sua rejeição e não quero...
Percebendo que ao fazer aqueles carinhos nela, ela ficou toda arrepiada, inclusive os mamilos, Rick a interrompeu com um beijo, desta vez carregado de erotismo. A princípio ela até que tentou resistir para fazer charme, mas não conseguiu continuar com a farsa e correspondeu ao beijo. Porém, ela parou de beijá-lo e sussurrou de forma bem sensual – Você não quer mais assistir ao filme? – ela sorriu brincando com ele.
Ele olhou para ela, deu um sorrisinho de lado e disse – Que filme? Eu nem gosto de filme. – dizendo isto ele a beija novamente, desta vez, passando a acaricia-la por debaixo da blusa. – Vou tirar sua blusa, Srta. Beckett, para facilitar a massagem... – sem esperar resposta, ele tirou a blusa dela com muita habilidade e rapidez. — Pronto... – ele falou e prosseguiu com as carícias, apalpando e apertando os seios dela, tirando-lhe gemidos.
— Sr. Massagista... Adoro suas massagens... – ela entrou na brincadeira do ‘massagista’.
Excitado com o comentário dela ele comentou – Ótimo ouvir isto, então vou continuar me esforçando, Srta. Beckett. Para sua informação, senhorita, hoje somente você receberá massagem, vai ficar deitada na cama o tempo inteiro, eu vou te proporcionar a melhor massagem da sua vida... – ele sorriu – Mas, senhorita, mais uma peça está atrapalhando. Este sutiã. Ele está atrapalhando o meu serviço, portanto, terei que retirá-lo. – completou.
— Aham... Pode tirá-lo, Sr. Rodgers. Tudo por uma boa massagem... – ela sussurrou e piscou para ele.
Com muita facilidade, ele tira a peça e joga longe – Agora ficou melhor... – sem o empecilho do sutiã, Rick massageava os seios dela, apertando e torcendo os mamilos já totalmente eriçados – a senhorita tem os seios lindos, tanto o formato quanto o tamanho e estou adorando fazer este serviço. – Kate ficava em êxtase com seu toque, os elogios e safadezas que ele falava — Mas estou percebendo que apesar de eu estar massageando e apertando seus mamilos, eles continuam muito rígidos e talvez estejam incomodando...
— Huuummm! – ela estava quase gozando com os toques das mãos dele e com as palavras safadas...
— Estou vendo que a senhorita está gemendo, talvez esteja incomodando mesmo – ele falava todo pervertido do jeito que ela adorava –, então vou aplicar uma técnica excelente para ver se fica melhor, mas antes, preciso tirar seu short e sua calcinha, para a técnica ficar mais eficiente – ao mesmo tempo em que falava, ele a desnudava, deixando-a mais excitada do que nunca. Após jogar longe as peças, ele voltou a massagear um seio e passou a lamber e sugar o outro, mordiscando levemente o mamilo, fazendo com que Kate soltasse gemidos de prazer. Neste momento, ainda sugando e mordiscando os seios dela, ele leva sua mão para o centro de prazer dela, apalpando suavemente todo o local, concentrando-se por fim no pequeno gomo erétil dela, manipulando-o, levando-a a gemer não de dor, mas de prazer.
Percebendo que ela estava molhada, ele introduz um dedo na sua cavidade de prazer. Com movimentos ritmados, ele retira e introduz o dedo por varias vezes, sem deixar de sugar a mordiscar os seios dela. Ao retirar o dedo, ele volta a penetrá-la desta vez com dois dedos, prosseguindo com o mesmo movimento ritmado. Ela estava se deliciando, abria bem as pernas, dando espaço para ele e esticava o corpo, flexionando o tronco para cima, muito excitada, e segurava a cabeça dele, acariciando seus cabelos, incentivando-o a continuar chupando e passando os dentes nos seus seios. Rick alternava de um seio para o outro, deixando-a louca. Após alguns instantes, já com três dedos, repete os movimentos cadenciados, porém mais forte, levando-a a um orgasmo maravilhoso.
Rick, satisfeito por ter dado prazer à mulher da sua vida, para de sugar seus seios e começa a beijar seu pescoço, sua face e, por fim, sua boca, sendo correspondido à altura, suscitando um duelar de línguas sedentas. Retira seus dedos de dentro dela e muito rapidamente, retira suas próprias roupas, e, sussurrando, entre pequenos selinhos, avisa – Senhorita, agora eu vou aplicar uma massagem especial. Uma massagem dos deuses que, garanto você vai adorar. – Ao mesmo tempo em que sussurrava ao seu ouvido, ele massageava toda extensão de seu membro, que já se encontrava ereto, preparando-o para a ação. Com o membro ereto e Rick vai apalpar a gruta do amor dela e, com os dedos, sente que continua encharcada e, imediatamente, se posiciona entre as pernas abertas dela. Apruma-se, direcionando seu amigo, seu grande e robusto amigo, para a entrada da gruta do prazer de Kate e conhecendo-a como ele a conhecia, sabia do que ela gostava no sexo, o introduz um pouco, apenas para direcionar corretamente e, em seguida arremete de uma só vez, indo até o fundo, o que fez Kate gemer rouca.
Morrendo de saber que ela gostara, Rick pergunta sussurrando no ouvido dela – senhorita, você quer que eu pare?
Rapidamente, Kate responde – NÃO! – Por favor, não pare Sr. Massagista. – ela dá um novo gemido – Pode continuar... A sua massagem... é perfeita! – ela sussurra.
— Então, vou continuar o meu serviço, senhorita – ao terminar de falar, ele, que estava com seu membro completamente acomodado dentro dela, faz um movimento circular com os quadris, passando, em seguida, a retirá-lo quase totalmente, voltando a penetrá-la. Richard a agarra forte com as duas mãos, a beija e começa lentamente a introduzir seu mastro, e aos poucos, vai evoluindo para estocadas firmes e violentas, levando-a ao delírio. De vez em quando, ele interrompia o beijo para, sussurrando, descrever ao seu ouvido, detalhadamente, passo a passo do que estava fazendo, e tal narrativa excitava a ambos.
Depois de muitas investidas, muitos beijos, muitas mordiscadas, Kate atinge o clímax do prazer. Ao atingir o orgasmo ela, involuntariamente, arqueia o tronco, sente tremores no corpo e sente sua pele mais sensível, principalmente seu centro de prazer e os seios, mas continua sendo penetrada intensamente, cada vez mais forte, até que após alguns instantes ela goza novamente, seguida de Rick, que ao atingir o ápice dá um forte gemido, derramando-se dentro dela.
Desfrutando do orgasmo, Rick, com cuidado para não ficar com muito peso sobre ela, faz com que permaneçam abraçados e grudados um ao outro para prolongar o prazer ao máximo. Rick dá pequenos selinhos em Kate, deixando-a ainda mais feliz, pois adorava se sentir amada, querida e desejada por ele. Ela acariciava suave e lentamente os cabelos do seu homem. Depois de um tempo, ele desliza para fora dela, endireita o edredom para cobri-los, se deita de barriga para cima, trazendo-a para ficar aconchegada a ele, apoiando a cabeça dela no seu ombro a abraçando.

Relaxados, adormecem.
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Respirando fundo, Kate volta à realidade, mas se sente muito excitada com aquelas recordações e com a pele quente pelas lembranças do sexo perfeito que acontecia todas as vezes entre ela e Rick e, procurando se recompor, vai ao frigobar e pega uma garrafinha de agua gelada e bebe todo o líquido.
Na tentativa de acalmar seu peito e parar de pensar nos eventos eróticos que faziam parte do dia a dia deles, Kate tentou dar uma última olhada nos documentos que estivera examinando antes da chegada de Rick, mas, mesmo lendo algumas linhas, alguns trechos, não teve sucesso, pois nada se fixava na sua cabeça. Tudo estava embaralhado. A chegada de Rick naquele dia bagunçou sua rotina. Além de ficar excitada só de ver ou pensar nele, tinha ainda uma tarefa muito mais importante, cuidar das suas filhas e preservar a saúde emocional delas.
Botou as duas mãos sobre a mesa em sinal de desânimo e pensou “Não consigo! Realmente, não consigo! Não tenho cabeça. Por mais que eu tente me convencer que Rick é um assunto encerrado e que vou conseguir resolver tudo com relação a ele e minhas filhas, sem machuca-las, eu não consigo me concentrar agora nestes documentos. Como também, neste momento, não consigo separar as mulheres que existem em mim: a ‘mãe amorosa’ e a ‘advogada que sabe lidar com todos os problemas’, pois, apesar de ambas serem dedicadas, ainda tem uma terceira mulher dentro de mim, a ‘fêmea’ que clama por um toque, pelo cheiro e pelo gosto dele. Mas reconheço que o que mais ocupa minha cabeça é a preocupação que tenho com as minhas princesas. Então, agora eu não consigo. Não consigo nem quero pensar em nada que não seja minhas filhas.”
Kate recolheu os documentos que não conseguira examinar e os guardou numa pasta grande. Levantou-se com a pasta na mão e a guardou no armário próprio.
Retornou ao frigobar para pegar outra garrafinha de água gelada e seguiu em direção às fotografias de Beatrice e de Annie e ali ficou. Pegou um dos porta-retratos e, com a ponta dos dedos, ficou acariciando as faces das gêmeas. Começou a conversar com a peça como se fosse as próprias filhas
— Princesas, mamãe ama vocês e não vai deixar que nada de mal lhes aconteça. Nós continuaremos a ser felizes e não vou deixar nada nem ninguém atrapalhar nossa felicidade. — Kate estava muito emocionada — Se o papai estiver sendo sincero e quiser apenas dar amor a vocês, ele será bem-vindo, queridas, caso contrário, se a mamãe perceber qualquer coisa estranha, não tenham medo, pois eu vou defende-las com unhas e dentes.
Independentemente da sua vontade, lágrimas começaram a descer por sua face. Passou a mão para enxuga-las, bebeu alguns goles de água. Depositou o porta-retratos das filhas no espaço próprio e dirigiu-se para a outra extremidade da bancada que não fora percebida por Rick, onde havia mais porta-retratos das gêmeas e um, em especial, que ela guardava com igual amor e carinho. Era um porta-retratos da sua filha do coração, sua filha ruiva, aquela de quem fora separada tão drasticamente: Alexis.
Igual como fizera com as gêmeas, acariciou o rostinho lindo da pequena ruiva e novamente, como se tivessem vontade própria, lágrimas rolaram pelo seu rosto.
Elas eram as três crianças da sua vida: Alexis, Bia e Annie e, automaticamente passou a lembrar de momentos em que já estava com as gêmeas na sua barriga, mas sofria com saudade da sua pequena e amada Alexis. Nunca se conformara de ter sido separada da vida da pequena, que fora sua primeira experiência em exercitar o amor materno.
Kate teve seus pensamentos interrompidos pelo telefone interno. Repôs o porta-retratos no seu lugar de origem, enxugou as lágrimas e foi até a mesa, olhou o aparelho e constatou que a ligação era da sua secretária.
— Beckett. – falou.
— Dra. Beckett, a senhora ainda vai precisar dos meus serviços ou já posso ir embora?
Kate consultou o seu relógio de pulso e levou um susto, pois já passava muito das 17 horas e tinha que encontrar as filhas no Parque. Então respondeu – Não, querida, obrigada. Pode ir. Pelo adiantado da hora, acho que já posso dizer ‘boa noite’, né Mercedes? – Kate sorriu despedindo-se da secretária.
A secretária sorriu com o comentário. Em seguida falou – Boa noite, Dra. Beckett. Até amanhã.
A ligação foi encerrada. Kate se sentou apenas para desligar seu computador. Depois de tê-lo feito, pegou sua bolsa e, rapidamente, saiu do escritório, trancando-o, e se dirigiu ao hall a fim de esperar o elevador.
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Na Praça...
Richard e Kate se olhavam espantados.
Ela presenciava uma cena que jamais podia acreditar que veria. Rick, Beatrice e Annie conversando animadamente, sem o seu conhecimento, muito menos autorização.
Após perceber que era Beth que estava ligando, Kate aperta a tecla de encerrar a ligação. Guarda seu celular no bolso do blazer e desvia os olhos de Richard e passa a contemplar suas filhas que estavam totalmente alheias a tensão existente entre os adultos, porquanto deslumbradas com a presença do pai.
Pega de surpresa, Kate olhava agora fixamente para as gêmeas e percebera que quando Rick as tirou do colo e ficara de pé, ambas agarraram, espontaneamente, as mãos dele. Cada filha segurava em uma mão dele que, visivelmente, estava sobressaltado.
— Mamãe, mamãe, o papai voltou. – Bia repetia entusiasmada com a voz mais doce que existia, enchendo o coração de Kate de amor.
Igualmente animada e também com a voz meiga, Annie dirigia sua atenção à Kate – Mammy, o papai voltou.
— Mamãe, mamãe... – Bia repetia.
Kate precisava dizer alguma coisa, mas não sabia o que falar diante da demonstração de amor que presenciava, e tinha receio de não conseguir disfarçar a raiva que sentia agora do Richard porque ele invadira seu espaço, sem sequer comunicá-la.
Por fim, conseguiu elaborar um caminho a seguir, e falou – Oh, princesas, a mamãe está vendo. – Kate enviou para Rick um olhar atravessado, sem que as filhas percebessem – Que bom, eihm! Que bom que o papai voltou da viagem.
As meninas, como qualquer menina inocente e saudável da idade delas, davam saltinhos de alegria, mas sem largar as mãos do pai, como se tivessem medo dele sumir novamente. – É, mamãe. Que bom mesmo, mamãe – Annie falou.
Kate continuou seu discurso com olhar ferino para Rick — Que bom também que o papai as encontrou aqui, não é, minhas princesas? Era tudo o que a mamãe queria. – ela foi irônica, contudo somente ele alcançava o que ela realmente dizia.
— Kate... – Richard tentou falar, mas foi interrompido por Kate.
— Como foi de viagem, ‘Rick, querido’? – ela perguntou utilizando-se ainda de ironia, frisando tanto o seu apelido quanto a forma carinhosa que se dirigia a ele – você podia ter me avisado que você vinha ‘direto’ ver nossas princesas.
— É... foi... – ele tentava se expressar, mas estava tenso – Pois é, ‘amorzinho’ – igual a Kate, ele frisou a forma carinhosa que se dirigia a ela – eu não te avisei porque, na verdade, eu queria apreciá-las e não sabia que elas iam me enxergar ou me notar, entende o que eu quero dizer, ‘meu amor’?... – tentou justificar. – eu as olhava de longe, mas, ‘inexplicavelmente’, elas me reconheceram e vieram até a mim. – ele frisou a palavra ‘inexplicavelmente’ para indicar não só que ele não tinha pretensão de encostar nas crianças sem a autorização dela, mas também que estava curioso para saber como é que as gêmeas o reconheceram.
Muito embora estivesse claro que as meninas aceitaram muito bem a presença de Richard, Kate, tentou afastá-lo, pois ainda não conversara com elas sobre a visita dele e queria fazê-lo o quanto antes. Queria explicar algumas particularidades que talvez estivessem obscuros para elas, mas sem, contudo, detalhar demais, porque elas não precisariam saber de toda a verdade. Aliás, elas não precisariam saber da verdade. Kate teria que fazer um roteiro da conversa para que ela própria não se perdesse nas palavras porque neste momento reconhecia que estava muito confusa – Meninas, despeçam-se do papai porque nós vamos tomar sorvete. – dando um recado direto para Richard, ela disse – O papai ‘não vai’ tomar sorvete conosco porque ele está muito cansado da viagem e tem que descansar.
— Não, mamãe! – Exclamou Annie, aflita.
Já choramingando, Bia também contestou – Não, mamãe! Eu não quero que o papai vá embora novamente. Ele não pode ir embora novamente. Eu não o quero longe de mim. – Disse isso já agarrando a perna do pai, como se fosse uma âncora.
— É, mamãe. O papai está aqui. Ele voltou. – Começando a choramingar, Annie continuou – Ele está aqui, então ele pode tomar sorvete com a gente, mamãe. A sorveteria é aqui perto. Nós vamos andando, mamãe. – Annie argumentou também agarrada a outra perna do pai.
Emocionado e ao mesmo tempo estarrecido, Rick participava da cena, mas não fazia a mínima idéia de como as filhas o reconheceram, tampouco como elas nutriam um amor tão doce, puro e verdadeiro por ele.
Ao mesmo tempo também se perguntava como o amor chegou tão forte assim que ele viu as fotografias das gêmeas na sala de Kate e ficou sabendo que eram suas filhas. Ele as amava verdadeiramente, um amor que doía, mesmo sem tê-las visto antes, muito menos ter conhecimento da existência delas.
A única coisa que ele podia imaginar era o óbvio: Kate mostrara fotografia dele para as filhas. Porém, se ele nunca apareceu na vida delas, se ele nunca nem mesmo entrou em contato com elas, nunca tinha feito carinho nelas, nunca as tinha colocado nos braços, nunca as tinha beijado, nunca as tinha acalentado, porque elas o amavam daquela forma tão calorosa, ardorosa e tão maravilhosa? Tudo ainda era um mistério que ele queria desvendar.
Como não queria se desentender com Kate logo de início e tinha certeza que ela não iria fugir com as filhas, iria esperar que ela entrasse em contato com ele para marcar novo encontro com as filhas, pois ela prometera conversar primeiro com as meninas. Portanto, ele achou por bem tomar uma decisão difícil, porém correta, de sorte a recuperar a confiança de Kate, se é que já não perdera totalmente, depois deste episódio no parque.
Então, decidido, Richard, desgrudou-se com cuidado para não magoar as filhas, se sentou, as colocou novamente no seu colo, cada uma sobre uma perna e falou – Minhas lindas, a mamãe está certa. O papai não vai poder ir...
Foi interrompido pelas meninas que diante da negativa do pai, começaram a chorar copiosamente, chegando rapidamente ao soluço. As duas, como se tivessem ensaiado, se ajoelharam no colo do pai e agarraram apertado pelo pescoço, deixando a ele e a Kate sem saída.
— Ok, princesas! Então o papai vai tomar sorvete também. – coincidentemente, Kate e Rick falaram simultaneamente a mesma coisa, causando um certo embaraço nos dois, pois quando estavam juntos, tal fato se repetia quase que diariamente, como se lessem o pensamento um do outro. A sincronia entre eles era algo inexplicável.
Ao ouvirem que o pai iria com elas à sorveteria, as duas aos poucos foram parando de chorar e, ainda soluçando, passam as mãos para enxugar as lágrimas e voltaram a sorrir de alegria e encher o pai de beijos.
Só que as mãozinhas delas estavam um pouco sujas porque brincaram na areia e pegaram nos brinquedos empoeirados, então as faces das duas ficaram manchadas da mistura de lágrimas com poeira. Ao perceber o rastro de pequenas manchinhas, Rick, imediatamente, pegou seu lenço que estava intacto no seu bolso e passou nos rostinhos das filhas, limpando-os.
Tal cena ficou registrada na mente de Kate e a emocionou. Porém o bichinho do ciúme começou corroer seu coração quando viu que os beijos só foram para o papai. Contudo, era bastante esperta para saber que tinha que aprender a lidar com isso. Não tinha que alimentar este sentimento, posto que nocivo. Até porque ela tinha certeza que as meninas a amavam. Então, resolveu usar de diplomacia e disse – E a mamãe, não ganha beijo?
Imediatamente as meninas, já com os faces limpinhas, saltam do colo do pai e pulam no chão e vão ao encontro da mãe, ambas chamando por ela, que estava exatamente em frente a Rick, aproximadamente dois passos dele. Cada menina agarrou uma perna de Kate, assim como fizeram com o pai e olharam para cima ao encontro dos olhos da mãe, fizeram biquinho, demonstrando o interesse de beijá-la e estenderem os bracinhos para Kate carrega-las. Como não poderia carregar as duas ao mesmo tempo porque já estavam muito pesadas, Kate se agachou para ficar do tamanho delas e recebeu, simultaneamente, beijos e abraços apertados das duas.
— Mammy, eu te amo – dizia Annie agarrada ao pescoço de Kate.
— Eu também te amo, princesa. – Kate respondeu sorridente, porém emocionada.
— Eu também, viu, mamãe, eu te amo muito, muito, muito, do tamanho do mundo – Bia falava abrindo os braços para indicar o tamanho do amor.
Kate sorriu de alegria com a desinibida demonstração de amor das filhas, fato que era comum entre elas.
— Então, papai e mamãe, vamos tomar sorvete? – Cobrou Bia, toda feliz.
— Vamos, princesa – respondeu Kate.
Neste mesmo momento, Annie, saltitante, pegou a mão esquerda de Kate e Bia, sorridente, pegou a mão direita do pai e começaram a andar.
De repente, Annie, esperta, parou de andar, fazendo com que Kate também parasse e a olhasse como se perguntasse por que parou.
Ao ver Kate parar, Rick também parou e para espanto dos pais, Annie comunica – Papai, você tem que pegar a mão da mamãe e segurar... assim ó – e indica como é que ele devia fazer, mostrando a sua própria mão grudada com a mão da mãe.
— É. É isso mesmo, mamãe. Pega na mão do papai, assim como a Annie mostrou e aí andamos todos juntos até a sorveteria.
Tal ‘comunicado’ das filhas os pegou desprevenidos, deixando-os de saia justa, pois era uma situação embaraçosa. Kate olhou inibida para Rick, mordendo o lábio inferior, indicando que estava apavorada. Já Rick, diferente de Kate, gostou muito da ideia e lançou para ela um meio sorriso apaixonado.
Continua...
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