Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
6 Amor incondicional
Notas iniciais
(... anteriormente)
De volta ao presente...
Em seu escritório, Kate foi tirada das suas lembranças pelo toque do seu smartphone. Ela passou as mãos pelas faces, secou as lágrimas que caíram e pegou o aparelho. Viu o número originador da chamada e sentiu o amor tomar todo o seu coração. Sorriu e imediatamente atendeu.
Como sabia quem estava ao telefone, Kate foi logo falando — Olá, Beth! Tudo bem por aí? – perguntou sorrindo.
— Olá, Dra. Beckett... – falou Elizabeth, sua abençoada empregada doméstica – um momento.... – Kate percebeu um pequeno buchicho do outro lado da linha e, em seguida ouviu outra voz fininha ao telefone, uma voz doce e linda – Mamãe, eu e a Annie não vamos prá escola hoje, porque queremos ficar assistindo filme de princesa. Vamos ver “A Pequena Sereia”. – Bia falou pausadamente, mas decidida. – Mas a Beth disse que teríamos que conversar primeiro com você, mamãe. – Queixou-se Bia.
“Hum! Aí vem coisa”, Kate pensou e sorriu, pois, as meninas, apesar de pequenas, eram muito espertas e tinham opinião própria, pensou Kate. Quando elas colocavam uma ideia na cabeça, e esta ideia não era boa aos olhos de qualquer adulto, Kate penava para fazê-las desistir. Kate tomou fôlego e falou — Olá, meu docinho, você sabe que tem que ir para a escola, não sabe?
— Eu sei, mamãe, eu sei, mas eu não quero ir prá escola, o que eu quero é ver filme de princesa. – Bia insistia, dengosa.
— Querida, você tem que ir para a escola para aprender tudo, crescer e poder trabalhar igual a mamãe. Nós já conversamos sobre isto, não foi?
— É, mamãe, eu sei, mas... – Kate escutou a voz baixinha de Bia.
Kate falava pacientemente – Na escola você vai aprender muitas coisas boas e brincar com sua irmã e com suas coleguinhas, E quanto ao filme de princesa, meu amorzinho, você assiste depois da escola.
— Mas mamãe, isto não está certo. – Argumentou Bia.
— Bia, a mamãe te ama e está dizendo que você vai para a escola, entendeu, querida? – Kate falava calma, porém incisiva.
— Tá bom, mamãe! – Bia se rendeu.
— Muito bem, filha! É assim que a mamãe gosta de ver. Querida, a Annie está aí do seu lado, não está?
— Ela está aqui... Annie, – Bia chamou a irmã — a mamãe quer falar com você. – Kate ouviu um burburinho e em seguida a voz da outra filha.
Annie já foi logo falando — Mamãe, eu não quero ir prá escola, viu? -
“Tudo novamente!”, pensou Kate.
Mesmo sabendo que as meninas estavam erradas, ela sorria porque suas filhas sabiam argumentar. Kate a deixou falar mais um pouco e falava cheia de personalidade, decidida — Vamos ficar em casa assistindo “A Pequena Sereia”.
Igual à irmã, Bia não ‘pedia’, ela ‘comunicava’, atitude que Kate tentava modificar, mas as meninas, apesar de fofas, pensavam que eram donas do próprio nariz, consequência de uma personalidade muito forte. “Filhas de peixes, peixinhos são!”, pensou Kate. Mas na essência, elas eram doces e amáveis.
Para facilitar a comunicação, Kate resolveu chamar Elizabeth. – Querida, — falou para a Annie — a mamãe já, já, fala com vocês. Mas, entregue o telefone para Beth, por favor.
Depois de uns segundos ouviu a voz de Beth – Dra. Beckett, o que é que eu faço? – sussurrou para que as crianças não ouvirem que ela estava indecisa.
— Beth, que situação, eihm!? Mas não desanime. Você é um amor e sempre teve pulso firme e sempre soube também lidar com elas, e não vai ser hoje que elas vão te derrotar, né? – Kate sorriu – Veja bem, não deixe que elas percebam que você está titubeante, senão, já viu, elas vão tomar conta de você, ao invés de você tomar conta delas. – Kate sorriu e ouviu Beth sorrir também do outro lado da linha. – Beth, eu só vou prá casa à noite. Devo chegar por volta das 18 horas. Tenho uma reunião à tarde e tenho que revisar o assunto. Portanto, quando elas chegarem da escola, providencie, por favor, a alimentação e o banho delas.
— Sim, Dra. Beckett, tá certo.
— Beth, agora eu quero falar com as meninas, e, para evitar que eu fique repetindo tudo, coloque o aparelho no ‘viva voz’ para que as duas ouçam ao mesmo tempo o que eu vou falar.
— Sim senhora.
Neste exato momento, Kate ouve mais nitidamente a conversinha das duas, mas Kate fala – Annie e Bia, a Beth já falou que vocês vão para a escola, não foi?
Kate ouviu o “sim” desanimado dito pelas duas, simultaneamente. – Mas mamãe... – Bia tentou falar, mas foi interrompida por Annie.
— Nós não queremos ir... – Annie falou.
— Meus amores, — Kate falou carinhosa, mas se impondo – a mamãe não quer ouvir “mas mamãe”. Vocês agora vão se preparar para ir para a escola. Vão tomar banho, ficar lindas e cheirosas, fazer um lanche e escovar os dentinhos, porque a condução escolar vai passar aí para buscar vocês e levar à escola. – ela ouviu um “tá...” fraquinho e aí continuou – Quando vocês voltarem da escola e a mamãe chegar do trabalho, faremos pipoca e assistiremos juntas ao filme de princesa, tá certo?
Apesar do desejo de ficar em casa, a diversão de assistir ao filme com a mãe era maior. Então, como num passe de mágica ela ouviu uma mistura de vozes das duas “Oba, mamãe!!”, “Vamos assistir juntas?”, “Você também traz sorvete?”
— Beth, elas são suas. – Kate falou e riu ao ouvir a animação das meninas por conta da farra que teriam à noite. – Beijinhos para vocês, lindas e continuem obedecendo a Beth.
Kate ouviu, em seguida, uma mistura de vozes das filhas “Tá certo, mamãe”, “Eu vou ficar linda e mais cheirosa do que a Bia”, “Não! Nada disso. Eu que vou ficar mais cheirosa que você, Annie”, “Nós vamos assistir filme de princesas com a mamãe, Bia”...
— Então, até à noite, Dra. Beckett.
Sorrindo com a reação das duas, ela encerrou a ligação feliz por Deus ter colocado Beth no seu caminho para cuidar de sua casa e de suas filhas, pois Kate tinha que trabalhar o dia todo.
Foi até a bancada ao fundo da sala, em frente à porta de entrada, e lá ficou admirando os dois porta retratos com fotos dos seus tesouros. Suas filhas gêmeas que deram um novo rumo na sua vida.
Elas estudavam numa renomada escola de tempo integral, entrando às 10 horas da manhã e saindo às 17:30 horas. Tanto o almoço quanto as atividades extracurriculares, como aula de dança, balé, teatro, língua estrangeira, canto, instrumentos musicais e tarefas, ocorriam na própria escola. As crianças iam para casa sem levar ‘tarefa para os pais’.
Com um sorriso de ‘mamãe babona’ no rosto, Kate olhava para as filhas. Elas eram o sentido dela continuar a lutar. “Elas eram travessas, mas eram um poço de fofura, inteligência e gostosura”, pensou e sorriu. O amor que ela sentia pelas filhas, era um sentimento puro, doce e maravilhoso. Era um amor incondicional.
Kate consultou o relógio e viu que ainda era cedo. A ligação de Antonella fora logo bem no início do dia. Ainda tinha muito tempo para estudar o assunto da reunião da tarde.
Abriu um armário e pegou o processo e os documentos que teria que ler e analisar e os distribuiu na sua mesa. Contudo sua concentração não estava boa naquela manhã devido a ligação de Antonella e seus pensamentos foram para o dia em que recebera a correspondência anônima. Destrancou uma gaveta e de lá tirou o maldito envelope que fora o motivo gerador do final do noivado. Desde o dia em que montou aquela sala e arrumou os armários, inclusive esta gaveta, nunca mais voltou a olhar o tal envelope, cujo aspecto desbotado e envelhecido, demonstrava o longo período que estava ali, sem manuseio. Abriu e pegou as fotografias e o bilhete.
Olhou as fotos, ainda achando um absurdo tudo o que se sucedeu. Leu novamente:
“Kate Beckett e Rick Rodgers, vocês me dão asco!
Kate, você está linda nestas fotografias, mas...
Ops! Este não é o Richard...
Fim da linha...
Podem cancelar o casamento, pois o conto de fadas acabou.
Preparei dois envelopes, um para a noivinha linda
e outro para o noivo traído.
Tanto as fotografias quanto o teor do texto, são idênticos.
Bom final de semana para os pombinhos,
ou devia dizer, para os ex-pombinhos?”
Após ver as fotos e ler o bilhete, Kate voou nos seus pensamentos...
... Seis anos atrás...
No taxi, depois de analisar o conteúdo do envelope, Kate ficou desesperada. Olhou as fotos novamente e releu o bilhete e não sabia o que pensar. Quem faria uma maldade desta com eles? E para piorar a situação, o corpo do homem das fotos era o de Richard, mas o rosto não era dele e sim, de Josh. Como boa advogada, Kate tinha que ter um raciocínio rápido. Sua cabeça trabalhava ligeiro. Pensou na hipótese do próprio Josh ter sido o autor de tal perversidade, mas tinha a impressão que Josh, por ser um médico envolvido com causas humanitárias, não se prestaria a um serviço desta natureza. Eles namoraram por quase um ano e ela terminara o relacionamento algumas semanas antes dela se entregar ao amor que sentia por Rick e decidir aceitar os convites dele para jantar e, posteriormente, a namora-lo. Mas, mesmo Kate tendo se decidido namorar com ele, Rick morria de ciúmes de Josh e não queria nem ouvir falar do nome do médico.
Mesmo chocada com as fotos e o bilhete, Kate esperava que Rick percebesse o mesmo que ela, ou seja, que as fotografias se tratavam de montagens feitas por computador doméstico. Originalmente, o casal das fotos era ela com o Rick no Central Park e o autor das montagens, substituiu o rosto do Richard pelo de Josh. Kate já trabalhara em casos de divórcios envolvendo fotos desta natureza e, em alguns casos, depois de realizadas perícias, eram constatadas sobreposição de imagens, unicamente para destruir o casal. Mas neste caso, em especial, nem precisava ser perito para identificar que se tratava de montagem, por sinal muito grotesca, pois, apesar da ‘colagem’ ser bem feita, não atentaram para o fato que Rick e Josh possuíam estrutura do corpo diferente, não só na altura como na largura. Josh era mais magro e mais alto que Rick.
Kate consultou o relógio. Preocupada com a maldita correspondência que seria entregue ao Rick, decidiu ir direto para a casa dele. Ela tinha que agir rápido, pois o amava muito e não queria perde-lo. Então, comunicou ao motorista do taxi que mudara de destino. Forneceu o endereço de Rick. Queria estar na casa dele no momento em que ele recebesse o tal envelope, assim, não daria tempo para ele fazer suposições erradas e pensar no pior. Kate não podia deixar isto acontecer, pois, afinal de contas, ela estava inocente no episódio. Eles se amavam, portanto tinha certeza que ele acreditaria nela e analisariam as fotos e o bilhete. Assim como ela, ele perceberia que se tratava de fotomontagem doméstica e, juntos, resolveriam se iriam ou não tentar descobrir o autor da façanha. Tinha certeza que isso não abalaria o relacionamento deles.
Ainda no taxi, Kate telefonou para Rick, pois queria saber onde ele se encontrava naquele momento. Só que o telefone chamou por algumas vezes e a ligação caiu na caixa postal. Kate tentou por mais duas vezes e o mesmo se repetiu. A ligação caiu na caixa postal. Ela ficou meio encucada com isso, mas logo percebeu que estava se preocupando à toa. Estava se deixando levar pelo medo e isso não poderia acontecer, pois deveria estar serena durante a conversa com Rick. Não podia deixar que aquele fato abalasse sua tranquilidade e a estrutura do seu relacionamento.
Continua......
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