Notas iniciais
Olá pessoinhas tudo bem? Saudades à parte, estou feliz de finalmente estar postando de novo. Aconteceram muitos entraves essas semanas que impediram a postagem,mas aqui vai caps fresquinho Queria agradecer o carinho e os reviews vocês são maravilhosas

— O menino parece gostar muito de você.

— Eu gosto dele, somos parecidos eHyoga é cativante como um irmão mais novo.

— E o pai?

Shaka sentiu a tensão voltar aos músculos sob seus dedos, jogou um pouco mais de óleo de sândalo e continuou a massagear as costas largas de Camus. Tomaram banho juntos usando os sais de banho caríssimos do francês e agora o indiano fazia uma massagem relaxante no amigo.

— O que tem o Milo? – Perguntou Camus depois de um tempo em silêncio.

— Vocês dois. Pensei que estavam começando algo.

— Não sei o que pensar sobre esse mecânico. Ele consertou meu carro em plena avenida, depois disse que me mataria por seduzir o filho dele e então ficou louco e me fez ir para a emergência depois de uma queda. – Shaka só podia ver o perfil do ruivo que não estava apoiado pelos braços cruzados – Houve flerte, mensagens subliminares e agora ele está namorando Saga. Talvez seja só um vadio mesmo.

— Um belo vadio pelo qual está apaixonado.

— Interessado talvez, apaixonado é demais.

— Quer me convencer de que tem um coração de gelo Chevalier? – Camus se virou na esteira para fitar o olhar sardônico de Shaka Evrad – Terá que se esforçar mais.

— Seu problema é que você é um romântico enrustido, Shaka. – As mãos grandes do francês começaram a passear pela lateral do corpo delgado do indiano. Entre os dois não havia muita diferença, ambos tinham o corpo bem proporcionado sem ser muito musculoso e a mesma altura.

— Você que é sentimental aqui. —Os cabelos claros de Evrad tocaram o chão quando ele arqueou o pescoço e jogou a cabeça para trás, Camus havia se erguido para tomar com os lábios um dos mamilos rosados. O professor de filosofia ergueu o rosto de Camus com os dedos para olhar bem dentro dos exóticos olhos avermelhados — O que sente pelo mecânico, Camus? E Saga?

— Não importa porque eles estão juntos e eu sozinho. – Murmurou Camus e Shaka emudeceu. Instigava aquelas confissões de Camus, mas nunca estava preparado para elas e nunca sabia como agir depois.

Shaka Evrad era um filósofo na profissão e na vida, a racionalidade o levava a procurar a síntese de tudo, a verdade. Contudo ela também o fazia ver a luz e não sentir o calor. Shaka lidava melhor com seus sentimentos que Camus, porém não era melhor ao senti-los que ele. O ruivo sentia tudo e vivia em cartasse, se jogava de cabeça para depois vir à tona como um saltador que se joga em um lago profundo e só depois de atingir o fundo volta a superfície para respirar. Shaka não. Ele observava os sentimentos como através de um vidro, uma porta que ele ponderava se abriria ou não, como alguém sem empatia. Se fosse ele a saltar, talvez não o fizesse.

— Acha que daríamos certo juntos Camus?

— Porque daríamos?

— Somos a zona de conforto um do outro, abemos o que esperar e o melhor de tudo é que não há arrebatamentos para nos tirar a razão. – Se fitaram, Shaka se deitou na esteira trazendo Camus junto e ao se deitarem o cabelo rubro do francês fez uma cortina escarlate à direita de seus rostos – Não seria perfeito mon ami? Estarmos protegidos um no outro?

— Protegidos de que? – Camus aproximou os seus lábios da boca tentadora de Evrad, acomodando-se entre as pernas deste.

— De amar loucamente, — Shaka soltou um silvo baixo quando a mão de Camus entrou pelo roupão e encontrou sua ereção – de sofrer.

— Seria perfeito,mon cher. Camus deixou seus lábios deslizarem pela pele clara do loiro, havia entre ambos uma leve expectativa erótica do que viria a ser. Os preliminares eram nada mais que um jogo de ceder a quem, fosse o indiano ou Camus o vencedor o prazer era garantido para os dois – Você não está brincando?

— Tenho minha parcela de frustrações na vida Camus, já chega de procurar por aí. Não quero arroubos, nem a loucura da paixão, basta que sua amizade e seus braços me aqueçam.

Beijaram-se lentamente, os lábios cheios de Camus moldando os de Shaka enquanto deitavam-se novamente na esteira. O ruivo não estava bem certo sobre aquele “acordo”, ainda conversariam porque era da natureza dos dois deixar tudo em pratos limpos. Porém, Camus via em Shaka uma possibilidade. Possibilidade de calmaria e estabilidade que poria fim em sua angustia por Saga e sua expectativa por Milo, era hora de tentar ser feliz.

****

— O Tenma sumiu da escola e a da Fundação, ninguém sabe dele. Foi só o cara desconfiar que o colocariam na ala psiquiatra que ele desapareceu. – Ikki falou tomando seu refrigerante.

— E agora eu vou ficar trancado aqui o resto da vida.

— Bobagem, ele sumiu então quer dizer que Tenma não vai mais chegar perto de você. — Shun olhou em volta. Estavam na casa dos Argenkland depois dos treinos na Fundação, jogados no chão da sala de vídeo comendo pipoca e refrigerantes. Os Amamiya iam para a casa de Aiolos acompanhar Hyoga que voltara para lá com o sumiço de Tenma. Milo e Aiolos temiam que o japonês fosse atrás de Hyoga.

Na semana seguinte à reunião na casa de Camus, Shina e Aiolos começaram a trabalhar com o jovem lutador. Ele foi reintegrado ao núcleo psicológico com a promessa de que deixaria Hyoga em paz. Assim permaneceu com as suas atividades normais até que um dia Tenma tentou falar com Hyoga no vestiário depois dos treinos. Hyoga deixou que ele falasse já que o vestiário estava cheio e Ikki estava ao seu lado, então o moreno pediu desculpas e disse que o amava que o queria de volta. Contudo o jovem russo explicou que não podiam ficar juntos, que gostava de Ikki e que agora estavam definitivamente juntos. Tenma surtou!

Foram necessários três garotos para segurá-lo e outros três para Ikki, com Hyoga tirado do vestiário às pressas. Depois do episódio e de saber que ia ser suspenso de todas as atividades, Tenma sumiu.

— Você devia ter falado logo para o Ikki como eu disse para fazer.

— Não tenho culpa se o seu irmão é meio tapado, tive que apelar.

— Se não perceberam eu estou aqui e sou maior que vocês dois. – Ikki olhou de esguelha para os dois menores – Só avisando.

— Isso tudo poderia ser evitado se você tivesse pensado melhor e não ficado com o Tenma.

— Ah ‘tá, clone do Evrad! Um pouco tarde para conselhos.

— Falar em Shaka... Diz aí Shun quem é o novo namorado do Camus. – Ikki deu um risinho olhando o irmão que fechou a cara – O Shaka e o Camus estão se pegando, nós vimos os dois no estacionamento da escola trocando carinhos. O Shun até teve a cara de pau de perguntar para o Shaka que confirmou que eles estão namorando mesmo.

— Você perguntou a ele Shun?!

— Ele nem teve a decência de negar, Hyoga! Ele me disse que estão namorando, logo o Camus! Eu gosto dele, é tão bom pra mim e uma pessoa incrível. É como se eu tivesse perdido o Shaka para o meu melhor amigo.

—Não fica assim Shun.– Hyoga apoiou a cabeça do amigo nas suas pernas – Você não deve ficar assim porque sabia desde o começo que o Shaka era impossível!

— Cheguei!

Shiryu gritou da porta e vendo os amigos ali resolveu entrar para se juntar a eles, o jovem japonês era filho adotivo de Aiolos.

— E aí tudo bem por aqui? —O esgrimista deixou sua bolsa escorregar para o chão e foi se sentar ao lado do primo – Cadê todo mundo Hyoga?

— Hoje é sábado, dia da saída do pessoal da Fundação, você sabe. Todo mundo aproveitando a noite, até meu pai! Menos eu que estou sendo perseguido por um lunático.

— Relaxa loiro, só até acharem o Tenma e eu tenho um palpite de onde ele está. — Shiryu se esticou para pegar uma lata no balde de gelo.

— Na casa do irmão mais velho dele, aquele louco do Kouga com certeza. – Ikki continuou a fala do amigo que assentiu — Todo mundo sabe que quando o Tenma some é lá que ele se enfia. Eu falei para o Aiolos e o Milo sobre isso.

— Licença pessoal que eu preciso de um pouco de privacidade agora. — Hyoga se levantou saindo para o corredor com o seu celular deixando os amigos conversando para trás.

— Todo mundo na escola está comentando sobre o Camus e o Shaka. Como você está se sentindo Shun? – Shiryu indagou o outro, também não era segredo para os mais próximos que Shun era apaixonado pelo professor de filosofia.

— Agora todo mundo vai me tratar como um ex-namorado abandonado?! Não quero mais ouvir o nome de Shaka Evrad até terça-feira ouviram bem? O que eu preciso agora é encher a cara!

— Ah olha só, alguém muito experiente em beber aqui! – Debochou Ikki bagunçando o cabelo do irmão enquanto ria com Shiryu — Nós vamos embora, isso sim! Está ficando tarde para o metrô.

— Podem dormir aqui se quiserem, comigo ou com o Hyoga. Nós temos colchões extras e todo mundo vai chegar bem tarde... O bar tá lotado de bebidas Shun!

Shun sorriu olhando o irmão de esguelha, mas Ikki apenas deu de ombros. Para Ikki seria bom dormir ali e ficar um pouco mais com Hyoga, estavam começando o namoro e tudo era uma deliciosa novidade então quanto mais tempo com o loiro melhor. Quanto a Shun, não acreditava que o irmão fosse corajoso o suficiente para tentar nada com Shiryu ainda.

— Anda, vamos para o meu quarto. — Saíram em seguida, gritando para Hyoga depois ir lá juntar-se a eles.

***

Em casa, Camus olhava para a tela do celular pensando de que forma poderia responder aquela pergunta que recebera de Hyoga.

“É verdade que você tá namorando o Shaka? E o meu pai?”

Como fazê-lo entender que não existia mais “e o meu pai”, que ele buscava a medida mais fácil e indolor com Shaka para não ter que ouvir de novo “eu não te amo”. Que estava cansado de tentar e fracassar...

Mon dieu Camus ele tem quinze anos, é só um menino!”

— Eu achei que sei lá, vocês iam começar alguma coisa porque só de olhar já dá pra notar que rola alguma coisa entre vocês. – Esperar pela resposta estava sendo angustiante então isso foi a primeira coisa que Camus ouviu ao apertar o “atender”.

— Só que existe outra “coisa rolando” entre seu pai e Saga, entre mim e Shaka.

— É porque ele parece estar namorando Saga? Já disse que esse namoro é enrolação Camus!

— Seu pai disse que é sério e Saga foi bem específico sobre amá-lo... – Camus suspirou — Hyoga você não quer a felicidade do seu pai? Não quer que realmente ele dê certo com Saga e que seja feliz?

— Camus, você gosta do meu pai?

— Petit, isso não vem ao caso, você tem que entender...

— Me responde, Camus!

— Havia um interesse sim, não nego. Mas...

— Ótimo. Havia um interesse, o que significa que ele pode ainda existir. Deixe o resto comigo! Até logo Camus.

Na mansão Argenkland, Hyoga mordia as cutículas pensando em uma maneira de juntar aqueles dois teimosos, não ia desistir dos belos planos de ter um segundo pai ruivo e maravilhoso como Camus. Ele poderia ter até irmãos! A empolgação do pai era porque Saga era rico e aceitou namorar um mecânico, Camus ao ver que Milo se resolvera tirou o time de campo. Então só precisava tirar Saga do caminho.

Perdido em ideias mirabolantes ele foi se juntar aos amigos no quarto de Shiryu, lá já havia rock tocando alto e conversa animada entre os três.

— Hyoga bebe isso aqui. — Shun estendeu um copo para o russo que ao recebê-lo estranhou o cheiro forte.

— O que tem aqui?

— Anda bebe logo, nem que seja um gole! – Shun parecia bem animado com o seu e Ikki com Shiryu também tomavam algo semelhante enquanto eles mexiam nos arquivos do computador, então Hyoga resolveu tomar o “refrigerante”.

—Argh! O que tem aqui cristo?! – Hyoga fez uma careta engraçada arrancando uma gargalhada geral.

— Você é um bobão Hyoga!

— O que você tá aprontando? – Puxou Shun para um canto, Shun tinha um sorriso traquinas enquanto bebericava seu copo. Hyoga sabia ler os sinais.

Hyoga nunca duvidou de Shun quando ele disse que poderia conquistar Shaka, pois se tinha alguém que poderia fazer isso em sua opinião, esse alguém era Shun. Para o loiro, o japonesinho era muito decidido e se ele colocava algo na cabeça, o faria com certeza.

— Então...

— Quer melhor oportunidade que essa? Shaka era o plano A, então agora é partir para o plano B. Se eu fosse você também aproveitava.

Hyoga mordeu o lábio e olhou para Ikki que estava distraído conversando com Shiryu. Não era como se já não tivesse pensado inúmeras vezes sobre a sua primeira vez com Ikki. Até porque há anos que alimentava aquela secreta paixão pelo lutador e agora estavam finalmente juntos!

— Duvido que você tenha outra oportunidade de ficar sozinho com o Ikki depois que voltar para casa.

***

“Camus, como foi a sua primeira vez?”

—Hyoga o que está planejando? – Dessa vez foi Camus que achou que uma mensagem não seria suficiente. Ficou chocado quando recebeu a mensagem e tentou imaginar no que levou o loirinho a pensar naquilo.

— É só curiosidade.

— Você mente muito mal, graças a deus! Acho melhor começar a falar. — Camus teve o cuidado de não deixar que seu divertimento transpassasse no tom de voz, Shaka à sua frente o fitava com um olhar curioso. Estavam no sofá, tomando vinho e ouvindo música clássica e conversando trivialidades, nenhum dos dois era afeito a saídas noturnas então o programa de sábado estava sendo apenas a companhia de Bach e um merlot.

— Eu... Eu acho... A-acho que vou ter a minha primeira vez hoje! Estou nervoso pra caralho porque não sei direito o que fazer, quer dizer tecnicamente eu sei, mas nunca fiz e eu não quero... Ai meu deus!

— Petit você tem certeza? Você é tão jovem, não acha melhor esperar? – Camus ignorou o palavrão e a vontade de repreender Hyoga, isso cabia à Milo, não a ele e era o que o grego provavelmente faria se Hyoga tivesse ligado para ele.

— Esperar o que? Eu quero e sei que o Ikki também quer!

— Você o ama petit?

— Desde os onze anos. – Hyoga respondeu tão prontamente que não havia sombra de dúvidas sobre aquilo que Camus o invejou. Gostava da segurança do garoto com relação a todas as suas decisões, mesmo que algumas trouxessem consequências negativas como era o caso de Tenma, mas Hyoga sempre sabia o que queria e isso Camus admirava nele. Ele mesmo era cheio de dúvidas e insegurança e aquele menino de apenas quinze anos já era tão seguro de si!

— Então mon ange, faça o que seu coração mandar. Não se preocupe em não saber o que fazer na hora, a gente sempre segue o instinto. – Ouviu a risada do outro e sorriu — Usem camisinha, não quero plantar dúvidas sobre vocês, mas é bom que se previnam... Mas Hyoga se quer mesmo fazer isso não desista por causa da dor. Porque vai doer!

— Camus... – Hyoga respirou fundo para conter a emoção de ouvir aquelas palavras de Camus, sabia que tinha procurado a pessoa certa para desabafar — Você é mais que meu treinador pra mim sabe disso né?

— Sei petit, não se preocupe. Somos amigos e eu gosto muito de você, quero saber amanhã como foi. — Camus ficava tocado demais quando Hyoga falava aquelas coisas, se afeiçoara demais ao pequeno russo.

— Vamos almoçar amanhã? É aniversário do Ikki e nós vamos fazer um almoço para comemorar, na verdade eu e Shun vamos cozinhar, mas deixe meu pai se gabar. Venha para a minha casa, não aqui no tio Aiolos, eu estarei com meu pai e os Amamiya então estarei seguro.

— Tudo bem. Até amanhã se você conseguir andar.

—Wol! Não seja tão pessimista, preciso andar ou meu pai vai querer explicações e ele não pode saber. – Desligaram, Shaka observava o riso descontraído de Camus à sua frente.

—Você é apaixonado por esse menino.

— Nem brinque com isso Shaka, Milo poderia ter me matado da última vez.

— Não estou falando de amor carnal my dear, estou falando de fraternidade... De paternidade. Nunca pensou em ser pai? – Shaka balançou o vinho na taça.

— Várias vezes, mas acabo esbarrando na ideia de que é muita responsabilidade e nunca conseguiria. – Camus disse de modo contido – Toda a insegurança e dificuldade em me relacionar... Acho que não conseguiria criar um filho.

— Pois deveria. Você é um homem de princípios, íntegro e veja como cuida de Hyoga. Como as crianças na Fundação o adoram! Soube que você integrou o corpo docente da Fundação.

— É porque com toda a confusão de Hyoga, os treinos estão em suspenso e assim ficamos de fora da seletiva de agosto, talvez consiga vaga para novembro. Dessa forma Aiolos me convidou para dar aulas de educação física para as turmas do fundamental.

— Todos os alunos não falam de outra coisa, do novo professor de educação física. Shun veio me perguntar sobre nós, esse menino é um tanto atrevido. Mas as garotas o cercam sempre querendo saber de você! — Ambos riram. Camus estava fazendo mais sucesso que Shura— Agora você tem um emprego fixo e estabilidade para ser pai, Camus.

— Acredito que deveria casar primeiro para pensar em filhos depois. O que acha de pensar no assunto senhor Evrad?

— Casar?

— Não pretende levar nosso relacionamento tão a sério? – Camus arqueou a sobrancelha no rosto uma expressão desdenhosa. Shaka fitou o ruivo à sua frente pensando em um futuro com ele. Dali a alguns anos eles estariam ali naquela mesma sala conversando sobre os alunos e filhos. Um filho seria suficiente, seria o centro do mundo organizado e tranquilo deles, tocaria piano e falaria três línguas. Era um bom futuro para ter.

— Não tinha pensado no assunto, mas saber que você me inclui nos seus planos me deixa feliz.

— Um brinde ao nosso casamento. — Tocaram suas taças sorrindo um para o outro.

***

— O que você tá fazendo, russo?

—Tava falando com o Camus. Deixou os dois sozinhos? – A expressão sapeca do loirinho não deixava dúvidas de que Shun tinha planos para Shiryu aquela noite.

— Fui "convidado" a procurar você pela casa. – Ikki se jogou na cama de Hyoga — Eu apenas imagino o que o Shun está planejando, mas do jeito que ele está bebendo para tomar coragem, tudo que vai conseguir é uma bela ressaca.

— Você não está com ciúme?

— Ciúme do Shun? Nah... Eu confio no Shiryu e sei que se ele ficar bêbado, o Shi não vai se aproveitar dele — puxou o loiro para deitar com ele — Deixe que Shiryu tome conta dele bêbado e Shun morra de vergonha amanhã por ter feito esse papelão.

Foi gargalhando que o russo caiu sobre Ikki, para em seguida ter seus lábios tomados pelos carnudos do moreno. Agora poderiam matar a vontade um do outro como quisessem. Ficaram ali aos beijos que começaram ternos até que só eles não começaram a ser suficientes.

— Loiro... — Ikki tinha a voz embargada pela excitação que começava a tomar conta dele. Hyoga deslizava as mãos por dentro da regata branca, arrastando as unhas curtas pela pele morena das costas, dos gominhos da barriga tanquinho do meio japonês.

— Não consigo parar. —Afogueado e ofegante respondeu o loiro, o olhar azul céu agora parecia um mar revolto que fitavam Ikki em expectativa.

— Porque você é um ninfomaníaco. — Hyoga sentiu a vibração da risada do namorado contra a pele sensível do pescoço — Melhor se comportar ou eu não respondo por mim.

— Quem disse que eu quero me comportar?

Ikki se ergueu para olhar melhor o outro, não ajudando a visão atordoante de Hyoga corado e com aquele olhar cheio de promessas. Parecia que não era apenas Shun que tinha planos para aquela noite.

— Tem certeza Hyoga? — O outro assentiu e mordeu o lábio, Ikki sentou nas próprias panturrilhas olhando o russo de forma receosa. Queria muito! Pensava muito nisso naquelas semanas em que começara a namorar Hyoga escondido, porque ainda pensavam em uma forma de falar com Milo. A ideia era pedir oficialmente no almoço do seu aniversário de dezoito anos, com sorte não sairia preso da casa dos Savalas por abuso de menores.

— Veja que presente de aniversário maravilhoso você terá.

— Não pode fazer isso porque eu quero Hyoga. É a sua primeira vez! Se for ruim e eu te machucar?

— Não vai ser Ikki. – Hyoga se ergueu se inclinando para beijar o dorso de Ikki sob a camiseta enquanto deslizava a mão sobre a ereção do lutador —Eu quero tanto!

Hyoga levou a mão do moreno até a sua ereção, não estavam muito diferentes os dois, afinal eram adolescentes se descobrindo mesmo que Ikki não fosse mais virgem.

— Um instante.

Levantou-se e saiu correndo do quarto, Hyoga ficou ali confuso sem entender o que Ikki tinha ido fazer até vê-lo voltar com um pacote de camisinhas e uma pequena bisnaga, fechando a porta assim que passou por ela.

— Se vamos em frente então precisaremos disso, e o Shiryu vai precisar de antiácidos.

— Shun está muito ruim?

— Está começando a perder a dignidade. — Ikki jogou as coisas na cama e começou a tirar a roupa.

"Eu vou transar!" Hyoga quase não continha a empolgação.

Ikki deitou sobre Hyoga de regata e boxer, o branco fazendo um lindo contraste com a sua pele amendoada. O loiro deslizou as mãos pelos ombros largos, o nariz pelo pescoço sensível porque adorava o cheiro de Ikki e dos leves arrepios que aquela carícia causava nele. Aquele olhar de madrugada era tão intenso, era como se pudesse senti-lo na sua pele, como se Ikki o acariciasse sem as mãos. "Meu deus, eu amo esse cara! Eu quero passar o resto da minha vida com ele." Pensava o garoto russo, olhando o moreno.

— É só você dizer para parar e nós paramos. — Sussurrou Ikki mordendo o lóbulo da orelha de Hyoga.

Beijaram-se de novo, dessa vez não havia nada de terno no beijo que era sedento e afoito. Hyoga se despiu as pressas e ajudou Ikki a tirar o resto das roupas. Nus, quando os corpos se juntaram de novo e as pernas se entrelaçaram ao mesmo tempo em que as línguas, a excitação parecia ter se tornado insuportável.

Ikki traçou com a boca carnuda um caminho quente até o sexo de Hyoga, que deu um quase grito ao se sentir tomado por aquela boca atrevida. O Amamiya levou o falo em riste até a garganta para depois voltar e sugar a glande, massageando com a língua a carne túrgida.

— Onde você esconde tudo isso? — Perguntou malicioso continuando a estimular Hyoga agora com as mãos — É muita coisa para alguém tão pequeno.

— Como pode ver, não sou tão pequeno assim. – Hyoga puxou o ar com mais força ao sentir os dedos de Ikki acariciando a fenda entre as nádegas, estava enlouquecendo. Era tudo muito bom — E você e essa tora? Estou tentado a mudar de ideia.

— Tarde demais.

Hyoga gritou de novo ao sentir o dedo lambuzado de lubrificante entrar no seu corpo, a sensação era de ardência e desconforto, mas lá no fundo havia algo indefinido. Ikki pediu que deitasse de lado e, sentando sobre uma perna do russo, levou a outra para o ombro e ao mesmo tempo em que o masturbava também iniciava a preparação para a penetração.

— Relaxa que vai ficar melhor.

E ficou, logo os gemidos altos de Hyoga precisaram ser abafados pelo travesseiro e o quadril do russo acompanhava os movimentos dos dedos de Ikki, que riu sacana ao notar isso. Estava na hora.

O moreno colocou a camisinha e passou mais lubrificante no membro inchado e teso, Hyoga respirou fundo para controlar a tensão que agora voltava com toda a força. "Claro que ele tinha que ser enorme!", pensou o russo e para afastar o medo enlaçou Ikki pelo pescoço beijando, arrastando os lábios pela linha do queixo e o pomo de Adão fazendo o moreno gemer enquanto sondava a entrada.

— Se você ficar tenso vai ser pior, vai ficar tudo bem. — Ikki estava sendo paciente mesmo que sua própria excitação fosse difícil de conter.

— Vai com calma... Ai caralho... – Hyoga apertou os olhos e mordeu os lábios porque jamais se permitira gritar. Estava doendo muito, era só o início e parecia que ia ser rasgado ao meio.

—Shiu... Aah! – Dolorido também para Ikki, era deliciosamente apertado e a resistência do corpo do russo tentava expulsá-lo dali. O moreno distribuía beijos pelo rosto do russo, acariciando as coxas grossas para distraí-lo da dor.

"Se é isso que quer não desista por causa da dor." Pensando nas palavras de Camus, Hyoga trouxe Ikki mais para junto de si fazendo-o entrar mais no seu corpo e os dois gemeram alto com isso. O grunhido de Ikki se uniu ao choramingo de Hyoga, mesmo que ele não abrisse os olhos, às lágrimas já se insinuavam pelos cílios. Contudo, apesar da dor, havia uma sensação de prazer e conforto que aqueciam o coração acelerado do loirinho.

— Abra os olhos, não precisa ter vergonha de mim. – Pediu Ikki acariciando o rosto alvo – Você é muito especial, nunca vou poder compensar por hoje. Obrigado pelo maravilhoso presente.

— Que você não merece, que fique bem claro. – Hyoga tentou sorrir e abriu os olhos lacrimosos para encontrar o olhar terno de Ikki que estava parado esperando o outro se acostumar à invasão — Continue antes que eu desista.

Ikki ondulou os quadris, indo e voltando lentamente em movimentos cadenciados, porque estava dolorido até para si, talvez a tensão por ser a primeira vez de Hyoga e a preocupação em não machucá-lo o deixavam receoso. Pegou o falo de Hyoga com as mãos e começou a estimulá-lo aumentando o prazer até o ponto de Hyoga já gemer deliciado e começar a se mexer de encontro a Ikki, beijando e mordendo onde sua boca conseguia alcançar.

— Mais rápido Ikki! – Pediu o russinho junto aos lábios carnudos do outro que riu de lado e começou a aumentar a velocidade das investidas, Hyoga riu puxando os cabelos repicados de Ikki mordendo em seguida a linha do queixo. Agora o russo era todo prazer.

O orgasmo chegou para os dois ao mesmo tempo tão forte e intenso que Hyoga sentiu como se uma descarga elétrica transpassasse seu corpo, Ikki desabou sobre si, ofegante e levemente trêmulo. Para ele também fora diferente das raras vezes em que fizera sexo, naquele momento parecia ter algo especial e significativo.

—Feliz aniversário. — A voz rouca do jovem russo transmitia a satisfação sobre o que ocorrera ali. Ikki sorriu e moldou os lábios de coração de Hyoga com os seus, ambos estavam felizes.