Amor Universitário

33 Capítulo 32 - O fim se aproxima


Notas iniciais
QUERIA NOVAMENTE AGRADECER AOS COMENTÁRIOS *----------*' Vocês me incentivam muito seus fofos e fofas *-*' Um capítulo dramático, mas o próximo vai ser cheio de ação u_u Boa Leitura *-*'

VINTE DIAS DEPOIS

–x-

Acordei cedo, tinha que fazer mais uma sessão de fisioterapia, minha perna ganhara mais firmeza, nesses vinte dias fiz duas sessões por semana, essa será a sétima, devido aos avanços, consigo até mesmo me locomover dentro do quarto sem a necessidade de muletas, a cada pequeno avanço é uma vitória, Midorima está preso, amanhã será o julgamento, eu e Kuroko teremos que comparecer, depois do decreto da juíza (a mais severa de todo o estado) que deve ser favorável a pena de Midorima, finalmente Kuroko conseguirá dormir tranquilamente, tem dias que ele levanta de madrugada só para confirmar se a porta está devidamente trancada, fica espiando pela janela, como se procurasse qualquer sinal daquele maníaco e então voltava a se deitar, sempre finjo estar dormindo, ele está sofrendo de mais, mas amanhã esse sofrimento terá fim, com toda a certeza, a pena dele pode se estender até a sentença que só é mais suave que a sentença de morte, a prisão perpétua. No fundo do meu coração era isso que eu mais desejava que ele vivesse até seu ultimo segundo de vida dentro de uma prisão.

Vesti uma roupa simples de esporte, colocando um pesado agasalho por cima, amanhecera com uma brisa gelada, depositei um beijo na testa do menor que ainda dormia tranquilamente na minha cama, ele resmungou algo, virou-se e voltou a dormir.

Com as muletas em mão, comecei a minha jornada, agora devido aos avanços da fisioterapia, demoro menos tempo para me locomover, e também não perco tanto o fôlego, depois de dez minutos já estava no ponto de ônibus, esperando o que eu precisava, a vida urbana iniciava devagar, alguns carros passavam, mas nada que fosse demais, algumas pessoas solitárias andavam apressadas com expressões nada convidativas, o Sol ainda surgia devagar, preguiçoso, depois de mais quinze minutos de espera, passou o ônibus que me levaria até o hospital.

Embarquei sem muitas dificuldades, o ônibus estava vazio, aquele ponto era uma dos primeiros na linha que o automóvel fazia, mas não demorou muito para que começasse a subir várias pessoas, a ponto de que várias precisassem ficar de pé. Quando vi que faltava apenas uma esquina para o meu destino, puxei aquela cordinha, quando o ônibus parou, peguei as muletas e desci, quando subi na calçava, olhei para os dois lados, quase que um homem com cabelos grisalhos e terno, esbarra em mim, gritou um xingamento para mim, simplesmente ignorei, ao entrar no hospital, sem demoras fui para a ala de crianças com câncer, como de costume a mãe de Yamato me esperava na recepção, o câncer havia piorado, a cada dia que passava era mais uma batalha pra ficar vivo, um numero absurdo de máquinas o mantinham respirando, ele era alimentado por sondas, sua fala era completamente comprometida, às vezes durante o dia ele balbuciava algumas palavras desconexas, o tumor do cérebro afetou todas as suas funções, até as mais básicas, cada dia estava mais difícil visitá-lo, eu não aguentava vê-lo daquela forma, meu coração se apertava, lágrimas ameaçavam cair, mas eu era forte, seus pais estavam cada dia mais abatidos, cada dia mais sem esperanças, eles estavam morrendo junto com Yamato.

Entrei no quarto do pequeno, ele estava deitado, seus olhos fechados, ficavam assim a grande parte do tempo, uma mascara de oxigênio estava presa ao seu rosto, um medicamento entrava por sua veia, os aparelhos faziam barulhos, assim como o que monitorava os batimentos cardíacos, apitando conforme os batimentos fiquei ao lado da cama, pegando a mão pequena e pálida entre as minhas.

– E ai garotão como vai? – Minha voz era fraca e baixa, sabia que as possibilidades de que ele me escute. – Estou tendo avanços na fisioterapia, talvez logo não precise mais das muletas...

Me sentia como um idiota, esperando o impossível acontecer, como se ele fosse olhar nos meus olhos e começar a sorrir e conversar animadamente como antes, fiquei ali o encarando durante um tempo.

– Eu queria te ensinar a jogar basquete, assim como te prometi. – Fechei os olhos derramando algumas lágrimas teimosas.

– Ka...gami... Por que não... Me ensina...ria? – Sua fala foi entre contada, abri os olhos desesperadamente, um sorriso fraco pairava no rosto do garoto, que olhou para mim. – Mesmo que... Não for... Nesta vida... – Seus olhos tornaram a se fechar e o sorriso sumir, foi como um adeus sem dizer as devidas palavras.

Minhas lágrimas continuaram a cair, chamei algumas vezes o nome de Yamato, sem ter nenhum sucesso, ele tinha perdido a consciência novamente, depois de muito esforço consegui me recompor.

– Ainda te ensinarei, pequeno. – Sorri, mesmo que não acreditasse nestas palavras, assim como não acreditava em vida após a morte, apenas achei que era o certo a se falar.

Encarei por mais alguns instantes o menor, sentindo que aquela seria a ultima vez que o veria vivo, recuperei a força nas pernas, sai do quarto e da ala, os pais de Yamato nem sequer trocaram uma palavra comigo, cheguei na fisioterapia atrasado, a médica Ana Davis já me esperava. Sua sala era cheia de instrumentos para a fisioterapia, ela também tinha acesso a uma piscina, mas só a usamos uma vez.

– Porque chegou atrasado moçinho? – Cruzou os braços fingindo estar brava, Ana era uma mulher baixinha, com alguns fios grisalhos fazendo contrastes com seus cabelos pretos, ela sabia que eu estava com Yamato, já tínhamos falado sobre isso.

– Você já sabe. – Sentei na cadeira, retirei meu agasalho e esperei ela falar o que faríamos hoje.

– Vamos a alguns exercícios leves, com a bola, não vamos querer que se esforce demais. – Começamos a sessão, devido ao meu atraso de dez minutos, ela acabou dez minutos mais tarde.

Sai sem muitas despedidas, meu humor tinha mudado completamente, ainda mais quando lembrei que amanhã era o julgamento. Ao chegar à universidade, Kuroko me esperava no quarto, devido a sua presença ser requisitada no tribunal, deram hoje amanhã e depois de folga para ele, seus olhos deixavam claro todo o seu sofrimento com aquilo, ele não precisava falar uma única palavra, nós nos entendíamos em meio a olhares, às vezes isso não era tão bom, mas hoje era perfeito.

A bola de pelo ambulante pulou em cima de mim assim que me sentei na cama, tentei empurrá-la para longe, sem muito sucesso.

– Yamato falou hoje...

– Sério? Que bom! – Kuroko se animou.

– Não... Foi algo como uma despedida. – escondi meu rosto nas mãos.

– Mas... Se ele falou... – Ele tentava argumentar, assim como eu não queria aceitar os fatos, essas foram as ultimas palavras pronunciadas naquela conversa, puxei-o para o meu colo abraçando-o fortemente.

Estamos apenas tentando aceitar a futura perda de alguém tão querido, ao mesmo tempo tentando controlar os nossos próprios fantasmas interiores, para que amanhã fossemos fortes quando fosse necessário.