Amor Universitário
31 Capítulo 30 - Frente a frente.
Notas iniciais
Aquela simples frase fez Kuroko recuar, seu desespero e medo eram evidentes, meu coração disparou e instintivamente levei a mão até minha coxa, eles o pegaram... Eles o pegaram... Isso ressoava na minha cabeça, uma sensação de medo e fúria tomou conta de mim. Medo, pois aquele cara era imprevisível e fúria por querer matá-lo. Não somente pelo o que ele fez para mim, mas também por todo o terror que fez o meu azulado passar, peguei as muletas, me coloquei de pé e segui até a porta, minhas pernas estavam bambas, querendo admitir ou não, meu medo devia estar estampado no meu rosto, mesmo assim continuei, ao chegar na frente ao detetive, tendo que olhar para baixo para encará-lo nos olhos.
– Ele está morto? – Perguntei depois de certificar que minha voz saísse firme.
– Não, mas ele realizou algumas alterações físicas, por causa disso ainda não o condenamos, precisamos que um de vocês vá reconhecê-lo. – Olhou para Kuroko que agora abraçava os próprios braços, ele tremia um pouco. – Acho que vai ser menos doloroso para você do que para ele.
Observei Kuroko, ele parecia alheio a qualquer outra coisa que não fosse seus próprios medos, dei alguns passos e fiquei ao lado do menor, segurei as duas muletas em uma mão e o abracei, finalmente ele me olhou, as lágrimas já se acumulavam em seus olhos, prontas para caírem a qualquer momento, aquela imagem me impactou de tal forma que fiquei sem palavras, queria falar que ficaria tudo bem, mas eu mesmo não acreditava muito nisso, queria reconfortá-lo com palavras bonitas e otimistas, mas elas pareciam tão idiotas e falsas, baguncei o cabelo dele, obrigando-me a sorrir, ele pareceu se acalmar, secou as lágrimas e sorriu minimamente.
– Vou ir com o detetive, fiquei com o Kise enquanto não chego está bem? – Acariciei seu rosto carinhosamente.
– Me deixa ir com você. – Sua voz saiu fraca e quase como um sussurro.
– Não, isso vai te fazer mal, vá até o quarto do Kise e quando eu chegar eu vou lá. – Nos encaramos por alguns instantes, até que com um manejar de cabeça dele concordou, saiu do quarto sem nem olhar para o detetive.
– Podemos ir? – Monroe perguntou já se virando para ir embora.
– Vamos. – Segui o mais velho que teve que diminuir a velocidade para me acompanhar.
Passamos pelos portões da universidade, tinha um carro preto parado bem na frente, o detetive foi até ele, abriu a porta do passageiro para que eu entrasse, sentei-me e coloquei as muletas entre as minhas pernas, Monroe deu a volta no carro abrindo a porta do motorista e entrou, após fechar a porta deu partida, após mais ou menos vinte minutos chegamos a uma das delegacias da cidade, o silencio predominava, desci do carro indo até as escadarias do prédio, demorei um bom tempo para subi-la, pela minha condição física e também pela minha condição psicológica, Monroe não fazia questão de me confortar ou de falar qualquer coisa, só me guiou até a sala de reconhecimento.
– Mande entrar os suspeitos. – Apertou um botão e os suspeitos entraram, eu estava atrás de um vidro, acredito que eles não podiam me ver, eram cinco homens todos tinha mais ou menos as mesmas características físicas.
Todos tinham cabelos pretos, pele clara, a altura era quase que a mesma, todos seguravam uma placa com números, nenhum tinha o formato do rosto de Midorima, entendi o que Monroe disse com alterações físicas, olhei atentamente para o suspeito numero um, não era nem um pouco parecido com Midorima, olhei então para o número dois, era muito baixo, o número três era gordo demais para ser, então olhei para o número quatro, meu coração disparou, era Midorima! Estava sem óculos, os cabelos de outra cor e o rosto arredondado, mas era ele! Cerrei os punhos, um sorriso irônico reinava no rosto daquele monstro!
– É o numero quatro! – Falei entre dentes, minha coxa começou a latejar, o terror estava presente assim como a vontade de matá-lo.
– Numero quatro, um passo a frente! – Apertou o botão novamente, Midorima deu um passo à frente. – Tem certeza? – Monroe dirigiu-se a mim.
– Tenho. – Não tirei os olhos daquele maldito.
– Obrigado por cooperar Kagami. Pode ir embora agora. – O detetive falou simplesmente.
– Posso acompanhar o interrogatório? – Perguntei, encarei-o expressando toda a minha vontade, ele pareceu entrar em um conflito consigo mesmo, até que finalmente ele pareceu ceder.
– Está bem. – Suspirou. – Me siga.
Não trocamos mais nenhuma palavra, seguimos por um corredor cheio de salas para interrogatórios, todas tinham uma porta e ao lado uma janela enorme com vidro, já tinha visto filmes policiais e sei que não dá para ver nada lá de dentro, é como se fosse um espelho. Monroe entrou na sala, que só tinha uma mesa e duas cadeiras simples, sentou em uma delas, depois de alguns minutos chegou um policial trazendo Midorima que se sentou na outra cadeira, tiraram as algemas e então Monroe começou:
– Você está sendo indiciado por tentativa de assassinato e sequestro. Quer falar o motivo disso tudo? – Seu olhar era frio e dava para ver o desprezo que sentia por Midorima.
– Não era para ser uma tentativa de assassinato, mas sim um assassinato, os tiros eram para o Kuroko, porém aquele ruivo idiota entrou na frente. – Encarou o espelho, sabia que ele não podia me ver, mas naquele momento um calafrio tomou conta de mim. – Eu sei que está ai Kagami. – Meu coração pareceu falhar.
– Concentre-se em mim, na onde você prendeu Kuroko no tempo que o sequestrou? – O detetive continuou.
– Não respondo nada, até que o Kagami entre aqui. – Seu sorriso irônico apareceu novamente.
– Não, vou perguntei novamente, na onde prendeu Kuroko no tempo que o sequestrou?
– Vocês acham realmente que iriam me prender caso eu não quisesse? Bem conveniente a forma que me acharam não é? Eu quis estar aqui, então cale a sua boca e fale para Kagami entrar aqui! – Midorima não queria nem saber do detetive, que por sua vez tentou prosseguir com o interrogatório novamente.
– Você não esta na posição de exigir qualquer coisa, então apenas me responda. Na onde manteve Kuroko durante o sequestro?
– Já falei que não falo nada até Kagami estar aqui. – Encostou-se na cadeira, cruzou os braços e ficou encarando Monroe, que por sua vez, levantou-se, saiu da sala e ficou na minha frente.
– Você pode fazer isso? Caso não conseguir está bem. – Dirigiu-se a mim.
– Está bem, eu consigo.
– Não se preocupe, estará seguro.
Respirei fundo algumas vezes, até finalmente caminhar até a porta, que foi aberta pelo detetive, e ao entrar, o mesmo a fechou, deixando eu sozinho com aquele monstro novamente, meu coração estava acelerado, minhas mãos estavam suando.
– Olá Kagami. – Um sorriso cínico reinava em seus lábios, meu nojo devia ser evidente.
– Olá Midorima.
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