Amor Universitário
27 Capítulo 26 - O encontro.
Notas iniciais
A noite passou rapidamente, antes que percebesse o sol já estava começando o seu reinado, peguei as muletas indo até a janela e me sentando na mesma, fiquei ali, observando enquanto os raios do sol pintavam a cidade, era uma paisagem bonita, principalmente para mim que fiquei algum tempo admirando apenas o meu quarto. Recostei a cabeça nas muletas, com apenas um pensamento, e esse pensamento tinha nome, sobrenome e uma cabeleira azul.
Sorri ao lembrar do dia anterior, em que ele e Kise estavam aqui, a presença dele me faz tão bem, estive tão preocupado comigo e meu drama pessoal que nem sequer dei a atenção que ele merecia e ele mesmo assim não me cobrou, apenas aceitou e me entendeu, sorri com a ideia de possuir aquele corpo novamente, não vejo a hora de sair desse hospital, vai ser uma das primeiras coisas que irei fazer, quero ouvir os gemidos de prazer de Kuroko, quero ver seu rosto corado, relembrei a ultima noite que tivemos, somente a lembrança fez com que meu membro despertasse.
Olhei para baixo com o meu rosto quente e resmunguei. Nesse momento a porta foi quase derrubada por uma enfermeira animada, ela aparentava estar no auge de sua juventude.
– Olá paciente! Trouxe o seu café da manhã! – Falou animada enquanto rodopiava com a bandeja nas mãos.
– Bom dia! – Respondi com um sorriso, aquilo estava sendo engraçado, fiquei de pé com a ajuda das muletas, me aproximando da cama, ela fez o mesmo, porém nesse ato, deu mais um rodopio que a fez tropeçar nos próprios pés e a fazendo cair, derrubando tudo o que estava segurando. Preciso dizer que eu comecei a rir descontroladamente?
Depois de me recuperar e ver que ela não se levantara, fui para perto, ela estava sentada, massageando uma das nádegas.
– Você está bem? – Perguntei, sentando-me na cama e ficando mais perto dela.
– Estou. – Seus olhos estavam cheios de lágrimas e ela tinha um biquinho nos lábios que diziam o contrário.
– Vem eu te ajudo. – estendi meus braços, oferecendo minhas mãos, ela segurou, então a levantei. Tive que fazer uma força considerável, ela era mais pesada do que parecia, porém achei que não seria bom dizer isso em voz alta.
– Obrigada. – Ela abriu um sorriso novamente, quando estava para se afastar, pisou em um pão que derrubara, ela iria cair mais uma vez, mas consegui a segurar a tempo.
– Cuidado! – Falei rindo, eu estava com as mãos na cintura dela que estava com as bochechas em um tom avermelhado. A soltei do meu aperto quando tive certeza que não cairia, ela saiu apressada do quarto dizendo que iria trazer meu café da manhã e pediria para alguém limpar a bagunça que ela havia feito.
Ainda com um sorriso divertido em meu rosto levantei-me com a ajuda das muletas tomando cuidado para não escorregar e voltei para o meu lugar na janela, várias pessoas passeavam pelas ruas, algumas com pressa e outras apenas aproveitando a companhia de alguém. Ouvi a porta sendo aberta, era uma das mulheres da limpeza, a cumprimentei com um animado bom dia que foi respondido com pouco entusiasmo. Depois de cinco minutos tudo já estava limpo e ela abandonou o cômodo sem se despedir.
Estava a vendo fechar a porta novamente quando uma mão a impediu de fechá-la totalmente, logo o dono da mão entrou no quarto, sorri ao vê-lo assustado por me ver na janela.
– Você tem que fazer repouso! – Kuroko me repreendeu quando chegou ao meu lado.
– Bom dia para você também! – O puxei, ainda mantendo um sorriso no rosto, tomei os lábios dele em um beijo carinhoso que foi prontamente respondido pelo menor.
– Você tem que ir deitar! Vem aqui que te ajudo! – Tentou puxar meu braço para que eu saísse da janela, porém não movi um músculo.
– Não tem problema eu ficar aqui, ontem eu até já andei pelo hospital! Devia ficar feliz que estou me recuperando rápido! – Ele me encarou por um tempo, depois pegou a cadeira e a colocou do meu lado.
– Não pense que concordo com isso! – Me fitou deixando claro a irritação no seu olhar.
– Pode ficar tranqüilo ok? – Segurei uma das mãos dele entre as minhas, ficamos em silencio, apenas nos olhando. Em certos momentos não são necessários palavras.
Devagar o puxei para que ficasse de pé, o segurei pela cintura, iniciando um novo beijo, as suas mãos foram para o meu pescoço, interrompi o beijo quando ouvi alguém gritando, não soltei Kuroko, apenas olhei para a direção do grito.
Era a enfermeira de mais cedo, estava com uma nova bandeja com os mesmo alimentos, sua boca estava aberta em um “o” perfeito, o azulado corou feito um tomate e tentou se afastar, porém apertei mais forte sua cintura, obrigando-o a ficar no mesmo lugar.
– Pode deixar em cima do criado mudo, depois eu como. – Disse simplesmente para ela que ainda não havia saído do lugar e nem corrigido a sua cara de espanto. Divertindo-me com a situação, tomei Kuroko para um novo beijo, mesmo envergonhado ele me correspondeu e se afastou rapidamente.
Olhei novamente para a mulher parada na porta, ela continuava parada, porém sua expressão mudou, de surpresa foi para nojo, deixou a bandeja na onde eu havia dito e saiu, mas antes deu um ultimo olhar de desprezo em nossa direção. O menor se encolheu, como se quisesse sumir, seu olhar era triste.
– Calma, ela era só mais uma idiota preconceituosa! – Levantei seu rosto, depositando um selinho em seus lábios enquanto o abraçava forte. – Vamos, quero que conheça uma pessoa.
– Quem? – Ele perguntou se recuperando, o soltei do meu abraço, pegando as muletas e andei até a porta.
– Surpresa. – Falei simplesmente antes de abrir um sorriso.
Kuroko caminhou até mim, abriu a porta e então refiz o caminho que, no dia anterior, tinha feito com Yamato, achei que seria apropriado apresentar a pessoa mais importante da minha vida para o menino. A dor já era quase ausente enquanto caminhava, do outro tiro já havia me recuperado quase que totalmente, era o que atingira a minha coxa que dificultava tudo, mas com um esforço extra, chegamos até a ala das crianças com câncer. Tinha alguns pais e parentes abatidos, o azulado e eu fomos até a enfermeira que cuidava do lugar, perguntei baixo aonde era o quarto de Yamato, ela me indicou o caminho, olhei para meu amante que mantinha um semblante desconfiado, chegamos ao quarto indicado, bati na porta, ouvi o pai do menino falando para entrarmos. Abri a porta, Yamato estava sentado na cama, estava pálido, porém abriu um sorriso ao me ver, o pai dele também.
– Bom dia! – Sorri, entrei no quarto sendo seguido por Kuroko.
– KAGAMI! – O menor gritou, sentei na cama ao seu lado, abraçando-o carinhosamente.
– Como está campeão? – Sorri ao solta-lo do meu aperto.
– Bem! – respondeu animadamente.
– Vou deixá-los sozinhos, até depois filho. – O pai do menino o beijou na testa e abandonou o quarto, direcionando um simples manejar de cabeça como cumprimento em minha direção.
– Quem é ele? – Apontou para Kuroko que corou de leve.
– Ele é meu namorado! Chama Kuroko! – Sorri ao perceber que o azulado corara ainda mais, sem jeito se aproximou da cama.
– O-Oi, prazer. – Dirigiu-se à Yamato.
– Olá, o prazer é meu! – Sorriu – Kagami eu não pensava que você namorava um menino, mas sim uma menina! – Kuroko corou ainda mais (se é que é possível).
– Não, eu gosto de meninos. – Sorri tentando lidar da melhor forma possível com a situação.
– Ata, entendi, eu gostei dele! – Kuroko ficou mais relaxado, como seria bom se todas as pessoas fossem como crianças, compreendessem facilmente a opção de cada um. – O Kagami vai me ensinar a jogar basquete sabia?
– Vai? Ele não tinha me contado, que legal! – O azulado abriu um sorriso sentando-se ao meu lado na cama.
Ficamos jogando conversa fora sobre desenhos, coisas do dia a dia e contando sobre algumas histórias que aconteceram na universidade, lógico que tiramos as partes pesadas. Depois de um tempo ouvimos algumas batidas na porta, o menino gritou para que entrasse o mesmo médico que cuidava de mim entrou pela porta.
– Olha só quem achamos aqui! Passei no seu quarto e você não estava lá, não pensei que te acharia aqui Kagami. – o doutor abriu um sorriso. – Agora vamos cuidar desse menino fujão.
– Mais já? – O menor fez um bico. – Estava tão legal ficar com os dois!
– Eles podem voltar outra hora, tenho certeza que vão fazer isso não é mesmo? – Encarou-me sugerindo que era hora de sair dali, entendendo o sinal fui me despedir de Yamato.
– Até depois pequeno! – Abracei novamente o menor, colocando-me de pé com as muletas indo até a porta.
Kuroko também deu um abraço em Yamato e saímos do quarto, fiquei imaginando pelo o que o menino teria que passar agora, mesmo relutante comecei a fazer o trajeto de volta.
– Quem diria você sabe lidar com crianças! Nunca pensei que seria assim! – Kuroko abriu um sorriso.
– Eu realmente sou péssimo com crianças, mas lidar com ele é mais fácil, não sei como explicar. – Sorri enquanto me desviava de um paciente.
– Você gosta muito dele?
– Sim, acho que a afinidade que criamos foi quase que instantânea.
– Isso é bom, ele é um grande menino! – O azulado sorriu, mas pude ver que ele pensava em algo, acho que, como eu, também se lamentava pelo fato da doença do menor.
Ao chegarmos ao quarto, eu estava cansado, sentei-me na cama recuperando o fôlego.
Kuroko trancou a porta do quarto, caminhando até mim com um sorriso que demonstrava que não estava pretendendo fazer nada de muito puro, sentou-se no meu colo.
– Agora, está na hora de você receber uma recompensa por estar se recuperando tão rápido.
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