Amor Universitário

26 Capítulo 25 - Yamato.


Notas iniciais
Depois dessa eternidade que o Nyah! ficou fora, ai está mais um capítulo para vocês seus lindos e lindas *----*' Boa leitura :3

Depois de a enfermeira sair do quarto deixando eu e Yamato sozinhos novamente, ele saiu lentamente do seu esconderijo, sentou-se ao meu lado na cama, abrindo um sorriso, como só crianças conseguem, totalmente puro, sem perder a inocência para o mundo, sem ver tudo de podre que tem, mas Yamato tinha um brilho diferente nos olhos, ele já passou por sofrimentos que eu jamais passará, e mesmo assim, aqueles olhos refletiam a esperança, e me passavam conforto, meu coração parecia mais leve, como se tudo fosse superável, acho que fiquei tempo demais o encarando, porque ele logo rompeu o silencio que se instalara.

– O que foi? – Inclinou a cabeça minimamente para a direita.

– Nada. – Abri um sorriso. – Você precisa ir para a quimioterapia sabia?

– É o que todo mundo fala, mas eu não gosto disso. – Fez um biquinho, seus olhos encheram-se de lágrimas. – Eu só queria brincar como as outras crianças, ir ao parque, comer algodão doce, porém eu não posso sair desse hospital, eu só queria ser normal. – Ele estava em prantos, estiquei meus braços, o envolvendo e trazendo-o para mais perto de mim, deixei que chorasse enquanto apertava-o em meus braços.

– Mas você é uma criança normal! Você só precisa fazer algumas coisas diferentes, se você fizer a quimioterapia poderá ir ao parque e fazer tudo o que você quiser mais rápido, entende? – Falei como se fosse um pai atencioso, acariciei suas costas, sentindo cada uma das suas vértebras, meu coração se apertou, ele era um garoto tão bom, não merecia passar por tudo isso.

– É verdade Kagami? – Desencostou a cabeça do meu peito encarando-me com os olhos vermelhos por causa do choro.

– Claro! – Sorri enquanto apertava as suas bochechas. – Agora pare de chorar, eu vou te levar ata a sua ala está bem? – Concordou freneticamente com a cabeça enquanto limpava as lágrimas com as mãozinhas, pondo-se de pé em um pulo.

– Então vamos! – Abriu novamente um sorriso. – Mas você pode andar com a perna desse jeito?

– Eu dou um jeito, agora se esconda debaixo da cama que vou chamar a enfermeira. – Esperei ele se apertar debaixo da cama, então acionei o botão do lado da cama.

Depois de alguns minutos apareceu uma enfermeira, pedi um par de muletas para ela, alegando que queria me locomover pelo hospital, mesmo relutante ela atendeu o meu pedido, saiu do quarto e quando retornou estava com as muletas, entregou-me sem deixar de fazer vários alertas que não era para que eu fizesse muito esforço, pois ainda estava em processo de recuperação, apenas concordei e esperei que ela finalmente deixasse o quarto.

– Pode sair. – Quase que imediatamente meu novo companheiro já estava de pé na minha frente.

– Agora podemos ir? – Apenas concordei com um manejar de cabeça, recebendo um caloroso sorriso em resposta, ajeitei-me com as muletas, ficando de pé, apoiando-me nas mesmas e com a minha perna boa.

Devagar me encaminhei para a porta, Yamato abriu-a e então pela primeira vez desde que chegara, olhei para alguma coisa além do meu quarto, olhando para o lado esquerdo do corredor, vi uma mulher que chorava nos braços de um homem que devia ser seu marido, que estava tentando conter as lágrimas, não estava tendo muito sucesso. Olhando para o outro lado, tinha apenas duas enfermeiras fofocando animadamente, entre elas estava a que me atendera algum tempo antes.

– Vamos é por aqui. – Yamato me chamou enquanto ia para o lado direito do corredor, andava devagar, me acompanhando, se fosse há alguns dias antes apostaríamos corrida para ver quem chegaria primeiro, eu o deixaria ganhar apenas para ficar feliz, mas agora eu não estou conseguindo me movimentar com tamanha rapidez.

– É muito longe? – Perguntei, já começando a sentir a fadiga tomar conta de mim, realmente não sou mais o mesmo.

– Não, é só umas duas alas daqui. – Sorriu enquanto pulava e rodopiava, arrancando-me uma gargalhada quando caiu com a bunda no chão.

Após uns vinte minutos e mais cinco tombos sofridos por Yamato, finalmente chegamos ao nosso objetivo. Quando adentramos a ala, uma mulher com os olhos cheios de lágrimas, abraçou o pequeno quase o esmagando em seus braços.

– Filho! Fiquei tão preocupada com você meu anjo. – Logo chegou um homem que também se ajoelhou e abraçou Yamato.

Fiquei observando em silencio, enquanto a mulher levava o menor para uma sala, que devia ser a de quimioterapia, só então o homem olhou para mim.

– Meu filho te incomodou? – Perguntou ainda cauteloso, sentei-me em uma poltrona que tinha na sala. Relembrei do primeiro instante que vi aquele garoto, não consegui evitar um sorriso.

– Muito pelo contrário senhor. – Encarei-o.

– Obrigado por trazê-lo até aqui. – Abriu um sorriso quase que imperceptível. – Ele está passando por muitas coisas...

– Ele é um grande menino, vai ser um bom homem. – Tentei confortá-lo, mas seus olhos já se enchiam de lágrimas.

– É difícil sabe? Ter um filho tão novo com câncer, não poder levá-lo para a escola, ou para um jogo de futebol, o máximo que posso é assistir com ele pela TV, aqui, dentro desse hospital. – Olhou em volta para enfatizar. – Sem falar que o câncer dele está apenas se agravando.

– Como assim? – Senti uma triste genuína.

– Primeiro apareceu um tumor no pulmão aos cinco anos, com muita quimioterapia e fisioterapia e uma cirurgia o tumor foi retirado, porém depois de um ano e meio o câncer reapareceu, porém dessa vez com um “brinde” – Falou de forma irônica essa ultima palavra. – Ele também estava com um tumor no cérebro, desde aquele dia não conseguimos fazer muitos avanços, e o médico falou que as chances dele sobreviver são mínimas para não dizer nulas. – Ele começou a chorar, sentou-se ao meu lado escondendo o rosto nas mãos.

– Já ouvi falar de vários casos que eram impossíveis e foram curados, mas não pode desistir. – Sem saber muito que fazer, coloquei uma mão nas costas dele, acariciando e dando alguns tapinhas.

– É cada vez mais difícil acreditar nisso, minhas esperanças estão quase no fim, minha força já se foi há muito tempo, não aguento mais vê-lo assim. – Falou em meio aos soluços. – E olha agora como estou desesperado, falando de todos meus problemas para um jovem que achei no hospital, estou mesmo deplorável.

– Não fale isso, você precisa ser forte, seu filho precisa de você, levante-se dessa poltrona agora e vai atrás do seu filho e esteja presente ao lado dele, é tudo o que ele precisa. – Falei com voz autoritária, o homem tirou as mãos do rosto me encarando.

– Você acha que é fácil? Aguentar tudo isso? – Seu tom mudou de choroso para raivoso.

– Não, mas se você não percebeu, eu também não estou em boas condições, eu queria meu pai aqui comigo, mas não posso sequer vê-lo, então fique com o seu filho enquanto ainda pode. – Estava quase gritando ao final da frase, meus olhos estavam cheios de lágrimas e meu coração apertado.

Após mais um tempo me encarando, ele se levantou e foi até a mesma sala que a sua mulher tinha ido, ao chegar à porta murmurou um “obrigado” e entrou.

Levantei-me novamente com o apoio das muletas, caminhando lentamente ao fazer o trajeto de volta, sem mais toda aquela alegria que o menino me trazia, desejando apenas que os dias passassem, desejei também Kuroko ao meu lado, queria apenas tirar meu coração fora, e junto toda a minha dor, cheguei ao meu quarto, abri a porta e desabei sobre a cama, mil pensamentos passando pela minha cabeça, relembrando as palavras de Yamato, dizendo que só queria ser uma criança normal, lembrei também do pai dele, falando que o câncer só estava se agravando, comecei a chorar, não sei ao certo porque, se foi por Yamato, se foi pela minha própria dor, tanto física quanto psicológica, se era pela vida de merda que teria que viver daqui para frente, então simplesmente chorei, até não restar mais nenhuma lágrima, olhei para o teto e fiquei dessa forma durante muito tempo, não sei dizer ao certo, mas apenas queria que tudo isso acabasse.