Amor Universitário

24 Capítulo 23 - A perda


Notas iniciais
DESCULPEM PELA DEMORA ( de novo) acabou acontecendo alguns imprevistos com a minha internet que me impediu de postar, mas aqui está o novo capítulo. Boa leitura *-*'

Abri os olhos, aos olhar em volta percebo que estou em um quarto de hospital, uma janela me dava vista para a paisagem fora do cômodo, era uma noite estrelada e a lua estava em seu estado minguante, senti um latejar na barriga, olhando para baixo, minha perna estava enfaixada na coxa, ninguém estava no quarto, revirei as minhas ultimas memórias, lembrando-me do acidente na quadra de basquete, minha preocupação foi direto para Kuroko, como por instinto gritei:

– KUROKO! – Tentei me levantar, sentindo minha perna latejar, contrai-me pela dor mas ainda assim não desisti, fiquei de pé sentindo uma dor impressionante na perna. Apareceu uma enfermeira na porta, olhando surpresa para mim.

– O-O que você está fazendo? — Entrou apressada me obrigando a deitar novamente com dificuldade.

– Cadê o Kuroko? Ele está bem? E Midorima? Ele escapou? – Fiz um bombardeio de perguntas, sendo ignorado totalmente pela enfermeira, o que me fez ficar com raiva, uma veia saltou na minha testa. – Está surda?

– Eu escuto muito bem, não posso lhe dizer nada, porém, pela manhã o doutor chegará e então vai fornecer informações. – Pegou uma seringa no criado mudo, aplicando-a na minha veia. – E seu amigo está bem, agora apenas durma.

Senti uma calma impressionante, Meus batimentos cardíacos foram se acalmando, minhas pálpebras ficaram pesadas, um sono tomava conta de mim, usava todas as minhas forças para me manter acordado, porém após algum tempo não consegui resistir, cai em sono profundo.

–x-

Os raios solares em minhas pálpebras fizeram-me despertar, depois de alguns instantes me acostumei com a luz, sentei-me com dificuldade na cama, minha barriga latejou novamente, levei a mão até o local, ali havia bandagens, imaginei que tenha sido aqui que a bala me atingiu, olhei para o criado mudo e tinha flores em um vaso transparente, não reconheci qual era a espécie, mas era muito bonita.

Ouvi a porta se abrir com um rangido baixo, meu coração disparou com a esperança de ser Kuroko, mas logo minhas esperanças foram frustradas quando uma outra enfermeira adentrou o local com uma bandeja.

– Olá, já acordou? – Ofereceu-me um sorriso. – Irei falar para o doutor vir aqui, está bem?

– Pode ser... – Falei sem muita simpatia.

– Agora tome seu café da manhã. – Colocou a bandeja sobre mim, nela tinha alguns biscoitos, um pão com geleia que deveria ser de morango, e um copo com suco de laranja, meu estomago roncou, não tinha percebido que estava com fome. – Já estou indo, caso precise de algo é só apertar esse botão. – Indicou um botão ao lado da cama, sorrindo uma ultima vez se retirando em seguida.

Devorei aquela porção de comida, fiquei satisfeito, estava terminando de tomar o suco quando a porta foi aperta novamente, um homem velho e careca, usando um jaleco, imaginei que era o doutor que as enfermeiras citaram, ele abriu um sorriso fraco.

– Olá Kagami, sou o doutor Smith, como se sente esta manhã? – Perguntou com calma, olhando através da janela.

– Estou bem, apenas minha barriga dói um pouco... – Levei a mão no mesmo instante para o ferimento.

– Entendo... Um amigo seu está aqui para visitá-lo, ele se chama Kuroko se não me engano... – Fez uma expressão pensativa, meu coração disparou.

– Fale para ele entrar! – Falei de forma ansiosa.

– Está bem. – Foi até a porta e a abriu, chamou alguém do lado de fora, imaginei ser Kuroko meu coração martelava dentro do meu peito. Então ele apareceu na porta, trazendo mais daquelas flores, senti uma calma me invadir, finalmente ele estava aqui, ele abriu um sorriso, deixou as flores no criado mudo e sentou-se ao meu lado na cama.

– Como está? – Acariciou meu rosto.

– Bem e você? O que aconteceu? – Falei de forma apressada, quase me embolando com as palavras enquanto examinava seu corpo em busca de marcas e hematomas, não encontrando.

– Está tudo bem, ele fugiu e não fez nada comigo. – Tentou me acalmar, segurei sua mão.

– Muito tocante esse reencontro, mas vamos falar de coisas sérias agora. – O doutor que antes observava tudo com um sorriso, teve sua expressão transformada em uma que era muito séria.

– O que foi doutor? – Perguntei e vi Kuroko se contrair ao meu lado.

– Então Kagami. Você levou dois tiros, um deles, que o atingiu na barriga, por sorte não atingiu nenhum órgão vital, porém o outro... – Deixou a frase no ar.

– Fale logo doutor! – Estava com medo, porém tinha que enfrentar a realidade.

– O outro tiro, lhe atingiu na coxa e dilacerou seus músculos... – Suspirou e depois continuou. – Como conseqüência, além de uma cicatriz horrível, você não vai mais poder fazer grandes esforços, nem andar muito e nem praticar esportes. – Terminou e me encarou com intensidade, demorou um pouco para a minha ficha cair.

– E-Então... O B-Basquete... – Fiquei totalmente desolado, sabia o que estava para acontecer, porém não queria acreditar.

– Você terá que esquecer o basquete. – Suspirou pesadamente. – Agora irei deixá-los sozinhos. – Ouvi o rangido indicando que a porta foi fechada, olhei para o nada, sem saber o que fazer.

– Não... Tudo menos isso! – Midorima arrancou de mim a minha maior paixão, como posso viver sem jogar? Jogar é o que me deixa feliz, é o que me faz continuar, e sempre foi à resposta para meus problemas, não tinha nada pior do que perder isso é como se tirassem uma parte de mim!

– Desculpe Kagami! Tudo isso é por minha culpa... – Kuroko falou com a voz embarcada ao meu lado, ao olhá-lo ele estava chorando. – Se você não tivesse se jogado na minha frente... – Então vi, que basquete não era mais a única coisa que eu tinha na minha vida, nem a mais importante. Agora eu tenho Kuroko, se eu me machuquei para proteger o azulado isso me deixa feliz, mas ainda assim não faz a dor de perder o meu grande sonho sumir, porém a fez diminuir.

– Não fiquei assim, eu fico feliz por ter te salvado. – Sorri, acariciei seu rosto, aproximei-me dele e o beijei carinhosamente. – Não iria conseguir viver se não tivesse você comigo. – As lágrimas cessaram, e ele ficou com o rosto ruborizado.

– Mas... Você ama jogar... – Sua voz ainda estava embarcada.

– E eu te amo mais do que isso. – Selei nossos lábios novamente, ele se distanciou, me olhando nos olhos.

– M-Mas...

– Não tem mas Kuroko! Eu te amo e não tem mas e nem porém! – Abri um sorriso de forma forçada.

Ouvimos uma batida na porta, e logo após foi aberta.

– Deixe o paciente descansar, ele precisa disso. – Uma enfermeira informou, Kuroko me deu um ultimo beijo, sussurrou “Eu te amo” e se retirou junto com a enfermeira que nos olhava com nojo.

Ao ver a porta se fechar, desabei, deitei-me de novo os olhos marejados, tudo estava desmoronando, olhei para a minha coxa, as bandagens selavam o fim dos meus sonhos, e agora? O que serei sem jogar? Sem fazer a única coisa para que tenho talento? Não segurei as lágrimas, elas rolavam soltas, o Kagami que eu era antes de Kuroko riria da minha cara, dizendo que nunca se importaria com outra coisa sem ser o basquete e nunca se jogaria na frente de uma pessoa que estava prestes a morrer.

Realmente mudei muito, graças a Kuroko não sou mais um maldito filho da puta desgraçado e egoísta, porém todas as boas lembranças que tinha era de eu jogando basquete, meu mundo era isso, eu e uma bola, o barulho da bola batendo no chão, o som dos tênis deslizando, o desafio que era jogar contra grandes atletas, toda a emoção que tomava conta de mim quando estava jogando. Agora nunca mais poderei sentir isso, estou condenado a uma vida sem a coisa que por muito tempo foi minha única saída. Isso me dilacerava por dentro. Acabei adormecendo com o rosto ainda molhado de lágrimas.

Notas finais
Merece reviews? Um simples gostei já incentiva bastante :3 Beijos ♥'