Amor Universitário
22 Capítulo 21 - Tragédia eminente.
Notas iniciais
Abri os olhos lentamente, tentando me acostumar com a luminosidade, após um tempo finalmente consegui. Olhei para o lado e vi que Kuroko ainda dormia, fiquei ali, admirando-o com um sorriso bobo nos lábios, alias, qualquer coisa que se diz respeito a ele eu ajo como um bobo. Acho que finalmente conheci o amor, e foi ele que me mudou, antes eu era apenas mais um idiota valentão que queria que o mundo se desdobrasse ao meu favor e que tudo fosse da forma que eu queria e quando eu queria. Mas agora, deixei esse Kagami de lado, me tornei um novo homem, menos estúpido e mais maduro e tudo isso por conta dele.
Meu coração chega a se apertar quando penso em viver apenas mais um dia sem estar do lado dele. Kuroko se moveu, tirando-me dos meus devaneios, abriu aqueles lindos olhos azuis, encarando-me, abriu um sorriso em seguida.
– Bom dia. – Iniciou a conversa.
– Bom dia! – Respondi em um sussurro depositando um selinho em seus lábios.
– Agora é para sempre? – Perguntou em tom sério.
– Não. – Os olhos dele se arregalaram.
– C-Como não? – Tentou se afastar, o impedi.
– Não é para sempre! Entendeu? – As lagrimas brotavam em seus olhos.
– M-Mas... Você... Falou... Que... – Ele balançava a cabeça de um lado para o outro.
– Não é para sempre! Nada é para sempre, não te prometo que isso durará todo esse tempo, mas te garanto uma coisa, não vou te abandonar nunca mais e nada ficará entre nós. – Limpei as lágrimas que desciam pelo rosto do menor que abriu um sorriso.
– Era tudo o que eu queria ouvir! – Beijou-me carinhosamente enquanto acariciava meus cabelos.
– Vamos, temos que encarar mais um longo dia chato. – Dei um ultimo selinho antes de me levantar, puxando-o para fora da cama que resmungou.
– Realmente é necessário? – Fazia birra como uma criança.
– Vamos Kuroko! Nada de preguiça! – Fingi estar irritado.
– Está bem, está bem! – Abriu um sorriso me abraçando.
O conduzi até o banheiro, onde tomamos um banho rápido, estávamos atrasados para a aula e sinceramente, isso não me importava.
Ao sairmos do banheiro meu celular tocava, procurei-o incessantemente até finalmente o ver saindo do bolso de uma das minhas bermudas, atendi-o sem muita animação.
– Alô? – A voz de Aomine se fez presente do outro lado da linha.
– O que foi? – Isso realmente me deixa de mau humor.
– Vem aqui no hospital AGORA! – A ansiedade estava presente em sua voz.
– O que aconteceu? – Ouvi-lo daquele jeito estava me deixando impaciente.
– É a Momoi! Venha logo! – Desligou sem mais uma palavra.
Me vesti rapidamente, com qualquer roupa que achei pelo quarto, Kuroko apenas me observava confuso.
– Momoi está no hospital! Deve ser algo com o bebê! – Falei enquanto calçava um par de tênis.
– Vou com você! – Apressou-se a se vestir.
Depois de dez minutos já estávamos a caminho do hospital, fazendo o caminho que fiz diariamente quando Kuroko estava internado. Nós dois andávamos apressados, ao finalmente chegarmos ao prédio, entramos e na recepção Aomine e os pais de Momoi já nos esperavam.
– O que aconteceu? – Perguntei.
– A Momoi pirou de vez! – Aomine passava as mãos nervosamente no cabelo.
– Como assim? Explica direito! – Meu coração estava disparado.
– Ontem saiu o resultado do exame de DNA, iríamos abrir hoje na sua frente, porém ela não aguentou esperar e acabou abrindo, o resultado não foi o que ela queria, então hoje de manhã fui ao quarto dela para ver como ela estava, e me deparei com ela cheia de sangue, parece que ela tomou alguma coisa para tentar perder o bebê! – Aomine sentou-se em uma cadeira, escondendo o rosto nas mãos.
– E que resultado foi esse que a fez pirar? – Kuroko perguntou mantendo a indiferença, a mãe de Momoi entregou-me um papel enquanto tentava segurar o choro.
Olhei o papel, tinha um monte de coisas estranhas mas no final do mesmo estava escrito “Kagami não é o pai” aquilo me proporcionou um misto de emoções. Alivio por saber que não sou o pai, culpa por pensar em ficar feliz enquanto Momoi estava em uma cama de hospital, fiquei olhando para aquela folha com a boca entreaberta, Kuroko tentava tomar o papel das minhas mãos, até que finalmente conseguiu. Analisou rapidamente e depois entregou o mesmo papel de volta para a mãe de Momoi.
– Ela vai ficar bem? – Perguntei.
– Os médicos falaram que sim, mas pode ser que o bebê não fique tão bem assim. – Aomine continuou com a voz embargada. – Acho que eu posso ser o pai.
– Está bem, se você acha que é o pai, e foi provado que Kagami não é, por que o chamaram aqui? – Kuroko indagou.
– Porque Momoi quer vê-lo. – A mulher falou com a voz fraca.
– Mas não tem sentido nisso! – Kuroko argumentava, ele realmente tinha razão, se eu não sou o pai porque tenho que vê-la?
– Não custa nada ele ir lá conversar com ela! Ela esta descontrolada! Não quer ver ninguém, só fica gritando por você! Por favor, vá até o quarto dela e converse com ela. – O pai da rosada falou em tom de súplica.
– Mas... – Kuroko procurava mais argumentos, calando-se quando não tinha mais nenhum.
– Eu faço uma visita a ela, porém vai ser rápida e não a verei mais. Fui claro? – Falei firmemente.
– Obrigado! Você não sabe como é importante para nós! – O homem abraçou sua esposa com um sorriso fraco. – Aomine, mostre o quarto dela para ele. – Aomine se levantou em silencio e me guiou pelo corredor, parando em um dos quartos.
– Não a faça sofrer mais ainda. – Dirigiu-se a mim sem me encarar.
– Vou fazer o melhor que posso. – Abri a porta adentrando no quarto, Momoi estava deitada olhando fixamente algum ponto qualquer, deduzi que é pelos remédios ou pelo abalo mental.
– Olá Momoi... – Tentei soar o mais calmo e receptivo possível.
– Kagami! Você veio! – Um sorriso brotou no rosto dela. – Veio ver como está nosso filho?
– Momoi... Esse filho não é meu, você sabe disso... – Comecei organizando as palavras da melhor forma possível – Aomine acha que pode ser dele, ele é uma ótima pessoa vocês vão ser felizes, te garanto!
– M-Mas... Eu quero você Kagami! Quero criar esse filho com você! – Ela começou a se desesperar.
– Não adianta Momoi! Não vou ficar com você! Eu amo a outra pessoa, espero que entenda que nunca ficarei com você. – ME virei, segundo na maçaneta pronto para sair.
– Eu te garanto que posso ser melhor que ela! Eu posso te fazer feliz! – Ela gritava a essa altura, o que causou uma gargalhada de minha parte, virei para encará-la.
– Momoi, não é uma garota, mas sim um garoto! – Abri a porta e sai, ainda tentando conter o riso.
Fiz o caminho de volta até a recepção, todos me esperavam apreensivos, Aomine foi o primeiro a questionar.
– E então?
– Dei um choque de realidade nela. – Dei de ombros enquanto passava meu braço por cima dos ombros de Kuroko.
– E que choque foi esse? – A mãe de Momoi perguntou desconfiada.
– Que eu não poderia ficar com ela por que sou gay. – Dei um selinho no menor que corou. – Agora estou indo, espero que você e ela sejam muito felizes Aomine.
Sai andando deixando os pais de Momoi horrorizados e Aomine com uma expressão raivosa, ele parecia um cachorro com raiva, pensei que ele me morderia, abri um sorriso enquanto Kuroko me xingava pela minha falta de delicadeza, ignorei totalmente esses insultos, fiz o que tinha que fazer e que se dane se fui grosso ou não!
Voltamos para a universidade, a essa altura as aulas já tinham acabado, sentamos no jardim e ficamos ali pelo resto do dia, nem percebemos Midorima nos observando com olhos maldosos, mal sabíamos quem tínhamos provocado.
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