Amor, Um Sentimento Confuso
34 Um lugarzinho no meio do nada!
Notas iniciais

Eu não conseguia acreditar no que estava vendo, realmente era uma moradia! A cada passo meu coração acelerava mais, ninguém falava, eu podia até imaginar o coração de todos, no mesmo ritmo acelerado do meu.
–Meu Deus, eu não acredito! – Exclamou Alaric quando estávamos a uns cem metros de distância da casa!
–Será que tem gente lá? – perguntou Edward colocando as mãos em cima dos olhos para poder enxergar no sol.
–Tem que ter! – Falou Jacob sorrindo animadamente.
Todos aceleraram os paços instantaneamente e nos aproximávamos cada vez mais, a esperança quase transbordava em meus olhos, eu precisava acreditar naquilo. Minha mãe sempre dizia que a fé move o mundo, eu precisava ter fé, precisava!
–Caraca velho! – Emmett gritou assim que paramos em frente à casa, não demorou muito para um casal moreno sair por afora, se entre olhando confusos.
–Quem são vocês? – perguntou o homem em uma voz cantada, repuxando um sotaque desconhecido por mim.
Eles tinham a pele de um tom amarronzado, a mulher tinha os cabelos negros e grossos presos em um rabo de cavalo, enfeitado com vários galhos e conchas do mar, já ele tinha o cabelo um pouco cumprido, até o ombro, negros e grossos também, seus olhares eram de assustados.
–Oi! – Alaric se prontificou – Nos perdemos no meio da mata, precisamos de ajuda e comida, vocês sabem chegar à cidade?
–Oh... Estão perdidos! Não é de duvida, floresta muito grande!
–Precisamos de ajuda, uma menina esta gravemente ferida! – Falando isso Jacob se aproximou com Ângela em seus braços.
–Cobra? – perguntou o suposto índio a nossa frente.
–Sim... – Suspirou Ângel desanimada.
–Venham, vamos entrar! – A mulher falou pela primeira vez.
Mas não entramos na casa, e sim demos volta nela, de lado pude ver o como ela era grande, se estendia por entre as árvores, e atrás podíamos ver uma trilha rodeada por mata, paramos atrás da casa, onde havia uma mesa pequena de pedra, rodeada por cinco bancos do mesmo material, ninguém esperou ser convidado e se jogou no chão, sentando, fazia muito tempo que caminhávamos.
–Vocês devem estar famintos, vou trazer algo para comer!
–E água, por favor! – pediu Emmett sorrindo alegremente para ela, qual assentiu e se foi para dentro da casa de madeira, coberta por folhas de alguma árvore bem forte.
Ela voltou com uma bacia de madeira, onde continha diversos tipos de sanduiches com recheios diferentes, todos saltaram sem cerimonia em direção a bacia, Emmett encheu suas mãos, até Alaric foi correndo pegar. Ângela foi colocada na mesa, sentada, enquanto o homem, Alaric e Jacob, qual comia e bebia água analisavam seu ferimento.
–Esta feio, precisa de remédio, mulher, tem aquele creme de dente de cascavel para a menina?
–Tem sim, vou pegar, alguém me ajuda a trazer mais? – Pediu ela sorrindo para nós, levantei e andei atrás dela.
Entrei na casa de madeira, era um ambiente muito bom, bem organizado, e em tudo que era lugar se encontravam coisas artesanais, a casa era artesanal, os únicos eletrônicos ali disponíveis era um pequeno rádio de pilha e uma geladeira.
–Aqui menina, leve para sua amiga! – disse ela sorrindo, me entregando um pote branco pequeno, sem rótulo enquanto ela pegava mais uma bacia de sanduiches.
Quando entreguei o potinho para Alaric ele sorriu para mim, entreguei em sua mão também um sanduiche, ele agradeceu confuso:
–Obrigado!
–De nada, coma, você precisa!
Sentei ao lado de Alice e Edward.
–Foi fazer um agrado para seu querido? – perguntou Edward em um tom extremamente bravo.
–Edward...
–Não venha se fazer de santa, eu sei que você da maior moral para ele!
–Meu deus Edward! – Sussurrei para ninguém ouvir – Você esta ficando maluco? Só pode né!
Ele fico ume silêncio, engraçado, quando esta tudo indo bem entre nós dois ele vem com essas crises idiotas de ciúmes, primeiramente, não somos nada, nem ¨ficantes¨, segundo, eu só entreguei um sanduiche para o Alaric, que mal havia nisso?
–É o seguinte pessoal, não tem como irmos até a cidade hoje, o ônibus passa uma vez por dia aqui, e ele já passou hoje, então amanhã vou até a cidade pedir ajuda para nós, ligar para a polícia de Forks e avisar onde estamos, ah e estamos bem longe de casa.
Todos começaram a falar rápido, querendo ir imediatamente para casa.
–Por que não podemos ir agora? Até a cidade? Andando? – perguntou Tanya esticando as pernas no chão de terra vermelha.
–Você se disponibilizaria a sair andando mais um trecho de umas três horas ainda hoje? – perguntou Alaric olhando para ela.
–Não, melhor não! – Negou ela se jogando para trás.
A noite começava a cair e uma dor de estômago me atingia, talvez fosse por eu ficar tanto tempo sem comer e então comer demais agora.
Uma luz foi acesa ali fora e o índio começou a falar conosco.
–Me espanto de saber que vocês conseguiram fiar vivos, todo esse tempo, perdidos no meio da mata!
–Foi bem difícil! – Exclamou Jacob sentando-se pela primeira vez, ao lado de Ângel, no banquinho.
–Alguns morreram! – Falou Alice com o semblante triste. Alaric abaixo sua cabeça e se distanciou de todos, percebi o como ele evitava falar naqueles que morreram.
–Não é de duvidar! Sentimos muito pelas perdas de vocês, mas logo estarão em suas casas!
–Como vocês conseguem viver aqui? No meio do nada? – perguntou Tanya.
–Gostamos daqui! – Respondeu a mulher – Aprendemos a viver no mato, nunca conseguimos nos acostumar com a cidade, só vamos lá quando o que temos aqui não é suficiente.
–Aqui ainda não pega área do celular! – Reclamou Emmett com o celular de Rosalie na mão – que foto maravilhosa rose, você esta...
–Cala boca Emmett Cullen, devolve meu celular, vai acabar a bateria assim, se ainda tem algo! – Rose estava brava, pegou o seu celular de capa rosa das mãos de Emmett e sentou-se no chão, esbravejando.
Emmett era absurdo, se não fosse ele para alegrar as pessoas ali presente, se não fosse ele para nos fazer sorrir, acho que tínhamos todos morrido de depressão, Emmett era o espírito feliz que nos colocava fé.
Levantei-me, depois e um tempo, quando as estrelas já ocupavam o céu e andei até a frente da casa, até o mar. Andei até onde a água vinha com as ondas, e sentei ali. Deixando meus pés se molharem, era tão melhor ficar sozinha por um tempo para pensar. Eu estava tão cansada e não conseguia acreditar que aqueles dias de tortura estavam acabando, só acreditaria que era o fim quando eu pudesse abraçar meus pais, sentir o cheiro deles, quando eu entrasse em minha casa novamente.
Ouvi passos se aproximando, imaginei ser Edward para se desculpar, mas não era.
–Feliz? – Indagou Alaric sentando-se ao meu lado.
–Ainda não! – Falei sentindo as lágrimas escorrerem, só ai percebi que eu chorava.
–Por que esta chorando? – perguntou ele, tocando com seus dedos trêmulos meu rosto e secando as lágrimas que insistiam em fugir.
–Não sei, acho que ansiedade! – Falou sorrindo amarelo – E você, esta feliz?
–Não sei se um dia voltarei a ser feliz Isabella!
Olhei diretamente em seu rosto, sem entender.
–Não te entendo, estamos conseguindo sair daqui, por que fala assim?
–Doce Bella, tenho todas as mortes em minhas costas. Nunca vou esquecer disso tudo, se eu não tivesse tido essa ideia maluca de ir para aquela caverna! Não estaríamos aqui!
–Eu já falei para você não se culpar! – Coloquei minha mão em cima da dele, que estava apoiada em seu joelho – Acidentes acontecem Alaric, era para ser assim, sabe, não costumo falar muito em Deus, mas sei que, se existe um ser maior lá em cima – olhei para o céu e ele acompanhou meu olhar – Ele nos ajudou, e se ele escreveu assim, tudo isso deve servir de algo, ou servirá algum dia, eu aprendi tanta coisa nesse tempo.
–Deus nos mandou um aprendizado de uma forma meio estranha não acha! – Acrescentou ele um tanto irônico.
–Não fale assim!
–Sinto muito Isabella! Acho que nunca mais vou dar aula, seus pais me odiarão eternamente! – ele começou a tremer e pude ver as lágrimas escorrerem por seu rosto, me doía ver aquela cena, ele não podia se culpar assim – E o pior é que não tem ninguém me esperando, se eu morresse nessa viajem, ninguém se preocuparia, não teria alguém nem para me enterrar!
–Não Alaric! – Pedi me inclinado em sua direção, ele abaixou o joelho e permitiu que eu o abraçasse, aos poucos ele foi passando os braços por cima de meu ombro, retribuindo e deixou-se desabar, chorou profundamente. Eu podia sentir suas lágrimas molhando meu rosto e pescoço.
–Esta tudo bem! – sussurrei em seu ouvido – Eu iria a seu enterro! – Falei tentando o descontrair!
Me afastei um pouco, olhando em seus olhos, então tudo aconteceu rapidamente, seus olhos sérios e tristes nos meu, seus lábios molhados e em uma linha rígida, sua barba por fazer, tudo me motivou e o beijei sem pensar, ele passou suas mãos por meus cabelos me apertando e retribuindo o beijo de forma feroz e com desejo. Meus sentidos gritavam, tudo gritava dentro de mim, mas não ouvi, apenas o beijei insanamente.
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