Amor Submerso

25 Capítulo 25: Debaixo da Água


Notas iniciais
Sem revisão nenhuma e novamente espero que entendam tudo o que aconteceu porque a primeira vez delas foi bem especial u.u

A casa de Dianna ficava na Vila dos Remédios, quase no lado contrário da ilha do Hotel. Apesar de tudo, nunca havia estado na casa de minha morena. Assim quando o carro parou enfrente a uma casa modesta e pintada de verde e branco um pequeno sorriso tomou meus lábios. Pedi para o taxista esperar um pouco já que tinha gasto todo o meu dinheiro no outro táxi. Fui até a porta e antes que minha mão fechada em punho batesse suavemente na porta de madeira, esta se abriu e mostrou uma Dianna com olhar preocupado.

-Foi tudo bem? – ela perguntou prontamente.

-Melhor do que eu esperava, não menos fácil – respondi e sorri para tranquiliza-la – Eu preciso de dinheiro emprestado para o táxi e...

-Pode deixar – Dianna avançou para o táxi pondo a mão no bolso da calça e o pagando rapidamente, quando ela voltou estacou no lugar – Vamos morar juntas?

Definitivamente esse era um passo muito grande em um relacionamento. Normalmente quando duas namoradas mudavam para o mesmo lugar era quase sinônimo de casamento. Apesar de tudo o que aconteceu, de termos encarado momentos inimagináveis, ainda assim não havia se passado nem um mês de namoro.

-Vemos isso com mais calma – disse para tranquiliza-la – Nathan já chegou? Ou aquelas duas causaram a terceira guerra mundial?

-Incrivelmente bastou ligar a televisão e as duas estão lá, discutindo sobre um filme de ação que está passando – Dianna explicou ficando mais perto, visivelmente mais relaxada – Vamos entrar, morando aqui ou não você vai passar muito mais tempo aqui.

Ela deu-me um beijo rápido antes de segurar minha mão e me puxar para dentro de sua casa. Não vou mentir e dizer que não fiquei impressionada, apesar de por fora parecer uma casa simples, por dentro era incrivelmente bem decorado. Mantinha-se um pouco do jogo de branco e verde nas paredes, mas ali parecia ter passado uma das melhores decoradoras. Tudo parecia estar no seu devido lugar perfeitamente planejado. A direita ficava a sala de estar com dois sofás de dois lugares, com mesa de centro e uma estante baixa para guardar o DVD e alguns itens enquanto logo acima embutido na parede estava à televisão. À esquerda sem nenhuma separação de parede estava a sala de jantar e a cozinha um pouco mais acima. Havia arranjo de flores, quadros de paisagem natural muito bem pintados e um aroma gostoso que eu não poderia discernir ainda o que era.

-Uau – foi à única coisa que consegui dizer.

-Lembra que eu contei que minha mãe gostava de desenhar? Ela era ótima com essas coisas de arrumação. Aprendi um pouco com ela – Dianna contou parando ao meu lado.

-Sua mãe parece ter sido uma mulher realmente incrível, de policial à uma mulher delicada – comentei prestando atenção nos detalhes do lugar.

-Sim, ela era – Dianna falou em um tom saudoso, mas com um sorriso orgulhoso – Apesar de ser quase uma ditadora junto a meu pai.

Ia comentar mais alguma coisa, mas Lynn notou minha presença e se aproximou prontamente. Scarlet continuou assistindo a televisão, provavelmente sabendo que ficaria entediada se viesse participar dessa conversa. Minha mãe veio verificar se tudo estava bem e devo dizer agora que era realmente estranho vê-la como humana, apesar de continuar sendo estupidamente linda. Tinha me acostumado com sua imagem de sereia. Fomos sentar nas cadeiras da mesa e eu contei as duas um pouco do que tinha acontecido com tia Rita, de como ela me entendeu e como ao mesmo tempo implorou para que eu desistisse de tudo para ficar com ela. Nathan chegou um pouco depois com um sorriso orgulhoso estampado, raramente ele sorria assim tão abertamente.

-Consegui fazer a transferência. Criei três cartões de crédito – ele falou tirando do bolso de sua bermuda três cartões de cor preta.

-Mentira, isso daqui é o Master Black Especial! – exclamei olhando para o cartão em minhas mãos. Era o tipo de cartão que só os milionários tinham.

-E aqui está a fatura – Nathan entregou para mim um pequeno papel amarelado.

-Deus do céu! – exclamei quase empalidecendo.

-O que tem? – Dianna inclinou em minha direção olhando para o papel, sua reação foi quase igual a minha – Acho que nunca vi tantos dígitos em minha vida!

-Porque a surpresa? – Scarlet comentou de lá da sala, olhando por sobre o sofá – O Povo Submerso é cheio de joias e pérolas raras. Coisa que os humanos valorizam bastante. Mas já que estamos com o dinheiro vamos fazer a coisa mais óbvia do mundo: compras!

-Acho que pela primeira vez estou concordando com você – Lynn comentou a contra gosto – Preciso de roupas humanas.

-Então acho melhor eu ir junto, antes que vocês briguem na frente dos humanos – Nathan fez uma careta de sofrimento.

-Meus pêsames – o perturbei com um sorriso debochado.

-Onde está Dante? – Nathan perguntou em um tom esperançoso.

-Foi fazer reconhecimento da área, desculpe querido peixinho, será meu novo escravo – Scarlet disse divertida e sempre com aquele tom superior, depois olhou para mim e Dianna – Se eu fosse vocês duas iria aproveitar, os próximos dias vão ser puxados e ficarão tão cansadas que não terão forças para curtir uma a outra.

Lancei um olhar para Dianna e ela sorriu, um daqueles sorrisos misteriosos que eu não poderia dizer as intenções por trás dele. Eles logo partiram, Nathan com um ar derrotado logo quando as duas começaram a discutir onde iriam fazer as compras primeiro. Dianna os acompanhou e quando fechou a porta a vi suspirar alto.

-Acho que acabaram os dias de silêncio – ela comentou se espreguiçando – Então minha sereia, o que vamos fazer?

Olhei para o relógio de ponteiros preso na parede da sala de jantar. Aquilo era tão raro, mas ao mesmo tempo parecia fazer parte da decoração. Era por volta das cinco horas, logo iria acontecer o pôr-do-sol. Levantei da cadeira e sorri grande com a minha ideia.

-Vamos para a Praia do Cachorro – chamei já indo para a porta.

-Nanda não estou nem de biquíni – Dianna hesitou.

-Quem disse que vai precisar?

Pisquei maliciosa para ela e a puxei para fora da casa, a esperando apenas trancar o lugar. Mas foi então que veio o primeiro impasse, começamos a andar pelas ruas da vila lado a lado, porém minha maior vontade era de segurar a mão dela e puxá-la para andarmos mais rápido. Minha mente ficou tão focada nisso, nessa vontade tão simplória de mostrar que estávamos juntas que quase tomei um susto quando Dianna pegou em minha mão.

-Todos já devem estar sabendo mesmo – ela explicou quando lhe lancei um olhar confuso – E se não estiverem, eu quero que saibam. Não vou ter mais vergonha do que fizemos, agora está tudo nos eixos certo, não é?

Sorri e apliquei um rápido beijo em sua bochecha. Eu não podia acreditar o quão boba eu estava só de estar andando de mãos dadas com a pessoa que eu amava, tão abertamente e sem preocupações. Não demorei em entrelaçar nossos dedos e de guia-la até a praia. Conversamos sobre a agitação da ilha, afinal já estávamos em fevereiro e isso significava mês de festa por causa do carnaval. Apesar de muitos preferirem ir até os blocos de rua que tinha em Natal, aconteciam ali algumas festas reservadas e privadas de algum ricaço que queria fazer seu próprio carnaval. Assim que chegamos a Praia do Cachorro fomos comer alguma coisa em uma barraca já que já passava do meio dia. A praia estava movimentada, mas assim que terminamos de almoçar fui até uma cabana que conhecia bem.

-Dona Íris! – cumprimentei a senhora que estava atrás do balcão principal.

-Menina Nanda! – ela sorriu grande quando me viu – Pensei que tinha esquecido essa pobre velha aqui.

-Jamais esqueceria uma senhora tão charmosa e linda, é quase um pecado – disse em tom de gracejo.

Dona Íris era dona daquela barraca desde sempre. Quando criança sempre deixava que eu e Eric ficássemos por perto brincando e tomando água de coco. Ela era uma mulher negra de baixa estatura, os cabelos grisalhos e o sorriso ainda com todos os dentes apesar da idade. Era uma mulher cheia de histórias e lendas para contar, além de uma simpatia natural que parecia garantir fieis clientes.

-Soube que andou aprontando bastante – a senhora falou olhando para Dianna ao meu lado.

-Sabe como é quando o amor vem, não tem discernimento do momento certo, mas pelo menos no meu caso acertou em cheio na pessoa – disse em um tom espontaneamente apaixonado, não iria mais deixar que a culpa de Eric tirasse a beleza do que estava acontecendo comigo – O que me lembra que tenho um pedido para fazer.

-Se a menina está feliz então isso que importa – Dona Íris abriu um largo sorriso – O que deseja criança?

-Teria como impedir alguns turistas de irem até o Buraco do Galego? – pedi dando o meu melhor olhar implorativo – Só por algum tempo, eu prometo!

-No máximo duas horas, é o que eu consigo, ainda mais que é horário de almoço. Se comportem mocinhas! E você Dianna, cuide bem dessa dai, ela pode dar um pouco de trabalho mas tem um bom coração.

-Pode deixar Dona Íris – Dianna finalmente se pronunciou.

Revirei os olhos e puxei a mão de Dianna em uma animação evidente. Estava quase correndo pela praia e felizmente Dianna acompanhava-me sem reclamar, apesar de ter um olhar curioso para mim e para onde íamos. Quando finalmente entendeu o que era o Buraco do Galego ela riu e diminuiu o passo.

-Você é mais esperta do que eu pensava – ela comentou olhando para a formação da piscina natural em volta de pedras – Na praia em plena luz do dia e ainda assim conseguindo um lugar só para nós duas.

-Tem coisa melhor? – sorri para ela travessa.

Dessa vez avançamos com mais calma, passando pela formação de pedras até chegar ao buraco onde havia água translucida e bem limpa. Aquele ponto era um dos favoritos de todo mundo que vinha em Fernando de Noronha, alguns se arriscavam a subir a pequena elevação que tinha perto do buraco e saltar para dentro. Apesar de não aparentar aquele poço era bastante fundo. Assim que chegamos não demorei em começar a tirar a roupa, Dianna olhou-me incrédula.

-O que está fazendo?! – ela perguntou em tom surpreso.

-Não é obvio? – a olhei divertida – Não vim até aqui para não entrar na água.

-Alguém pode vir aqui!

-Dona Íris está nos dando cobertura. Para ter um controle de pessoas que vem até aqui e não acabar superlotando esse ponto, então há uma tradição de se vir aqui apenas se passar na cabana da Íris.

Ela ainda olhou-me desconfiada. Terminei de tirar minha roupa sem cerimônias ficando apenas com uma calcinha e sutiã de cor preta. Saltei para dentro do enorme buraco jogando água para todos os lados sem me importar. Lá dentro, sentir o contato com a água, a falta de ondas e o ambiente limpo me deixou tão tranquila que quando emergir estava sorrindo feito boba... Até ver Dianna tirando a roupa. Meu sorriso morreu prontamente para ser substituído por um olhar fixado em cada movimento que ela fazia. A morena estava de costas, terminando de tirar a blusa e logo levando as mãos para o shortinho que usava. Vê-la balançar o quadril de um lado para o outro só para ajudar a descer aquela peça. Mordi o meu lábio inconscientemente enquanto observava cada curva daquele corpo moreno, notando como o conjunto vermelho da roupa íntima dela era perfeito para provocar-me mais ainda. Dianna virou o corpo e corou assim que notou o meu olhar sobre ela, não o desviei apesar de saber que tinha ficado sem jeito.

-Venha – chamei jogando um pouco de água nela.

-A água está gelada! – ela reclamou cruzando os braços.

-Se não vier eu vou te buscar da pior forma possível – ameacei arqueando uma sobrancelha.

Dianna bufou e pulou para dentro com graciosidade. Não demorou a emergir e fazer uma careta com a água que realmente estava fria, mas era ainda mais interessante por fazer a pele dela arrepiar-se tão visivelmente. Ela passou a mão pelo cabelo tirando os fios cacheados de seu rosto, não resisti mais em nadar para bem perto dela e puxá-la pela cintura para que ficasse quase com o corpo colado no meu.

-Pode deixar que eu te esquento – falei em um tom baixo e sinuoso.

-Não duvido muito disso – Dianna sorriu e passou um braço por sobre meu ombro – Mas sinto que estou em desvantagem de território.

-Definitivamente está – ri baixo e de forma boba rocei meu nariz no dela em um beijo de esquimó – Mas isso não é nada ruim.

Em um impulso a puxei para baixo nos fazendo mergulhar. Dianna ficou surpresa, mas antes mesmo que reagisse eu a beijei. Desde que os treinos haviam começado, algumas coisas aconteciam mais fáceis. A conexão com a água acontecia quase de forma natural, fazer com que nossos corpos se mantivessem flutuando bem no meio da água era um truque que eu não precisava me concentrar demais. Aquele beijo debaixo da água foi completamente sensual, sem pudores, mas lento em cada movimento de lábios ou língua, cada mordida ou sugada. O corpo dela estava colado no meu, um braço envolvendo meu pescoço enquanto a outra mão estava pousada em minhas costas. Eu? A abraçava apertado, apenas concentrada naquele beijo longo e enlouquecedor. Porém logo o ar de Dianna começou a faltar, ela separou nossas bocas e olhou para cima. Em poucos movimentos e sem afastá-la de mim fiz com que subíssemos para que ela tomasse ar.

-As vantagens de namorar uma sereia – Dianna riu com um brilho lindo nos olhos – Minha sereia.

-Eu achava brega quando você me chamou assim, mas quando você fala assim até que eu gosto – brinquei e ri mais ainda – Não é “bonequinha”?

Dianna jogou água em mim assim que eu a chamei do jeito que Eric fazia, sempre parecia a coisa mais brega e antiquada quando ele falava. E o melhor? Fazer aquela brincadeira não nos deixou em um clima tenso, apenas fez com que uma guerra de água começasse. Eu amava isso no nosso relacionamento, podíamos estar em um clima e mudar para outro sem maiores problemas. Mas não demorou em que eu fizesse uma verdadeira onda empurrasse Dianna contra a parede de pedra mais lisa que tinha.

-Isso é jogo sujo! – ela reclamou depois de tirar o excesso de água dos olhos.

-Meu território – declarei enquanto avançava rapidamente, segurei os pulsos dela e os prendi contra a rocha a dominando – Minhas vantagens.

-Ainda sabe que vou me vingar pelo que aconteceu no navio, não é? – Dianna não lutava, mas encarava-me com altivez.

-Estarei esperando.

Aproximei dela perigosamente, deixando minha boca a milímetros da de Dianna. Nossas respirações se misturavam, o clima estava carregado com nossa química. O desejo se fazia presente apenas com isso, uma próxima da outra, querendo mais que tudo aquele beijo prometido e não cumprido. Dianna foi a primeira a desistir, em um baixo gemido ela quebrou a distância de nossos lábios em um beijo faminto, voraz. A boca pressionava a minha sem medir forças, havia urgência em cada toque, uma necessidade de suprir toda a nossa vontade uma da outra, de provar ainda mais daquele sabor só nosso. Ela tentou soltar as mãos, mas eu a segurei com força ao mesmo tempo em que pressionava meu corpo contra o dela. Meu fluxo ficou absurdamente rápido e intenso, foi impossível impedir que pequenas e suaves cargas de energia passassem de mim para ela. Dianna gemeu alto e abafado contra minha boca, tremeu o corpo por completo e prendeu as pernas ao redor de meu quadril e cintura passando a me apertar entre suas coxas. Eu podia escutar o coração dela batendo tão forte quanto o meu, tão alto que parecia estar ao lado de meu ouvido. Meus sentidos aguçados pareciam intensificar qualquer simples roçar, qualquer toque ou gemido. Era como uma troca equivalente, enquanto ela se desvanecia com o prazer que minha energia e toque davam, meu corpo sensível recebia cada reação com mais intensidade que o normal. E esse era apenas um beijo.

-Ar – Dianna murmurou rouca separando nossos lábios – Preciso de ar.

-Eu preciso de você – respondi enervada pelo desejo.

Sem conseguir parar mais, levei minha boca até o pescoço dela primeiro roçando os lábios em um lento toque, às vezes tocando com a ponta de minha língua experimentando o sabor salgado da água em sua pele. Porém quando minha boca pousou entreaberta na pele, o chupão não foi gentil, mas sim longo e forte o suficiente para deixar uma marca que iria perdurar por um longo tempo. Novamente um pouco de energia escapou e dessa vez não tive forças para segurar as mãos de Dianna, ela soltou-se e cravou suas unhas em minhas costas enquanto pendia a cabeça para trás para gemer em um prazer intenso. Apoiei minha mão na pedra e em um impulso novamente fiz com que nossos corpos mergulhassem até próximo do fundo arenoso. Encostei minha testa na dela permitindo que Dianna respirasse debaixo da água, minhas mãos escorregavam pelas costas dela até abrirem o sutiã e com delicadeza o retirar. Dianna fez o mesmo comigo e sem pudores nenhum terminamos de nos despir permitindo que as roupas íntimas flutuassem para cima. Segurei na cintura dela e gentilmente a afastei de meu corpo para olhá-la.

Minha visão era perfeita debaixo da água e o que estava vislumbrando era provavelmente o ser mais belo que já tinha visto. Naquele momento nada se comparava a Dianna, nem mesmo minha mãe. Seu corpo nu era banhado pela luz solar que penetrava a água em um efeito diferente. O cabelo cacheado flutuava ao seu redor e os olhos verdes também pareciam me devorar, olhar cada pedaço meu. O desejo refletido ali apenas me fazia sentir mais quente a tal ponto de sentir a luxúria ferver por minhas veias em conjunto ao meu fluxo. Puxei seu corpo novamente deixando que se encaixasse perfeitamente no meu, nossas pernas entrelaçadas, quadris e seios pressionados. Como duas coisas magnetizadas nossas bocas se encontraram em um beijo intenso e avassalador o suficiente para varrer qualquer pensamento de minha mente. Eu só podia sentir, sentir aquela pele macia contra a minha, aquela língua envolvendo e brigando por controle. Era tudo tão intenso, tão devastador que não havia maior proposito em minha vida além de dar prazer a minha mulher, a minha morena.

Em uma harmonia nossas mãos começaram a passear explorando o corpo uma da outra, tocando, moldando, arranhando. O beijo não parava, era impensável romper aquele frenesi que tínhamos ao nos beijar. O tempo, o mundo, tudo havia parado, não havia necessidade de saber o que era certo ou o que era errado, o que estava encima ou embaixo. Estávamos na água, flutuando entre o chão de areia e a superfície da água. Em um momento minhas mãos subiram das coxas de Dianna até seu bumbum para apertar com um gosto tão grande que mais energia havia escapado. Ela separou os lábios dos meus e gemeu tanto em pensamento quanto embaixo da água fazendo com que bolhas de ar escapassem de sua boca. Mas foi apenas assim que eu pude abrir meus olhos e perceber que minhas tatuagens estavam ali, cobrindo o meu corpo e denunciando como estava poderosa naquele momento.

“Não... Não vale” – Dianna tentou falar em pensamentos – “Irá me fazer chegar rápido demais e não irá junto”

“Você não entendeu” – a fitei com intensidade, meu rosto tão próximo que nossos narizes quase se tocavam – “Se estou assim, é porque estou perto de perder o controle, eu... Eu mal consigo manter os pensamentos coerentes... Deixe-me amar você, deixe-me te fazer minha eu vou...”

Meus pensamentos se quebraram, era difícil como eu havia dito. Então eu deixei que as imagens falassem por mim. Mostrei a ela como eu queria tocá-la e como resultado Dianna gemeu novamente e estremeceu como se eu realmente a estivesse tocando. Não era mais preciso pensar ou cogitar, apenas fazer. Movi nossos corpos para que eu sentisse a sensação de que estava por cima dela. Levei meus lábios para baixo, fitando aqueles seios que desde o inicio haviam chamado minha atenção. Não resisti a passar a língua lentamente em um mamilo ao mesmo tempo em que propositalmente deixava que um pouco de energia escapar. Dianna curvou o corpo com o prazer que transpassou seu corpo, agarrou meu cabelo e pressionou minha cabeça contra seu seio exigindo mais. E eu daria, faria com que ela sentisse um prazer que nunca esqueceria e que nunca encontraria com outra pessoa que não fosse eu. Ela estava certa, aquele era o meu domínio, onde meus sentidos estavam mais apurados assim como minhas habilidades físicas. Em nossa primeira vez faria Dianna tão minha que se tornaria um vício.

Ergui meu olhar com a mais pura malícia, os pensamentos de posse se mesclando com aquela forte vontade de dar a minha garota o mais puro deleite do prazer. Então eu a obedeci, abocanhei seu seio e o suguei de um jeito demorado enquanto uma de minhas mãos dirigia-se para o outro para massagear. Não queria tortura-la, não era necessário afinal de contas. Deslizei minha outra mão em direção ao seu sexo, deixando que meus dedos roçassem em sua pele denunciando a minha intensão. Toquei-lhe o clitóris em uma lenta massagem circular, deixando escapar novamente aquela conexão de energia. Dianna puxou meu cabelo e arranhou um pouco minha cintura deixando marcas vermelhas em minha pele branca. Gemi contra o seu seio, meu tato tão sensível transmitiu a dor e pareceu triplicar o prazer. Aquilo foi o suficiente para que meu pouco controle sumisse por um tempo, fazendo-me agir por instinto quando deslizei meus dedos até o centro de seu sexo e penetrá-la com dois dedos por completo em um único movimento. Rapidamente tornei meu olhar para ela em um medo de que a tivesse machucado, mas tudo o que eu vi foi uma linda expressão de prazer e o corpo dela estremecer forte. Ela estava tão excitada e apertada por dentro, totalmente pronta para ser tomada na medida em que eu quisesse.

Não me refreei mais. Levei minha mão livre para a nuca dela para segurá-la perto de mim já que estávamos flutuando na água. Minha boca exigiu um beijo veemente, cheio de volúpia e urgência. As pernas dela se prenderam em minha cintura, Dianna arranhava meu corpo, apertava e gemia contra minha boca enquanto a penetrava desde o inicio em um ritmo rápido. Porém quando ousei aplicar um impulso mais forte, Dianna jogou a cabeça para trás e gemeu espalhando várias bolhas de ar denunciando um longo e forte gemido. Acrescentei mais um dedo e sorri perversa ao aumentar ainda mais o ritmo. Minha mão não cansava, não ali debaixo da água, o que tornava os movimentos frenéticos, únicos e sem necessidade de pausas. Quando a senti perto do orgasmo mudei o ritmo, puxei meus dedos quase todos para fora e a penetrei com certa força, mas a estocada foi acompanhada de uma descarga proposital de energia. Eu tive certeza de que ela tinha gritado. Dianna abraçou-me com tanta força que poderia sentir meus ossos reclamando. Seu coração disparava em um ritmo que ecoava por todos os lados debaixo da água. Sua respiração era desregular e seu corpo retesou, mas foi sua expressão que mais me encantou e tomou minha mente. Mesmo ali debaixo da água pude senti o gozo dela escorrendo por meus dedos.

“Dianna?” – chamei hesitante, ela estava em silêncio, porém assim que escutou-me lançou um olhar que ainda continha todo o prazer estampado – “Ainda não acabou”.

Ela arregalou os olhos e eu sorri divertida. Não, ainda não havia acabado. Girei novamente nossos corpos e com toda a paciência e delicadeza ajeitei um corpo no outro. Nossas pernas entrelaçadas de forma a deixar nossos sexos colados. Dianna mordeu o lábio com força, mas eu podia praticamente sentir a onda de desejo e prazer crescendo novamente dentro dela. No primeiro roçar nossos clitóris se encontraram, mesmo sem a interferência da energia o prazer foi tão grande que nós duas gememos em uníssono. Levei minhas mãos para a cintura dela para fazê-la se movimentar, mas Dianna as afastou e empurrou meu corpo até senti minhas costas encontrarem com a areia. Ela tomou a iniciativa de sentar sobre meu ventre e por uma de minhas pernas sobre a sua para quando ela deslizasse para baixo nossos sexos se encontrassem perfeitamente. E ao fazer isso, novamente aquela sensação de prazer rasgando nossos corpos deliciosamente. Uma das mãos dela se apoiaram em meu ombro enquanto a outra segurava minha cintura, Dianna impulsionou o corpo deslizando de baixo para cima, rebolou e pressionou com força. Meus olhos se fecharam com força, dessa vez era meu corpo que contorcia em uma explosão indescritível de prazer. Mais um movimento, mais um pressionar gostoso e eu estava fora de mim. Minhas mãos agarraram o bumbum dela, apertaram e forçaram para que Dianna movimentasse mais rápido. Quando ela obedeceu o prazer foi tão grande que outra onda de energia escapou e a tomou em uma tormenta só nossa. Isso foi suficiente para que ela perdesse o controle e deixasse que o corpo se movesse livremente. Com o resto de capacidade que eu tinha, a cada movimento deixava escapar um pouco de energia dando um prazer tão absurdo que a senti gozar enquanto ainda se remexia sobre mim.

Não demorou para que meu próprio orgasmo viesse, tão poderoso e onipotente que parecia atingir cada célula de meu ser e embalar minha alma em um vendaval sem fim de sensações que mal poderia começar a descrever. Gritei debaixo da água e senti um terceiro orgasmo de Dianna se mesclando com o meu. As forças dela estavam esgotadas, quando a vi afastando o corpo do meu por simplesmente flutuar na água impulsionei meu corpo para cima e a abracei. Deixei que subíssemos seguindo a gravidade natural que nos levava para o alto. Assim que emergimos Dianna buscou ar mostrando o quanto ainda estava abalada e perdida no prazer que eu havia dado.

-Acho que morri – ela murmurou deitando a cabeça em meu ombro.

-Acho que aqui é o paraíso, mas não morremos... Ainda – sussurrei em seu ouvido com carinho.

-Isso... Isso... Deus, não consigo encontrar nenhuma palavra! Eu ainda estou tremendo como se tivesse ainda em meu momento de êxtase – Dianna falava com a voz falha e bem lentamente.

-Não precisamos nominar o que só pode ser sentido meu amor – sorri completamente boba – Mas foi com certeza o melhor de todos, sempre vai ser.

Senti um beijo carinhoso em meu ombro. Ficamos ali por mais dez minutos para nos recuperarmos. Ainda assim, quando saímos do Buraco do Galego as pernas de Dianna tremiam e eu a fiz montar em minhas costas. Estava sorrindo toda boba e extremamente contente, a felicidade parecia transbordar de todos os meus poros.

-Se um dia formos morarmos juntas – Dianna falou ao pé de meu ouvido enquanto eu me aproximava da cabana de Dona Íris – Nossa casa terá uma piscina interna.

Um riso alto escapou de meus lábios que foi acompanhado pelo de Dianna, ela me abraçou com mais carinho. Meu sorriso se tornou imortal por todo o caminho, não desapareceu de forma alguma e muito menos almejava por isso.

Notas finais
Mas notícias, os capítulos que eu já tinha feito finalmente acabaram. Ou seja, a partir de agora vai demorar um pouco pra eu postar, não tanto, mas nào vai ser todo dia.