Amor Sublime
4 Capítulo 4 — A Cópia e o Caos
Notas iniciais
O homem que atravessou o umbral não era o Edward. Ele era mais velho, com uma elegância que parecia vir de outra época, mas seus ombros carregavam um peso que nem o corte impecável do seu terno conseguia esconder. Ele se aproximou com um sorriso melancólico e estendeu a mão.
Quando nossas peles se tocaram, um choque de estranheza e familiaridade me percorreu. A mão dele era firme, mas a pele tinha a textura de papel antigo. Ele devia ter sido um homem deslumbrante na juventude; agora, o cabelo loiro dava lugar ao grisalho e olheiras profundas marcavam seu rosto, como se ele não soubesse o que era uma noite de sono há décadas.
— Estou muito feliz em vê-la, Renesmee — disse ele, a voz aveludada e mansa.
Meu estômago deu um solavanco de repulsa. Feliz? Como ele tinha coragem de dizer isso cercado por tanta opulência, enquanto eu via minha mãe contar moedas para o jantar?
— Nessie. Me chame apenas de Nessie — corrigi, minha voz saindo mais rouca e agressiva do que eu pretendia. Eu não queria que ele usasse o nome que minha mãe escolheu com tanto carinho.
O homem parou, examinando meu rosto com uma intensidade desconcertante. Parecia um náufrago vendo terra firme pela primeira vez em anos.
— Você se parece tanto com ele... — ele sussurrou, e houve uma dor tão crua naquele tom que eu quase dei um passo atrás.
— E você seria...? — perguntei, cruzando os braços e tentando manter minha impaciência como um escudo. Eu nunca tinha visto uma foto sequer da família Cullen. Para mim, eles eram apenas sombras.
— Desculpe, querida. — Ele piscou, como se estivesse acordando de um transe. — Eu sou Carlisle Cullen. Seu avô.
— Ah. — O impacto da palavra "avô" foi como um soco. — Me desculpa. Eu não...
— É claro que não se lembraria. Passaram-se muitos anos — ele disse, e a tristeza em seus olhos era quase palpável.
— Quinze anos, para ser exata — retruquei. Eu não ia facilitar para ele. Eu não era uma visita de cortesia; eu era a prova viva do tempo que eles desperdiçaram.
— Deixe-me ajudá-la com as malas. — Carlisle não esperou minha resposta. Ele pegou meu peso de bagagem com uma facilidade surpreendente e começou a caminhar para dentro da casa.
Eu o segui, sentindo um vazio estranho no peito. No fundo, uma parte de mim — a parte que eu odiava — esperava um abraço, um pedido de desculpas dramático, qualquer coisa que confirmasse que eu tinha importância. Mas a recepção foi contida, quase clínica. Carlisle parecia exausto demais para emoções transbordantes.
O interior da casa era um insulto de tão lindo. Tudo era claro, iluminado por janelas imensas que traziam a floresta para dentro das salas. O primeiro cômodo tinha sofás cinzas que pareciam custar mais que o nosso carro, e no lugar de uma TV, havia uma lareira de pedra cercada por quadros de arte clássica.
Carlisle seguiu por um corredor mais silencioso, onde a luz natural começava a perder a força. Ele parou diante da última porta e colocou minhas malas no chão. Ele se virou para mim, e pela primeira vez, vi um lampejo de hesitação em seu rosto.
— Você está preparada para vê-lo? — ele perguntou, a voz baixa, quase um aviso.
— Sim — respondi, forçando meu tom a soar neutro. Eu tinha vindo para isso. Eu queria olhar nos olhos do homem que nos deixou e dizer o quanto ele era insignificante.
Carlisle abriu a porta. Uma luz branca e forte inundou o corredor, e o cheiro... o cheiro não era de perfume caro ou de floresta. Era o cheiro de antisséptico, remédios e hospital. Meus pés travaram por um segundo, mas forcei meus músculos a obedecerem.
O quarto era dividido em dois mundos. De um lado, o conforto de um quarto de luxo, com TV e móveis de design. Do outro, uma cama hospitalar, suportes de soro e prateleiras repletas de frascos de medicação.
E ali, em uma cadeira de rodas motorizada perto da janela, estava ele.
Edward.
Olhar para ele foi como olhar para uma versão distorcida do meu próprio reflexo. A cor do cabelo, o arco das sobrancelhas, o desenho exato dos lábios... éramos uma cópia perfeita. Mas enquanto eu transbordava vida e raiva, ele parecia uma estátua de mármore. Ele estava paralisado. Seus olhos encontraram os meus, e houve um brilho súbito ali — algo entre o terror e a adoração.
— Pai? — A palavra escapou da minha boca antes que eu pudesse contê-la. Não foi uma escolha; foi um reconhecimento involuntário do sangue que corria nas minhas veias.
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