Amor Sublime

5 Capítulo 5 — O Presente de um Fantasma


Notas iniciais
Oi, tudo bem? Seja bem-vindo a mais um capítulo. Gostaria de agradecer pelos comentários e pelo carinho de vocês e dizer que fico muito feliz em ler a perspectiva de vocês e todos os palpites. Só ressaltando que essa fanfic é uma short. Então os capítulos são pequenos mesmo e a quantidade também não será muito grande. MAS, ainda não estamos no fim! Tem muita coisa para acontecer.


Um sorriso frágil surgiu nos lábios dele ao ouvir minha voz. Por um segundo, senti o impulso de desmaiar ou de simplesmente cair no chão e chorar até perder o fôlego. Ver o estado dele me trouxe uma onda súbita de pena, mas o sentimento não durou. Logo em seguida, uma raiva que eu não conseguia descrever — quente, ácida e sufocante — tomou conta de cada fibra do meu corpo.

Não importava a cadeira motorizada, os aparelhos ou a fraqueza aparente. Nada justificava o abandono. Nada justificava o peso que minha mãe carregou sozinha.

— Você tem os olhos da sua mãe — Edward disse. Sua voz era baixa, um sussurro rouco que parecia vir de algum lugar muito profundo e dolorido.

Recuei instintivamente. Ouvir o som da voz dele era como ouvir um eco de um pesadelo. De perto, ele parecia ainda mais desgastado. A barba por fazer o deixava com um aspecto envelhecido, e rugas de cansaço se formavam ao redor dos olhos. Ele vestia roupas simples, uma camiseta escura e jeans, sem nenhum luxo que combinasse com a casa. Meus olhos caíram novamente sobre seus pulsos torcidos e as marcas de cirurgia em seus braços. Ele estava ali, fisicamente paralisado, mas a paralisia emocional que ele causou em nós era muito pior.

Houve um minuto de silêncio absoluto, interrompido apenas pelo zumbido dos aparelhos.

— Onde você colocou o presente? — Edward perguntou a Carlisle, os olhos fixos em mim, mas a voz direcionada ao pai. — Acho que estou vendo daqui.

Com um movimento lento do polegar, ele acionou o controle da cadeira e deslizou pela sala em direção ao armário. Eu estava em transe, tentando processar a imagem do homem que deveria ter sido meu herói e que agora era apenas um estranho em uma máquina. Lembrei-me do que vovô Charlie disse: existem coisas que ninguém consegue superar.

Carlisle caminhou até o armário e pegou uma caixa rosa. Tinha um laço branco impecável, mas o papel parecia ligeiramente desbotado, como se estivesse guardado há uma eternidade. Ele se aproximou e me estendeu o objeto com suas mãos enrugadas.

Peguei a caixa com relutância. O peso era leve demais. Quando abri, encontrei um bichinho de pelúcia — um urso macio, feito para uma criança pequena.

Aquilo foi a gota d'água. Foi o insulto final.

— Meu Deus... o que é isso? — Minha voz saiu trêmula, carregada de um desprezo que eu não conseguia mais conter.

Carlisle sorriu, um sorriso triste que tentava amenizar o golpe.

— Quando você era pequena, seu pai comprou este presente para você. Ele guardou todo esse tempo.

A caixa e o brinquedo escorregaram pelos meus dedos. O som da pelúcia batendo no chão pareceu um estrondo naquele quarto silencioso. Todos ficaram em choque.

— Vocês estão brincando comigo? — Minha voz subiu de tom, cortando o ar como uma lâmina.

— Se você quiser, eu posso guardar... — Carlisle tentou se aproximar, mas levantei as mãos, impedindo-o.

— Você acha que pode compensar quinze anos de ausência com a porcaria de um urso de pelúcia? — Gritei, a raiva transbordando. Peguei o objeto do chão e o atirei na direção da cadeira de Edward. — Eu tenho quinze anos! Eu não sou um bebê!

— Eu... eu não quis... — Edward começou a gaguejar, o rosto empalidecendo ainda mais.

— Se você se importasse comigo, teria entregado essa droga de presente quinze anos atrás! — Comecei a caminhar em direção a ele, meus pés pesados no carpete. — Eu esperei por você. Esperei por mim e pela minha mãe. Eu era a idiota que perguntava por você todos os dias, que chorava escondida na escola quando via meus amigos com os pais deles, achando que o problema era comigo!

Edward me olhava com um terror absoluto, como se minhas palavras estivessem atingindo sua pele fisicamente.

— Você teve todas as chances do mundo para fazer a coisa certa. Teve dinheiro, teve uma família, teve tudo! E não fez nada! — Eu estava agora a poucos centímetros dele, sentindo o cheiro de remédio que emanava de sua pele. — Eu odeio você, Edward! Eu odeio o que você fez com a gente!

— Renesmee! — Carlisle me segurou pelo braço, a voz firme agora, agindo para conter o incêndio. — Chega. É melhor você subir para o seu quarto. Agora.

Eu me soltei do toque dele, meu peito subindo e descendo com a respiração descontrolada. Olhei uma última vez para o homem na cadeira — aquele que deveria ser meu pai — e vi apenas um estranho quebrado que tentou me dar um brinquedo de criança para consertar um buraco que ele mesmo cavou.

Saí do quarto sem olhar para trás, deixando o silêncio e o urso de pelúcia caído no chão para trás.

Notas finais
Os comentários de vocês é o único contato que temos. Eu adoraria que vocês me dissessem qual é a sua impressão. Recomendem! Favoritem! ❤️