Amor Sublime
3 Capítulo 3 — O Castelo de Vidro
Notas iniciais
No fim, eu cedi. Minha mãe conseguiu me convencer a passar duas semanas com ele. O plano inicial era um encontro rápido, algo informal em um café qualquer, mas os Cullen — essa família que eu só conhecia por nomes sussurrados — insistiram que eu ficasse na casa de Edward. Eles queriam "recuperar o tempo perdido". Como se quinze anos pudessem ser embalados e devolvidos em catorze dias.
Enquanto eu terminava de organizar minha mochila, meu coração batia em um ritmo descompassado. Havia uma guerra civil dentro de mim. De um lado, a garota de quinze anos que sentia um gosto amargo na boca só de pensar no homem que nos deixou. Do outro, uma criança remanescente que, durante anos, procurou o rosto dele em cada homem alto que passava pela rua.
Eu sempre soube que não era totalmente parecida com a minha mãe. Minha personalidade era mais cortante, meu temperamento mais impaciente. Eu olhava no espelho e via traços que não vinham dela. Aos oito anos, eu não sabia como perguntar sobre isso sem fazê-la chorar, então eu fantasiava. No meu aniversário, eu olhava para os carros no estacionamento do restaurante e imaginava que um deles era o dele. Eu achava que ele estava por perto, vigiando, esperando o momento certo.
Eu estava errada. Ele nunca esteve lá. E agora, o dia de encarar essa fantasia desfeita havia chegado.
— Suas malas estão prontas? — Minha mãe apareceu na porta. Ela torcia as mãos nervosamente, um gesto que denunciava que ela estava tão aterrorizada quanto eu.
— Só falta meu tênis. Não consigo achar em lugar nenhum nesse caos de caixas — respondi, mergulhando debaixo da cama mais uma vez.
— Estão lá embaixo, filha. Eu os lavei ontem... estavam imundos da lama da mudança.
— Tudo bem — suspirei, saindo debaixo da cama. Aquele pequeno gesto dela — lavar meus tênis velhos para que eu parecesse "apresentável" para o homem que nos esqueceu — partiu meu coração em mil pedaços.
Quando descemos, um carro preto, longo e brilhante já nos esperava diante da nossa varanda descascada. Eu esperava um táxi, talvez um SUV comum. Mas o que estava ali era um veículo moderno, luxuoso, que parecia deslocado naquela rua de casas simples. O motorista desceu em silêncio, pegando minha mala com uma eficiência robótica.
Minhas pernas tremiam tanto que eu temia cair antes de chegar ao carro.
— Me manda uma mensagem assim que chegar? Por favor? — Bella pediu. Seus olhos estavam marejados, e a culpa que ela carregava parecia ter dobrado de tamanho.
— Pode deixar, mãe. Eu te amo — eu a abracei com força, querendo levar o cheiro dela comigo para aquele território hostil.
— Eu também te amo, minha filha.
O carro começou a se mover e eu vi a silhueta da minha mãe diminuir pelo vidro traseiro até sumir na neblina de Forks. Minhas mãos suavam. Eu não conhecia bem a cidade, mas percebi que estávamos deixando o centro para trás. A paisagem foi se tornando um borrão de verde profundo, as árvores ficando mais densas e altas, como se estivessem nos engolindo.
O motorista entrou por uma estrada estreita e particular, atravessando um campo florido que parecia saído de um quadro, até que parou.
Eu prendi a respiração. Diante de mim, erguia-se uma casa branca enorme. Três andares de vidro e madeira nobre, com uma varanda larga que envolvia toda a fachada. Parecia um castelo escondido na floresta.
Desci do carro e fiquei paralisada, sentindo uma onda de raiva puríssima subir pela minha garganta. Aquela casa, aquele luxo... tudo aquilo existia enquanto minha mãe contava moedas para pagar o aluguel? Enquanto comíamos pizza barata a semana toda porque o cartão não passava? Cada centímetro daquela opulência era um insulto aos anos que passamos sozinhas.
Eu estava pronta para gritar, pronta para exigir explicações, mas antes que eu pudesse processar qualquer emoção, a porta de entrada se abriu.
Um homem passou pelo umbral. Meu coração não apenas falhou uma batida; ele congelou.
Ali, sob a luz pálida de Forks, estava a versão masculina e mais velha do rosto que eu via no meu espelho todas as manhãs. Edward.
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