Amor Sublime

9 Capítulo 9 — Notas de Marfim e Poeira


Notas iniciais
Oi, tudo bem? Seja bem-vindo a mais um capítulo. A continuação da cena de Jacob e Renesmee aparecerá na história que farei separado sobre eles !!


Voltei para a mansão quando os primeiros raios de sol começavam a filtrar pela neblina de Forks. A noite com Jacob tinha sido um borrão de vento no rosto e conversas que pareciam mais reais do que qualquer coisa naquela casa, mas, ao cruzar o umbral, o silêncio sepulcral dos Cullen me engoliu novamente. Imaginei que Carlisle e Edward ainda estivessem mergulhados em seus próprios mundos, mas, antes que eu pudesse subir para o meu quarto, algo me parou.

Uma porta no primeiro andar estava entreaberta. Um convite silencioso.

Meus pés se moveram por instinto. Empurrei a fresta e perdi o fôlego. No centro do cômodo, banhado por uma luz pálida, repousava um piano de cauda branco. Eu não entendia nada de fabricação de instrumentos, mas era óbvio que aquela peça era uma raridade, uma relíquia de uma beleza gélida que parecia deslocada no tempo.

Caminhei até ele como se estivesse em transe. O piano estava coberto por uma fina camada de poeira, como se o tempo tivesse parado naquele quarto. De repente, fui transportada para os meus nove anos, quando vovô Charlie me levou ao meu primeiro concerto. Lembrei da obsessão que tomou conta de mim, da forma como implorei à minha mãe por aulas, e do sacrifício que ela fez — economizando cada centavo por meses — para me dar um piano de segunda mão, velho e com as teclas amareladas.

Bella tinha uma música favorita. Ela dizia que aquela melodia a fazia sentir que tudo ficaria bem. Eu a tocava todas as noites, um ritual de gratidão pelo esforço dela.

Sem pensar, sentei-me no banco estofado e deixei meus dedos encontrarem o marfim das teclas. As primeiras notas de Clair de Lune ecoaram pela sala. A música começou melancólica, um choro contido que parecia dar voz a tudo o que eu vinha guardando desde que pisei em Forks. Era uma melodia deprimida, uma criança soluçando no escuro.

Não demorei a perceber que eu não era mais a única a chorar. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, caindo silenciosamente sobre o teclado, mas eu não parei. Fechei os olhos, deixando a música me levar para longe daquela casa e daquela dor.

— Essa era a música favorita da sua mãe.

A voz de Edward cortou o ar como um trovão suave.

Meus dedos congelaram sobre as teclas. Sequei o rosto às pressas com a manga do moletom, tentando recuperar o que restava da minha armadura antes de me virar. Edward estava parado na entrada, a cadeira motorizada posicionada no mesmo lugar onde o vi pela primeira vez. Mas seu olhar... seu olhar não era de um estranho. Ele parecia estar à beira do colapso, uma tristeza tão profunda em seus olhos que por um segundo eu esqueci de sentir raiva.

— O que você disse? — perguntei, minha voz saindo falha.

— Sua mãe... ela amava ouvir essa música — ele repetiu, aproximando a cadeira lentamente. O zumbido do motor parecia um ruído profano naquele santuário musical.

— Você tocava para ela, não era? — O pensamento me atingiu como um raio. A música favorita da minha mãe não era uma escolha aleatória; era uma memória dele.

Edward assentiu com um movimento curto de cabeça. Seus olhos caíram para as próprias mãos, que repousavam inúteis sobre o colo. Notei o pequeno tremor em seus dedos, os pulsos torcidos que nunca mais conseguiriam percorrer um teclado com a agilidade necessária para extrair aquela melodia. O piano estava empoeirado porque o dono não podia mais dar vida a ele.

O nó na minha garganta subiu, tornando-se quase sufocante. A imagem dele, o músico que Bella amou, agora preso em um corpo que se recusava a obedecer, era demais para processar.

— O que aconteceu com você? — As palavras saíram em um sussurro desesperado, desprovido de qualquer agressividade. Eu não queria brigar. Eu precisava saber.

Edward respirou fundo, um som arrastado que pareceu carregar o peso dos últimos quinze anos.

— É uma longa história, Renesmee — ele declarou, olhando-me nos olhos. — E eu acho que já passou da hora de você ouvi-la.

Notas finais
Os comentários de vocês é o único contato que temos e eu adoraria que vocês me dissessem qual é a sua impressão. ❤️ Recomendem! Favoritem a história!