Amor Sublime

10 Capítulo 10 — O Disparo que Parou o Tempo


Notas iniciais
Oi, tudo bem? Seja bem-vindo a mais um capítulo. Aproveitem !!


Edward moveu a cadeira para mais perto do piano, as rodas zumbindo no assoalho como um lamento. Seus lábios secos se abriram e fecharam várias vezes, buscando o ar ou a coragem, antes que as palavras finalmente transbordassem.

— Quando eu conheci sua mãe... — ele começou, e sua voz parecia viajar por um túnel de tempo — eu soube na mesma hora que ela era o amor da minha vida. Eu era um garoto tímido, apavorado com a ideia de falar com ela no colégio. Meu irmão, Emmett, vivia tirando sarro da minha covardia. Até que um dia, na aula de biologia, eu finalmente falei.

Um rastro de sorriso passou por seu rosto, uma sombra de quem ele foi um dia.

— Estudamos juntos naquela tarde, e eu percebi que ela me entendia melhor do que qualquer pessoa no mundo. O convite para ir à livraria, as tardes conversando sobre tudo... Bella era a minha música antes mesmo de eu compô-la. Mas meu pai não aprovava. Carlisle tinha uma visão militarista e prática da vida; ele queria que eu focasse apenas nos estudos e na escola de música. Ele achava que ela era uma distração.

Edward respirou fundo, e o brilho nos seus olhos escureceu.

— Certo dia, depois da escola, estávamos aqui. Bella passou horas me ouvindo tocar... exatamente neste piano. Tive a ideia de compor algo novo para ela, mas precisava de uma partitura que estava no escritório do meu pai. Pedi que ela buscasse. Quando ela voltou, estava pálida. Ela trazia uma arma nas mãos, algo que encontrou por acaso nas coisas do Carlisle e que a deixou em pânico. Ela veio me pedir ajuda, assustada, sem saber o que fazer com aquilo.

Eu apertei as bordas do banco do piano, sentindo o frio subir pela minha espinha.

— Eu estava sentado aqui mesmo, onde você está agora. Carlisle chegou antes que eu pudesse levantar. Ele viu a cena e explodiu. O grito dele, o escândalo... Bella deu um sobressalto, o susto foi grande demais. A arma escorregou dos dedos dela e, ao bater no chão, disparou.

Edward fechou os olhos, como se pudesse ouvir o estampido ecoando no quarto.

— A bala atingiu minhas costas em cheio. Foram oito horas de cirurgia, médicos correndo, promessas de milagres... mas o estrago na minha coluna foi irreversível. Fiquei em coma por três meses. Quando finalmente acordei, Bella tinha ido embora. Meu pai a culpou por tudo, despejou sobre ela um rancor que ninguém conseguiria suportar. Ele a expulsou da nossa vida enquanto eu nem podia abrir os olhos para defendê-la.

— Por que você não foi atrás dela depois? — perguntei, as lágrimas já queimando meu rosto de novo.

— Olhe para mim, Renesmee — ele disse, com uma melancolia que me quebrou por dentro. — Eu estava preso neste corpo. Foram anos de fisioterapia apenas para conseguir sentar. Eu dependo de alguém para me tirar da cama, para me vestir, para tudo. Naquela época, Carlisle estava cego pelo ódio e não me ajudaria a encontrá-la. Quando eu finalmente recuperei alguma autonomia, cinco anos haviam se passado. Soube por um conhecido que ela tinha tido um filho... e meu primeiro pensamento foi que ela tinha seguido em frente. Que estava casada e feliz. Comprei aquele urso de pelúcia, ensaiei visitá-la apenas para desejar felicidade, mas a covardia me venceu. Eu achei que ela estaria melhor sem o peso de um homem quebrado.

Ele fez uma pausa, olhando para as próprias mãos inertes.

— Só quando vocês voltaram para Forks é que a verdade apareceu. As fofocas na cidade pequena correm rápido... uma filha de quinze anos. Tudo fez sentido. Você era minha. Eu não precisei de nenhum exame de DNA para saber disso. Eu entendi que sua mãe foi embora carregando uma culpa que não era dela, e que você cresceu sem saber quem eu era porque ela não suportava encarar o que aconteceu. Eu implorei para o Carlisle ir atrás dela. Eu precisava de um perdão que eu nem sabia se merecia.

— Meu Deus... — sussurrei, cobrindo a boca com as mãos.

Toda a minha raiva, todo o ódio que eu alimentei por anos, parecia agora uma construção de areia sendo levada pela maré. Não houve abandono por falta de amor. Houve uma tragédia, um pai autoritário e duas pessoas cujas vidas foram estilhaçadas por um único segundo de azar.

Notas finais
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