Amor Sublime
7 Capítulo 7 — Muralhas de Silêncio
Notas iniciais
Jacob hesitou. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som da floresta e pela minha respiração ainda descompassada. Ele parecia estar travando uma batalha interna, os olhos castanhos percorrendo meu rosto como se estivesse decidindo se eu era forte o suficiente para ouvir a verdade ou se eu era apenas mais uma peça quebradiça naquele drama dos Cullen.
— Qual é? Pode contar — insisti. Eu estava faminta por qualquer migalha de honestidade. — Eu já ouvi o pior. Nada pode ser mais assustador do que o que eu já vi naquela sala.
— É que eu não deveria... — Jacob começou, a voz caindo um tom, mas ele foi interrompido por um ruído de galhos secos e uma respiração pesada.
— Graças a Deus... eu encontrei você — uma voz familiar murmurou, carregada de exaustão.
Carlisle surgiu entre as árvores a poucos metros de nós. Ele se apoiou no tronco de um pinheiro, o rosto pálido banhado em suor. Ele parecia ter corrido quilômetros, e vê-lo naquele estado — um homem que exalava tanta compostura — me deu um aperto no peito.
— Senhor Cullen? Você está bem? — Jacob reagiu instantaneamente, correndo para ampará-lo.
— Eu fiquei preocupado que você tivesse se perdido — Carlisle disse, a voz trêmula enquanto tentava recuperar o fôlego. — O Edward também ficou. Ele entrou em pânico.
Uma onda de tristeza, fria e pesada, invadiu meu peito. Mas não foi por Edward. Foi por Carlisle. Ele era um estranho, mas estava ali, arriscando a própria saúde para me buscar no meio do mato. Eu não sentia por ele o que sentiria pelo vovô Charlie, mas senti um peso de culpa. Eu tinha causado aquilo.
— Me desculpa, eu... — comecei, mas as palavras morreram na garganta.
— Não se preocupe, senhor Cullen. Encontrei a Nessie perdida e já estávamos voltando — Jacob informou, assumindo o controle da situação.
Jacob era muito mais forte do que eu imaginava. Ele sustentou o peso de Carlisle como se ele fosse feito de penas, conduzindo-o com firmeza em direção à casa. Seguindo logo atrás, não pude deixar de notar o contraste. Jacob transbordava vida; os músculos de seus braços se tensionavam sob a camiseta simples a cada movimento, uma força bruta e natural que parecia oposta à elegância frágil e hospitalar que eu encontrara na mansão.
— Seu pai está nos esperando para jantar — Carlisle declarou quando finalmente avistamos a fachada branca da casa.
Meus olhos arderam novamente. Pai. Carlisle usava a palavra com uma naturalidade que me agredia. Era impossível para mim aceitar aquele título para um homem que nunca esteve lá para segurar minha mão ou enxugar minhas lágrimas. Eu precisava de tempo, de respostas, e não de um jantar formal em um ambiente que cheirava a remédios.
Quando chegamos à entrada, Carlisle entrou primeiro, lançando-me um olhar suplicante para que eu não demorasse. Ele sussurrou algo para Jacob, que apenas assentiu com um movimento curto de cabeça.
Jacob parou nos degraus da varanda, as mãos nos bolsos, observando-me com uma expressão indecifrável.
— Foi um prazer conhecê-la, monstrinho — ele disse, e o canto de sua boca se curvou em um sorriso que quase me fez sorrir de volta.
Revirei os olhos, mas não consegui evitar um leve suspiro.
— Obrigada pela ajuda. Tanto por me encontrar quanto por ajudar o Carlisle.
— De nada. É o meu trabalho — ele deu de ombros, mas seus olhos brilharam com algo mais que apenas dever profissional. — Nos vemos por aí. — Ele piscou e começou a se virar.
— Espera! — o chamei, a urgência subindo pela minha garganta. — Que horas você vai para casa? Podemos nos encontrar mais tarde?
Jacob parou, as sobrancelhas erguidas em um arco de surpresa.
— O quê? Tipo um encontro?
Senti meu rosto esquentar instantaneamente.
— Claro que não! É para conversar sobre... você sabe. Aquele assunto.
A expressão dele mudou. O brilho divertido desapareceu, substituído por uma careta de desconforto. Ele retorceu os lábios, olhando para a floresta e depois para a porta da casa.
— Não acho que seja uma boa ideia, Nessie.
— Por que não? — questionei, a irritação começando a superar o constrangimento.
— Minha mãe vive dizendo que eu falo demais, e essa história... bem, ela não é da minha conta. Eu não deveria me meter.
A raiva borbulhou de novo. Era revoltante. Todos — minha mãe, meu avô Charlie, os Cullen e agora até o garoto que eu acabara de conhecer — pareciam ter feito um pacto de silêncio contra mim. Eles decidiram que eu não tinha o direito de saber sobre a minha própria vida.
Lendo minha expressão de pura frustração, Jacob amoleceu um pouco.
— Me desculpa. De verdade.
— Relaxa — eu disse, minha voz gélida. — Você não é o único que quer me esconder a verdade. Já estou acostumada a ser tratada como se não pudesse lidar com a realidade.
Virei as costas antes que ele pudesse dizer mais nada e segui a passos rápidos para dentro da casa. Se ninguém ia me contar a verdade, eu teria que arrancá-la daquela mansão sozinha.
Fale com o autor