Amor Sublime

8 Capítulo 8 — Entre a Piedade e a Fuga


Notas iniciais
Oi, tudo bem? Seja bem-vindo a mais um capítulo. Aproveitei o tempo disponível hoje e aqui esta mais um capítulo para vocês!

A caminho da sala de jantar, senti o celular vibrar no meu bolso. O peso no meu peito pareceu diminuir um pouco ao ler a mensagem da minha mãe.

“Oi, querida. Você chegou bem? Me liga assim que for possível. Eu te amo.”

Isabella terminou o texto com uma sequência de emojis: uma maçã, um tigre e um coração. Sorri involuntariamente. Pouco antes de viajarmos, eu tinha ensinado ela a usar essas figurinhas e, desde então, ela as enviava em combinações que raramente faziam sentido, mas que eram a cara dela. Respondi rapidamente, ocultando o caos do meu dia e prometendo ligar mais tarde. A verdade era que eu não estava nada bem, mas meu corpo começou a reclamar de outra coisa: meu estômago roncou, lembrando-me de que a ansiedade me fizera pular o café da manhã.

Ao entrar na sala de jantar, no entanto, a fome desapareceu por um instante.

Fui atingida por uma cena que me assustou de uma forma profunda. Carlisle estava sentado ao lado de Edward, levando cuidadosamente a comida à boca dele. Ver um homem que deveria estar no auge da vida precisar de ajuda para o ato mais básico de sobrevivência me deu uma perspectiva terrível da sua realidade. Ele não tinha opções. Ele não tinha autonomia.

Notei novamente o olhar exausto de Carlisle. Para eles, aquilo era a rotina; para mim, era um lembrete visual de que o "pai" que eu odiava estava preso em sua própria biologia. Comi em silêncio, mantendo os olhos baixos, sentindo o peso das perguntas não feitas flutuando sobre a mesa.

Pelo que o vovô Charlie tinha mencionado anos atrás, eu imaginava que a família Cullen fosse imensa, cheia de tios e uma avó. Mas a casa estava vazia, mergulhada em um silêncio hospitalar. Onde estavam os outros? Por que apenas os dois restaram naquele castelo de vidro? Ao final do jantar, nenhum deles mencionou minha explosão no quarto ou minha fuga para a floresta. O silêncio era um alívio, mas também uma barreira.

Carlisle me conduziu até o meu quarto. "Quarto" era um eufemismo; era uma suíte magnífica. As janelas iam do chão ao teto, cobertas por cortinas azuis pesadas que prometiam isolar o mundo lá fora. A cama parecia uma nuvem, ladeada por um abajur de design impecável, e havia portas que levavam a um banheiro de mármore e a um closet onde caberia toda a minha vida antiga.

Esforcei-me para manter a expressão neutra. Não queria que vissem o quanto eu estava chocada. O luxo era perfeito, mas parecia um suborno silencioso por todos os anos de falta.

— Se precisar de qualquer coisa, meu quarto fica no primeiro andar. Ao lado do quarto do Edward — Carlisle informou, sua voz suave antes de fechar a porta.

Tomei um banho longo, sentindo meus músculos latejarem pela corrida na floresta. Assim que me deitei, a cama me abraçou, e eu senti que poderia apagar por dias. Mas o destino tinha outros planos. Um estalo seco contra o vidro da janela me fez pular.

Tack. Tack.

Caminhei descalça e cautelosa até a fresta da cortina. Lá embaixo, uma silhueta alta gesticulava. Jacob. Ele abriu um sorriso largo ao me ver e acenou para que eu descesse.

Um disparo de adrenalina substituiu meu cansaço. Fiz um sinal para ele esperar, enfiei um moletom por cima do pijama e calcei meus tênis. Desci as escadas na ponta dos pés, evitando cada degrau que pudesse ranger, e atravessei a sala de estar como uma sombra.

Jacob me esperava na porta de entrada, os olhos brilhando sob a luz da lua.

— Pronta para dar uma volta? — Ele indicou com a cabeça uma moto parada do outro lado da estrada.

Olhei para a casa silenciosa às minhas costas e depois para o sorriso livre de Jacob. Eu não precisava pensar duas vezes.


Notas finais
Os comentários de vocês é o único contato que temos e eu adoraria que vocês me dissessem qual é a sua impressão. ❤️ Recomendem! Favoritem a história!