Amor Selvagem!

16 Capítulo 16 ALGO ERRADO NO PARAÍSO...


Notas iniciais
Semana acabando... Férias também! Espero que gostem e se divirtam um pouco com este capítulo! Agradecimentos mega-especiais a todos que leem, comentam, favoritam, recomendam, curtem em silêncio... Bjs e até o próximo!!XD

Shina atendeu o duque e, em seguida, o empregado apresentou-se com uma chave tilintando entre os dedos. Como proprietária, ela manteve a discrição e não fez perguntas, nem insinuações. Apesar de não ser uma nobre, Shina havia aprendido muito com Dégel e este aprendizado agora lhe rendia muitos hóspedes.

Standiford, como sempre, suava e, depois de subir três lances de escada, vertia suor, como se tivesse feito um esforço sobre-humano. O quarto que lhe fora destinado era agradável, de teto inclinado, janelas amplas e uma boa cama. O assoalho brilhava, muito polido, e havia um tapete redondo que acentuava o clima íntimo. As cobertas de cama cheiravam a perfume de jasmim e uma pequena mesa cercada de duas cadeiras de assento forrado, coberta por uma toalha de linho com um castiçal de cobre, completava o ambiente.

Nervoso, Standiford pediu ao empregado que lhe trouxesse uma garrafa do melhor champanhe e fechou a porta. Ao olhar ao redor, sentiu uma excitação no baixo ventre, mas sabia que Valery não cederia assim, de primeira. Ainda mais que ele tinha falhado. Inferno, como odiava aquele duque empertigado e também aquele moleque que ousara lhe encostar a mão. De um jeito ou de outro, iria vingar-se dos dois e de todas as humilhações que ambos o tinham feito passar!

Longos minutos depois, uma batida discreta fez Standiford sentir o coração acelerar. Rapidamente, ele foi até a porta e abriu-a, deixando passar Valery que vestia um longo manto com capuz, parecendo uma sacerdotisa antiga ou uma misteriosa ladra. A mão delicada e branca como a neve foi estendida na direção do duque que beijou-a com devoção...

— Minha senhora... – disse ele.

— Eu não devia ter vindo, mas minha admiração pelo senhor é mais forte que eu... – respondeu ela, afastando-se dele.

— E-Eu... sinto muito! Sei que não devia ter ido procurá-la, mas... Mas, eu precisava vê-la! Só sentir o perfume de sua pele me acalma!

De uma forma estudada, Valery deixou cair o capuz e os olhos cor de safira fitaram Standiford com intensidade provocante...

— Ah, meu caro... – disse ela levando a mão ao rosto do homem. – Pelo visto, o plano falhou e é por isso que tivemos que nos encontrar aqui!

Standiford quase teve uma ereção com aquele toque suave em sua pele. Fechou os olhos e suspirou, enquanto Valery sentia vontade de rir com a cena. Patético! Pensou ela, enquanto o pegava pela mão e o levava até a cama.

O duque parecia enfeitiçado. Experiente, Valery sabia conduzir aquele jogo e Standiford sentia como se a própria deusa Afrodite estivesse ali.

Ela o fez sentar-se na cama e, em seguida, sentou-se ao lado dele. Falava sussurrando e olhando-o bem dentro dos olhos.

— Veja bem, meu querido... não estamos lidando com um qualquer. O duque de Chamberlain, mesmo tendo se tornado um preceptor goza de uma reputação irrepreensível. Andei sondando algumas coisas, mas o senhor Camus é tão discreto quanto um túmulo e não será fácil achar algo sórdido em suas ações, já que ele é um exemplo de conduta. Não bebe, não joga, não têm amantes...

— Impossível! Nenhum homem é tão... tão correto assim! Somente se ele fosse um santo!

— É verdade. E é aí que eu quero chegar... Esse Milo, o jovem o qual ele ensina e hospeda em sua casa. Além de ele ser um jovem vigoroso e muito bonito, nunca soubemos de nenhum aluno o qual o duque hospedasse ou mostrasse tanto interesse assim em seu sucesso... E, vamos convir que os dois andam juntos o tempo todo. Acredito que entre os dois existe mais que uma simples relação professor-aluno e, se investigarmos mais a fundo, creio que vamos achar alguma coisa bem interessante e... sórdida.

— Está sugerindo que ele seja...

— Homem bonito, solteiro e sem amante? Só existem duas opções para tal caso: ou ele é impotente ou... pederasta!

Standiford franziu o cenho e arregalou os olhos.

— Agora que falou... Eu fui bem cedo a casa dele e... assim que ele me recebeu, logo em seguida aquele moleque apareceu! Eles bem podem estar juntos, aqueles dois...

— Daqui para frente, vamos ficar com ouvidos e olhos abertos, meu caro... E eu até já sei por onde começar.

— Por onde?

— Digamos que... Vamos desenterrar o passado do duque, até chegar na lama mais recente! A dona dessa espelunca foi amante do avô de Camus, ache um jeito de extrair dela alguma coisa. Use esse seu charme, meu querido...

— Valery... A senhora é a luz que faltava em minha vida. – murmurou ele aproximando o rosto para beijá-la.

A viscondessa sorriu e desviou os lábios, oferecendo o pescoço. Standiford roçou-lhe o lóbulo da orelha e Valery fingiu um gemido de prazer, enquanto revirava os olhos sentindo cócegas e asco!

Standiford não tocava em uma mulher há meses. Não gostava das prostitutas, pois tinha medo de pegar uma doença. Arranjara uma amante que o traíra com seu cavalariço e resolvera substituir a cama pelo jogo, tendo em Jamian um parceiro à altura. No entanto, aquele celibato forçado agora pesava como chumbo em seu corpo sedento de sexo e só a proximidade daquela mulher que adorava o fazia... gozar.

Valery quase engasgou quando viu a mancha espalhando-se na braguilha de Standiford. Moisés escreva mil Tábuas da lei e me esqueça no deserto! O homem tem ejaculação precoce!

— Ah, meu querido, mas que honra despertar tamanho desejo em um homem viril como você... – disse ela contendo-se para não cair às gargalhadas.

— E-Eu... Isso nunca me a-aconteceu... – gaguejou ele.

— Mas é claro que não... – disse ela depositando um beijo rápido nos lábios do duque. – Isso é tensão, meu querido... Mas assim que tudo isso acabar, nós dois teremos uma longa noite de amor e eu prometo dar-lhe muito prazer e fazê-lo gozar bem devagar... – concluiu ela, sussurrando no ouvido do duque.

Standiford não sabia se sorria ou cobria os genitais. Sentia-se um tanto envergonhado.

— G-Gostaria de beber uma taça de champanhe? – perguntou ele se levantando da cama.

— Infelizmente, meu caro duque... Tenho que ir. Meu marido desconfiará se eu me demorar muito. Saí dizendo que ia à modista. – respondeu ela dirigindo-se à porta.

— Por favor, somente uma taça... – implorou Standiford.

Maldosamente, Valery olhou para os genitais do duque, fazendo uma expressão de dúvida.

— Creio que...

— Tem razão, minha querida. Estou sendo indelicado. – disse ele abrindo a porta para que ela saísse.

— Adeus... Quer dizer, até breve, meu... delicioso duque!

Standiford sorriu e Valery deixou o aposento da mesma forma misteriosa com que entrara. Minutos mais tarde, após beber sozinho da garrafa de champanhe, ele desceu e pediu para falar com Shina.

Sua Graça gostaria de falar comigo? Em que posso ajudá-lo? – perguntou a jovem.

— Tome! – disse ele estendendo um pequeno saco. – Aqui contém 50 libras, muito mais que a senhora fatura por mês! Esse dinheiro será todo seu se me contar o que eu quero saber.

Shina franziu o cenho. Podia alugar quartos, fazer vistas grossas para o que acontecia no interior deles, mas servir de informante, isso era algo que ela jamais imaginara fazer.

— Pegue seu dinheiro, Sua Graça eu farei de conta que o senhor nada disse. Não costumo fazer fofoca nem ser esse tipo de pessoa que o senhor está insinuando.

— Tem certeza? – insistiu ele levando a mão ao rosto de Shina.

Indignada, Shina estapeou a mão do duque e encarou-o com fúria.

— Creio que Sua Graça andou bebendo demais e esqueceu as boas maneiras em casa. Vou fazer de conta que isso não aconteceu! Pegue seu dinheiro e saia, por favor!

— Não preciso de lições de etiqueta e nem sermões de uma vadia que foi amante de um duque de merda! – gritou Standiford pegando o braço de Shina.

De imediato, o empregado corpulento e silencioso surgiu, encarando o duque de um modo que o fez estremecer.

— Algum problema, minha senhora? – perguntou ele.

— Não, nenhum! O senhor duque já estava de saída. Acompanhe-o, até a porta, por favor, Tatsumi. – respondeu Shina com firmeza.

O empregado tornou-se uma realidade bastante concreta ao postar-se à frente de Standiford.

— Me acompanhe! – ordenou Tatsumi fazendo questão de mostrar autoridade mesmo falando com um nobre.

Bufando, Standiford pegou a sacola com o dinheiro e deixou o estabelecimento. Shina sentia uma ira enorme, porém sabia que de nada adiantava. Respirou fundo e serviu-se de um copo de água fresca. Depois ficou pensando em que tipo de informação Standiford desejava. Logo, tratou de afastar os pensamentos e voltar à rotina de trabalho. Tatsumi retornou e olhou-a, tentando perceber qualquer tipo de aborrecimento. No entanto, Shina sorriu, afastando o clima tenso que pairara ali.

— Vamos trabalhar e esquecer este incidente. – disse ela.

— Sim, minha senhora. – respondeu o empregado e, em seguida, a chegada de um novo hóspede fez esquecer, momentaneamente, a indelicadeza de Standiford.

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Marin ergueu a cabeça quando Shion entrou na saleta. Ela já havia terminado seus serviços e estava sentada a uma mesinha lendo um livro e fazendo algumas anotações.

— Deseja alguma coisa, doutor? – disse ela, notando-lhe a expressão preocupada.

— Onde está Dohko? Fui vê-lo esta manhã e o quarto está vazio!

Ela sorriu, depois baixou a cabeça e retornou ao livro.

— Não se preocupe, o conde está bem e logo se juntará ao senhor no desjejum.

— Marin, Dohko tem melhorado visivelmente, mas não pode exagerar. Ainda está doente e requer cuidados. Diga-me, o que ele foi fazer?

— Disse-me ele que foi reavivar algo muito bom do seu passado e eu confesso que não sei ao quê ele estava se referindo...

Shion franziu o cenho e o silêncio reinou no ambiente por alguns instantes, até o som de cascos serem ouvidos e, logo em seguida, passos firmes e decididos no corredor da mansão.

— Bom dia a todos! – disse Dohko sorrindo e olhando direto nos olhos surpresos de Shion.

O médico notou que Dohko estava corado, a postura ereta e elegante havia voltado. O único detalhe que evidenciava a passagem do tempo eram alguns fios grisalhos entre os sedosos cabelos castanhos. Porém, no mais, o sorriso era o mesmo e o olhar continuava confiante e penetrante, de forma que, quando ele o fitava, o passado retornava vívido e cheio de promessas... Estamos ambos com 32 anos. No entanto, eu ainda me sinto como se tivesse 16!

— Onde o senhor esteve? Sabe que, apesar de sentir-se bem, não deve abusar.

— Sim, doutor. Mas, o fato é que... eu queria fazer-lhe uma surpresa.Venha comigo. – disse Dohko estendendo a mão.

Shion não conseguiu mais conter um sorriso e aceitou a mão que se entrelaçara à sua. A cena já não era uma novidade e nem desconhecida da rotina da casa. Ao recuperar-se da doença, Dohko retomara a personalidade firme e radiante que o caracterizava e chamara a jovem Marin, colocando-a a par de toda a sua história. Para surpresa de ambos, ela sorrira e cumprimentara a ambos. Podem contar comigo!

— Aonde vai me levar? – perguntou o médico.

— Se eu contar estraga a surpresa.

Os dois andaram alguns metros por uma pequena estrada, chegando a um recanto com uma grama verde e algumas árvores frutíferas em volta que criavam uma espécie de ninho. Embaixo de uma macieira, havia uma toalha estendida, uma cesta com frutas, pães e vinho do porto. Shion olhou em volta e franziu o cenho.

— Este lugar... Eu me lembro dele, mas... tinha uma construção aqui, não era assim como está.

Dohko encarou-o, levando a mão ao rosto alvo.

— Aqui era o celeiro onde fizemos amor pela primeira vez e onde tudo acabou. Por muitos anos, eu olhei aquelas paredes e pensei o quanto se podia sentir alegria e dor com a mesma intensidade. Resolvi botar tudo abaixo antes de adoecer... Peguei um machado e comecei a quebrar tudo. Pandora ainda estava ao meu lado e nunca entendeu o porquê. Logo em seguida, eu senti necessidade de preencher este lugar e então mandei plantar essas árvores e comecei a vir aqui, todos os dias ao pôr do sol. Foi aqui que decidi separar-me de Pandora e poupar a nós dois daquele casamento desastroso.

Shion sentiu a garganta apertar, então olhou em volta, percebendo o suave balançar das folhas e os finos raios de sol projetando-se por entre todo aquele verde...

— Está triste? – perguntou Dohko vendo que Shion permanecia calado.

— Não... Apenas, não consigo evitar lembrar algumas coisas. – respondeu Shion.

— Eu nunca deixei de amá-lo, Shion. E hoje sei que, mesmo doente, me permitir manter esse sentimento, foi o que me impediu de cometer uma loucura. Teve momentos em que eu desejei acabar com a saudade que eu sentia de nós dois, mas... no fim, havia sempre um fio de esperança de reencontrá-lo. Fosse na vida ou na morte.

Uma emoção explícita desfilou pelo rosto estreito de Shion. As lágrimas que se formaram nos olhos claros, foram engolidas e um sorriso distendeu os lábios delicados.

— Como médico, eu prefiro a vida... – disse fitando o rosto do amado.

E desta vez foi ele quem tomou a iniciativa e buscou os lábios do conde. Foi um beijo lento, provocante...

Dohko sentia o sangue ferver nas veias. A reação imediata e intensa fazendo disparar seu coração e estremecer seu corpo.

Percebendo como o corpo dele se retesava, Shion recuou um pouco, dando um toque de ternura ao beijo e falando entre os lábios entreabertos:

— Acho melhor maneirarmos aqui, você precisa se alimentar.

— Eu preciso de você.

A firmeza da voz e a certeza em cada palavra de Dohko eram surpreendentes. Ele tivera uma recuperação espantosa, embora ainda tivesse momentos de fraqueza. No entanto, nesse momento, ele se sentia pleno de vigor e desejava Shion com o se precisasse dele para respirar. Despiu a jaqueta e o colete com as mãos trêmulas. A gravata e a camisa seguiram o mesmo caminho... Estava inebriado pelos lábios macios do homem que o despertara para o amor, pelo cheiro da sua pele, uma lembrança tão intensa que, mesmo após 16 anos, ainda era fresca em sua mente e em seu corpo. Ele trouxe as mãos de Shion para o seu peito nu.

— Não tenha medo em tocar-me... Há muito espero sentir as suas mãos em mim, novamente.

Shion sorriu e o acariciou hesitante, temia que ainda fosse cedo para fazerem amor. Porém, sentir a textura firma da pele de Dohko e os gemidos de prazer que ele deixava escapar era um poderoso afrodisíaco para alguém que abdicara das relações...

— Eu também o quero, Dohko... Mas...

— Sem mas... – disse o conde e Shion sentiu-lhe o vigor nas carícias que se seguiram.

Despindo o amante, Dohko puxou-o para perto de si e buscou-lhe a boca, invadindo-a com a sua língua quente, sorvendo da umidade, do calor... Ficou um tempo naquela deliciosa troca, as línguas se procurando, tocando e enroscando fazendo Shion gemer e sentir seu falo latejar.

Dohko mordiscou-lhe o lábio inferior, lambendo e deixando a saliva cobrir os lábios, enquanto se insinuava mais, deixando que Shion sentisse a sua ereção túrgida roçar em suas coxas e em seu falo que também pulsava.

O coração de ambos acelerou... As mãos do conde acariciavam ávidas, o corpo de Shion, deslizando sobre as costelas que ficavam evidentes naquele corpo esguio, sentindo a musculatura, a pele, o ritmo dos gemidos prazerosos, o movimento do tórax com a respiração ofegante...

Adorava a forma como era entre eles, intenso, um encaixe perfeito... Sentira a falta dele como quem sente falta de si mesmo. Depois que o abandonara, nunca mais havia tido uma relação de entrega e sexo onde sentisse o verdadeiro prazer, porque essa sensação era exclusiva de amor e dessa entrega sem reservas que descobrira na adolescência...

Em meio àquele frenesi de carícias, Dohko gentilmente tocou o rosto de Shion com as pontas dos dedos, um gesto terno que continuou sua trilha pelo pescoço, descendo e tocando um dos mamilos, enquanto circundava o outro com a ponta da língua numa carícia torturante, arrancando gemidos estrangulados do outro.

Não demorou muito para que aquela exploração fizesse o médico se contorcer, então Dohko desceu a mão para a junção entre as pernas dele. Provocou-o roçando, massageando, até introduzir os dedos na entrada de forma lenta e circular. Preparando-o e sentindo em antecipação o prazer em ser engolido pelo corpo do amado.

Shion fechou os olhos quando todos os seus sentidos centralizaram na mão máscula e no que ela estava fazendo. Sentiu um ardor e desconforto, fazia muito tempo que não tinha relações com ninguém. Tempo demais... Na verdade, todos os dezesseis anos em que ficara longe de seu amor.

Inalou profundamente quando se sentiu tocado em um determinado ponto. Seu corpo inteiro parecia em suspenso e então ele movimentou os quadris, seu corpo instintivamente procurando, seguindo o movimento dos dedos de Dohko, desejando-o dentro de si. Um gemido abafado escapou de sua garganta e uma onda de agonia e prazer o percorreu.

O conde retirou os dedos e outra dança sutil e ardente, começou. Arfante, Dohko encaixou-se entre as suas pernas, o membro viril sondando a entrada e, como sempre acontecera, desde a primeira vez que tinham se amado, os movimentos que Shion fazia com os quadris e a forma como apartava as pernas, o deixava desejoso de possuí-lo com fúria. Olhou-o, bem dentro dos olhos e, num movimento único, o penetrou. Um gemido longo e dolorido escapou dos lábios de Shion. O longo período de abstinência cobrava o seu preço...

—D-Dohko... – ele gemeu com uma expressão de dor, o rosto dele estava rígido e o conde percebeu.

— Relaxe... — disse o conde esfregando-se no falo de Shion, enquanto cobria os lábios entreabertos dele com um beijo profundo e devorador. Imprimia à língua, o mesmo movimento que agora retomava com os quadris até sentir o interior do médico ceder e ele relaxar, voltando a gemer daquele jeito que o enlouquecia...

Dohko estocava de forma circular e lenta, mergulhando inteiro dentro de Shion, fazendo-o grunhir, não mais de dor, mas de um prazer saudoso e intenso que atingia os dois como uma força insana e primal. Shion gemia alto e a pressão no ponto onde os corpos deles se uniam crescia, cada vez mais, envolvendo-os num calor tão tempestuoso que contrastava com a palidez matinal daquela manhã...

A ânsia do orgasmo, dentro deles, estava chegando ao ápice. Os barulhos da natureza que acordava e do vento suave que continuava a embalar as árvores não impediram que Shion percebesse o quanto seu corpo precisava de Dohko. Também não abafaram os gemidos enrouquecidos, nem a sensação do falo poderoso de Dohko indo fundo dentro de si, deixando-o com o rosto afogueado, a boca entreabrindo-se para puxar o ar...

As peles se atritavam e transpiravam, mesmo com o clima ameno, os corações batiam descompassados e o contato entre as peles fez efervescer tudo ao seu redor. Só havia Dohko ofegando junto a Shion, as mãos apertando forte a sua carne, os olhos cravados nos seus...

Shion manteve os olhos abertos e sentiu os tremores do gozo sacudirem o seu corpo, assim como o vento fazia vibrar as folhas e a grama. Agarrou-se a Dohko e sufocou um grito, mordendo com força os lábios e sentindo-se derramar no corpo dele. Ao mesmo tempo, Dohko parava de se mover, para em seguida enterrar-se profundamente dentro de Shion sendo envolvido pelas contrações desencadeadas pelo orgasmo. Ele gemeu e abraçou o médico como se quisesse absorvê-lo, dominá-lo. Havia paixão, calor e luxúria nos olhos verdes, mas também um amor indestrutível e inabalável. Shion sentiu-o tremer convulso e gemer rouco, inundando-o com seu sêmen, possuindo-o por completo, tornando-se um com ele, fazendo-o seu.

Abraçaram- se com um sorriso bobo nos lábios, sem nada dizer. Ficaram ouvindo as respirações, usufruindo da intimidade que nunca se perdera e que jamais ousaram construir com outra pessoa. Dohko fechou os olhos e estreitou Shion junto a si. Estava exausto, satisfeito e tão feliz que quando isso acontecia, não havia outra coisa a dizer que não fosse a confissão explícita de seus sentimentos mais profundos:

— Eu te amo, Shion...

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Quando a criada abriu a porta, Pandora sentiu em seu olhar que havia algo, então não surpreendeu-se, totalmente, ao ver Hades e Minos esperando-a na sala. O conde olhou-a e, em seguida, Minos levantou-se com aquele sorrisinho indefinido que ela detestava.

— Onde esteve? – perguntou Hades.

— Pelo visto em algum lugar com lama... – falou Minos notando alguns respingos na saia do vestido claro.

— Fui à modista e resolvi caminhar um pouco. Uma péssima ideia, na verdade. – respondeu ela.

— Caminhar? Na cidade e naquele tipo de bairro? – inquiriu Hades.

— Pensei em depois procurá-lo, mas acabei desistindo devido a esse incidente. – disse Pandora olhando para os respingos. – Se me dá licença, vou me trocar e ficar mais apresentável.

— Não se apresse... Esse detalhe lhe dá um ar selvagem e sedutor, minha cara. – disse Minos olhando-a, fixamente.

Pandora odiava quando ele a olhava assim, sabia que tempos depois seria retratada em mais uma obra de arte, sempre de forma erótica e, muitas vezes, até vulgar.

— Com licença! – insistiu ela e Hades se aproximou e tocou-a no rosto, fazendo-a olhá-lo.

— Hoje à noite, Valery fará um jantar íntimo para alguns amigos e convidados. Esteja pronta às 20h00min.

— Está bem. – respondeu, fracamente.

Hades deixou-a subir as escadas, então fez um sinal para Minos.

— Vamos ao clube ou tem alguma outra ideia em mente?

Minos sorriu.

— Sabe que se... me der escolha, sempre vou preferir os lugares mais privados. Mas, teremos muito tempo juntos no jantar de hoje. Então, vamos ao clube.

Os dois deixaram a mansão e Pandora ouviu o barulho da porta pesada se fechando no andar de baixo.

Ela lutou para impedir aquele engasgo que sentia na garganta. Recusava-se a chorar. Tinha era que resolver aquela situação de uma vez por todas. Não era mais ingênua, nem uma donzela virginal com sonhos de princesa. Desejava uma vida plena, com direito a marido, filhos, sentimentos verdadeiros e firmados na cumplicidade e não naquele pacto erótico que tinha com Hades.

Tentaria uma última vez, mesmo sabendo que aquele jogo estava com as cartas marcadas e que, talvez, seu destino já estivesse traçado pelas próprias escolhas erradas.

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Saga foi acordando aos poucos, retornando à consciência como se voltasse de um outro mundo... Por alguns segundos se perguntou onde estava, olhando ao redor, e sentindo o cheiro de algo forte próximo das narinas.

— Sente-se melhor, senhor? – a pergunta, acompanhada dos sais, mais o olhar preocupado de Christopher o fez franzir o cenho e sentir, de novo, aquela dor lancinante em sua cabeça.

— O-O que aconteceu?

— O senhor pediu-me para providenciar um café e quando voltei, o vi desacordado nos aposentos de seu irmão.

— Não me lembro disso... – falou Saga, tentando se levantar e constatando estar em sua cama.

— Já mandei chamar o médico, senhor. Agora aconselho que tome esta colher de láudano e descanse.

Sem conseguir focar sua visão, Saga obedeceu e bebeu o remédio. Instantes depois, a sonolência transformou-se em um sono profundo onde imagens da infância e da adolescência disputavam a primazia das emoções conflitantes que sempre existiram em sua psique... Saga as trancafiara em celas muito bem escondidas, porém o espectro da culpa os estava libertando vagarosamente, uma a uma...

Como assim você ama Kanon como homem?Vocês são irmãos! Isso é pecado, Saga! Um pecado mortal! Vai arder no Inferno!

Imerso naquele pesadelo, o corpo suado de Saga agitava-se e ele via-se gritar, sem, no entanto, ouvir sua voz. Era um grito mudo, angustiado e dolorido. Ele achava que já tinha superado, mas ao sentir-se inseguro quanto ao amor de Kanon, tudo voltara à estaca zero: o medo, a culpa, o conflito nunca revelado a ninguém...

Se você permitir, eu acabo com tudo isso! Deixe-me te ensinar a não sentir essas emoções patéticas! Você pode fazer tudo o que tiver vontade... Foder com quem quiser... Mesmo que seja o irmãozinho querido! Há!Há!Há!Há! Sua mãe já deixou este mundo! Ela não pode mais impedir... Ela está morta, mas você está vivo! Não seja trouxa!

Me deixe em paz! Vá embora!

Me aceite, Saga... Você vai gostar, eu garanto!

Christopher via seu patrão debatendo-se, o corpo encharcado e rezava para que o médico soubesse o que fazer. Na sua humilde concepção, parecia que seu patrão estava sendo possuído por algum demônio e isso o aterrorizava mais que aquela situação incestuosa à qual, todos faziam vista grossa...

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— O que aconteceu? – Afrodite não estava preparado para aquela visita e logo, àquela hora da manhã.

— Desculpe-me por vir assim, mas eu precisava de um amigo. – disse Kanon.

— Vamos até meu escritório. – falou Afrodite.

Máscara havia visto a chegada de Kanon e lutava para manter uma expressão fria no rosto. Porém, estava se tornando cada vez mais difícil, ainda mais que os dois pareciam tão íntimos como quando haviam sido amantes. Sentindo uma raiva cega, cerrou os punhos com força sob a toalha da mesa e só os abriu quando um dos empregados disse que ele tinha visita...

O moreno levantou e saiu, derrubando a cadeira e sentindo uma fúria crescente dentro do peito. Quando lhe diziam que tinha visita era porque uma certa loira o estava procurando. Era a noite dos jogos e ela devia ter alguma novidade que o animasse, pelo menos.

June aguardava sentada na poltrona que divisava o quarto do moreno, os ouvidos sempre atentos aos sons do corredor. Logo ouviu passos pesados que, sem dúvida, eram de Máscara da Morte. Em seguida, ele entrou e ela admirou-lhe o porte másculo com um sorriso malicioso.

— Está com ótima aparência e eu tenho novidades...

Máscara passou a mão pelos cabelos, tentando disfarçar a impaciência e o ciúmes.

— Conseguiu que seu amante venha hoje? O irmão dele já está aqui.

— Melhor que isso! Saga está indisposto, parece que aconteceu algo entre ele e Kanon, não sei direito. Então, procurei o conde Aiolia e sugeri que ele convencesse outros nobres a prestigiar os jogos essa noite. Ele prometeu-me que vem e como goza de bastante prestígio na corte, certamente, outros o acompanharão. – disse June com um largo sorriso.

O moreno franziu a testa, depois tornou a olhar para o rosto entusiasmado de June. Ela deixou escapar um suspiro que lembrava o ronronar sensual de uma gata.

— Agora... creio que me deve um agrado... – disse ela mordendo o dedo indicador.

Máscara da Morte não respondeu, apenas se aproximou da mulher mantendo os olhos fixos em seu rosto e ignorando que não conseguia deixar de pensar em Afrodite.

Sentindo o desejo invadi-la, June tomou a mão de Máscara e a encostou junto à curvatura dos seios. Ele sentiu a respiração quente dela e deixou que ela o beijasse. Em seguida, ela o tomou pela mão e levou-o para junto da cama. As roupas foram caindo uma a uma, e Máscara passeou o olhar pelo corpo perfeito, as pernas longas, os quadris arredondados, a cintura fina e os seios firmes e brancos...

Ela sorriu e ele também. Então ele levantou-se novamente e foi atiçar o fogo da lareira. Quando voltou para a cama, trouxe junto uma garrafa de conhaque e bebeu no gargalo, sentindo o ardor do álcool acalmá-lo, um pouco. Depois tomou os lábios de June com rudeza, inclinando-se para acariciar-lhe os seios e deslizar as mãos pela cintura e coxas...

— Tire a roupa... – sussurrou ela e Máscara obedeceu, desvencilhando-se do último impedimento físico que o privava de sentir o corpo da mulher com quem já tivera muito prazer.

Os músculos rijos e a pele morena a deixavam excitada e ele posicionou-se para penetrá-la e acabar com aquela angústia que sentia e que acreditava fazer cessar ao possuí-la. Olhando-a nos olhos, a imagem de Afrodite saltou como se fosse um encantamento e então, algo saiu errado...

Merda! Isso nunca me... aconteceu! – disse ele sentando na cama e levando a mão aos cabelos desalinhados.

Não tem importância... Você deve estar ansioso com os jogos e ainda é muito cedo... — disse June sorrindo sem graça e levantando-se da cama, enrolando-se no lençol branco e perfumado. – Quem sabe uma gemada com vinho do porto?

Máscara da Morte colocou a cabeça entre as mãos e arregalou os olhos. Por acaso era um velho impotente prá precisar de gemada antes de ir para a cama com uma mulher? Estava furioso, mas isso nunca tinha sido problema. Podia foder, brigar e beber durante a noite ou pela manhã e seu... instrumento nunca falhava!

Era outra coisa... Algo que o estava consumindo, fazendo doer como nenhuma outra relação ou perda já o fizera! O problema era aquele sentimento estranho e forte por Afrodite e o ciúme que sentia só em imaginá-lo na cama com Kanon, novamente! Merda! Puta-que-pariu! Grunhiu baixinho, pegando as roupas espalhadas pelo chão.

Você está bem? Quer que eu mesma prepare a gemada? – perguntou June estranhando o que acontecera e também as atitudes de Máscara.

Não! Desculpe, mas eu preciso fazer uma coisa e é agora! – disse ele vestindo somente o necessário e saindo porta à fora.

Notas finais
Obrigada, mais uma vez! Aghata Marie, Heloisa unleashed, ddkcarolina, JB, Angel Rose Black, Angelique, Hatake Sayuri, Mel Dark, Shall, Saturno, Meliare, LucyStar, Vampire Wlaker, Jurietto, Kemylly, Lemony, Chidori que me encantam com sua gentileza e emoção e também para quem favoritou e lê silenciosamente: Dandara Melo, Thayná Freire, Jane Negume, Chuva gótica e Lady Jun! E os que leem, mas tem preguiça! * risos Bjs a todos e bom fim-de-semana!!!!